terça-feira, 28 de outubro de 2014

CALMA, MINHA GENTE...

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Tão logo saiu o resultado das urnas das eleições 2014, onde a presidente Dilma Rousseff foi reeleita, com certa dificuldade, a vereadora Eleika Bezerra (PSDC), 71 anos, professora aposentada da UFRN, Natal, Rio Grande do Norte, apresentou sua proposta para a nova divisão territorial do Brasil, tomando por base o resultado do pleito eleitoral.
Na sua proposta, o nosso país seria dividido em dois: "NOVA CUBA", formado pelos estados do Norte e Nordeste, as mais "pobres" do país, onde o programa Bolsa Família influiu decisivamente no resultado das eleições (a presidente reeleita ganhou em todos os estados) e o "BRASIL", formado pelos demais estados, com exceção de Minas Gerais, que seria implodido para dar lugar a um lago. Ressalte-se que Minas Gerais é o estado do candidato Aécio Neves, derrotado nas eleições e também no seu estado.
Calma, gente. Não é assim que vamos resolver nossos problemas. A polêmica é evidente.

domingo, 26 de outubro de 2014

DEFESA DO CONSUMIDOR

Texto de Aloisio Guimarães

Certa ocasião, uma pequena empresa de construção civil - popularmente chamada de "gata" - realizou obras de reforma no Prédio-sede do PROCON, aqui em Maceió. Em virtude da existência de um convênio, a fiscalização desta obra foi do órgão público aonde eu trabalho (na ocasião, era o chefe do setor competente), uma vez que o PROCON não possui engenheiros em seu quadro funcional.
Todos os serviços foram executados, conforme objeto contratado, obedecendo rigorosamente às especificações técnicas exigidas para cada item e recebidos por uma comissão específica, conforme manda a lei.
Acontece que meses após a obra ser entregue e o PROCON em pleno funcionamento, eu recebi a visita de um dos seus diretores (vou ocultar o nome), reclamando da existência de infiltrações no teto do prédio.
Mesmo assim, prontamente contatei a empresa construtora e, em comissão, fomos verificar o que de concreto acontecia.
Na vistoria realizada no teto do prédio, verificamos que as infiltrações existentes eram decorrentes do entupimento de uma das calhas de drenagem, por folhas depositadas pelo vento, e não por culpa de qualquer serviço mal executado pela construtora. Mesmo assim, sem obrigação alguma, o dono da "gata" mandou seus empregados limparem não somente a calha que estava entupida, mas todas as quatro calhas existentes.
Até ai tudo bem...
Acontece que, quase todas as vezes que ameaçava chover, lá vinha o pessoal do PROCON, exigir a limpeza de todas as calhas, para evitar futuras infiltrações.
Argumentávamos que já era do seu conhecimento do PROCON a causa do problema e que a empresa construtora não tinha a obrigação de fazer serviços de manutenção e limpeza, já que tais serviços eram de responsabilidade do PROCON e que não poderíamos impor uma obrigatoriedade indevida à construtora.
De nada adiantavam nossos argumentos... Então, lá pela sexta ou sétima visita do diretor do PROCON, já de "saco cheio", disparei:
- Meu amigo, só tem um jeito de resolver definitivamente a questão: é o PROCON ir reclamar ao PROCON!
Quase trocamos tapas, mas nunca mais ele me aporrinhou...
Deve ter contratado gente para manutenção do seu prédio!

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

ENTROU PELO CANO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
 
Em Concepción, no Chile, uma dupla de ladrões foi flagrada tentando roubar a bolsa de uma passageira de um ônibus, mas se deram mal: um deles conseguiu fugir, mas o outro foi preso, na porta do ônibus, e espancado pelo motorista. Nessa hora, acabou a valentia do bandido: o vagabundo caiu no choro, até a polícia chegar, e levá-lo para a cadeia. 


terça-feira, 21 de outubro de 2014

QUEM É?!

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES 

Um grupo de mulheres reuniu-se num seminário sobre como melhorar a sua vida conjugal.
 Então, foi-lhes questionado:
- Quais de vocês ainda amam os seus maridos?
Todas levantaram a mão. Em seguida foram inquiridas sobre qual a última vez que teriam dito aos seus maridos que o amavam. Algumas responderam
- Hoje.
Outras:
- Ontem.
Mas a maioria não se recordava. Por fim fizeram um teste e pediram que todas pegassem seus celulares e enviassem um SMS aos seus maridos dizendo “Te amo muito, querido.”.
Depois foi pedido que mostrassem as respostas dos respectivos maridos. Estas foram algumas das respostas:
- Você está bem?
- Que foi? Bateu com o carro outra vez?
- O que você fez agora?
- O que é que você quer dizer?
- Não fala com rodeios, me diz logo de quanto você precisa!
- Estou sonhando?
- Se não me disser para quem era este SMS, eu juro que te mato!
  E a melhor de todas:
- Quem é?!

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A TORRADA QUEIMADA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
 
Quando eu ainda era um menino, minha mãe gostava de fazer um lanche, tipo café da manhã, na hora do jantar. E eu me lembro especialmente de uma noite, quando ela fez um lanche desses, depois de um dia de trabalho muito duro. Naquela noite distante, minha mãe colocou um copo com leite e um prato com torradas bastante queimadas, para o meu pai. Eu me lembro de ter esperado um pouco, para ver se alguém notava o fato. Tudo o que meu pai fez foi pegar a sua torrada, sorrir para minha mãe, e me perguntar como tinha sido o meu dia na escola.
Eu não me lembro do que respondi, mas me lembro de ter olhado para ele lambuzando a torrada com manteiga e geleia e engolindo cada pedaço. Quando eu deixei a mesa naquela noite, ouvi minha mãe se desculpando por ter queimado a torrada. E eu nunca esquecerei o que ele disse:
- Amor, eu adoro torrada queimada.
Mais tarde, naquela noite, quando fui dar um beijo de boa noite em meu pai, eu lhe perguntei se ele realmente gostava de torrada queimada. Ele me envolveu em seus braços e me disse:
- Filho, sua mãe teve um dia de trabalho muito pesado e estava realmente cansada. Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém. A vida é cheia de imperfeições e as pessoas não são perfeitas. E eu também não sou o melhor cozinheiro do mundo.
O que tenho aprendido através dos anos é que saber aceitar as falhas alheias, relevando as diferenças entre uns e outros, é uma das chaves mais importantes para criar relacionamentos saudáveis e duradouros. E essa lição serve para qualquer tipo de relacionamento: entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos e amigos.

sábado, 18 de outubro de 2014

COMO CACHORRINHOS

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
 
Um casal resolveu dar uma transadinha dentro d'água em uma das praias de Porto San Giorgio, Itália e se deu mal: eles acabaram no hospital, nus, após ficaram presos um ao outro pelos seus órgãos sexuais, devido à sucção.
Segundo o jornal "Il Mattino", a vergonha não foi maior porque eles chamaram a atenção de uma mulher na praia, que lhes cedeu uma toalha.
Uma ambulância foi chamada e, no hospital, foi dada uma injeção para a mulher usada para dilatar o colo do útero de grávidas, permitindo que eles fossem desengatados.

O PENTA

Texto de Carlito Lima

É notório e crescente o número de homossexuais nos tempos atuais. Essa explosão demográfica homo, por conta da modernidade, deu coragem e ânimo aos meninos saírem do armário, antigamente nós sabíamos de cada caso.
Existia no bairro do Farol, perto de onde hoje é a TV Gazeta, uma pensão muito especial, Zeiga, o mais famoso hóspede, Ramona, chegado à mágica, mandrake, adorava fazer desaparecer coisas, era o líder, tornou-se o mais conhecido da cidade.
Certa vez aportou em Maceió, um pintor baiano de nome Sandoval Duarte. Fez o primeiro “vernissage” concorrido e badalado. As moças solteiras, as “socialites” da época, ficaram encantadas com o charme daquele artista espirituoso e bonito, parecia um galã de filmes americanos.
Ao revelar-se a opção sexual do grande SANDUARTE, houve “frisson” na sociedade alagoana. O pintor apaixonou-se por um jovem de família tradicional, teve um tórrido e escandaloso caso com o bonito rapaz, também coqueluche das meninas. Hoje, senhor respeitado e temido, exercendo alto cargo cheio de poderes.
Em noite de Baile de Máscara do Clube Fênix, um forte rapaz fez sucesso com luxuosíssima fantasia bordada de lantejoulas e paetês. Ninguém sabia se masculino ou feminino. O sexo do folião só foi revelado durante a premiação, era homem, ganhou o concurso de fantasia de luxo, primeiro lugar. O vencedor era meu primo, neto e homônimo de Floriano Peixoto, o Marechal de Ferro. Nós o chamávamos, sem deboche, de Fulô. Foi morar no Rio de Janeiro, destino de muitos que iam dar expansão à sexualidade reprimida.
As lésbicas também eram poucas conhecidas, ou refreadas. Hoje encontram-se aos montes, o homossexualismo feminino está em expansão. As mulheres entraram com fervor no caminho da revolução de costumes. Assumiram cada vez mais o “Viva Zapata”. Desfilam com namoradas, dão preferência abertamente às mulheres, comprovam bom gosto.
As coisas mudaram, os homos estão saindo se revelando na maior tranquilidade. Um amigo - vou chamá-lo de Rock, em homenagem a Rock Hudson, ator de cinema que no final da vida revelou-se boiola - depois do terceiro casamento, mora só, num apartamento na praia de Cruz das Almas, ama a vida de boemia e mulheres. Certa vez foi ao Recife passar um fim de semana com a namorada, aliás, uma moça de programa promovida à condição de noiva, assim apresentava Elizabeth aos amigos no Recife.
Quando seu luxuoso carro passava numa curva perto da cidade de Novo Lino, foi cruzado, fechado por uma camionete. Saltaram quatro homens com revólveres na mão apontando, um assalto. Um neguinho magro, cara de fuinha e voz de “foen” entrou e sentou-se no banco traseiro, encostou o frio cano da arma na nuca de Rock. Ele apavorado obedeceu os gritos do marginal, dirigiu o carro até um matagal.
Apareceram os outros assaltantes, arrecadaram cartões de crédito, três mil reais, talão de cheques, jóias e bijuterias da “noiva”. Eram quase seis da tarde, anoitecia, quando dois bandidos levaram Beth para outro local. Nas brenhas fizeram todo tipo de sacanagem sexual.
Enquanto isso, os outros meliantes seguraram Rock, mandaram se despir, deixando-o nu, na posição que Napoleão perdeu a Guerra. Nesse momento o Fuinha estuprou o apavorado Rock. Foi doloroso, ele chorou angustiado.
Com o serviço feito, os assaltantes deram um arranque na camionete, deixaram os dois no carro, levaram a chave.
Passava das nove da noite, quando Rock e Beth bateram numa casa perto de Novo Lino. Foram socorridos. Dormiram num pequeno hotel, prestaram queixa à Polícia. Ao meio-dia do sábado chegou de Maceió, uma chave extra do carro. Rumaram para o Recife.
O assalto deixou algumas sequelas, foram traumáticos os primeiros dias para Rock, estuprado violentamente pelo Fuinha.
Existe uma relação muito forte entre a vítima e o algoz, a célebre "Síndrome de Estocolmo". Rock não esqueceu o Fuinha, tinha sonhos eróticos sendo estuprado, ouvia a voz foen, vinha-lhe uma excitação estranha. Resolveu consultar um psiquiatra. Com três meses de análise, entendeu, o estupro revelou sua ambígua sexualidade.
Rock vive tranquilo, assumiu a bissexualidade, quando dá comichão, quando a vontade chega sem controle, ele vai à noite na orla da Avenida da Paz, escolhe um travesti para um programa.
No maior descaramento afirma sorrindo ser é bissexual porque só existem dois sexos, se fossem cinco sexos, ele seria PENTA igualzinho ao Brasil no futebol.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

PROFISSÃO: PROFESSORA

Texto de Isvânia Marques
 Professora, Escritora e Presidente da Academia Palmeirense de Letras, Ciências e Artes

Como poderíamos definir o professor? Como um profissional voltado para o aprimoramento contínuo de sua clientela? Como um amigo, que faz uso de seu carisma em favor de uma classe mais receptiva às aulas e à aprendizagem? Ou ainda, como um ser que se liberta de conceitos preestabelecidos, criando condições de descobrir caminhos capazes de enriquecer a abordagem pedagógica e facilitar a relação com seus alunos?
Após longos anos dedicados e resultantes da nossa vivência com a educação, responderíamos que ser professor é ser afirmativo a todas as perguntas elaboradas no primeiro parágrafo. Mais do que isso: é ser um profissional que extrapola as suas funções, rompendo o que lhe é sugerido por uma tradição milenar; atinge a versatilidade de um processo no qual ele se inclui e se questiona; revê novas metodologias, estabelece parâmetros e possibilidades que o atualizam dentro de um relacionamento que consiste em promover o crescimento entre mestre e alunos.
Por meio dessa nossa vivência em sala de aula, contribuímos para a formação de inúmeras turmas em diferentes entidades educacionais deste Estado. Médicos, políticos, dentistas, psicólogos, promotores, advogados, contadores, bancários, professores (e outras tendências profissionalizantes) passaram por nossas mãos, em seus estágios nas bancas escolares do aprendizado. Compensaram-nos com o carinho que até hoje se eterniza a cada encontro casual (ou não); com a transferência de nossos nomes aos seus filhos, no batismo de suas identidades, deixando neles registrada nossa marca, nossa passagem por suas vidas e, dessa maneira, ultrapassávamos os limites de nossos compromissos na sala de aula.
É gratificante ensinar, quando este fato consiste numa realização íntima, vivenciada pela satisfação de representar bem o seu papel, de criar textos sugeridos pela emoção dos momentos vividos, sempre de maneira espontânea, diversificada, rica e confiante.
Neste movimento que nos descobrimos psicólogos, analistas, amigos e profissionais. Canalizamos todas essas tendências aguçadas e provocadas por nós, direcionando-as à aprendizagem metódica de conteúdos programáticos da educação, embora sem fugir às propostas do cotidiano, nem transformá-los em seres insensíveis ao choro, nem agressivos consigo mesmos e com o mundo que lhes rodeia.
Sinceramente, não sabemos se seríamos mais felizes se tivéssemos escolhido outra profissão. Não sabemos se a “outra” nos daria chances a tantas realizações; se tornaríamos esse exercício contínuo uma forma de terapia e, ao mesmo tempo, de nossas aulas, uma ponte que conduz a verdadeiras amizades.
Possuímos muitos amigos. Dentre eles, ex-alunos que fizeram perdurar e exceder o entrosamento iniciado na sala de aula, levando para fora dela o que nela fora plantado. Aprendemos o cumprimento da reverência mútua, do respeito às normas, às perdas, às diferenças e aos limites de cada um. Respeito que, em sua noção básica, provém de seu primeiro contato social: a família. Daí então, comungando e transferindo às outras relações: à vizinhança, à escola, aos amigos, à sociedade e ao mundo, enfim.
Confiamos na grande parceria compreendida entre a escola e a família. Esse envolvimento e troca de propostas e experiências engrandecem o principal elemento e objetivo dessa união, o aluno, uma vez que é este a meta do amor a ele depreendido pelas duas partes nele interessadas.
Ninguém mais do que a família a querer o melhor para o seu filho; ninguém mais do que a escola para fazê-lo descobrir seu potencial e se ver como um ser especial em sua individualidade. A família e a escola devem ser - constantemente - uma sociedade criada dentro dos critérios que visem ao aluno como um ser determinante, vivo, inteiro e atuante, precisando de limites aliados ao amor; de regras aliadas à proteção e de responsabilidades comungadas às doses de liberdade. A interação, formada pelo binômio aluno e escola, não funciona sem a participação da família, produzindo benefícios às partes formadas em torno do bom funcionamento educacional.
Confunde-se o bom profissional na educação com aquele que não imputa responsabilidade ao aluno nem lhe impõe limites; ou – ainda – não lhe atribui “não” como resposta imposta às suas exigências imaturas. É tempo de questionar, refletir, mudar e amadurecer através de experiências convividas com o “sim” e o “não”, oriundas de uma adversidade natural e da exigência da própria vida.
Não somos heróis. Nem sábios. Nem monstros.
Não nos crucifiquem por nossos fracassos. Nem os pais nem a sociedade. Não nos queiram mal se somos simplesmente humanos e amantes da emoção e do conhecimento; dos métodos e da avaliação personalizada; da nossa plateia (alunos) e da nossa missão em permanente desempenho; da valorização do nosso time e do entusiasmo da nossa torcida...
Não nos queiram mal, pois somos apenas professores...

sábado, 11 de outubro de 2014

O MUNDO É DELAS

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

O mundo é das mulheres.
Todas as mulheres reclamam que nós, os homens, não ligamos para elas, mas vejam só:
- Qual o maior motivo para que todo homem queira ser financeiramente bem-sucedido?
- Para pegar mulher.
- Por que os homens investem tanto em carrões importados e conversíveis?
- Para impressionar mulher.
- Qual a importância de o homem combinar cintos, sapatos, meias e modelos de camisa?
- Para agradar mulher.
- Qual a grande motivação para o homem frequentar academias e suar como porcos nas esteiras assassinas?
- Para ver mulher.
- Por que os homens passam perfume, gel, loção pós-barba e desodorante?
- Para se aproximar de mulher.
- Por que os homens são sempre tão ciumentos?
- Para não perder a mulher.
- Por que os homens são infiéis?
- Para colecionar mulher.
- Por que os homens casam?
- Para manter a mulher.
- Por que os homens descasam?
- Pra trocar de mulher.
- Por que os homens trabalham?
- Para ter grana pra sair com mulher.
Então, a única coisa que fazemos sem estarmos pensando em mulher é tomar cerveja num botequim da vida…
E elas ainda implicam!

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

CARTA DE FLÁVIO CAVALCANTE PARA O NETO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
Meu neto,
Pelo que você já me disse com o seu sotaque de anjo, percebo que você me considera uma criança grandona e desajeitada, e me acha, mesmo assim, seu melhor companheiro de brinquedos.
Pena que tenhamos tão pouco tempo para brincar, tão pouco porque só sei brincar de passado, e você só sabe brincar de futuro. E ainda estarei brincando de recordação quando você começar a brincar de esperança.

Mas antes que termine o nosso recreio juntos, antes que eu me torne apenas um retrato na parede, uma referência do meu genro, ou quem sabe até uma lágrima de minha filha, quero lhe dizer meu neto, que vale a pena.
Vale a pena crescer e estudar. Vale a pena conhecer pessoas, ter namoradas, sofrer ingratidões, chorar algumas decepções. E, a despeito de tudo isso, ir renovando todos os dias a sua fé e a bondade essencial da criatura humana, e o seu deslumbramento diante da vida.
Vale a pena verificar que não há trabalho que não traga sua recompensa; que não há livro que não traga ensinamentos; que os amigos têm mais para dar que os inimigos para tirar; que se formos bons observadores, aprenderemos tanto com a obra do sábio quanto com a vida do ignorante.
Vale a pena casar e ter filhos. Filhos, que nos escravizaram com o seu amor.
Vale a pena viver nesses assombrosos tempos modernos, em que milagres acontecem ao virar de um botão; em que se pode telefonar da Terra para a Lua; lançar sondas espaciais, máquinas pensantes à fronteira de outros mundos, e descobrir na humildade que toda essa maravilha tecnológica não consegue, entretanto, atrasar ou adiantar um segundo sequer a chegada da primavera.
Vale a pena, meu neto, mesmo quando você descobrir que tudo isso que estou tentando ensinar é de pouca valia, porque a teoria não substitui a prática, e cada um tem que aprender por si mesmo que o fogo queima, que o vinagre amarga, que o espinho fere, e que o pessimismo não resolve rigorosamente nada.
Vale a pena, até mesmo, envelhecer como eu e ter um neto como você, que me devolveu a infância.
Vale a pena, ainda que eu parta cedo e a sua lembrança de mim se torne vaga. Mas, quando os outros disserem coisas boas de seus avós, quero que você diga de mim, simplesmente isso: “Meu avô foi aquele que me disse que valia a pena. E não é que ele tinha razão?!” 

terça-feira, 7 de outubro de 2014

O ETERNO APRENDIZ

Texto de Carlito Lima

Domingo pela manhã eu saboreava um verona, sanduíche predileto, na “Palato”, acompanhado de um efervescente “capucinno”, quando Gerson sentou-se a meu lado na enorme mesa de casa de fazenda ornamentando o requintado ambiente.
Um homão com seus trinta e poucos anos, mais de 1,80 metros de altura, corpo de atleta, cara bonita, xodó das meninas. Hoje advogado brilhante, ambicioso, atuante.
Em boa conversa ele teorizava, o auge da beleza feminina está na maturidade, sabedoria de cama e mesa. Uma mulher de quarenta, cinquenta, sessenta anos, sabe do que o homem gosta. Discursou, como se estivesse no Fórum, defendendo a eficiência operacional da mulher madura.
Depois de ouvir seus argumentos, concordei, as mulheres com alguns quilômetros rodados têm prática mais apurada, sem desprezar uma bonita menina, uma jovem de 20 aninhos é revigorante.
Gerson empolgado com o assunto, contou-me a aventura delirante que está vivendo. Achando a vida mais bonita, mais cor-de-rosa por um amor maduro.
Meses atrás, ele frequentava um curso com alguns advogados, promotores, juízes, inclusive uma advogada beirando os sessenta, senhora letrada, inteligente, de um bom humor notável. Ele teve uma empatia instantânea por essa mulher, viúva, bela e gostosa.
Dora, três casamentos, além de casos amorosos, foi muito poderosa nos bastidores da política. Nas brigas do poder ela metia a mão de ferro, protegendo seus afilhados, seja no poder Executivo, Judiciário ou Legislativo, durante o mandato de seu amante, o governador, ela era ouvida, teve poder de decisão. Esse poder conquistou pela inteligência, firmeza e posições tomadas, principalmente na cama.
A coroa tem ânsia de viver. O mais de meio século não deixou marcas na jovem alma. Alegre, corpo cuidado, bem moldado nas academias e nos cirurgiões plásticos.
Mulher de muita leitura gosta de atualizar-se, aprender. Gerson e Dora frequentaram o curso durante três meses. Todas as noites estudavam juntos, gostavam da companhia. Ele a via como uma irmã mais velha, entretanto, apreciava os decotes ousados dos vestidos da bela dama.
Certa noite foram terminar um trabalho em grupo no espaçoso apartamento de Dora na praia de Ponta Verde. Mais de duas horas de discussão numa mesa circular, deixaram a conclusão do trabalho para outro dia. Dora ofereceu um gostoso lanche, queijo regado a vinho e uísque. O grupo se divertiu até tarde, ouvindo boa música, conversa inteligente. Gerson cantou dedilhando um violão, “Dora, rainha do frevo e do maracatu...”. Recebeu um beijo lambido no ouvido.
Foi sugerido continuar os trabalhos no sábado à noite, no mesmo local.
Sábado cedo, Dora foi ao mercado comprou camarão e arabaiana, o prato da noite, filé de peixe ao molho de camarão. Ligou para todos os componentes do grupo, se desculpando, pedindo adiar o trabalho para terça-feira. Não telefonou propositalmente para Gerson.
Quando ele, carregando livros e papéis embaixo do braço, pontualmente tocou a campainha, Dora abriu a porta com um largo sorriso, estava maravilhosa, vestido azul colado ao corpo. Gerson estranhou quando sua amiga falou no trabalho adiado. Convidou-o para entrar, seria uma companhia agradável se ficasse para jantar.
Sentaram-se na varanda com vista à praia iluminada por uma azulada lua bonita refletida no mar e nas palhas dos coqueiros. O uísque rolou, bons tira-gostos, Dora serviu o peixe com camarão.
Ao voltar para a varanda, colocou uma música suave, americana, “Heaven I’am heaven...”, traduzindo, “Paraíso, estou no paraíso”. Gerson deu-lhe a mão, saíram dançando, escorregando pela sala, ele cantou a canção em seu ouvido, puxou seu corpo com vigor, iniciaram uma seção de carinho e carícia, beijou-a, sussurrando ela pediu para ser levada ao quarto. Num impulso, colocou-a nos braços como se fossem recém-casados, empurrou a porta, soltou-a ternamente na cama. O resto é silêncio, como diria Shakespeare.
Depois dessa noitada, os dois continuam encontrando-se no mínimo três vezes por semana, adoram uma seção de matinê, assistindo filmes na televisão, comendo queijos, peixes e outros quitutes.
Gerson espera ansioso os encontros, sem preconceitos, que importa a diferença de 20 anos entre ele e a poderosa coroa? Ela sabe tudo e ensina, ele eterno aprendiz.