sábado, 30 de junho de 2012

O FARRAPA

Texto de Aloisio Guimarães


Ricardo Farrapeira, colega de trabalho, é um daqueles sujeitos que ninguém consegue ter ou guardar mágoa.
Para quem não o conhece, “Farrapeira” é nome de família e não apelido!
Grandalhão, inteligente, desengonçado, óculos de grau forte... Enfim, a figura tem toda a aparência típica dos nerds, daquela capaz de andar com meias de cores diferentes, cinturão fora do lugar...
Conviver diariamente com o "Farrapa" (como costumamos chamá-lo), é uma das coisas boas do nosso trabalho e gozar da sua amizade é uma dádiva.
Sua característica marcante é “fazer tempestade em copo d’água”, ou seja, sempre levar à sério qualquer bobagem que escute. Nessas horas, ele sempre externa sua preocupação com a sua frase (marca) registrada:
- Hômi, pur nossa sinhora!
Apresentado a personagem, vamos ao causo:
Como já foi informado aqui mesmo no blog, esta semana, faleceu o engenheiro Nilton Mesquita, nosso amigo comum e colega de trabalho.
Acontece que, no dia do enterro, logo cedo, quando o Farrapeira estava entrando na repartição que trabalhamos, uma das serviçais, “trocando as bolas”, lhe perguntou:
- Doutor, o senhor vai para o enterro do doutor Farrapeira?
Ouvindo a pergunta, Farrapeira, “puto da vida” com o mau-agouro inesperado, disparou:
- Minha filha, com certeza, esse é o enterro que eu não vou perder de jeito nenhum!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

CABRA MACHO

Texto de Aloisio Guimarães

Janjão era um matuto que morava em Maribondo, uma pequena cidade alagoana, que fica entre Belém e Atalaia. Como ele era um sujeito bonitão e tinha namorado quase todas as moiçolas bonitas da cidade, Janjão gozava da fama de ser um legítimo "garanhão”!
Não tinha matutinha maribondense que Janjão não tentasse namorar...
O que o povo não sabia era que Janjão “nunca chegava aos finalmentes” com as suas namoradas porque, “por debaixo dos panos”, quando viajava para outras cidades, o que ele gostava mesmo era “queimar a rosquinha”.
Era um verdadeiro “viado colírio”: dava tanto, mas dava tanto, que no outro dia tinha que passar colírio no “olho do boga”, de tão ardido que ele ficava!
Contam que em certa ocasião Janjão veio a Palmeira dos Índios, visitar Pedrão, amigo de infância, que, depois de vários anos, estava de volta de São Paulo, para onde tinha ido “ganhar a vida”.
Recordações mil; papo maravilhoso, regado a várias dúzias de cerveja e muito tira-gosto...
Em determinado instante da conversa, já meio bêbado, Janjão perguntou:
- Pedrão, cabra véio, "estou pocando"! Onde é o banheiro?
- É ali... Vamos lá, que eu também vou - respondeu Pedrão.
Lá no sanitário, quando Janjão viu o tamanho do "instrumento" de Pilão, endoidou e assumiu de vez:
- Vixe, Pedrão, que coisa linda e maravilhosa! É o meu sonho de consumo! Eu quero ser “sua”, aqui e agora!
Como ”cu de bêbado não tem dono” e cachaça é má conselheira, ali mesmo o Pedrão enrabou o amigo...
Apesar do tamanho avantajado da “coisa” de Pedrão, Janjão não deu um pio sequer e nem derramou nenhuma lágrima...
Terminado o “serviço”, Janjão, embora feliz da vida, comenta:
- Pedrãozinho, “amor”, não sei como a sua mulher aguenta... Você é um verdadeiro “cavalo batizado”!
- Oxênte, menino, ela aguenta da mesma maneira que você aguentou: caladinha da silva!
Então, Janjão respondeu na bucha:
- Mas eu sou Homem! 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

MEU ETERNO PAINHO

Texto de Bruno Mesquita


"Meu eterno painho,
Você se foi em meio a muita esperança.
Foi forte, sereno, guerreiro.
Não desistiu um único momento.
Sua vida já não era tão mais repleta de alegrias
Mas, no fundo, ainda brotava a esperança de voltar.
Seu exemplo e rigidez me acompanhará para sempre.
Nos pequenos gestos, nas grandiosas ações.
Em um rápido lapso de tempo, escapaste de mim entre os dedos.
Em seus últimos momentos, fui testemunha de sua coragem e aflição.
Não me acovardarei das agruras da vida.
Assim como não esquecerei de tua lembrança.
Sinto, imensamente, tristeza em não ter sabido retribuir em vida.
Todo o amor, consideração, respeito e carinho que mereceste.
Que bendita forma de amar é essa?
Que sempre me envergonhava em dizer que amava.
Fruto da rigidez do ensinamento.
Mas, no íntimo, o mais apaixonado e admirador.
Hoje me resta perguntar.
Por quê? Por quê? Por quê?
Por que foste em meio a um suspiro de esperança?
Por que não compartilhar mais momentos e conquistas conosco?
Por que não realizar suas metas e sonhos tão próximos?
Vá! Se vá! Descanse! Um guerreiro também cansa
Aguarde que chegarei aonde quer que estejas, um dia em teus braços
E te direi, sem barreiras ou vergonhas mundanas.
Que te amei e sempre te amarei...
Meu eterno painho."

* BRUNO MESQUITA é filho do amigo e colega engenheiro Nilton Mesquita.
 

terça-feira, 26 de junho de 2012

O BARBEIRO DE CACIMBINHAS

Texto de Audemaro Araújo

Meu caro Aloísio,
O interessante Dilema de Thulson-Doom que você publicou no dia 22/06 me fez  lembrar outros; como, por exemplo, o do barbeiro, seu conterrâneo.
Vamos lá...
Além do Barbeiro de Sevilha, só conheço outro famoso: certo barbeiro palmeirense que me deixou embatucado nos idos dos antigamente, quando o nosso saudoso e grande mestre Edmilson Pontes, era engenheiro do DOP, que era uma SEINFRA, um SERVEAL, daquelas épocas; tecnicamente falando, né?.
Numa de nossas andanças para inspecionar a Barragem da Carangueja, em seus primórdios, durante as explorações  que fazíamos nos arredores da região, o mestre Edmilson me chamou a atenção para uma singela Barbearia em Cacimbinhas, em cuja fachada, de porta e janela, se destacava uma vistosa tabuleta dizendo:
"Barbeio todos e apenas aqueles homens do vilarejo que não se barbeiam" (B.R.)
Nos indagamos:
- Aonde quer chegar o Barbeiro de Cacimbinhas?
Primeiramente, é óbvio que todos os homens, dali do vilarejo, que se barbeiam, não são clientes daquele inusitado barbeiro; segundamente...
Aí, surge inopinadamente Ciço Aluado, o maior filósofo, inventor, cientista da Palmeira dos Índios e derredores, e sapeca para gente uma sutil e demolidora perguntinha:
- E quem barbeia o barbeiro? 
E ato contínuo, Ciço Aluado se-escafedeu-se no oco do mundo...
O grande e inesquecível mestre Edmilson ajeita seus óculos “fundo-de-garrafa”, abre aquele sorriso amigo e professoral e me pergunta:
- E agora neófito algebrista?  Saia desse imprensado, jovem! 
Ajudem-me meus caros jovens, a sair desse dilema, enigma, paradoxo, seja lá o que for, pois: 
a)  Se o babeiro se  barbeia ele seria um daqueles homens que ele não barbeia, conforme a tabuleta;
b)  Se ele não se barbeia, então, pelo que reza a tabuleta, ele deveria ser um daqueles homens que ele barbeia?!
Sendo assim, deu-se o imbróglio.
- Afinal, nobres mancebos, o barbeiro se barbeia ou não?
 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O NAMORO

POSTAGEM: ALOISIOGUIMARÃES

A "coisa" anda tão esculhambada que o texto abaixo já não reflete mais o comportamento dos namorados (principalmente do homem) nos dias atuais. Quando o recebi, a narrativa do comportamento era mensal; hoje, atualizando para diário, já começa a ficar ultrapassado...
NO PRIMEIRO DIA
Não senta.
Não toma café.
Tudo está bom...
Quando muito, diz: “- Por favor e “- Obrigado.
NO SEGUNDO DIA
Senta, um pouco à vontade.
Toma café, mas não come bolo.
Faz carinho no cachorro.
E está tudo ótimo.
NO TERCEIRO DIA
Almoça na casa da namorada.
Toma whisky com o sogro, a quem chama respeitosamente de "Seu Fulano".
Abre a geladeira, sozinho.
Repara nas coxas da cunhada.
NO QUARTO DIA
Põe o pé na mesa da sala.
Vai ao banheiro (de porta fechada).
Já arrota na frente da namorada.
Dá palpites no namoro da cunhada.
NO QUINTO DIA
Entra sem ser convidado.
Quando encontra o sogro, diz: ”- Diga aí, cara!”
Serve-se sozinho na hora das refeições.
Limpa a boca na toalha da mesa.
Come a namorada no sofá da sala.
NO SEXTO DIA
Almoça e janta na casa da namorada.
Pede o carro do sogrão emprestado (prá ir comer a filha dele na beira-mar).
Sem nenhum constrangimento, já peida na frente da namorada.
Mostra o dente cariado para a sogra.
NO SÉTIMO DIA
Dorme com a namorada nos finais de semana.
Toma conta do controle remoto da televisão.
Na hora do jantar, levanta e ajeita a cueca com o dedo e continua a comer.
NO OITAVO DIA
Reclama da sogra.
Mija com a porta do banheiro aberta.
Passa a mão na bunda da cunhada.
NO NONO DIA
Caga e não da descarga.
Transa na cama da sogra e limpa o pau na cortina.
Chuta o cachorro.
NO DÉCIMO DIA
Passa mais tempo na casa da sogra do que na sua.
Trata a namorada como empregada.
Pede dinheiro emprestado prá sogra.
Chama o sogro de “Coroa”.
NO DÉCIMO-PRIMEIRO DIA
Grita com todo mundo da casa.
Xinga a sogra.
Espanca o cunhado mais novo.
E engravida a cunhada.
NO DÉCIMO-SEGUNDO DIA
Chama a cunhada de piranha.
Chama o cunhado de viado.
Chama a sogra de bruxa.
Chama o sogro de “corno veio”.
Diz que a namorada está gorda.
NO DÉCIMO TERCEIRO DIA
Acaba com o namoro e se manda, pois está de saco cheio de todos eles!
NÃO ACHE MUITO ENGRAÇADO: UM DIA A SUA FILHA AINDA VAI NAMORAR...

sábado, 23 de junho de 2012

O ESPERMATOZOIDE AZARADO


Texto de Daniel Fiúza


Certa vez em certo saco 
Um drama se sucedia
Certo espermatozoide
Por muito tempo sofria
Por ser aleijado e lento
Nunca chegava o momento
E ele nunca nascia.
Os outros, em certo dia
Fizeram uma reunião
E decidiram por voto
Determinada ação
Ajudar o aleijadinho
Colocá-lo no caminho
Na próxima ejaculação.
Ouve uma aclamação
Por toda a maioria
Nesse dia teve festa
Foi grande a alegria
Fizeram um documento
Determinando o momento
Dessa fez ele nascia.
Depois da grande euforia
O espermatozoide rei
Delegou a um ministro
Pra transformar em lei
Num registro oficial
Deixando o fato legal
Foi isso que escutei.
Um belo gesto eu achei
Nessa solidariedade
Só assim ele nascia
Produto dessa bondade
A notícia se espalhou
O pessoal concordou
Numa coletividade.
Pra falar da novidade
Alguém foi comunicar
Ao pobre ser aleijado
A hora dia e lugar
Ele ficaria na frente
Empurrado por parente
Pra em primeiro chegar.
Ouviram o alarme tocar
Chamaram logo o perneta
Colocaram ele na frente
Pra transformá-lo em gameta
Na hora da explosão
Depois da ejaculação
Ele morreu...
Foi punheta!

 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O DILEMA DE THULSA-DOOM

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Esse é o maior dilema das nossas vidas e foi claramente divulgado no filme “Conan - O Bárbaro”, o primeiro filme do até então ator desconhecido Arnold Schwarzenegger (que, neste filme, entrou mudo e saiu calado).
Na cena final do filme, Conan entra na torre de Thulsa-Doom (vilão da história) para matá-lo. Neste momento, Thulsa-Doom faz exatamente as seguintes perguntas a Conan:
- O que seria da sua vida sem mim? Quem seria você sem mim? Quem te deu razão para crescer e evoluir?
Agora, para entender completamente O DILEMA DE THULSA-DOOM, tente imaginar sua vida sendo totalmente desprovida de "problemas“. Tente imaginá-la sem todas as coisas ruins que aconteceram e que você teve que superar...
Thulsa-Doom é o grande causador dos problemas de Conan...
No nosso caso, pode ser o pai ou um tio, um professor ou um "amigo“, que vive colocando barreiras na nossa vida e nos obrigando a transpô-las, crescendo e evoluindo.
Algumas pessoas podem responder que “a minha vida seria um mar de rosas“  ou “a minha vida é perfeita”. É justamente ai que entra o dilema: sem os obstáculos de sua vida, você simplesmente "NÃO SERIA VOCÊ", pois foram eles que te moldaram como você é hoje.
E, se você hoje gosta de como você é, é porque, todas as vezes que o universo colocou uma adversidade em seu caminho, você soube transpor, crescer e evoluir.
- Entendeu o dilema?
- Não?
É muito simples:
- Você gosta de como você encara a vida? De como você se veste? Como você fala? De onde você mora? Ou seja, você gosta da sua vida e de você mesmo, em geral?
 - Você não acha que se tudo que aconteceu de ruim até hoje moldou o seu caráter e sua personalidade e se você gosta de você como você é, você não deveria "agradecer" por isso tudo?
Moral da História:
- NÓS SOMOS FRUTOS DE TODAS AS ADVERSIDADES DE NOSSAS VIDAS!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

CURSO INTENSIVO DE INGLÊS

Texto de Mário Giubicelli


Aposto que depois de ler este texto, você vai aprender a escrever 400 palavras em inglês, em apenas 1 minuto! Você verá que não é brincadeira...
Diferentemente do que você pensa, é muito fácil aprender inglês: basta apenas seguir algumas regrinhas elementares. Mas, antes de tudo, quero explicar que as regras abaixo apresentam uma ou mais exceções, o que demonstra duas coisas: que tais exceções só servem precisamente para confirmar as regras e que é preferível, errar numa ou noutra ocasião e aprender 400 palavras em inglês num minuto, do que ficar preocupado com a rara exceção e não aprender nada.
Então, vamos começar:

REGRA 1:
Para todas as palavras terminadas em DADE, retire o DADE e coloque em seu lugar TY. Exemplos:
CIDADE = CITY
VELOCIDADE = VELOCITY
SIMPLICIDADE = SIMPLICITY
NATURALIDADE = NATURALITY
CAPACIDADE = CAPACITY

REGRA 2:
Para todas as palavras que terminem em ÇÃO, tire o ÇÃO e coloque em seu lugar TION. Exemplos:

NAÇÃO = NATION
SIMPLIFICAÇÃO = SIMPLIFICATION
OBSERVAÇÃO = OBSERVATION
NATURALIZAÇÃO = NATURALIZATION
SENSAÇÃO = SENSATION

REGRA 3:
Para os advérbios terminados em MENTE, tire o MENTE e coloque LLY. Mas, quando o radical em português termina em L, como na palavra TOTALMENTE, acrescente apenas LY. Exemplos:


GENETICAMENTE = GENETICALLY
ORALMENTE = ORALLY
TOTALMENTE = TOTALLY
NATURALMENTE = NATURALLY

REGRA 4:
Para aquelas palavras terminadas em ÊNCIA, tire  o ÊNCIA e coloque ENCE. Exemplos:

ESSÊNCIA = ESSENCE
REVERÊNCIA = REVERENCE
FREQUÊNCIA = FREQUENCE
ELOQUÊNCIA = ELOQUENCE

REGRA 5:
Para as palavras terminadas em AL, não mude nada. Escreva exatamente igual. Exemplos:

NATURAL = NATURAL
TOTAL = TOTAL
GENERAL = GENERAL
FATAL = FATAL
SENSUAL = SENSUAL

Conforme você acaba de ver, a menos que seja um leitor preguiçoso e lento, não foi preciso mais de um minuto para aprender a ler e a escrever cerca de 400 palavras em inglês, conhecendo apenas 5 regrinhas!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

O PAPA-FIGO

Texto de Aloisio Guimarães

Na realidade o nome correto seria "Papa-fígado". O erro fica por conta da ignorância do matuto nordestino.
Talvez, várias histórias, como as de “Papa-figo”, tenham surgidas da cabeça dos pais, querendo, através do medo, disciplinar a vida dos filhos, fazendo com que eles ficassem sempre em casas ou que voltassem cedo para casa, quando saíssem para a rua. E olhem que, quando éramos crianças, não existia toda essa violência dos dias atuais.
- E que diabo era o "Papa-figo"?
- O "Papa-figo" seria um sujeito idoso, barba branca, que sequestrava as crianças e arrancava-lhes o fígado para comer!
Antigamente as crianças tinham medo de tudo porque nada sabiam e nada conheciam. Não existia internet, nem televisão, nem celular... Assim, todas as vezes que surgia um boato como esse era difícil encontrar uma criança na rua.
O meu irmão Casé não fugiu à regra: o seu maior medo era do "Papa-figo"!
Vamos ao causo:
Certo dia o meu pai mandou o Casé ir comprar bebidas, no Armazém do “Seu” Mancinho, que ficava na Praça do Açude, para abastecer "O Senadinho" (nosso bar).
O Casé encheu o “carrinho de mão” com garrafas vazia e foi comprar as tais bebidas...
Minutos depois, quando a gente menos espera, chega o Casé, “mais branco do que folha de papel ofício”, sem nada das bebidas que tinha ido comprar e pede um copo com água, dizendo que estava morrendo de sede.
E não é que o cara tinha abandonado o "carrinho de mão" na rua, com as garrafas e dinheiro da compra dentro e vindo tomar água?! Ainda bem que naquele tempo não tinha tanto ladrão... Se ele perde o dinheiro, levaria uma surra daquelas!
Pois bem, apesar de receber a água, ele não tomava nenhuma gota do líquido e não deixava de ficar olhando para a rua.
Ficamos curiosos com a atitude do Casé...
Minutos depois, passa um senhor, de barba branca, na calçada oposta. E Casé olhando... Assim que o velho acabou de passar, o Casé, sem dizer nada e sem tomar água nenhuma, saiu em disparada para ir recuperar o carrinho de mão e comprar as bebidas que meu pai tinha mandado.
À noite soubemos do boato de que tinha um "Papa-figo" em Palmeira dos Índios.
Foi aí que matamos a charada na hora: o Casé já sabia deste boato e pensado que o velho que ele tinha visto era o tal "Papa-figo" que estava na cidade, tinha corrido com medo dele.
Foi assim que, durante muito tempo, o Casé foi sacaneado por todos nós. Assim todas as vezes que ele ia comprar bebidas, a gente logo dizia:
- Casé, cuidado com o “Papa-figo”!
É lógico que ele ficava “puto da vida”!
Hoje, quando relembramos o causo, o Casé, filosoficamente, sentencia:
- Meu irmão, hoje os tempos mudaram, o “Papa-figo” é que tem medo de criança, porque eles não respeitam nem pai e nem mãe!