sexta-feira, 29 de março de 2013

O DIA DA PÁSCOA

Texto de Aloisio Guimarães

Para calcular o dia da Páscoa (Domingo), usa-se a fórmula abaixo:
   a = MOD(ANO;19)
   b = MOD(ANO;4)
   c = MOD(ANO;7)
   d = MOD((19*a)+X;30)
   e = MOD(((2*b)+(4*c)+(6*d)+Y);7)
Onde:
• O "ANO" deve ser introduzido com 4 dígitos.
• O operador MOD é o resto da divisão.
• Os valores X e Y são retirados da tabela a seguir:

Faixa de anos
X
Y
1582
1599
22
2
1600
1699
22
2
1700
1799
23
3
1800
1899
23
4
1900
1999
24
5
2000
2099
24
5
2100
2199
24
6
2200
2299
25
7
• Se (d + e) <10, o Domingo de Páscoa é no Dia = (d + e + 22)  do mês de Março.
  • Se (d + e) >= 10, o Domingo de Páscoa é no Dia = (d + e - 9)  do mês de Abril.
EXCEÇÕES:
• Quando o Domingo de Páscoa calculado for 26 de Abril, corrige-se para uma semana antes, ou seja, 19 de abril.
• Quando o Domingo de Páscoa calculado for 25 de Abril e (d = 28 e  a > 10), então a Páscoa é em 18 de Abril.

quinta-feira, 28 de março de 2013

MINHA PRIMEIRA VEZ

Texto de Aloisio Guimarães

Uma das passagens mais marcantes e inesquecíveis da minha vida foi quando chamei o meu primeiro palavrão, coisa que eu nem sabia o que era.  Acho que devia ter uns 8 a 10 anos de idade...
Nessa época, morávamos na Rua Graciliano Ramos, perto de um sítio, de propriedade de Neli Roque, uma solteirona, com aparência alemã, muito endinheirada, para os padrões da época, mas matutona.
No sito da Neli Roque sítio existia um pé de cajá...
Certo dia, já por volta das onze e meia, o meu irmão mais velho, Luiz Antonio, carinhosamente chamado de Lutonho, me chamou e disse:
- Alu (meu nome familiar), vamos lá, no sítio da Neli Roque, pegar cajá para fazer o suco para o almoço.
Na verdade, pegar, significava roubar, uma vez que não tínhamos autorização para penetrar no sítio de tirar alguma coisa de lá...
Pois bem... Sol quente, pés descalços, lá fomos nós, eu, Lutonho e Casé (outro irmão), mato adentro, em direção ao pé de cajá. De repente, piso em um espinho e imediatamente, exclamo:
- Porra!
Confesso que não me lembro de como aprendi este nome. Só sei que assim que terminei o palavrão, Lutonho virou-se para mim e perguntou:
- Você sabe o que é porra?
Respondi, todo tímido:
- Não...
Lutonho, pegando nos seus órgãos genitais, falou:
- Porra é isso aqui...
Choroso, respondi:
- Eu não sabia...
No que Lutonho, conhecendo o meu saudoso pai, "que era mais grosso do que papel de embrulhar pregos", alertou:
- Se papai pegar vocês falando isso, vai matar você de uma pisa!
Um santo remédio...
Desde esse dia, evito falar palavrões; falo, mas pouco.

terça-feira, 26 de março de 2013

A TEORIA DAS VACAS

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
 
O texto abaixo serve para explicar, de forma direta, extremista e divertida o que acontece nas diversas formas de governo existentes mundo afora.

• SOCIALISMO
Você tem duas vacas, o governo toma uma e dá para seu vizinho que não tinha nenhuma. 
• COMUNISMO
Você tem duas vacas, o governo toma as duas, e dá a você um pouco  de  leite diariamente.
• FASCISMO
Você tem duas vacas, o governo toma as duas e vende a você o leite. 
• NAZISMO
Você tem duas vacas, o governo mata você e toma as duas vacas.
• BUROCRACIA DE ESTADO
Você tem duas vacas, o governo toma as duas, mata uma e joga o leite da outra fora. 
• DEMOCRACIA
Você tem duas vacas, vende duas para o governo, muda para cidade e consegue um emprego público.
• ANARQUISMO
Você tem duas vacas, mata as duas e faz um churrasco. 
• CAPITALISMO SELVAGEM
Você tem duas vacas, vende uma, compra um touro e o governo toma os bezerros como imposto de renda na fonte.
• GOVERNO PETISTA
Suas duas vacas sumiram... Ninguém sabe, ninguém viu!

TEMPOS MODERNOS

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

 

sábado, 2 de março de 2013

A COPA DO MUNDO NÃO FOI MINHA...

Texto de Aloisio Guimarães

Em 1986 participei de um grande Concurso Nacional de Redação, patrocinado pela Rede Manchete de Televisão e R.J. Reynolds Tabacco Companny (cigarros Camel), cujo tema da redação, com 25 linhas, era "Minha aventura com meu time de futebol".
Dentre os membros da comissão julgadora estava, entre outros, gente do naipe de Arnaldo Niskier, à época, Jornalista do Grupo Manchete; hoje, Membro da Academia Brasileira de Letras.
A premiação, para os dois primeiros colocados, era ir a Copa do Mundo de Futebol na Cidade do México, ganhando: Passagem de ida e volta, hospedagem em hotel cinco estrela (em Acapulco - Hotel Pierre Marques), transporte em voo fretado nos dias dos jogos (Acapulco/Cidade do México/Acapulco), todos os traslados, U$ 500.00 (cash) e ingressos para os jogos semifinal e final.
Fui um dos ganhadores, tirando em 2º lugar (RESULTADO PUBLICADO NA REVISTA MANCHETE - ANO 35 - Nº 1.785 - DE 5 DE JULHO DE 1986).
A história que criei foi uma mistura de realidade e ficção e com um final surpreendente para a época (23 anos atrás). Acho até que foi a surpresa do final que fez com que eu ganhasse o concurso.
Em linhas gerais, foi o seguinte:
REALIDADE 1: O meu pai era dono do Ferroviário, time de futebol da cidade de Igaci, formado por garotos da cidade. O time era considerado imbatível na região.
REALIDADE 2: A zaga da nossa equipe era considerada "uma verdadeira muralha"! Tão imbatível e segura que, em 8 anos de existência, jogando todos os finais de semana, tínhamos contabilizado apenas 5 derrotas!
REALIDADE 3: Quando jogávamos fora de casa, quase sempre viajávamos em cima de uma caminhonete pau-de-arara.
REALIDADE 4: Tradicionalmente, nas noites de domingo, a torcida esperava pela nossa volta para saber de quanto tínhamos ganho o jogo. Para isto, dávamos voltas ao redor da pracinha da cidade, gritando o resultado da partida de futebol.
FICÇÃO: Certo dia, fomos jogar na cidade vizinha e rival e fomos goleados implacavelmente, tendo o centroavante do time adversário humilhado a nossa respeitada defesa. Diante de tal catástrofe, todos defendiam que devíamos atrasar, propositadamente, à volta para casa, só voltando pela madrugada, quando todos já estivessem dormindo, a fim de não frustrar a torcida que nos esperava na praça. Arrumamos desculpas para tudo, menos para um fato inusitado: O centroavante do time adversário que, repito, humilhou a nossa zaga, respondia pelo nome de Maria José da Silva - uma garota de 13 anos!
Com este enredo fui premiado, mas, medroso, eu não fui à Copa porque meses antes ocorreu um grande terremoto na Cidade do México. Da Copa do Mundo que deveria ter ido, só vi pela televisão.
No meu lugar, consegui mandar um dos meus irmãos. Como "recompensa", ele me presenteou com um videocassete, que hoje soa como uma grande bobagem, mas, à época, era a grande novidade tecnológica. Afirmo ter a certeza absoluta de que fui um dos primeiros alagoanos a possuir este tipo de aparelho.
Quem sabe, um dia eu não vá a uma Copa? Deus é Pai, não é padrasto...

sexta-feira, 1 de março de 2013

A CRIANÇA PERDIDA

Texto de Ariovaldo Jardim

Estou procurando por uma criança que desapareceu há uns 67 anos atrás, mas mesmo assim sempre a acompanhei junto a seus sonhos, traquinagens, brincadeiras, choros e até mesmo nas alegrias junto aos amiguinhos, que hoje estão na mesma situação da criança que procuro.
Ela era esperta para a época, gostava de amizades, de pescar, dos familiares, tinha adoração pelos seus pais e por seu único irmão que o deixou há 13 anos passados.
Tinha uns brinquedos simplesinhos, mas passava horas inteiras absorto com os mesmos, não importando ser uma lata de marmelada vazia que virava seu caminhãozinho ou um simples pedaço de argila na qual moldava uma careta ou um automóvel, colocando até duas pelotinhas no que seriam os faróis encaixados no para-lama.
Acompanhei seu crescimento em idade e em altura, sua fome por leitura, qualquer que fosse e nisso está incluído também os Almanaques do Capivarol, do Biotônico Fontoura, da revista Em Guarda (da 2ª Guerra Mundial), algum caderno da Folha da Manhã ou do O Estado de São Paulo, como também de qualquer outro jornal, enfim tudo que pudesse ser lido.
Tinha um amor intenso pela sua avó materna, até achando que quando ela falecesse ele também queria morrer para poder acompanhá-la. Claro que isto não aconteceu, pois, como uma fruta, ele também foi amadurecendo e sentindo as íngremes ladeiras e as penosas subidas no dia-a-dia do ser humano, principalmente quando se carrega somente o necessário. 
Ele nada reclamava, achava tudo normal, até usar as roupas de seu irmão mais velho, o primeiro terno. Gostava  das matinês aos domingos e era, sem dúvida, uma criança feliz...
Mas o tempo foi passando e eu não consigo mais encontrar esta criança.
Às vezes a enxergava em meus filhos quando pequenos, mas eles também cresceram e foram embora. Passei a vê-lo nos netinhos, que alegria! Mas até os netinhos crescem e eu continuo me perguntando: 
- Cadê aquela criança que tão bem me iludia com seus sonhos, até mesmo em  ir para a Academia da Aeronáutica? Será que voou por este mundo afora?
Lembro-me que sempre teve bons amigos e, às vezes varava por baixo da lona para entrar no circo, onde se deliciava com as patacoadas dos palhaços, com as piruetas nos trapézios ou então esbugalhava os olhos com o mágico que encantava a todos.
Não encontrei esta criança nos velórios de meus entes queridos, fiquei um pouco chateado, mas a vida - me disseram - é assim mesmo: ora parece um ferro em brasa a queimar nossos sentimentos, ora é azeda como limão, ácida como vinagre; outras vezes, é salgada como o Mar Morto, pelas adversidades que enfrentamos por culpa exclusivamente nossa.
Mas que coisa, ainda não encontro essa criança.
- Onde poderá estar? Você poderia me dizer?
Como sou meio desatento em observar o conteúdo de casa, ontem levei um baita susto que amoleceu minhas pernas, fez tremer meu coração e me fazer cair na realidade. Olhei bem de frente um grande espelho que temos no nosso closet e encontrei a bendita criança que,  por todos esses anos, eu vinha procurando: 
Lá estava ela refletida no espelho!
Não mais aquela criança que eu tinha na memória, mas aquela que, no decorrer dos anos, foi pagando o seu preço de custo pelos dias transcorridos, pela sabedoria que conseguiu estocar em seu interior, pelas risadas de alegria que teve em todo esse tempo (as alegrias também gastam), pelas rugas que sempre enxergávamos nos outros e até as pilhérias que fazíamos, hoje também esta criança as tem.
Hoje está até meio alquebrada, é necessário outros a lembrarem para endireitar o corpo. Nem subir em uma pequena escada a deixam mais. Parece que até ronca ao dormir. Seus olhos não são mais matreiros, porém um pouco apagados, mas nem por isso deixa de reconhecer os bons amigos que seguiram e seguem o mesmo caminho, por quem esta criança ainda consegue fazer suas preces, para que Deus olhe por todos seus familiares, pelos amigos (as), pelos que sofrem e pelos que ainda não compreenderam a própria missão aqui na terra.
Descobri que aquela criança que tanto procurei está dentro de mim... Sou eu mesmo, Graças a Deus!