segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

NORDESTE 2016

Texto de Aloisio Guimarães

Vou remar contra a maré e arranjar briga com os meus leitores cariocas (se é que os tenha)!
Não fiquei nenhum pouco contente com a escolha do Rio de Janeiro para a sede das Olimpíadas de 2016.
Torci para ser no Brasil, mas que não fosse o Rio de Janeiro a cidade escolhida e sim em qualquer cidade do Nordeste.
Veja o meu ponto de vista e depois julgue:
Segundo projeções iniciais, deverão ser gastos cerca de R$ 29 bilhões na infraestrutura necessária à realização dos jogos, tais como, ginásios, vila olímpica, estádios, etc. Considerando que a Lei Nº 8.666 - Lei das Licitações Públicas - permite, através de aditivos, que o valor de uma obra de construção, o que é o caso, seja acrescido em até 25% do valor do seu contrato, este dispositivo legal, por si só, já eleva a estimativa inicial de gastos para perto de R$ 36 bilhões!
São 36 bilhões de reais... É muito dinheiro!
Por aceitar completamente a justificativa de que todo esse investimento tem o seu retorno garantido e que traz desenvolvimento é que questiono o porquê de não ter sido uma cidade nordestina a escolhida para sede das Olimpíadas.
- Será que nós somos mais desenvolvidos do que o sudeste e sul do país?
- Será que o povo dessas regiões necessitam mais do que os nordestinos, por exemplo, de educação, saúde, saneamento básico, estradas, água e escolas?
Sabemos que não é verdade!
Meu amigo, eu vou repetir: são 36 bilhões de reais!
- Já pensou o que poderia ser feito no Nordeste com tanta grana? Quantos Postos de Saúde, Escolas, Hospitais e Maternidades dariam para fazer? Quantos açudes, cisternas e poços artesianos poderiam ser feitos, para resolver o problema da seca?
Não me venha justificar, dizendo que receberemos uma parcela do turismo que visitará o Brasil durante os jogos porque, se esse evento fosse realizado aqui no Nordeste, o sul e o sudeste receberiam quase todos os turistas e não apenas uma pequena parcela! Não tenho a menor duvida!
Antes que você argumente sobre “mão de obra especializada”, quero lembra-lhe, por exemplo, que quem construiu e continua construindo São Paulo fomos nós, nordestinos!
Também não me venha dizer que não será usado nenhum dinheiro público para essas obras porque eu não acredito em Papai Noel!
Não tenho nada contra o esporte, muito pelo contrário! Mas tem algo que me deixa encucado:
- Se a famosa frase “O importante é competir”, de autoria de Pierre de Coubertin, idealizador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, é o lema das Olimpíadas, por que é que se exige tanto luxo para que um país seja a sede dos jogos?

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

OVERDOSE

Texto de Aloisio Guimarães

É muito comum vermos e/ou ouvirmos nos noticiários (rádio, jornal, televisão, blogs e sites) manchetes do tipo:
- A polícia apreende carga de cocaína avaliada em dois milhões de reais!
Em minha opinião, é o tipo de notícia revoltante!
Não consigo deixar de acreditar que este tipo de manchete passa para os desempregados, e para aqueles jovens que não tem rumo na vida, a ideia de que o tráfico de drogas é o meio mais rápido, seguro e sem esforço para o enriquecimento financeiro e material!
Não consigo deixar de acreditar que, iludidos com a grana imediata que este tipo de “serviço” lhes proporciona, eles não fiquem demasiadamente tentados a ingressar no chamado “mundo das drogas”. A tentação é tamanha que eles terminam entrando mesmo!
Acho que sou burro porque, na minha cabeça, manchetes de fatos semelhantes deveriam apresentadas desta forma:
- A polícia apreende carga de cocaína capaz de matar de overdose dois milhões de viciados!
A minha pouca inteligência entende que, somente desta forma, a ideia que vai ser fixada é a de que a droga mata, de que a droga não presta... De que a droga é uma droga!
A minha falta de conhecimento específico entende que a criança deve crescer ouvindo e aprendendo que a droga é ruim; jamais sobre o ganho fácil e a riqueza material que ela representa ou possa representar!
Eu sou burro...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A BOLSA

Texto de Aloisio Guimarães

De vez em quando estoura alguma crise econômica em todo o mundo, motivada pela quebra de algum banco poderoso, alguma declaração infeliz de um Ministro da Fazendo qualquer ou, simplesmente, basta uma dessas agências de avaliação de risco ventilar a possibilidade de "baixar a Nota” de determinado país.
Acontecendo alguma das hipóteses acima, de repente, o mundo econômico desaba: as ações das empresas caem entre 10% e 20%, ocasionando perdas de milhões de reais. Com medo de perderem mais dinheiros, os acionistas começam a vender as suas ações, aumentando ainda mais a desvalorização e, por consequências, o prejuízo. Em síntese: em fração de segundo, milhares de pessoas perdem milhões de reais, chegando investidor até cometer suicídio!
Confesso: eu sou um ignorante econômico, por isso não entendo que:
- Se as ações estão caindo, trazendo prejuízos aos investidores, por que, então, tem alguém com coragem para comprar essas mesmas ações que não param de cair?
- Será que alguém é louco o suficiente pra querer perder dinheiro?
Acredito que, se tem muito "doido" comprando uma empresa que dá prejuízo é porque existe alguma coisa esquisita no ar!
Diante da minha total ignorância econômica, repito, vou fazer um exercício de futurologia: vou imaginar que, num determinado dia, aconteça uma enorme catástrofe econômica no Brasil e que todas as ações das empresas sejam desvalorizadas não em 10%, 20% ou 30%, mas exatamente em 100% (cem por cento), ou seja, DESVALORIZAÇÃO TOTAL!
Se isto realmente acontecer, pergunto:
- A bodega do seu Manuel, lá da esquina da minha casa, que não negociou nenhuma ação na Bolsa de Valores, imediatamente valerá mais do que a Petrobras?
- Qualquer “pé rapado”, que tiver 50 reais no bolso, irá se tornar mais rico do que o maior acionista da Vale do Rio Doce?
Para mim, na dúvida, nada de Bolsa; se tivesse "algum", o meu dinheirinho ficaria era no Bolso!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

TWITTANDO COMIGO!

Texto de Aloisio Guimarães

Hoje em dia, principalmente nos meios de comunicação, só se fala em twitter.
O que é chique no momento é você ter o maior número possível de "seguidores", que são os "leitores de carteirinha" daquilo que você publicar, seja uma merda ou não.
A popularidade e a importância de alguém estão sendo medidas pelo número de seguidores que ele possui no tal de Twitter. Ter milhões de seguidores faz de você uma pessoa influente; faz de você "O cara"! E, segundo notícias publicadas, hoje, no mundo todo, “O cara” do twitter é o “comediante” brasileiro Rafinha Bastos. Pasmem: a pessoa considerada como "a mais influente do twitter” é aquele mesmo cretino que fez comentários beirando à pedofilia, dizendo que “comeria a Wanessa Camargo e também o bebê dela” e, não achando pouco, declarou que as mulheres feias, que fossem estupradas, deviam dar graças a Deus (sic) e, por último, não se dando por satisfeito, ofendeu grosseiramente as inocentes crianças excepcionais da APAE. A cretinice foi tanta que a Justiça mandou recolher o seu DVD de “piadas”, que estava sendo vendido na praça!
É inacreditável o quanto tem de idiotas sendo "seguidos" por idiotas! Pessoas que nada têm a acrescentar, vazias e sem cultura, estão sendo lidas e influenciando no comportamento de milhares de pessoas!
Já estou cansado de ler em todos os sites, coisas do tipo: “Débora Secco diz no seu twitter que torce por Fulano no BBB12”; “Luana Piovani diz no seu twitter que Fulana está gordinha”, “João dos Grudes diz no seu twitter que vai passar o carnaval em Salvador”...
Sites e blogueiros idiotas, nos querendo fazer de idiotas, "seguem" pessoas idiotas e publicam os comentários idiotas destes idiotas!
Ora, bolas, quanta idiotice, o que isso acrescenta à cultura brasileira?
É por tudo isso é que não gosto do twitter, ou melhor, não gostava, porque, como diz o ditado "quando não podemos com um inimigo, nos unimos a ele”, resolvi abrir a minha conta no twitter e vou mandar o endereço para todos aquele que conheço, esperando que sejam meus seguidores e divulguem meu twitter, para que eu fique famoso e depois rico, claro!
Aos meus futuros seguidores dou-lhes a certeza de que, me seguindo, vão saber, por exemplo:
Quando comi pilombeta e arrotei lagosta.
Quando eu pensei que era só um peidinho e me caguei todo.
Quando eu brochei e disse que dei três!
Quando limpei com jornal porque não tinha mais papel higiênico.
- Afinal, não é assim mesmo que a coisa funciona? 

sábado, 18 de fevereiro de 2012

QUEM TERÁ SIDO O BENEDITO?

Texto de Aloisio Guimarães

O palmeirense João Araújo Júnior é um daqueles arquitetos que pode ser considerado “pai d’égua”! Dono de um de traço perfeito e peculiar, entre outras obras, foi ele quem projetou a Estação Rodoviária de Palmeira dos Índios e o Palácio República dos Palmares, mais conhecido como “Palácio de Vidro”, sede do Governo do Estado.
Pela sua competência, João Araújo foi Secretário de Obras e Urbanismo de Palmeira dos Índios, na gestão do prefeito Albérico Cordeiro.
Devidamente apresentado, vamos ao causo:
Certa ocasião, como fazia tempos que não nos víamos e nunca mais eu tinha ido a Palmeira, o papo não poderia deixar de ser outro:
- E aí, João, como vai Palmeira? Quais as novidades por lá?
- Palmeira vai bem... Eu é que tenho trabalhando como um condenado! Vou lhe dizer como o Cordeiro trabalha: de madrugada, às 5 da manhã, ele já está na rua, visitando a feira, fiscalizando o açougue, distribuindo os garis... E exige ser acompanhado por todo o seu secretariado!
- É... O “homem” quer mostrar serviço!
Papo vai, papo vem, perguntei:
- Tem tomado umas biritas, João?
- Ora, se não! Falando nisso, eu tenho uma pra te contar...
- Fala logo, vai...
- Teve um colega nosso, que também é secretário do Cordeiro, que tomou uma cana “daquelas”, tão braba, mas tão braba, que, quando foi mijar, caiu no banheiro e ficou “atolado” entre a parede e a privada.
- E aí, ele se machucou muito?
- Que nada, o bicho teve sorte! Mas, como ele é bastante pesado, quase que tiveram de mandar buscar uma grua (guindaste) para levantar o cabra!
 - Ôxente, foi mesmo? E quem foi “a peça”?
João Araújo deu uma risadinha e foi saindo de fininho, respondendo:
- Digo a reza, mas não digo o santo...
- Vem cá, João! Vai embora não, diz logo!
- Digo nada... Só sei que, todas as vezes que ele vai mijar, assim que entra no sanitário, a privada já começa a gemer!
Hoje, trabalhando juntos novamente, todas as vezes que encontro com João Araújo, e isso é constantemente, pergunto-lhe quem foi "o emprivadado". Mas ele dá aquela risadinha característica e cai fora.
Já que ele não quer contar, quem souber me responda:
- Quem terá sido o “Benedito”?

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

UM HOMEM MAIÚSCULO

Texto de Aloisio Guimarães

Tentarei falar o máximo do homem, muito embora seja difícil separá-lo da sua atividade política.
Batizado como José Duarte Marques, por força das aspirações políticas, incorporou ao seu nome o apelido “Jota” (como era mais conhecido do povo palmeirense), passando a ser chamado José Jota Duarte Marques. Filho de Antonio Amorim e Ana Adelaide, teve apenas uma irmã sanguínea (Maria Luiza - minha mãe) e duas irmãs adotivas (Rosa e Vitória). Casou-se com Ivonete, de tradicional família alagoana, com quem teve 7 filhos: Ana Lúcia, Alexandre (falecido), Amparo, Tereza, Fernando, Raimundo e Elizabeth.
De infância pobre, após muitos anos de trabalho árduo, conseguiu ser um próspero comerciante. A sua loja “A Princesa do Sertão”, à época, foi uma das principais lojas da região.
Como era um comerciante bastante conhecido e respeitado da população, além de ser engajado nos movimentos religiosos, Jota foi convidado a ingressar na política, tendo sido eleito vereador e prefeito de Palmeira dos Índios por 2 vezes. Em seguida, foi deputado estadual por várias legislaturas, chegando a ser Presidente da Assembleia Legislativa e assumindo temporariamente o governo do estado.
Entre os diversos cargos importantes que assumiu, ele foi diretor da COHAB e da COBEL, nos anos áureos destas empresas.
Foi na sua gestão, como prefeito, que Palmeira dos Índios foi considerada “cidade-modelo”, título que encheu de orgulho o povo palmeirense. Nesse período, a cidade era iluminada e limpa, com meios-fios pintados, ruas e praças arborizadas. Na zona rural, levou luz elétrica, ensino de primeiro grau, ambulatórios odontológicos e construiu dezenas de estradas...
Foi Jota Duarte quem criou a lei que instituiu Hino e a Bandeira de Palmeira dos Índios. Quem não se lembra dos grandes carnavais na época em que ele era prefeito?
A sua casa sempre esteve de portas abertas para povo de Palmeira dos Índios, que sabia que podia contar com ele, quando fosse preciso. Se algum dia deixou de atender a algum pedido, foi por ter sido impossível fazê-lo! Sempre procurou fazer o bem a seu semelhante, independentemente de ser seu eleitor ou não, tendo por isso conquistado uma legião de amigos e admiradores em todas as cidades do estado.
Por ter convivido com Jota, sei da sua luta diária e incansável pelo progresso da nossa terra. Infelizmente, a grande parte da população atual é formada por jovens, que nem tinham nascidos, e por pessoas, que nem moravam na cidade, quando ele foi prefeito. Inocentes, fazem um julgamento errôneo, acreditando nas mentiras que seus adversários inventaram e que divulgaram, com carros de som, pelas ruas da cidade.
O ser humano deve ser avaliado pelos seus erros e seus acertos. Tenho certeza de que os seus acertos superaram, em dezenas de vezes, os seus erros.
Particularmente, tenho uma dívida de gratidão: foi ele quem me acolheu na sua casa, durante muitos anos, quando eu era estudante e não tinha onde morar, aqui em Maceió. Nunca esqueci que tive o tratamento igual ao que dava aos seus filhos, chegando até a receber a mesma mesada que ele lhes dava. A sua ajuda foi essencial para meus estudos e minha formação. Sem ela, com certeza, eu ainda estaria aí, em Palmeira dos Índios, "vendendo cachaça no bar do meu pai" e talvez tivesse até me tornado um alcoólatra!
A RAZÃO DA MINHA MAIOR ADMIRAÇÃO PELO HOMEM JOTA DUARTE É TER A CERTEZA DE QUE, APÓS VÁRIOS ANOS NA POLÍTICA, ELE SAIU DELA IGUAL OU MAIS POBRE DO QUE QUANDO ENTROU E SEM NENHUM HISTÓRICO DE VIOLÊNCIA EM SEU CURRÍCULO!
Mesmo distante, nunca esqueci (e nem esquecerei) o que ele fez por mim e pela minha terra!
Tenho muitos defeitos, mas a ingratidão não está entre eles, por isso:
- Obrigado, tio Jota; muito obrigado mesmo!
 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

CRIANÇA DIZ CADA UMA!

Texto de Aloisio Guimarães

A revista MANCHETE, para quem não sabe, foi um sucesso editorial do passado, comparado atualmente à revista VEJA, sendo leitura obrigatória de todo brasileiro. Nesta revista, o médico, escritor, jornalista, dramaturgo e compositor Pedro Bloch escrevia a coluna “CRIANÇA DIZ CADA UMA!”, contando fatos pitorescos, tendo como personagem central a criança. O sucesso foi tão grande que as historinhas foram publicadas em livro.
Somente após escrever o causo “VOVÔ-GAROTO” é que me lembrei de um episódio semelhante acontecido com a amiga e engenheira Nina Kátia, figura bastante conhecida dos engenheiros e arquitetos, pelo trabalho que desenvolve no CREA/AL, além de ser engenheira da Secretaria Estadual da Saúde.
Certo dia, ao encontrá-la, perguntei-lhe:
- Nina, soube que você requereu a aposentadoria... Mas você é tão nova e já quer se aposentar?
- É verdade, Aloisio. Mesmo gostando dos meus colegas e do meu trabalho, chega um momento que o amor à família fala mais forte do que tudo, sem contar com os aborrecimentos dos salários baixos pela não valorização profissional da nossa classe...
E não é que ela está certa?
Agora, vamos ao causo:
Como não tem muito com quem brincar, a única opção de Liz (carinhosamente chamada de Lili), neta da Nina, é recorrer “aos serviços da vovó” para este fim.
Como toda criança brinca sempre sentada, Nina é obrigada a sentar-se também, para satisfazer os desejos da neta querida.
Certo dia, após brincarem durante certo tempo, a Liz se levanta e sai correndo ”na maior”! Como a idade pesa, principalmente depois dos 50, com a Nina, o ato de levantar-se é muito diferente: primeiro ela coloca as  mãos no chão, para apoio; depois, no sofá e, após se levantar com dificuldades, coloca as duas mãos “nos quartos”, todos doloridos. Isso tudo sem aquele tradicional “ai”...
Ao vê-la gemer, a Liz, toda aflita perguntou:
- O que foi voinha, tá doente?
- Não, Lili, é a voinha que tá veinha...
Após meditar um pouco, a Lili, com aqueles olhos azuis que Deus lhe deu, fita o rosto da Nina e procura confortá-la:
- Não, voinha, você não é veinha, não! Você é coroa...
Ouvindo esta afirmativa e “acreditando que criança não mente”, a Nina ficou toda feliz da vida!
Eu acredito que criança mente...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

AMNÉSIA

Texto de Aloisio Guimarães

Detesto telefone celular. Melhor dizendo, detesto a dependência que as pessoas passaram a ter da geringonça.
Confesso que tenho um aparelho, mas ele está constantemente desligado. Somente faço uso dele quando vou viajar. Se dependessem da minha grana, as empresas de telefonia já teriam falido.
É impressionante como o brasileiro é “idiota por celular”! Em qualquer cidade, seja na rua do comércio ou em shopping, as lojas que vendem esses aparelhos sempre estão abarrotadas de gente comprando-os! E se isso não bastasse, eles compram chips a toda hora e mudam de número do telefone constantemente! Quem nunca ouviu o diálogo abaixo?
- Paulo, cansei de ligar e ninguém atendia...
- Ah, Pedro, esqueci de avisar: o meu numero agora é esse daqui...
Basta ser lançado um modelo novo (e eles fazem isso todo dia), para começar aquele corre-corre e empurra-empurra, onde todos querem ser o primeiro a ter a novidade.
Em qualquer loja de celulares, você pode testemunhar diálogos como:
 - Ei, vendedor, você tem o "Babaca 468KI235H2TKHL, com tecnologia 4G"?
- Ainda não, amigo, mas estamos esperando... No momento, só temos o "Otário 171", com 5 chips, câmera...
Nos dias atuais, o aparelho celular faz tudo ou quase tudo: rádio FM, GPS, televisão digital, máquina fotográfica, filmadora, internet, gravador, videogame, agenda... Resultado: você termina pagando caro por muita coisa que nunca vai usar ou vai usar muito pouco!
Acaba de ser lançado "um brinquedinho" mais moderno: o Ipad ou Tablet, como queiram. Com o surgimento deste equipamento, o celular já começa a ser considerado "coisa do passado".
O Ipad é a moda e a febre do momento! A cada atualização, fazem filas (com dias de antecedência) para comprá-lo e, quando conseguem, vibram como se tivessem ganhado na loteria! A vendagem ainda não é maior porque o aparelho “de melhor marca” ainda está caríssimo para os padrões das classes C e D, as mais pobres e, por incrível que pareça, as maiores consumidoras de celular!
E,  como troco, recebem de volta o péssimo atendimento das empresas de telefonia!
Quanta bobagem!
O meu aparelho celular só tem uma função básica, além da telefonia: a agenda (que procuro evitar usar)! Para que eu quero mais? Não é um telefone? O resto, que possa existir, nada mais é do que "meia-sola" com intuito comercial...
Aliás, a “agenda” é o motivo que faz com não goste telefone celular! Antes, quando não existia agenda em telefone, sabíamos “a nossa lista telefônica” de cor. Hoje, não! Se alguém não estiver com o celular na mão, não sabe o número do telefone da sua mulher, filha, mãe... O caso é muito sério, sendo muito comum o seguinte diálogo:
- Qual o número do seu telefone?
- Cara, eu não sei...
- Não sabe?!
- Claro que não, eu não ligo pra mim!
Sendo extremista, eu diria qu,e daqui a alguns anos, o homem não vai mais ter "memória" e sim "uma vaga lembrança".
Eu, não! Prefiro continuar exercitando a minha cuca e ter memória!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O VOVÔ-GAROTO

Texto de Aloisio Guimarães

Dylson de Luiz de Medeiros é uma daquelas pessoas que você não consegue deixar de gostar. Além de ser um bom profissional, engenheiro de formação, é inteligente, tendo resposta divertida para qualquer situação cômica que se apresente.
Nota-se claramente o quanto ele é educado ao observar a maneira respeitosa como ele se dirige aos mais velhos, mesmos para aqueles com que tem amizade e anos de convivência; tratando seus interlocutores não com humildade e nem submissão, mas com aquilo que se chama “berço”.
“Cebolinha”, como é carinhosamente chamado pela grande semelhança facial que ele tem com o famoso personagem da "TURMA DA MÔNICA", obra do genial Maurício de Sousa, faz da convivência cotidiana na empresa, momentos prazerosos para todos nós. Foram pouquíssimas as vezes, nestes 14 anos que trabalhamos juntos, que vi o Dylson “perder as estribeiras”, por qualquer motivo, quer fosse banal ou sério.
Apresentada a figura, vamos ao causo:
Um dia destes, numa segunda-feira, ele chegou cabisbaixo na repartição em que trabalhamos.
Notando o seu abatimento, perguntei-lhe:
- O que foi, Dylson? Estás doente?
No que ele respondeu:
- Não, estou é num baixo astral dos diabos...
- O que foi que houve?
- Aloisio, ontem eu fui jogar bola com a turma lá do meu bairro, como fazemos todo final de semana. Estava tudo bem, até que, quando eu estava com a bola, um garoto do meu time, gritou: “- Toca a bola pra mim, coroa”!
- Qual é o problema?
- O problema?! O problema é que eu parei e pensei: “- Será que estou ficando velho?” Então, cara, de fininho, “tirei meu time de campo” e fui para casa...
Não sei a idade do Dylson, mas, mesmo que já tenha 50, não parece; com a aparência de menino que tem, ele nem pense em começar a disputar “campeonato de veteranos”; pode continuar batendo sua bolinha com os garotos da sua rua mesmo.
- De qualquer modo, Dylson, não esquente porque só não envelhece quem já morreu. Deixe para se preocupar com a idade somente depois que aparecer o primeiro pentelho branco... No momento que isto acontecer, aí é verdade que você está ficando velho, “coroa”!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

OLHA O SERVIÇO, MARIA DE LOURDES!

Texto de Aloisio Guimarães

Nos dias atuais, os cegos já conseguem ler, andam com bengalas modernas, animais (principalmente cães) são treinados para guiá-los, as calçadas possuem pisos indicativos, etc...
Antigamente, a coisa era completamente diferente: todo cego era guiado por meio de uma vara, mais ou menos do tamanho de um cabo de vassoura. O guia seguia à frente, segurando em uma das pontas do pau, e o cego, atrás, segurando a outra ponta.
Em Palmeira dos Índios, “A Princesa do Sertão Alagoano”, minha inesquecível terra natal, nos anos 60/70, morava um ceguinho, cujo guia era a sua mulher, de nome Maria de Lourdes.
Eles circulavam pela cidade inteira, todo santo dia, pedindo esmolas à população. É evidente que era a Maria de Lourdes que andava à frente, segurando o pau do ceguinho, no bom sentido, claro!
Mas acontece que, vez por outra, a Maria Lourdes se esquecia de avisar ao ceguinho de algum obstáculo à sua frente, do tipo meio-fio, poste, poça d’água... E, por causa desse descuido, o ceguinho sempre levava algum “desacerto”. Nessas ocasiões, “puto da vida”, ele gritava bem alto, para a sua mulher:
- Olha o serviço, Maria de Lourdes!
Pouco a pouco, a população começou a perceber a constância com que o cego advertia a sua guia. Assim, com o passar do tempo, não deu outra: todo mundo na cidade passou a usar esta frase sempre que queria chamar a atenção de alguém, para algo que estava acontecendo ou prestes a acontecer.
Assim, por exemplo:
● Quando um filho estava fazendo uma traquinagem, o seu pai o repreendia, dizendo: “- Olha o serviço, Maria de Lourdes!”. Ouvindo isto, o garoto sabia que devia se comportar senão o “couro comia”!
● Quando dois rapazes estavam conversando e passava uma garota boazuda no outro lado da rua, aquele que a tinha visto, para que o outro também a visse, rapidamente dizia “- Olha o serviço, Maria de Lourdes!”.
De modo que este bordão foi usado por muitos anos na cidade. O interessante é que o ceguinho morreu no anonimato: todo mundo conhecia o nome da Maria de Lourdes, mas duvido que alguém soubesse o nome do ceguinho!
- Finalmente, não sei informar se quem morreu primeiro foi a Maria de Lourdes ou se foi o ceguinho. Em outras palavras, não sei dizer se foi a Maria de Lourdes que ficou sem o pau para pegar ou se foi o ceguinho que ficou sem ninguém para pegar no seu pau!

Agradeço ao amigo e também palmeirense Marcos Lucena, o "Marcão", o envio, em 24/10/2016, da foto abaixo, onde aparece a Maria de Lourdes, segurando o "pau do ceguinho" e com a lata de esmola nas mãos. Infelizmente o ceguinho não está na foto - provavelmente a imagem foi obtida depois da morte dele.