sábado, 31 de março de 2012

ÁLBUM DE FIGURINHAS

Texto de Aloisio Guimarães

Objetivando motivar as torcidas dos clubes alagoanos a Federação Alagoana de Futebol lançou nesta sexta-feira, 30 de março, o "ÁLBUM DE FIGURINHAS DO CAMPEONATO ALAGOANO DE FUTEBOL 2012".
Inicialmente, segundo notícias nos sites  alagoanos, serão disponibilizados no mercado 50.000 exemplares, cujo objetivo maior é atrair a atenção do torcedor para os times locais.
Na ocasião do lançamento, o presidente da Federação, Gustavo Feijó, desabafou:
- Ficamos tristes quando os torcedores alagoanos lotam os estádios e vestem as camisas de times de fora, quando poderiam torcer pelos times do Estado.
Tem toda razão o mandatário do futebol alagoano. Mas...
- O que não da para entender é como querem motivar o público, lançando o tal o álbum perto do final do segundo turno, praticamente no fim do campeonato!
Para o torcedor de Palmeira dos Índios, o álbum serve como prova documental da passagem de um dos maiores artilheiros do futebol mundial - Túlio Maravilha - pelo glorioso CSE.
Que em 2013, sejam tomadas todas as providências para que a iniciativa não demore tanto, motivando, de verdade, o torcedor.

quinta-feira, 29 de março de 2012

MEU ADORÁVEL PRIMO

Texto de Aloisio Guimarães

Certo dia estava na praia de Jatiúca, sozinho e sentado na areia, quando apareceu um primo meu, de nome José "Zé" Aloisio, que fazia tempos que não nos encontrávamos Assim que me viu, após os cumprimentos iniciais, ele sentou-se junto a mim.
Depois de alguns minutos, duas garotas, na faixa dos 20 anos, sentaram próximas a nós.
Sem se importar com a presença das jovens, continuamos a conversar sobre nossa família:
- Como vai tia Isa (como minha mãe era chamada na família)?
- Vai bem... E tia Lucila (mãe dele, minha tia), como vai?
Pela proximidade, cerca de um metro, mesmo sem querer, as duas garotas ouviam toda a nossa conversa e percebiam que éramos primos.
De repente, Zé Aloisio fica em pé e me convida:
- Primo, vamos dar um mergulho?
Eu respondi:
- Vou não, primo, a água está muito fria; vai você, que eu fico aqui...
Em seguida, ele tira o relógio do pulso, a carteira porta-cédula e a camiseta e, dirigindo-se a uma das garotas, entrega-os e solicita:
- Você dá uma olhada aqui, prá mim?
E, passo seguinte, se dirige para o mar.
As duas garotas olharam para mim e fizeram aquele olhar interrogativo, estranhando o fato dele não ter confiado os seus pertences a mim, seu primo, visto que, ouvindo o nosso papo, elas tinham tomado conhecimento do nosso parentesco.
Mudamente, eu respondi-lhes apenas "dando os ombros"...
Como não encontrei um buraco para me esconder, levantei-me e fui embora, sem esperar o meu “querido” primo sair da água.
Com todo respeito à minha tia:
- Um tremendo filho da puta!
Até hoje não tenho notícia se ele morreu afogado...

quarta-feira, 28 de março de 2012

DISCRIMINAÇÃO CONTRA OS BRANCOS

Texto de Ives Gandra Martins

Hoje tenho eu a impressão de que o “cidadão comum e branco” é agressivamente discriminado pelas autoridades e pela legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que sejam índios, afrodescendentes, homossexuais ou se autodeclarem pertencentes às minorias submetidas a possíveis preconceitos.
Assim é que, se um branco, um índio ou um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles. Em igualdade de condições, o branco é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior.
Os índios, que pela Constituição (art. 231) só deveriam ter direito às terras que ocupassem em 5 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado. Menos de meio milhão de índios brasileiros - não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também - passaram a ser donos de 15% do território nacional, enquanto os outros 183 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% dele. Nesta exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não índios foram discriminados.
Aos “quilombolas”, que deveriam ser apenas os descendentes dos participantes de quilombos, e não os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito.
Os homossexuais obtiveram, do Presidente Lula e da Ministra Dilma Roussef, o direito de ter um congresso financiado por dinheiro público, para realçar as suas tendências, algo que um cidadão comum jamais conseguiria.
Os invasores de terras, que violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que o governo considera, mais que legítima, meritória a conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em relação ao cidadão comum, desempregado, que não tem este 'privilégio', porque cumpre a lei.
Desertores e assassinos, que, no passado, participaram da guerrilha, garantem, a seus descendentes, polpudas indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros. Está, hoje, em torno de 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para “ressarcir” àqueles que resolveram pegar em armas contra o governo militar ou se disseram perseguidos.
E são tantas as discriminações, que é de se perguntar: de que vale o inciso IV do art. 3º da Lei Suprema?
Como modesto advogado, cidadão comum e branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço, nesta terra de castas e privilégios.

terça-feira, 27 de março de 2012

O CARONA

Texto de Aloisio Guimarães

Este causo é dos tempos da saudosa Faculdade de Engenharia.
Maceió, hoje é uma cidade de porte médio, mas, nos anos 70, era uma cidade pequena, calma, onde podíamos andar a qualquer hora do dia ou da noite. Com certa dose de exagero, podemos dizer que todos se conheciam!
Nesta época, a Cidade Universitária, localizada entre o Aeroporto e o centro da cidade de Maceió, era recém-construída. Era um lugar longe e totalmente isolado, sem os vários conjuntos habitacionais que hoje a rodeiam. O isolamento era tanto que, por falta de passageiros, existia apenas uma linha de ônibus (Empresa São Luiz, hoje extinta), de frequência irregular, para o transporte dos estudantes.
Como ainda não existiam assaltos, os universitários se valiam muito mais das caronas dos colegas e também daquelas conseguidas às margens da rodovia BR-101, do que do transporte coletivo.
No Departamento de Matemática, um dos professores que ensinavam Álgebra Linear era o Professor Gusmão, uma figura estranha e de traço irlandês (barba e cabelos ruivos). Era um conhecido sovina! Só para ter uma ideia, nem ao seu pai, já idoso e também professor universitário, o cara dava carona. O seu pai, já velho e cansado, na maioria das vezes, viajava de ônibus, em pé, imprensado no meio dos passageiros...
Aos estudantes, o professor Gusmão, como forma de negar carona, sempre dizia que ia para o lado oposto do local onde eles queriam ir. Sabendo disso, decidimos que seria uma questão de honra pegar carona no carro dele! Para isso, bolamos um plano simples e infalível, fazendo com que ele respondesse exatamente a direção que queríamos:
Certo dia de inverno, muito chuvoso, estava no ponto de ônibus, juntamente com Moisés (já falecido) e Renato Américo... Em determinado instante, avistamos o professor Gusmão entrando no seu Del-Rey - na época, era o automóvel sensação e considerado carro de rico!
Quando ele foi se aproximando do local onde estávamos. fizemos sinal, pedindo que ele parasse. Para nosso grande espanto, o cara parou!
- Professor, o senhor vai para o aeroporto? - Perguntou, maliciosamente, o Moisés.
- Não, vou para Maceió... - Respondeu o professor, apontando, como sempre uma direção oposta para onde os alunos perguntavam.
- Ótimo, porque é para lá que nós vamos mesmo! - Disse o Moisés, já abrindo a porta do carrão.
O professor, puto da vida, não teve alternativa a não ser carregar os "três malas", mas ele conseguiu se vingar... E que vingança!
No meio do percurso, ele indaga:
- Que cursos vocês fazem?
- Engenharia Civil... - Respondeu o Moisés.
- É?! Então vou dar um conselho: estudem muito, para que um dia vocês possam comprar um carrão como este...
O Moisés, que poderia ter ficado de bico calado, respondeu, na bucha, querendo sacanear com o professor, por todas as caronas anteriormente negadas:
- Mas, professor, estudar tanto para ter uma merda de um carro como este...
O professor Gusmão não perdeu a viagem: freou imediatamente o carro, abriu a porta e simplesmente disse:
- Desçam!
Por culpa da língua do Moisés, ficamos no meio do nada e na chuva.
Como todas as universidades adotavam o chamado Regime de Créditos, pelo sim pelo não, evitamos estudar Álgebra Linear no período seguinte...

segunda-feira, 26 de março de 2012

TRANQUILIZANTE

Texto de Aloisio Guimarães

Se o seu filhinho voltar da escola com a cara quebrada, toda ensanguentada, inchada e/ou com olho roxo, não fique preocupado porque não é violência: é apenas o coleguinha dele que está treinando para o "saudável esporte das lutas onde vale tudo" (MMA, MFC, UFC...), a mais nova  sensação da  televisão brasileira, com direito até a um reality show!
Não esquenta, meu companheiro: é a mesma coisa que ele tivesse jogado futebol e chegasse com o joelho arranhado...

CUIDADO, PODE MATAR!

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

O orgasmo feminino é coisa da qual as mulheres entendem muito pouco e os homens muito menos.
Pelo fato de ser uma reação endócrina, que se dá sem expelir nada, não apresenta nenhuma prova evidente de que aconteceu ou se foi simulado. O orgasmo masculino, não: é aquela coisa que todo mundo vê, deixa o maior flagrante por onde passa!
Diante desse mistério, as investigações continuam e muitas pesquisas são feitas. Centenas de livros já foram escritos para esclarecer este gostoso e excitante assunto.
Outro dia, no programa do Jô Soares, uma “sexóloga sergipana” deu uma entrevista sobre o orgasmo feminino. A mulher, que mais parecia a gerente comercial da Wallita, falava do corpo como quem apresenta o desempenho de uma nova cafeteira doméstica.
Apresentou uma pesquisa que foi feita nos Estados Unidos para medir a descarga elétrica emitida pela periquita na hora do orgasmo e chegou a incrível conclusão de que, na “hora h”, a periquita dispara uma descarga de 250.000 microvolts! Ou seja, cinco pererecas juntas, ligadas na hora do “ai meu Deus”, seriam suficientes para acender uma lâmpada. Uma dúzia, então, é capaz de dar partida num fusca com a bateria arriada!
Uma amiga me contou que está treinando para carregar a bateria do telefone celular. Disse que gozou e, tcham, tcham, tcham... Carregou!
É preciso ter cuidado, porque isso não é mais “xibiu”, é torradeira elétrica! E se der um curto circuito na hora de “virá os zoinhos”, além de vesgo, a gente sai com mal de Parkinson e com a “linguicinha” torrada.
Pensei: camisinha agora é pouco; tem de mandar encapar na Pirelli ou enrolar com fita isolante. E na hora "agá", não tire o tênis e nem pise no chão molhado porque pode ser pior!
É recomendável, meu amigo, que na hora que você for “molhar o seu biscoito”, lá na canequinha de sua namorada, perguntar:
 - É 110 ou 220 volts?
Senão, meu xará, depois do que essa mulher falou lá no Jô, pode dar ovo frito no café da manhã!

domingo, 25 de março de 2012

MORTE COVARDE

Texto de Aloisio Guimarães 

O problema de Abastecimento de Água em Palmeira dos Índios sempre foi crônico. Somente após a construção da barragem da Carangueja, em Quebrangulo, foi que a situação melhorou um pouco, mas continua deficiente. Se hoje é assim, antigamente era muito pior: faltava água por dias seguidos... Nas torneiras, só chegava vento! Muita gente passou noites a fio, sem dormir, vigiando as torneiras, esperando água...
Nesse período, a "salvação da lavoura" para nossa família era que na estação da Rede Ferroviária Federal, onde meu pai trabalhava, existia um enorme reservatório de água para o abastecimento das locomotivas "Maria Fumaça" e, sendo família do Chefe da Estação, tínhamos o privilégio de sempre ter água, desde que a carregássemos para casa.
Como morávamos cerca de 200 metros da estação, nós, os filhos homens, é que tínhamos a obrigação diária de fazer o transporte da água desde a estação até a nossa casa, em latões de querosene, de 18 litros, carregados sobre uma rodilha de pano na cabeça. Tínhamos a obrigação de encher dois tonéis, todo santo dia, menos naqueles dias em que chovia, é claro!  Para enchê-los, cada um de nós fazia o percurso umas dez ou doze vezes. No final do “serviço”, o nosso pescoço doía pra burro!
Certo dia, estávamos cumprindo a nossa tarefa diária, quando o meu irmão Casé, cansado e puto da vida com o trabalho, resmungou:
- Ah, morte covarde, porque não me matas?
Nesse momento, ia passando o Geraldo Prata, um grande amigo de meu pai, que ouviu as lamentações do Casé.
Assim que encontrou o nosso pai, Geraldo Prata comentou com ele aquilo que tinha ouvido o Casé dizer. Para nossa enorme surpresa, contrariando todas as nossas expectativas de uma sova, meu pai apenas achou engraçado.
Desse dia em diante Casé passou a ser chamado pelo Geraldo Prata de “Morte Covarde”, menos para nós, porque, graças aos seus "pequeninos olhos de Jeep",  Casé continuou sendo o nosso "Papai Oião"!
- Casé, meu irmão, hoje é 25 de março, data do seu aniversário. Pedimos a Deus que a morte continue sendo covarde, como tem sido até hoje, para que possamos celebrar esta data por muitos anos ainda. Receba nosso beijo e abraço! 

sábado, 24 de março de 2012

O CRACK NOSSO DE CADA DIA

Texto de Aloisio Guimarães

Resultado de imagem para drogasPassivamente, as autoridades brasileiras estão fechando os olhos para a pior praga existente no país: o crack! Os viciados e traficantes estão perdendo a vergonha e o medo...
Na minha mocidade, não tínhamos nenhuma informação sobre drogas, mas tínhamos medo de usá-las. Hoje, a juventude tem todo tipo de informação sobre todo tipo de droga e  dos males que a droga causa. Recebe informação em casa, na escola, no cinema, na televisão, na internet... E mesmo assim entra nessa furada!
Antigamente eram viciados, maconheiros, drogados... Hoje, para não serem ofendidos e nem às suas famílias, são  chamado, carinhosamente de “dependentes químicos”!
- Quando é que, principalmente, os jovens vão aprender que se a coisa fosse boa o nome não seria "droga"; seria, por exemplo, "xoxota"?
Fiquei estupefato quando determinado Ministro, do Governo Lula, defendeu a liberação da maconha. É o fim da picada! E esse ministro, em troca do apoio político do seu partido, ficou no governo até o dia que quis! E as famílias, principalmente as que sofrem com o problema das drogas, calaram! Num país sério, ele não teria permanecido mais nenhum segundo no governo!
A situação está ficando tão fora de controle, mas tão esculhambada, que  estão fumando maconha e crack abertamente, a qualquer hora do dia ou da noite, em qualquer cidade do país de modo que, à exemplo de São Paulo, cada uma já começa a ter a sua cracolândia!!!
As famílias estão se deteriorando por causa do crack e ninguém faz nada! Ninguém toma uma medida séria e contundente contra elas!
Acabei de assistir uma reportagem que mostrava uma criança de 9 anos fumando crack em uma praça, em plena luz do dia! Veja bem, apenas 9 anos de idade! Os filhos viciados estão roubando tudo que existe dentro de casa e assaltando nas ruas para manter o vício! Outro dia, vi uma senhora desesperada porque, não tendo mais nada para roubar em casa, o seu filho estava levando as telhas para vender e comprar drogas!
Agora, eu pergunto:
- O que impede o Governo de declarar guerra, mas guerra mesmo, ao tráfico?
- Quantas famílias terão que ser destruídas, para que se tome uma atitude enérgica?
- Quantos jovens terão de morrer pelas mãos do tráfico?
- Quantas crianças terão que ficar viciadas ou servirem de "avião", como são chamadas aquelas que trabalham para traficantes?
- Quantas mães terão que acorrentar seus filhos para que não se droguem?
Enquanto isso tome todo o cuidado possível, senhores pais e senhoras mães. Não façam todas as vontades dos seus filhos... Confiem desconfiando!
- Você conhece todos os amigos dos seus filhos? Sabe onde moram e quem são os pais deles?
- Você está acordado, quando seus filhos chegam da balada, para saberem o estado de como eles chegam?
Cuidem para que eles não entrem nessa onda. Assim, depois, vocês não terão que se perguntar:
- Aonde foi que errei?
 

sexta-feira, 23 de março de 2012

O NOSSO PROFESSOR PARDAL

Texto de Aloisio Guimarães
 
Toda cidade tem o seu cientista e Palmeira dos Índios não fugiu a esta regra.
Se alguém lhe disser que mora ou que morou em Palmeira dos Índios, pergunte-lhe se conheceu ou já ouviu falar do Ciço Aluado. Se ele responder que não, é um mentiroso, nunca morou na “Terra dos Xucurus”!
- E quem foi Ciço Aluado?
Ciço Aluado foi o maior cientista que nossa cidade já teve! Era filósofo, mecânico, fogueteiro, meteorologista... E ainda por cima, ele foi um ilusionista "de mão cheia"!
O homem era um pesquisador nato, muito embora não tivesse instrução superior.
O seu apelido “Aluado”, surgiu por conta das suas constantes experiências, nos mais diversos campos da imaginação. E, os mais exagerados, afirmavam que ele era capaz de conversar com a lua (sic)!
Sempre no seu inconfundível Jeep, com as mãos sujas de graxa, Ciço Aluado foi uma daquelas figuras marcantes, queridas e inesquecíveis de nossa terra.
A todos, ele costumava dizer que era capaz de fazer chover, em plena seca, se lhe dessem os meios que precisava.
Durante as festas de Natal e Ano Novo, na velha Praça da Independência, um dos momentos mais esperados, por "hômi, mulé e mininu", era a queima dos fogos do Ciço Aluado. Todo mundo ficava encantado quando viam os fogos queimarem ao longo de um circuito cheio de peripécias e rodas de fogos, iguais aos que víamos somente nos filmes de faroeste, em cenas que retratavam as festas mexicanas em homenagem a Nossa Senhora de Guadalupe.
Eu e meu irmão Casé, fomos testemunhas de uma das experiências do nosso "herói", cujo relato é o seguinte:
Estávamos no “Senadinho”, bar do meu pai, já citado em outros causos, quando chega Ciço Aluado e pede uma "lapada" de cachaça. Nesse momento, a turma que lá estava (Geraldo Prata, Nilo Barros, Itamar Malta, Dirceu Souza, entre outros) desafia Ciço Aluado para fazer alguma experiência rápida, ali e agora.
O nosso “Professor Pardal” não fugiu à luta! Foi no seu velho Jeep, voltou com um pedaço de Bombril e o colocou justamente dentro do seu copo, que ainda restava um pouco de cachaça. Depois, olhando para todos os presentes, profetizou:
- Daqui a pouco, isso vai pegar fogo!
Ninguém soube até hoje o que peste o Ciço Aluado fez, mas a bobônica do Bombril pegou fogo mesmo!
Todo mundo ficou de queixo caído...
Até hoje, de vez em quando, coloco um pedaço de Bombril num copo, com cachaça, e fico esperando ele incendiar... E nada acontece!
Foi com tristeza que recebi a notícia da sua morte, através do conterrâneo, o arquiteto, João Araújo Júnior.
Com certeza, ele deve estar conversado com o Criador, dando ideias para reinvenção do mundo!

quarta-feira, 21 de março de 2012

O NÚMERO φ

Adaptação de Aloisio Guimarães 
Todos nós, que estudamos o ensino médio, conhecemos o número π (pi), o mais  conhecido e famoso número irracional da Matemática, com o qual se representa a razão constante entre o perímetro e o diâmetro de qualquer circunferência.
Mesmo com toda tecnologia atual, com o uso de computadores potentes ainda não foi determinado (e nem será) o seu valor exato. Por questão de praticidade, as suas milhares casas decimais ficam reduzidas a quatro algarismos, de modo que o seu valor é comumente arredondado para 3,1416.
Hoje, se você ainda não conhecia, vai conhecer outro número fantástico: o número φ (letra grega "fi"), que, mesmo não sendo tão conhecido, ele tem um significado muito mais interessante do que o nosso velho conhecido número π.
Vejamos...
Durante séculos o homem tem procurado, incansavelmente, a beleza perfeita dos números ou a razão ideal entre eles. Nessa busca, os gregos definiram o que chamaram de “Retângulo de Ouro”. 
- E o que vem a ser o tal  “Retângulo de Ouro”?
- É todo retângulo onde a divisão da medida do lado maior pela medida do lado menor é igual a 1,618. 
Após este conceito, todas as construções feitas pelos gregos procuraram adotar esta razão como princípio construtivo. A prova mais evidente é que, no famoso Parthenon, a proporção entre os retângulos que formam a face central e os retângulos que formam a face lateral é igual a 1,618. Da mesma forma, a profundidade do templo dividida pelo comprimento (ou altura) também é igual a 1,618.
Na construção das pirâmides, os egípcios seguiram a mesma linha de raciocínio, onde a pedra de cada fileira é 1,618 menor do que a pedra da fileira de baixo!
Durante milênios, a arquitetura clássica grega prevaleceu e o “Retângulo de Ouro” era o padrão quase que obrigatório até que, depois de muito tempo, surgiu a arquitetura gótica, com suas formas arredondadas.
Por volta do ano 1200, o grande matemático Leonardo Fibonacci, estudando o crescimento das populações de coelhos, descobriu aquela que é a mais famosa sequência matemática da história: A Série DE Fibonacci: 1 - 1 - 2 - 3 - 5 - 8 - 13 - 21 - 34 - 55 - 89 - 144... Onde cada número é igual a soma dos dois números anteriores, ou seja:         
                                        1 + 1 = 2
                                        1 + 2 = 3
                                        2 + 3 = 5
                                        3 + 5 = 8
                                        5 + 8 = 13
                                        8 + 13 = 21
                                        13 + 21 = 34
                                        21 + 34 = 55
                                        34 + 55 = 89
                                        55 + 89 = 144
                                        89 + 144 = 233
                                        144 + 233 = 377
                                        ... E assim por diante.
Vamos agora, dividir cada número da sequência pelo seu antecedente, a partir do quinto número, apenas para maior evidência do resultado:
                                        5 : 3 = 1,666
                                        8 : 5 = 1,600
                                        13 : 8 = 1,625
                                        21 : 13 = 1,615
                                        34 : 21 = 1,619
                                        55 : 34 = 1,618
                                        89 : 55 = 1,618
                                        144 : 89 = 1,618
                                        233: 144 = 1,618
                                        377 : 233 = 1,618
                                         ... E assim por diante.
O resultado varia um pouco, para mais ou para menos, mas, na média, ele é igual a 1,618, que nada mais é do que o valor do número φ.  Em outras palavras, o resultado é exatamente igual à proporção do “Retângulo de Ouro”, dos gregos, e das pirâmides do Egito!
Essa descoberta de Fibonacci levou os cientistas a começarem a estudar a natureza em termos matemáticos, levando-os a descobrirem coisas interessantes, como, por exemplo:
• A proporção de abelhas fêmeas em comparação com abelhas machos numa colmeia é de 1,618;
• A proporção que aumenta o tamanho das espirais de um caracol é de 1,618;
• A proporção em que aumenta o diâmetro das espirais sementes de um girassol é de 1,618;
• A proporção em que se diminuem as folhas de uma árvore à medida que subimos de altura é de 1,618;
• Nas galáxias, as estrelas se distribuem em torno de um astro principal numa espiral obedecendo à proporção de 1,618.
Por isso, o número φ ficou conhecido como A DIVINA PROPORÇÃO!
O número φ também é encontrado, entre outras obras, na famosa Nona Sinfonia de Beethoven!
Por volta de 1500, com o Renascimento, a cultura clássica voltou à moda. Michelangelo e, principalmente Leonardo da Vinci, grandes amantes da cultura pagã, colocaram esta proporção natural em suas obras.
Da Vinci foi ainda mais longe: ele, como cientista, usava cadáveres para medir as proporções do corpo humano e descobriu que nenhuma outra coisa obedece tanto a famosa Divina Proporção do que o corpo humano, obra prima de Deus.
Veja e comprove você mesmo, considerando sempre os erros de medidas de régua ou fita métrica, que não são instrumentos precisos:
• Meça sua altura e depois divida pela altura do seu umbigo até o chão;
• Meça seu braço inteiro e depois divida pelo tamanho do seu cotovelo até o dedo;
• Meça seus dedos, inteiro, e divida pela distância da dobra central até a ponta ou da dobra central até a ponta, dividido pela segunda dobra;
• Meça sua perna inteira e divida pelo tamanho do seu joelho até o chão;
• Meça a altura do seu crânio e divida pela distância da sua mandíbula até o alto da cabeça;
• Meça da sua cintura até a cabeça e depois divida pelo comprimento do tórax...
Veja que impressionante: TODOS OS RESULTADOS SÃO IGUAIS A 1,618!
Coelhos, abelhas, caramujos, constelações, girassóis, árvores, arte e o homem, coisas teoricamente diferentes, mas ligadas nesta mesma proporção, considerada a mais perfeita das proporções.
Não por acaso que usamos essa proporção no nosso dia-a-dia:
• Divida o comprimento do seu cartão de crédito pela altura dele.
• Divida a altura de um livro pela sua largura.
• Experimente fazer o mesmo com as medidas do seu jornal, na sua foto revelada, na tela do computador, no seu televisor... Mas lembre-se de considerar sempre possíveis erros de medida da régua ou fita métrica.
O número φ também é encontrado, entre outras obras, na famosa Nona Sinfonia de Beethoven!
Para saber mais sobre o assunto, leia os livros: A Razão Áurea e/ou Deus é Matemático?