sábado, 28 de fevereiro de 2015

MOTIVOS PARA BEBER

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Se você foi enganado, quando acreditou nas mentiras eleitoreiras de que era o PSDB que ia arrochar o brasileiro, ou é daqueles que gosta mesmo de "tomar umas e outras" e tem medo da língua do povo, segue abaixo uma relação de motivos que você pode usar para justificar a sua presença numa mesa de bar:
• Se você não beber aquela cerveja, alguém mais o fará. Será que você quer ser o responsável por embriagar outro ser humano?
• A indústria cervejeira emprega 1.7 milhões de pessoas e elas dependem do lucro da venda de cerveja para continuarem vivendo.
• Você sonhou que a sua alma gêmea irá entrar naquele bar.
• Sem o seu brilhantismo e charme, a vida dos garçons seria muito entediante.
• O garçom depende da gorjeta para alimentar os filhos. Faça sua parte, ajude uma criança a comer bem.
• O bar comprou cadeiras novas e você está empenhado em amaciá-las para os outros fregueses.
• Pode apostar que em algum lugar do mundo, hoje é dia de comemorar alguma coisa.
• O seu time foi campeão ou foi rebaixado!
• Você pegou sua mulher com o Ricardão!
• Sua mulher te pegou de braços dados com a amante!
• Este universo é infinito e vastíssimo. Você é tão insignificante e pequeno que não vale a pena estar sóbrio.
• Se você não beber, amanhã você acordará animado, cheio de energia e todo elétrico, procurando o que fazer. Cara, você NÃO é um esquilo, então porque se comportar como um?
• Você é a alegria da turma. Não vai querer deixar os seus amigos tristes, vai?
• Você tem consciência social e quer ajudar o mendigo que cata latinhas vazias a poder melhorar de vida, oferecendo a cota diária dele em apenas duas horas.
• Alguém pode aparecer no bar te procurando, para oferecer o emprego da sua vida. É melhor você estar lá.
• Você está muito stressado ultimamente e, se não beber, acabará cometendo algum ato impensável que somente sóbrios fariam.
• Se você beber, um de seus amigos terá que ficar sóbrio para dirigir e assim você evita que ele se entregue ao péssimo hábito da bebida.
• Você precisa ver se aquela garçonete nova é capaz de servir você tão rápido quanto a antiga.
• Não tem nada interessante passando na televisão (a não ser que sexo seja uma opção).
• A sua sogra veio passar alguns dias na sua casa, visitando a filha dela (sua esposa) ou quando a visita terminou e a velha foi embora!
• Você teve um sonho no qual uma garrafa de cerveja te mostrava o sentido da vida. Vá verificar se é verdade.
• Quando você for escrever sua biografia, você terá coisas interessantes para contar... Isso, se você se lembrar delas.
• Al-Qaeda proíbe o consumo de bebida. E desde quando você vai ficar levando ordens da Al-Qaeda?
• Use o existencialismo: a vida é uma tempestade de merda e a bebida é o único guarda-chuva que não é furado.
• Você não tem nada melhor pra fazer hoje (a não ser que sexo seja uma opção).
• Você pode conhecer alguma pessoa no bar que faça com que sexo seja uma opção.
• Você vai matar a curiosidade de saber como é a sensação de tomar glicose na veia de madrugada num posto de saúde.
• Quando seus colegas perguntarem na segunda-feira o que você fez no fim de semana, você precisa ter algo para contar que comece com a frase “Cara, nem te conto, foi sinistro, fui num barzinho...”
• Lembra-se daquele seu sonho de infância de encontrar uma herdeira de uma cervejaria milionária e passar o resto da vida passeando pelo mundo e curtindo a vida? Você acha que isso vai acontecer sentado dentro de casa assistindo novela na sala?

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

SEGREDO JURAMENTADO

Texto de Carlito Lima

“Recordando essas coisas tão boas, sou feliz, não me sinto tão só; toda gente que sai de Alagoas, o coração deixa em Maceió”.
Feito a canção do mineiro, aconteceu com o catarinense Fagundes. Voltou depois de mais de 40 anos. Fui visitá-lo no hotel, hospedado com a esposa e três netos, veio rever a inesquecível cidade, deixou o coração em Maceió. Passamos a tarde tomando cerveja embaixo dos coqueirais. Recordamos bons tempos, boas histórias dos anos dourados.
Fagundes chegou em Alagoas final dos anos 60, gerente de um forte banco. Alto, louro, educado, bom moço, fez sucesso com as meninas da cidade. Em Santa Catarina jogava voleibol por um clube, facilitou ser convidado para equipe do CRB. Solteiro, morava no Hotel Atlântico na Avenida da Paz, perto do centro e da boemia de Jaraguá.
A hospitalidade dos alagoanos deixou Fagundes à vontade. Entrosou-se com os viventes da cidade. Simpático, envolvente, logo conhecia as figuras carimbadas. Naquela época empréstimo financeiro negociava-se nas poltronas com gerente de bancos. Fagundes era convidado para aniversários, casamentos, assíduo frequentador do Zinga-Bar de Riacho Doce, e dos cabarés. Apaixonou-se pelo litoral nordestino, embora Santa Catarina seja bem aquinhoada de belas praias, encantou-lhe os coqueirais embelezando as praias. Fagundes trabalhou três anos em Maceió, divertiu-se, fez muitos amigos, um dia teve que seguir destino.
Dois de seus amigos alagoanos ficaram no coração e na memória do catarinense: Betão jornalista famoso e Eduardo assessor de um conhecido deputado. Boêmios da melhor qualidade, gostaram do "Catarina", convidavam para festas de fim-de-semana. Os dois eram casados, entretanto, viviam como solteiros fossem.
Certa noite de sexta-feira levaram Fagundes ao aniversário de Benedito Bentes, conhecido empresário, homem de sociedade, esportista, cogitado várias vezes ao governo do Estado, enfim um dos grandes alagoanos da época. A casa de Benedito Bentes ficava no início da Avenida Fernandes Lima. Casa solta, avarandada, um belo jardim, quintal enorme, onde nós jogávamos bola. Bentes, festeiro inveterado, gostava de receber amigos, artistas. O dia de seu aniversário tornou-se tradição, não precisava convite, os amigos levavam mais convidados. Benedito Bentes morreu cedo, 56 anos, tornou-se figura lendária, hoje é nome de bairro em Maceió.
Fagundes, adorando a festa, muitos amigos, muitos clientes do banco, divertindo-se naquele animado aniversário. Quase ao término da festa, Betão e Eduardo convidaram o amigo, estavam saindo para outro aniversário, no mesmo dia, outro Benedito, o Benedito Alves dos Santos, o popular Mossoró, dono da noite de Maceió. Ao chegarem na Boate Areia Branca, os três foram recebidos pelo aniversariante em uma vasta mesa com amigos e belas damas.
Betão e Eduardo, irreverentes boêmios, foram catando as melhores meninas desacompanhadas, quando completaram quatro raparigas puro sangue, Betão pediu a Mossoró um apartamento para os amigos e as meninas. Estavam a fim de um "menàge à sept" para mostrar ao catarinense o vigor sexual dos alagoanos. Mossoró devia um grande favor a Betão, certa vez ele escreveu uma matéria defendendo a permanência da boate do Mossoró, contribuiu para o cabaré continuar aberto.
Em pouco tempo apareceu Roberto, filho do Mossoró, o apartamento estava pronto. Era o de uso particular do proprietário, onde ele dormia nas noites que não voltava para casa da Ponta Verde.
Fagundes ficou nervoso, tímido para esses arroubos sexuais, jamais havia participado de uma suruba. Quando de repente na maior algazarra entraram no apartamento especial, uma dama veio lhe fazer carinho, empurrou-o na cama. Ele constrangido, nunca tinha visto aquelas cenas dantesca, pernas se cruzando. Quase uma hora de agonia, não conseguiu. No final os amigos consolaram, a brochada era natural, etc...
Na volta, dentro do carro, Fagundes pediu segredo a Eduardo e Betão, a história do incidente ficasse entre eles, se os amigos soubessem iriam gozá-lo durante muito tempo. Os dois juramentaram segredo. Por eles jamais saberiam.
Na segunda-feira pela manhã ao entrar no banco, Fagundes sentiu alguns olhares irônicos dos funcionários, risinhos e sorrisos abertos dos amigos, por mais de uma hora, ele desconfiou, havia alguma coisa no ar. Até que um colega mais íntimo contou, a notícia se espalhou pela manhã, todos sabiam da pifada de Fagundes na Boate Areia Branca. Já no domingo a notícia corria pelos bares, pelas barracas, pela praia, pelos clubes; toda cidade sabia: Fagundes, o gerente do Banco, brochou.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

TODO CUIDADO É POUCO

Texto de Luiz F Veríssimo 

Outro dia estava no mercado, quando vi, no corredor, um amigo da época da escola, que não encontrava há séculos.
Feliz com o reencontro, me aproximei, já falando alto:
- Oswaldo, sua bichona, quanto tempo!
E fui com a mão estendida para cumprimentá-lo... Percebi que o Oswaldo me reconheceu, mas, antes mesmo que pudesse chegar perto dele, só vi o meu braço sendo algemado.
- Você vai pra delegacia! – Disse o policial que costuma frequentar o mercado.
Eu sem entender nada perguntei:
- Mas o que é que eu fiz?
- Homofobia! Bichona é pejorativo; o correto seria chamá-lo de "grande homossexual".
Nessa hora, antes mesmo de eu me defender, o Oswaldo interferiu tentando argumentar:
- Que isso, doutor? O “Quatro-olhos” aí é meu amigo antigo de escola; a gente se chama assim na camaradagem mesmo!
- Ah, então você estudou vários anos com ele e sempre se trataram assim?
- Isso, doutor, é coisa de criança!
E nessa hora o policial já emendou a outra ponta da algema no Oswaldo:
- Então você tá detido também.
Aí foi minha vez de intervir:
- Mas meu Deus, o que foi que ele fez?
- Bullying! Te chamando de “Quatro-olhos” , por vários anos, durante a escola.
Oswaldo então se desesperou:
- Que é isso, seu policial? A gente é amigo de infância! Tem amigo que eu não perdi o contato até hoje. Vim aqui, comprar umas carnes prum churrasco, com outro camarada que pode confirmar tudo!
E nessa hora eu vi o Jairzinho “Pé-de-pato” chegando perto da gente, com 2 quilos de alcatra na mão. Eu, já vendo o circo armado, nem mencionei o “Pé-de-pato” pra não piorar as coisas. Mas ele, sem entender nada, ao ver o Oswaldo algemado, já chegou falando:
- O que é isso, "Negão"? O que é que tu aprontou aí?
E aí não teve jeito, fomos, os três, parar na delegacia e hoje estamos respondendo processo por Homofobia, Bullyng e Racismo!
MORAL DA HISTÓRIA:
Nos dias de hoje, é um perigo encontrar velhos amigos!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

CARTAS NA MESA

Texto de Aloisio Guimarães

Uma das versões da origem do baralho diz que ele foi inventado pelo pintor francês Jacquemin Gringonneur, obedecendo a uma ordem do rei Carlos VI de França, que idealizou os naipes do baralho como forma de representar as divisões sociais da França: o Clero (Copas), a Burguesia (Ouro), os Militares (Espada) e os Camponeses (Paus).
O baralho mais usado nos países de língua portuguesa possui 52 cartas, distribuídas em 4 naipes e em 13 valores diferentes: um Ás (representado pela letra A); todos os números de 2 a 10; e três figuras: o Valete, marcado com a letra J (do inglês Jack); a Dama ou Rainha, marcada com a letra Q (de Queen) e o Rei, marcado pela letra K (de King).
Ao Ás, geralmente é atribuído o valor 1 e às figuras são dados, respectivamente, os valores de 11, 12 e 13. Mas, em determinados jogos, o Ás é a carta de maior valor.
Dependendo do jogo e da definição dos participantes, muitos jogos usam duas cartas a mais, com a figura do Coringa, representado pelo Bufão da Corte (Palhaço), que não tem naipe e por isso pode representar qualquer carta.
A primeira versão do baralho tinha 78 cartas. Tempos depois é que atribuíram significados a cada uma das cartas, sendo que as figuras seriam personalidades históricas e bíblicas:
• NAIPE DE COPAS ()
Rei: Júlio César, que simboliza as legiões romanas.
Dama: Judite, personagem bíblica.
Valete: La Hire, cavaleiro que lutou com Joana D’Arc
• NAIPE DE OURO ()
Rei: o rei Carlos Magno.
Dama: Raquel, filha do profeta Abraão.
Valete: sir Heitor, membro da Távola Redonda.
• NAIPE DE ESPADA ()
Rei: o rei israelita Davi.
Dama: a deusa grega Atena.
Valete: Hogier, primo de Carlos Magno.
• NAIPE DE PAUS ()
Rei: o rei Alexandre, o Grande.
Dama: Elizabeth I, rainha da Inglaterra.
Valete: sir Lancelot.
Dentre os jogos de cartas mais conhecidos no Brasil estão: Pôquer, Black Jack, Paciência, Buraco (Canastra ou Biriba), Bridge, Pif-Paf (Relancinho) e Truco.
Agora, você já sabe as cartas que tem nas mãos...
 

domingo, 22 de fevereiro de 2015

CONSELHO CHINÊS

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Há apenas duas coisas com que você deve se preocupar: se você está bem ou se está doente.
Se você está bem, não há nada com que se preocupar.
Se você estiver doente, há duas coisas com que se preocupar: se você vai se curar ou se vai morrer.
Se você vai se curar, não há nada com que se preocupar.
Se você vai morrer, há duas coisas com que se preocupar: se você vai para o céu ou para o inferno.
Se você vai para o céu, não há nada com que se preocupar.
Agora, se você vai para o inferno, é porque merecia. Neste caso, estará tão ocupado em cumprimentar velhos amigos que nem terá tempo de se preocupar.
Então, para que se preocupar?

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A DAMA DE AMARELO

Texto de Carlito Lima

Ao receber a herança do pai, Nivaldo comprou três apartamentos pequenos, mobiliou-os apostando no aluguel por temporada, afinal o turismo é uma das vocações econômicas das Alagoas. No verão ele descola dinheiro extra. Por conta desses aluguéis, depois da semana santa, faz uma viagem com sua amada esposa, Margarida. Nivaldo fez amizades com turistas de todo Brasil, até estrangeiros estão em sua agenda. Tem muito trabalho administrar roupa de cama, equipamentos domésticos, etc... “Vale a pena”, diz Nivaldo.
Nesse verão ele recebeu um telefonema, uma senhora solicitando detalhes do apartamento, aluguel de 20 dias, também pediu alguns dados sobre o proprietário. Ele estranhou esse interesse, entretanto, não de fez de rogado, deu detalhes, 50 anos, casado, engenheiro. A senhora desejou olhar o apartamento, marcaram às cinco da tarde, em frente à Sorveteria Bali na praia de Pajuçara. Para reconhecê-la iria de vestido amarelo.
No local e hora combinados, Nivaldo parou o carro, a senhora aproximou-se, ele abriu a porta dianteira. Com classe de mulher bem vivida, a dama de amarelo sentou-se, cumprimentou-o com um belo sorriso, Giselle seu nome. Ele encantou-se com a beleza da mulher, idade indefinida entre 35 e 40 anos, sentiu o cheiro suave e sensual de Fleur de Rocaille, seu perfume predileto, respirou fundo, deu partida no carro.
Ao dirigir-se ao edifício na praia de Jatiúca foram conversando amenidades. Ela baiana, morava em Maceió, queria o apartamento para um parente em visita à cidade. Nivaldo empolgado, em rápida olhada percebeu as belas pernas grossas da madame. Ao estacionar o carro, ela desceu como uma princesa, ficou parada, olhou o prédio, balançou a cabeça como aprovação. Tomaram o elevador, deu um fervor nas veias do nosso amigo ao notar a generosidade do decote da madame. Ele sugeriu ver primeiro a cobertura comum ao prédio, onde fica a piscina, o lazer. Giselle se encantou com a vista do mar azulado da Jatiúca, percorreram o bar, restaurante. Nessa altura o bom humor e a beleza da madame tinham conquistado a simpatia do nosso herói.
Afinal, foram ao 5º andar, entraram no apartamento, quarto e sala, cama de casal, geladeira, as mobílias e utensílios foram mostrados, ela se abaixou olhando as gavetas e mostrando mais o que tinha por baixo do decote, Nivaldo estava quase subindo às paredes. Depois de olhar os detalhes, Giselle sentou-se na cama, bateu no colchão, convidou Nivaldo sentar-se a seu lado. Giselle perguntou o preço de 20 dias. R$ 3.000,00 respondeu. Fecharam o negócio por R$ 2.500,00, avisaria seu parente para efetuar o pagamento. Olhou nos olhos do nosso amigo, apertou sua mão, levantou-se, pediu licença para ir ao banheiro. Nivaldo sentiu-se aliviado. De repente ouviu abrir a porta, ao olhar teve uma emoção inesperada, seus testosteronas se agitaram, o sangue ferveu nas veias. Giselle, simplesmente linda, estava apenas de calcinha amarela, corpo esguio, ancas largas, falsa magra, cabelos louros escorridos. Sorriu estirando-lhes os braços:
- Que tal?
Nivaldo levantou-se, aproximou-se, abraçou-a devagar, beijou-lhe a testa, o nariz, a boca carnuda, molhada, enquanto ela abria seu cinturão. Nivaldo nunca pensou na vida que existissem tudo que fizeram naquela tarde.
A madame, deitada, fumava um cigarrinho, olhava o teto, abriu o jogo, contou sua história. Usava proprietários e corretores de imóveis para essa aventura semanal, na verdade não queria alugar o apartamento. Ela tinha necessidade, compulsão pelo sexo, ninfomaníaca. Casada, seu marido, bem mais velho, sabia de suas traquinagens, pedia apenas que ela não repetisse a mesma pessoa, não se apegasse. Como a dama de amarelo gostou de fazer amor com Nivaldo, sugeriu encontrar-se com ele mais três vezes, no máximo, depois tudo acabado. Saíram mais três vezes. Não podiam ter laços afetivos, assim foi acertado.
A dama de amarelo continua satisfazendo sua compulsão sexual, toda semana se veste de amarelo em busca de novas aventuras, escolhe a vítima pelos anúncios dos classificados. A história da dama já se espalhou na cidade, tem corretor gastando uma fortuna em anúncios, na esperança de ser a bola da vez. Nivaldo agora é só lembrança, saudades das quatro tardes de amor com a dama de amarelo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

LIÇÕES DA ARCA DE NOÉ

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Jamais se desespere em meio às mais sombrias aflições de sua vida, pois é da nuvem mais negra que cai a água mais límpida e fecunda.” Provérbio chinês.

01. Não perca o embarque.
02. Lembre-se de que estamos todos no mesmo barco.
03. Planeje para o futuro: não estava chovendo quando Noé construiu a Arca.
04. Mantenha-se em forma: quando você tiver 60 anos, alguém pode lhe pedir para fazer algo realmente grande.
05. Não dê ouvido aos críticos; apenas continue a fazer o trabalho que precisa ser feito.
06. Construa seu futuro em terreno alto.
07. Por segurança, viaje em pares.
08. A velocidade nem sempre é uma vantagem: os caramujos também estavam a bordo, juntos com os leopardos.
09. Quando estiver estressado, flutue por um tempo.
10. Lembre-se: a Arca foi construída por amadores; o Titanic por profissionais.
11. Não importa a tempestade, pois quando você está com Deus há sempre um arco-íris te esperando.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

E ASSIM A BAHIA FOI POVOADA...

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

O texto a seguir, é conhecido com a sentença proferida em 1587, em um  processo movido contra o Padre Francisco da Costa, Prior de Tancosoa/BA, acusado de dezenas de filhos, cujos autos estão arquivados na Torre do Tombo (onde são guardados todos os documentos antigos e  está situada em Lisboa, junto à Cidade Universitária), armário 5, maço 7.

"Padre Francisco da Costa, Prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos  rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não  contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo  delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs, teve dezoito filhas; de nove comadres, trinta e oito filhos e dezoito filhas; de  sete amas, teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas, teve  vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas. Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres. Não satisfeito tal apetite, o malfadado prior, dormia ainda com um escravo  adolescente de nome Joaquim Bento, que o acusou de abusar em seu vaso nefando noites seguidas quando não lá estavam as mulheres. Acusam-lhe ainda dois ajudantes de missa, infantes menores que lhe foram obrigados a servir de pecados orais, completos e nefandos, pelos quais se culpam em defeso de seus vasos intocados, apesar da malícia exigente do malfadado Prior."
AGORA VEM O INESPERADO:
El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e mandou libertá-lo aos dezessete dias do mês de Março de 1587, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e, em proveito de sua real fazenda, o condena ao degredo em terras de Santa Cruz, para onde segue a viver na vila da Baía de Salvador como colaborador de povoamento português. El-rei ordena ainda guardar no Real Arquivo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo.
Meus caros, não sintam inveja! O "pobre" Prior não tinha TV, Internet, nem mesmo rádio. Entendam que naquela época a concorrência praticamente não existia. Com tanto "rabo de saia", desfilando na frente e tanto mato ao redor, não há Prior que aguente.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

VOU DE TÁXI

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

O causo abaixo ilustra muito bem uma situação muito presente em vários países, onde visitantes e imigrantes teimam em desrespeitar a cultura, a crença, a religião e os hábitos da população nativa.
Contam que tudo aconteceu na cidade inglesa de Manchester:
Um árabe, devoto fervoroso, entra num táxi.
Uma vez sentado, ele pede ao taxista para desligar o rádio do carro, porque não quer  ouvir música, principalmente a ocidental, a "música dos infiéis", como decretado na sua religião, porque, no tempo do profeta, não havia música.
O motorista do táxi, educadamente, desliga o rádio, sai do carro, dirige-se à porta do lado do cliente e abre-a.
O árabe pergunta:
- O que você está a fazer?
No que o taxista responde:
- No tempo do profeta não havia táxis, por isso saia e espere pelo próximo camelo! 

sábado, 14 de fevereiro de 2015

CARNAVAIS DO MEU TEMPO

Texto de Isvânia Marques
 Professora, Escritora e Presidente da Academia Palmeirense de Letras, Ciências e Artes


Estou diante da tevê do meu quarto. Imagens desfilam à minha frente, quase em câmara lenta, para chamarem a minha atenção. Entretanto, não conseguem prender-me à tela. De súbito, o som do samba-enredo anuncia o carnaval do novo milênio, num ensaio sem o luxo do dia da festa, exibindo corpos femininos cada vez mais nus. Alguns deles até esquecidos de suas imperfeições...
Parei no tempo e percorri outros espaços, onde o samba foi ficando cada vez mais vagaroso até transformar-se em marcha lenta, deixando que a música sacudisse o salão.
O meu quarto subitamente mudava de cenário: a cama era o palco, onde uma orquestra tocava sobre ela. Em lugar do guarda-roupa, havia mesas repletas de pessoas animadas e fantasiadas; e o pouco que restava do quarto transformara-se num imenso salão, com pilastras decoradas por máscaras disfarçadas de pierrôs, colombinas, ciganas, piratas... mais outras dezenas de personagens que figuravam o meu devaneio. E o piso molhado do salão parecia um tapete colorido de papel, enfeitado pelas serpentinas e confetes.
A doce lembrança do carnaval da minha terra me invadiu e, num passe de mágica, deparei-me vestida nas cores do carnaval, pulando e entoando o hino momesco da época: “Bandeira branca, amor...”
Naquele instante, o meu pensamento se deixou invadir pela saudade de um período em que até hoje minha memória preserva e acalenta: o carnaval da minha querida “Cidade-Modelo” que, entre tantos outros, o do ano de 1969 coroou a minha juventude.
Os clubes presenteavam seus sócios com bailes majestosos e orquestras de frevo. Quando os músicos estavam cansados, apenas o barulho do surdo (instrumento), insistente, alimentava e servia de consolo à animação laboriosa dos muitos farristas que pulavam no salão. Se o ruído solitário do tambor não fosse logo substituído pela famosa música “Vassourinhas” (ou por outra do mesmo estilo), a turma berrava: “Olha a cera! Olha a cera!”. Era este o grito de guerra do folião, em repúdio à morosidade NE à canseira dos músicos, uma vez que não lhes era dado o direito de sequer cansar...
A sede de folia atiçava as pessoas, fazendo-as puxar aquelas que permaneciam sentadas nas cadeiras, observando, embevecidas e tímidas, o “gingado” peculiar a cada dançarino daquela circunstância. Enquanto isso, as serpentinas cruzavam o salão, lançadas de um lado para o outro, às vezes caindo no chão e outras, sobre nossas cabeças e ombros, formando colares coloridos de papel em torno do nosso pescoço, fabricando uma nova fantasia, inesperada, criativa e excitante.
Em poucos minutos, elas e o confete grudavam ao suor do nosso corpo, ao brilho das purpurinas, à excitação do álcool, aos cheiros dos lança-perfumes, dos extratos nacionais e internacionais (o famoso “Lancaster”), dos cheiros sem cheiros, dos odores dos “descuidados”, dos suores embalados na alegria do “Quanto riso! Oh, quanta alegria!...” E a melhor parte da música estava no seu final: “Vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é carnaval...”.  Recordo-me que o “ficar” (tão costumeiro nos dias de hoje) somente era permitido em épocas de carnaval. Depois (aí sim!), vinha o remorso pelo que fora feito e pelo que não fora...
Já as ruas ornamentavam-se da alegria do povo, dos enfeites nos postes, do tradicional corso (desfile de carros pelas ruas), esbanjando combustível (tão barato àquele tempo!), “queimando” os pneus (para chamar a atenção do público), jogando água, pó e maisena nos transeuntes. Tudo era válido! E ninguém brigava por isso...
Durante o dia, os “bobos” (sempre mascarados ou vestidos de ursos) faziam a alegria da garotada que corria atrás deles, enquanto outros garotos choravam assustados com as máscaras que cobriam os rostos daqueles anônimos foliões.
As casas também se arrumavam para receber alguns blocos (formados por amigos) e o já tradicional grupo “Os Cangaceiros”. Este grupo era o mais interessante, pois obedecia a um ritual diferente: Virgulino Lampião (chefe do bando/bloco) mandava um dos seus avisar aos donos da casa que se preparassem, pois seriam os próximos a visitar. O anúncio era feito atirando balas de festim para o alto. Pouco depois, aproximava-se o “bando”, cujos componentes andavam a cavalo e faziam um barulho enorme cavalgando no paralelepípedo da cidade. Quem mais chamava a atenção era Maria Bonita (representada pelo “cabra” mais bonito do grupo) e a dança regional acompanhada pela sanfona, zabumba, pífano, triângulo e outros. Tais movimentos chamavam a atenção da vizinhança, por isso, os anfitriões tinham que preparar mais comida do que imaginavam...
O último dia era marcado pela fadiga estampada no rosto do folião e pela melodia “Oh, quarta-feira ingrata, chega tão depressa...”, descontentando os seus sentimentos e expectativa, fazendo-o voltar à inesperada realidade a efêmera quimera.
Os raios de sol surpreendiam a todos, pegando-os desprevenidos, com maquiagens desbotadas, rostos pálidos, vestes amarrotadas, pés descalços entregues ao desânimo da ressaca.
As ruas sujas exibiam uma nova paisagem decadente. Nelas, os papelões serviam de cama a alguns adeptos do bloco “O que é que eu vou dizer em casa?”, e também àqueles que não possuíam bloco nem lar algum, senão o da própria rua que, àquele instante, dava passagem ao canto engrolado do bêbado, jogado no canto da calçada, feito lixo esquecido de si mesmo...
E, foi tal e qual a música “quarta-feira ingrata”, eterna canção de despedida carnavalesca, que a saudade (também molesta) apoderou-se de mim, sem qualquer aviso prévio, “só pra me contrariar!”...