quinta-feira, 30 de abril de 2015

CHURRASCO DE RICO X CHURRASCO DE POBRE

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

TRAJE FEMININO:
• DA RICA
Calça Capri, de cor clara, da Zara, Lelis Blanc ou outra grife importada; bolsas L. Vuitton, Marc Jacobs ou Dior; camisetinha básica, branca, da Club Chocolate ou Doc Dog; óculos Dolce Gabbana ou Valentino; relógio Tommy Hilfiger; perfume discreto da Chanel ou Versace e usando sandália rasteira da Lenny. Ela sempre chega sozinha, dirigindo o seu próprio carro, que, normalmente é um Audi A3 ou Hyundai Vera Cruz.
• DA POBRE
Minissaia curtíssima, comprada no Hipermercado EXTRA; blusinha, estampada, da C&A; tamanco de madeira, de salto altíssimo, ou tênis de R$ 19,00; óculos coloridos, comprados no camelô da esquina; tatuagem de quinta categoria, anel no dedo do pé e piercing, na língua, no umbigo e no nariz. Muitas usam biquíni por baixo, com alcinha de fora, na esperança de tomar um banho de piscina. Chegam sempre se abanando porque o "busão" estava lotado.
TRAJE MASCULINO:
• DO RICO
Bermuda Hugo Boss ou Richard; camisa esporte, da Siberian ou Brooksfield; óculos Armani. Sempre chega naquela maravilhosa caminhonete importada, que não chama a atenção porque todos sã ricos.
• DO POBRE
Chinelo Rider; bermuda Florida ou feita de uma calça jeans cortada; a barriga aparecendo; camisa do Corinthians ou do Flamengo jogada nas costas (eles morrem de calor) e óculos "de camelô" na testa. Chegam de Monza ou de carona com mais oito pessoas.
A COMIDA
• DE RICO
Normalmente eles não comem; quando comem, é um pouquinho de cada coisa: arroz, com brócolis ou açafrão; farofa, com frutas; filé de cordeiro; picanha argentina; mussarela de búfala. Cada coisa no seu tempo e pausadamente.
• DE POBRE
Vinagrete; farofa, com muita cebola; maionese, muita asa de frango; torresmo, linguiça; pão de alho; costela e miolo de acém (que eles juram ser mais macio que picanha). Comem na maior gulodice e ainda avisam: “Tô tirando a barriga da miséria”!
A BEBIDA:
• DE RICO
Os homens: bebem uísque escocês; vinho francês, chopp da Brahma ou cerveja Heineken, todas estupidamente geladas. As mulheres: tônica Schweppes Citrus, água Evian ou Coca-Cola Light.
• DE POBRE
Não tem distinção entre as bebidas dos homens e mulheres: cerveja Itaipava ou Kaiser, geladas no tanque de lavar roupa, cheio de gelo; cachaça (qualquer marca serve); vodca, misturada com Fanta, Baré Cola ou Guaraná Sarandi. Quem fica bebum rápido, bebe, de vez em quando, água da torneira.
PRATO
• DE RICO
Normalmente “beliscam” uma picanha servida num enorme prato branco, liso, de porcelana e com taças adequadas a cada tipo de bebida: água, chopp, refrigerante...
• DE POBRE
Sempre comem nos tradicionais pratinhos de alumínio ou papelão. As bebidas são servidas em copinhos plásticos, reciclados, de 200 ml, comprados na quantidade exata do número de convidados, ou servem naqueles copos de vidro de requeijão ou geleia (destinados aos convidados mais conceituados: o patrão, o chefe, um familiar importante...).
MÚSICA
• DE RICO
Jack Johnson, música instrumental, Lounge Music e Jazz. Quando “exageram”, experimentando momentos de pobreza, contratam um grupo de chorinho, mas com músicos formados pela Faculdade de Música.
• DE POBRE
É aquele "pagodão" de pingar suor: Zeca Pagodinho, Alexandre Pires, Jorge Aragão... E tudo na base do CD's piratas (6 por R$ 10,00) e não pode faltar o de Samba Enredo do ano que vem e nem da banda Calypso. Umas 2 horas depois de começado o churrasco, todos já estão dançando, independente das idades ou credos. No fim da festa, sempre rola uma batucada dos marmanjos, improvisada com panelas, tampas ou qualquer objeto disponível que emita um som; e as meninas, se metem a se exibir, na base do funk.
O CHURRASQUEIRO:
• DE RICO
Sempre contratam uma churrascaria famosa, com uma equipe de trabalhadores impecavelmente trajada de gaúchos, que trazem consigo tudo que é necessário para este tipo de evento.  
• DE POBRE
Sempre é o dono da casa ou um amigo de um conhecido, que não sabe nada de churrasco, mas que adora se meter a churrasqueiro e ficar jogando cerveja na brasa para mostrar fartura. Depois de certo tempo, ele se cansa e, a cada hora, um dos presentes fica um pouquinho à beira do fogo, para revezar (normalmente é um cara barrigudo, que fica suando, com uma toalhinha na mão, que usa para enxugar o suor, limpar as mãos e o que mais precisar).
O LOCAL:
• DE RICO
Área coberta, com piso de granito, mesinhas, ombrelones e bancos da Indonésia. Tudo em um lindo jardim com piscina, mas ninguém se anima dar um mergulho, pois a mesma está decorada com um lindo arranjo de flores tropicais.
• DE POBRE
Normalmente é na laje, com sol quente na cabeça. Quando chove, é improvisada uma lona de caminhão como cobertura, mas só para proteger a churrasqueira. Cadeiras, só para quem chegar mais cedo (esses cedem o lugar para as grávidas que sempre chegam atrasadas); os demais ficam em pé, esbarrando e pisando nos pés, uns nos outros, mas não tem problema porque a maioria tá descalço. Sem esquecer o tradicional banho de chuveiro, onde os bêbados começam com a brincadeira de querer molhar todo mundo.
O FIM DA FESTA
• DE RICO
Termina em, no máximo, 4 horas, momento em que cada um dos presentes sai em seu próprio carro, mas saem em momentos diferentes, para que o dono do churrasco possa fazer os agradecimentos a cada um, com atenção.
• DE POBRE
Dura no mínimo 8 horas e somente depois que todos já estão bêbados. Mesmo o dono da casa dizendo que tem que trabalhar cedo no dia seguinte, sempre tem a patota que quer “fazer” vaquinha para comprar mais uma caixa de cerveja. Na hora de ir embora, quem não tem carro, vai de carona ou de buzão mesmo. Isso sem falar naqueles que passam mal, vomitam e precisam curar o porre, estabacados no sofá ou no tapete, antes de pensar em ir embora. E ainda tem aqueles parentes e amigos mais chegados que são Intimados a “dar uma mãozinha” na faxina do recinto. O pessoal que tem carro liga o som bem alto (pagode, claro) e sai buzinando, sorrindo e gritando: - Fui...

terça-feira, 28 de abril de 2015

A NADADORA

Texto de Aloisio Guimarães

Para quem não conhece, Igaci é uma pequena cidade do interior de Alagoas, localizada entre Palmeira dos Índios e Arapiraca e tem um dos maiores açudes do nordeste, construído pelo DNOCS - Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, um órgão público federal, onde o meu saudoso pai trabalhou como radiotelegrafista (e dos bons!).
O "dotô" Audemaro Araújo, exímio "engenheiro estradista", que já mandou rasgar muito chão de terra, Brasil afora, para abrir estradas e é um conhecedor profundo da nossa gente e da nossa história, conta que nos anos 80 morava em Igaci um caboclo "mitido a besta", de nome Jessé, um conquistador de primeira, tanto que não tinha moça na região que ele não namorasse...
Por obra e graça do destino, certo dia chegou a Igaci a jovem Paola, uma linda garota italiana. Bela, formosa, sotaque encantador... Era o sonho de consumo de Jessé.
Depois de alguns dias de paquera, ele ficou loucamente apaixonado e decidiu que iria se casar com a garota.
Depois que ouviu o pedido de casamento, Paola respondeu:
- Mas, Jessé, nós não sabemos nada um sobre o outro!
Jessé, cheio de paixão, aliviou:
- Não há problema, amor, nós nos conheceremos com o tempo...
Ela concordou.
Eles se casaram e foram passar a lua de mel em um sítio situado às margens do grande e famoso "Açude de Igaci".
Certa manhã, eles estavam deitados em dos lajedos que ficam às margens do açude, quando Jessé se levantou, subiu numa pedra, que fica a 10 metros do nível d'água, e realizou perfeitas demonstrações de todos os saltos que Paola já tinha visto pela televisão.
Assim que terminou sua exibição, ele voltou para junto da esposa, quando ela exclamou:
- Isso foi incrível!
Ao ouvir o comentário da esposa, ele, aparentando modéstia, respondeu:
- É que eu fui Campeão Alagoano de Saltos Ornamentais... Eu bem que lhe disse que nos conheceríamos com o passar do tempo...
Nisso, ela se levanta, entra no açude e começa a nadar, numa velocidade impressionante.
Depois de mais 30 idas e vindas, ela sai da água e vai recostar-se junto ao marido, sem demonstrar nenhum cansaço.
Espantado, Jessé, comenta:
- Estou surpreso! Você foi nadadora olímpica?
Ela, demonstrando naturalidade, retrucou:
- Não, amor, é que eu fui puta em Veneza e atendia em domicílio...

quinta-feira, 9 de abril de 2015

O BARALHO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Durante uma missa celebrada na capela no quartel policial militar, o sargento observou que um dos soldados, ao invés de acompanhar o rito religioso no jornalzinho da igreja, tirou da algibeira um baralho e ficou o tempo todo analisando os naipes e cartas, sem dar atenção ao que se passava no altar, olhando as cartas, demoradamente, com ar de quem estava meditando.
O sargento, muito austero, o repreendeu o soldado e ordenou-lhe para, depois da missa, acompanhá-lo até a sala do Comandante.
Sem dar muita bola para a bronca do sargento, o soldado continuou olhando, uma por uma, as cartas do baralho.
Tão logo terminou o culto, ele procurou o sargento e, juntos, foram até a sala do Comando Geral para comunicar a falta disciplinar cometida pelo soldado, passível de punição.
Depois que o sargento relatou a sua grave indisciplina, o soldado pediu desculpa ao Comandante e procurou justificar o seu comportamento durante a Missa:
- Senhor Comandante, se eu errei perante os olhos do sargento, sei que não errei perante os olhos de Deus! Não me sobra dinheiro para livros. Em nenhum momento perturbei a Missa. Permaneci calado durante todo o tempo. As coisas são boas ou más, dependendo de quem interpreta. Os naipes e cartas do baralho são o meu livro de orações. Para mim, substituem os livros devotos e espirituais, como eu passo a vos provar: o AS, lembra-me um só Deus, criador do Céu e da Terra; DOIS, são o Velho e o Novo Testamento; TRÊS é mistério da Santíssima Trindade; QUATRO, os quatro Evangelistas; CINCO, as virgens prudentes que foram adiante do Esposo com as lâmpadas acesas, enquanto as outras cinco, chamadas néscias, foram excluídas por terem as suas apagadas; SEIS, a criação do mundo em seis dias; SETE, o descanso do Senhor ao sétimo dia; OITO, as oito pessoas que se salvaram do dilúvio, a saber, Noé, seus três filhos e suas mulheres; NOVE, os nove leprosos; eles eram dez, mas só um soube render graças ao Salvador; DEZ, os Mandamentos da Lei de Deus; DAMA, a rainha de Sabá e a sua visita a Salomão; VALETE, o Judas, que por trinta dinheiros vendeu Jesus Cristo e o REI do Céu e o da Terra, a quem devo servir, ao do Céu, como meu Soberano. As cinquenta e duas cartas do baralho lembram-me muito as cinquenta e duas semanas do ano, as doze figuras, os doze apóstolos e os doze meses. Este baralho me serve de Velho e Novo Testamento, de Catecismo, de folhinha e de divertimento.
O Comandante ouviu a narrativa do soldado, e, com ironia, comentou e perguntou:
- Notei uma falta na sua relação. O Valete também é chamado de “Cavalo”... Que ideia lhe recorda esse animal?
O soldado respondeu:
- O cavalo, Senhor Comandante, é o sargento que aqui me trouxe. A atitude dele representa o coice desse animal.
O Comandante ficou sensibilizado com o que ouviu do soldado e o dispensou, sem punição alguma.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

OS SETE SAPATOS SUJOS

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

António Emílio Leite Couto - "Mia Couto", é biólogo e é o escritor Moçambicano mais conhecido no estrangeiro. Ele ganhou o apelido “Mia” do irmãozinho que não conseguia dizer "Emílio".
Durante a abertura do ano letivo do Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique, ele fez uma oração de sapiência, cujo trecho abaixo foi publicado no "Courrier Internacional":
Não podemos entrar na modernidade com o atual fardo de preconceitos. À porta da modernidade precisamos de nos descalçar. Eu contei “Sete Sapatos Sujos” que necessitamos de deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher e sete é um número mágico:
Primeiro Sapato: A ideia de que os culpados são sempre os outros.
Segundo Sapato: A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho.
Terceiro Sapato: O preconceito de que quem critica é um inimigo.
Quarto Sapato: A ideia de que mudar as palavras muda a realidade.

Quinto Sapato: A vergonha de ser pobre e o culto das aparências.
Sexto Sapato: A passividade perante a injustiça.
Sétimo Sapato: A ideia de que, para sermos modernos, temos que imitar os outros.
Diante da lição de Mia Couto, pergunto:
- Os seus sapatos, como estão? Sujos ou limpos?

terça-feira, 7 de abril de 2015

O CURANDEIRO

Texto de Aloisio Guimarães

O causo de hoje quem me contou foi o amigo Ederaldo Barros, engenheiro e um cidadão deodorense de primeira linha.
Conta Ederaldo que, certa vez, apareceu em Taperaguá, povoado de Marechal Deodoro, um sujeito alto, mulato, natural da Bahia, vestido de branco, turbante na cabeça, vários colares no pescoço...
Logo todo povoado ficou sabendo que Pai Severino estava morando entre eles e assim, de um dia para outro, a posteação elétrica de Taperaguá ficou cheia de propagandas de Pai Severino:
"Encosto", "Erisipela braba", "Olho grande", "Enxaqueca", "Hemorroidas", "Espinhela caída", "Ferida braba", "Insônia", "Dor de corno"... Ele garantia que curava tudo!
E, como todo "vivaldino", Pai Severino sempre dizia aos seus clientes:
- Eu não curo; quem cura é Jesus. Se você tiver fé, Ele o curará... Eu sou apenas um mero instrumento da vontade Dele.
E assim ele ia ludibriando os pobres coitados, desesperados em busca de uma vida melhor...
Acontece é que, para o padrão da população local, ele cobrava muito caro pelas consultas. E quem não podia pagar em dinheiro, dava uma galinha, um bode, um porquinho...
Em pouco tempo Pai Severino começou a fazer seu "pé de meia"...
Certo dia, após fazer o "trabalho" para uma mulher e dizer que curava em nome de Jesus, ela, agradecida, disse:
- Deus lhe pague! - E foi se retirando...
Pai Severino, muito rápido, como um relâmpago, disse:
- Deus lhe pague coisa nenhuma! O preço da consulta é cinquenta contos!
A mulher respondeu:
- Mas Jesus Cristo não cobrava de ninguém...
Então, ele respondeu na bucha:
- É, mas Jesus Cristo não pagava aluguel, iptu, taxa do lixo, taxa de bombeiro, água, luz, escola, telefone, imposto de renda, inss...
Meses depois, Pai Severino "se escafedeu no oco do mundo", fugindo da população, que descobriu que seus milagres eram fajutos...

segunda-feira, 6 de abril de 2015

O MÉDICO PORTUGUÊS

Adaptação de Aloisio Guimarães

Depois de muito sacrifício, o jovem Manuel Costa, um português morador no Olhão, cidade da região turística do Algarve, conseguiu se formar em medicina.
Sabedor que o governo brasileiro havia implantado o programa “Mais Médicos”, Dr. Manuel, resolveu “matar dois coelhos com uma cajadada só”: conhecer o Brasil, sonho que tinha desde “miúdo” (“criança”, lá em Portugal) e exercer a medicina. Assim, com a ajuda dos pais, comprou uma passagem aérea e veio para o nosso país.
Ao chegar ao Brasil, Dr. Manuel foi contratado, com salário integral, diferente dos médicos cubanos, que recebem muito pouco, apesar de terem o mesmo salário, já que a maior parte do dinheiro vai para a “revolução”...
Com tudo regularizado, o jovem médico foi escalado para clinicar no povoado “Santo Antônio” (antigo “Gavião”) situado entre as cidades de Palmeira dos Índios e Igaci.
Depois de ser recepcionado com pompas, Dr. Manuel foi conhecer o Posto de Saúde, onde deveria atende a população carente do local, e logo deixou tudo arrumado para começar a trabalhar.
No dia seguinte, ao chegar para o seu primeiro dia de trabalho, ele se deparou com uma enorme fila de doentes, prontos para serem atendidos. Depois de colocar seu jaleco, Dr. Manuel colocou o estetoscópio no pescoço (todos os médico fazem isto), sentou atrás da mesa e pediu à atendente para mandar entrar a sua primeira paciente... Entrou um jovem, trazendo nos braços o seu filhinho de três anos, “queimando” de febre. Assim que a mulher sentou à sua frente, Dr. Manuel perguntou:
- Rapariga, quem está doente, você ou este puto?
- Rapariga uma porra! Além disso, fique o “sinhô” sabendo “qui” meu “fio” não é “ninhum” puto!
Dr. Manuel ficou surpreso com a reação da mulher e, como tinha gente na fila esperando para ser atendido, ele apontou na direção onde estava Zé "Tripé", um afrodescendente de dois metros de altura por um metro e meio de largura, e disse à mulher:
- Ora, pois, pois! Por favor, vá comer um "cacetinho" e depois fique atrás dessa "bicha", pois primeiro vou estar a lhe aplicar uma “pica no cu”...
Foi a gota d’água que faltava! Daí pra frente, o Dr. Manuel ficou impossibilitado de falar, ficou com amnésia e voltou para sua terra natal.
OBSERVAÇÃO: Em Portugal: "rapariga" é “moça”; "puto" é “menino”; "cacetinho" é "pão"; "bicha" é “fila” e "pica no cu" é “injeção na bunda”. 

domingo, 5 de abril de 2015

CURIOSIDADES DO MUNDO LITERÁRIO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

A curiosidade humana faz com que as particularidades, as manias, as ansiedades e os medos das pessoas famosas sejam objetos de estudo e leitura. Apresentou-lhes abaixo uma coletânea, sobre o tema, com relação a algumas personalidades do mundo literário:

• ALUISIO DE AZEVEDO
Tinha o hábito de, antes de escrever seus romances, desenhar e pintar, sobre papelão, as personagens principais mantendo-as em sua mesa de trabalho, enquanto escrevia.

• CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Aos dezessete anos, foi expulso do Colégio Anchieta, em Nova Friburgo (RJ), depois de um desentendimento com o professor de português. Imitava com perfeição a assinatura dos outros. Falsificou a do chefe durante anos para lhe poupar trabalho. Ninguém notou. Tinha a mania de picotar papel e tecidos. "Se não fizer isso, saio matando gente pela rua". Estraçalhou uma camisa nova em folha do neto. "Experimentei, ficou apertada, achei que tinha comprado o número errado. Mas não se impressione, amanhã lhe dou outra igualzinha."

• CECÍLIA MEIRELES
Numa das viagens a Portugal, marcou um encontro com o poeta Fernando Pessoa no café A Brasileira, em Lisboa. Sentou-se ao meio-dia e esperou em vão até as duas horas da tarde. Decepcionada, voltou para o hotel, onde recebeu um livro autografado pelo autor lusitano. Junto com o exemplar, a explicação para o "furo": Fernando Pessoa tinha lido seu horóscopo pela manhã e concluído que não era um bom dia para o encontro.

• CLARICE LISPETCOR
Era solitária e tinha crises de insônia. Ligava para os amigos e dizia coisas perturbadoras. Imprevisível, era comum ser convidada para jantar e ir embora antes de a comida ser servida.

• ÉRICO VERÍSSIMO
Era quase tão taciturno quanto o filho Luís Fernando, também escritor. Numa viagem de trem a Cruz Alta, Érico fez uma pergunta que o filho respondeu quatro horas depois, quando chegavam à estação final.

• ERNEST HEMINGWAY
O escritor norte-americano passou boa parte de sua vida tratando de problemas de depressão. Apesar da ajuda especializada, o escritor foi vencido pela tristeza e amargura crônicas. Hemingway deu fim à própria vida com um tiro na cabeça.

• EUCLIDES DA CUNHA
Como Superintendente de Obras Públicas de São Paulo, foi engenheiro responsável pela construção de uma ponte em São José do Rio Pardo (SP). A obra demorou três anos para ficar pronta e, alguns meses depois de inaugurada, a ponte simplesmente ruiu. Ele não se deu por vencido e a reconstruiu. Mas, por via das dúvidas, abandonou a carreira de engenheiro.
• FRANS KAFKA
Sua preocupação excessiva com doenças fazia com que usasse roupas leves e só dormisse de janelas abertas - para que o ar circulasse -, mesmo no rigoroso inverno de Praga.
• GILBERTO FREIRE
Ele jamais manuseou aparelhos eletrônicos. Não sabia ligar sequer uma televisão. Todas as obras foram escritas a bico-de-pena, como o mais extenso de seus livros, Ordem e Progresso, de 703 páginas.
• GRACILIANO RAMOS
Era um ateu convicto, mas tinha uma Bíblia na cabeceira só para apreciar os ensinamentos e os elementos de retórica. Por insistência da sogra, casou na igreja com Maria Augusta, católica fervorosa, mas exigiu que a cerimônia ficasse restrita aos pais do casal. No segundo casamento, com Heloísa, evitou transtornos: casou logo no religioso. 
• GUIMARÃES ROSAS
Médico recém-formado, ele trabalhou em lugarejos que não constavam no mapa. Cavalgava a noite inteira para atender a pacientes que viviam em longínquas fazendas. As consultas eram pagas com bolo, pudim, galinha e ovos. Sentia-se culpado quando os pacientes morriam. Acabou abandonando a profissão. "Não tinha vocação. Quase desmaiava ao ver sangue", conta Agnes, a filha mais nova.
• MACHADO DE ASSIS
O nosso grande escritor ultrapassou tanto as barreiras sociais bem como físicas. Machado teve uma infância sofrida pela pobreza e ainda era míope, gago e sofria de epilepsia. Enquanto escrevia Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado foi acometido por uma de suas piores crises intestinais, com complicações para sua frágil visão. Os médicos recomendaram três meses de descanso em Petrópolis. Sem poder ler nem redigir, ditou grande parte do romance para a esposa, Carolina.
• PEDRO NAVA
Parafusava os móveis de sua casa para que ninguém os tirasse do lugar.
• WOLFGANG VON GOETHE
Tinha a mania de escrever em pé. Por isso mesmo é que ele mantinha em sua casa uma escrivaninha alta.
• JOSÉ LINS DO REGO
Era fanático por futebol. Foi diretor do Flamengo, do Rio, e chegou a chefiar a delegação brasileira no Campeonato Sul-Americano, em 1953. Foi o primeiro a quebrar as regras na ABL, em 1955. Em vez de elogiar o antecessor, como de costume, disse que Ataulfo de Paiva não poderia ter ocupado a cadeira por faltar-lhe vocação.
• JORGE AMADO
Para autorizar a adaptação de Gabriela para a tevê, impôs que o papel principal fosse dado a Sônia Braga. "Por quê?", perguntavam os jornalistas, Jorge respondeu: "O motivo é simples: nós somos amantes." Ficou todo mundo de boca aberta. O clima ficou mais pesado quando Sônia apareceu. Mas ele se levantou e, muito formal disse: "Muito prazer, encantado." Era piada. Os dois nem se conheciam até então.
• MANUEL BANDEIRA
Sempre se gabou de um encontro com Machado de Assis, aos dez anos, numa viagem de trem. Puxou conversa: "O senhor gosta de Camões?" Bandeira recitou uma oitava de Os Lusíadas que o mestre não lembrava. Na velhice, confessou: era mentira. Tinha inventado a história para impressionar os amigos. Foi escoteiro dos nove aos treze anos. Nadador do Minas Tênis Clube, ganhou o título de campeão mineiro em 1939, no estilo costas.
• MÁRIO DE ANDRADE
Provocava ciúmes no antropólogo Lévi-Strauss porque era muito amigo da mulher dele, Dina. Só depois da morte de Mário, o francês descobriu que se preocupava em vão. O escritor era homossexual.
• MONTEIRO LOBATO
Adorava café com farinha de milho, rapadura e içá torrado (a bolinha traseira da formiga tanajura), além de Biotônico Fontoura. "Para ele, era licor", diverte-se Joyce, a neta do escritor. Também tinha mania de consertar tudo, "mas para arrumar uma coisa, sempre quebrava outra."
• PABLO NERUDA
Colecionava de quase tudo: conchas, navios em miniatura, garrafas e bebidas, máscaras, cachimbos, insetos, quase tudo que lhe dava na cabeça.
• VINICIUS DE MORAES
Casado com Lila Bosco, no início dos anos 50, morava num minúsculo apartamento em Copacabana. Não tinha geladeira. Para aguentar o calor, chupava uma bala de hortelã e, em seguida, bebia um copo de água para ter sensação refrescante na boca.
• VLADIMIR MAIAKÓVSKI
Tinha o que atualmente chamamos de Transtorno Obsessivo-compulsivo (TOC). O poeta russo tinha mania de limpeza e costumava lavar as mãos diversas vezes ao dia, numa espécie de ritual repetitivo e obsessivo.

sábado, 4 de abril de 2015

ANTRO DE CORRUPÇÃO

Texto de Rubens Mário
PROFESSOR E ADMINISTRADOR

A cada dia que nós acessamos algum meio de comunicação, tomamos conhecimento de um novo caso de corrupção ativo e passivo. Infelizmente, esses absurdos já não nos impactam mais! A banalização dos fatos e a falta de punição dos culpados são os motivos do desprezo popular por coisas tão sérias e que a população, mormente os corruptos passivos, ainda não compreenderam serem as gêneses principais da nossa desgraça social e econômica. “Ele rouba, mas faz”! “Se eu tivesse lá faria a mesma coisa”! São algumas frases bastantes repetidas pelos corruptos passivos e pretensos corruptos ativos. Uma coisa é indiscutível: o sujeito só se corrompe, salvo tenha alguma anomalia psíquica, se tiver a certeza da impunidade. É importante que não entendamos a corrupção, apenas, no âmbito político estatal. Por exemplo, uma nota ou presença graciosa dada a um aluno, também é um ato de corrupção ativo e passivo, e bastante grave.

Todos os setores que compõem a nossa gloriosa república já se lambuzaram nesse mar de lamas que forma esse asqueroso oceano de podridão. O último caso noticiado, pelo menos, até a conclusão desse texto, foi a prisão de dois advogados, através da Polícia Federal, acusados de um suposto suborno para a facilitação de um habeas corpus que beneficiaria os assassinos intelectuais de um colega advogado. Pasmem! É importante esclarecermos para os leigos no assunto, que, advogado nenhum tem o poder de soltar qualquer réu. A sua função, restrita, é de construir um argumento objetivo que convença o magistrado a libertar o seu cliente. Entendido isso, e baseado nas notícias divulgadas, esse processo de corrupção ativo e passivo é bem mais sério e preocupante, pois, envolveria, também, gente graúda do nosso judiciário.

Antes desse nosso caso particular, e posterior ao maior dos escândalos da nossa República - o caso da PETROBRAS – tivemos o da Receita Federal - nossa feroz caçadora de receitas. Esse novo escândalo foi investigado pela Polícia Federal que o batizou de “Zelotes” - nome bíblico usado para ironizar o termo zelo. Essa operação que desvirginou, talvez, a instituição ainda incólume nesse mar de corrupção, identificou lavagem de dinheiro, tráfico de influência, associação criminosa e etc. Todas essas patifarias de “colarinho branco” foram praticadas no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Esse tal Carf, é o responsável pelo julgamento dos recursos das pessoas físicas e jurídicas impetrados junto à Receita Federal. A Polícia Federal estima que houve desvios de cerca de 19 bilhões em apenas 70 processos investigados. Pasmem, novamente!

O caso da PETROBRAS, provavelmente, a maior de todas as patifarias nacionais, roubou dos cofres da grande empresa estatal, mais de 10 bilhões de reais. Pasmem, mais uma vez! A sujeira envolveu dirigentes da empresa, componentes de partidos políticos de todas as ideologias, empreiteiras e etc. muita gente dita importante se lambuzou. Alguns, já bastantes sujos, diga-se de passagem.

Se fossemos elencar aqui todos os processos abertos pela nossa Policia Federal, apenas nas nossas prefeituras municipais, teríamos que fazê-lo em um espesso livro.  Pasmem, de novo!

Todas essas impunes patifarias têm transformado o nosso país num terrível caos social e econômico. A redução do crescimento econômico, o aumento do desemprego, aumento do déficit na balança comercial, perda de arrecadação de impostos e aumento da inflação são desastres econômicos que não devemos desatrela-los da corrupção. É importante ressaltarmos que todas essas irregularidades não são obras exclusivas do governo atual; esse “câncer” que, devido à inércia dos seus combatentes, já corroeu todos os órgãos do organismo estatal, e é bastante antigo. Porém, devemos compreender que os maiores escândalos de corrupção da nossa República surgiram nos últimos dez anos de governo e as consequências estão sendo sentidas agora. Os aumentos sucessivos nas contas de energia, absurdos aumentos nos preços dos combustíveis, falta de correção na tabela do Imposto de Renda, cortes de programas importantes nas Universidades públicas, farra de diplomas nas faculdades particulares e etc. São frutos do antro de corrupção em que se transformou a nação brasileira.

COELHO, CHOCOLATE, SERRA VELHO E JUDAS

Texto de Carlito Lima

Resultado de imagem para coelho de pascoaMeus netos estão se empanturrando de chocolate, para alegria da Nestlé, da Garoto, dos chocolateiros e dos netos. Essa invencionice comercial, venda da “comida dos deuses” durante a Páscoa, está definitivamente institucionalizada pela propaganda massiva. Nossos netos veem o ovo de chocolate e o coelho como símbolos da semana da paixão e morte de Cristo. Um período mais apropriado à meditação, à oração, tornou-se a festa do chocolate.
Os marqueteiros não combinaram com a Igreja, tão conservadora nos assuntos sobre sexo, pois, coelho é o símbolo de procriação, de fertilidade, de muitas transas, e chocolate é alimento afrodisíaco. Portanto, os símbolos da semana santa moderna, inventados pelo comércio, são apologias ao sexo, acho ótimo, é uma evolução da Igreja sempre castradora em sua história.
Juntar coelho com ovo de chocolate deu samba de crioulo doido. Meu neto perguntou porque o ovo de coelho é de chocolate e o da galinha é de cozinha. Foi difícil explicar.
Nessa hora sou saudosista das tradições, tenho boas recordações da semana santa de meu tempo de criança.
Iniciava no Domingo de Ramos quando se comemora a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém montado em um burrico. Seus discípulos trouxeram dois burricos puseram em cima deles suas vestes, sobre elas Jesus montou. A multidão cortou ramos de oliveiras, espalhou-os pela estrada, formando um tapete de folhagem para o Rei dos Reis passar, em cima de um jerico. O povo acompanhava Cristo, clamava: “Hosana ao filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas!” Entrando Jesus em Jerusalém, toda cidade se alvoroçou. Perguntavam Quem é este? E a multidão clamava: “Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia.” Assim li, aprendi, escrito na Bíblia.
Essa parte da história de Cristo é muito emblemática. Entrada triunfal num jerico, logo depois, traído e crucificado. Entretanto, para meninada dos anos 50, o melhor do Domingo de Ramos era a procissão. Iniciava na Catedral, os colégios femininos religiosos compareciam: São José, Sacramento, desfile de meninas bonitas, a moçada ia para paquerar. Um olhar, um sorriso, um piscar de olho valia a pena a missa, a procissão.
O feriado começava na quinta-feira santa, a partir desse dia proibia-se comer carne, em compensação minha mãe cozinhava um delicioso bacalhau, arabaiana, camarão, feijão no coco, jerimunzada, bredo, uma delícia. Por que essa maravilhosa comida só existe na Semana Santa?
Na noite da quinta-feira havia uma brincadeira perigosa. A meninada saía em bando, 5 a 6 moleques para “serrar velho”. A serração do velho é uma tradição europeia conhecida desde o século XVIII. Reunia-se um grupo de brincalhões, diante da casa de um velho, na noite da quinta-feira. Serravam uma tábua com muito ruído, muito choro, muito lamento. Os velhos serrados irritavam-se com a brincadeira. Pela crença popular, velho serrado não chegava à outra Quaresma. A garotada cantava alto acordando a vizinhança: "As almas do outro mundo, vieram lhe avisar que deste ano o senhor não vai passar”. "Encomende a alma a Deus, que seu corpo já não vale nada" e liam um bem humorado testamento em versos. Os velhos ficavam brabos. Certa vez levamos uma carreira do pai do Toroca na Pajuçara. Seu Pádua um velho ranzinza da Avenida, quando estávamos divulgando seu “testamento”, jogou um penico cheio de xixi, tive que ir para casa tomar um demorado banho. Houve caso de tiro.
Na Sexta-feira da Paixão parecia que o mundo havia se acabado. As rádios só tocavam músicas fúnebres, proibido ir à praia, até sorrir. As prostitutas fechavam as portas de Jaraguá e o balaio; nem pensar numa fortuita transada. À noite todos iam à Igreja para beijar os pés de Nosso Senhor morto. Finalmente o sábado de aleluia. A meninada preparava um boneco de pano, o judas, sempre com um nome de algum político ou algum inimigo público. Quando às 10 horas, os sinos da Igreja dobravam anunciando a aleluia, a moçada caía de cacete malhando o judas amarrado em um poste.  Melhor do que malhar um judas, era roubar os judas dos vizinhos, dos pivetes.
Afinal chegava o domingo da ressurreição. Os padres contavam a história como Cristo depois de morto subiu aos céus. Hoje é um espetáculo pirotécnico com atores globais, para se assistir comendo chocolate, tomando vinho.