sábado, 27 de junho de 2015

CARRO DE BOI: A HISTÓRIA DE UM PASSADO

Texto de Antonio Vendramini Neto

Antonio Vendramini (era o meu avô de apelido Tonella) nasceu na cidade de Treviso, na Itália em 1882.
Sua família embarcou na oportunidade aberta aos europeus pelo governo imperial, na pessoa da princesa Isabel, com a finalidade de, em um futuro bem próximo, substituir a mão-de-obra negra e também branquear a raça, na ocasião composta por maioria de escravos.
A família e alguns outros imigrantes foram parar em uma fazenda de café na cidade de Jaú, Estado de São Paulo, mais precisamente no Distrito de Banharão, onde trabalharam arduamente na colheita dos grãos que se transformavam na magnífica bebida de fama internacional: o café.
Naquele solo, considerado por meu avô como sagrado, tiraram o sustento sob um trabalho duro e muito sofrido, até que, em um tempo razoável, conseguiram comprar pedaços de terra do fazendeiro e ter o seu próprio plantio.
O menino Tonella, naquela ocasião, teve sua atenção despertada para a montagem de um carro de boi que se fazia em um depósito cujas sacas de café seriam levadas para o embarque nas ferrovias, puxada pela saudosa “Maria-Fumaça”. Ali ficava horas e horas observando o trabalho dos carpinteiros. Quando chegava em casa, recebia as reprimendas dos irmãos porque não ia para a lavoura, mas, como era o mais novo, eles entendiam e faziam a sua parte.
Ele ficou compenetrado naquela construção, aprendendo os mecanismos do funcionamento e também a lida com as parelhas de bois que iam sendo atreladas para o transporte de sacas de café da colheita. Não demorou muito, foi promovido a “carreiro” que é nome que se dá para o condutor do conjunto.
Sob muita emoção, ele contava essas histórias que o menino Toninho (neto) ouvia com muita atenção e fazia inúmeras perguntas. Dizia que para o carro “cantar” tinha que apertar o eixo e engraxar, com um pincel, com banha de porco ou azeite que ficava no azeiteiro, dentro de um chifre de boi, carregado pelo irmão mais velho de apelido “Anduim”, que Tonella considerava como se fosse um pai.
O “canto” do carro era uma grande atração; quando entrava na cidade, aglomerava muita gente pela curiosidade de ver quem estava chegando e ouvir as “novidades”. Mais para a periferia, no Distrito, o chamado Banharão - terra que me viu nascer - a cantiga ia atraindo especialmente as moças que corriam para a porta das casas, e os condutores, Tonella e Anduim, sorriam e acenavam com o chapéu.
E assim, com gritos de “comandos”, os bois iam à marcha rápida para o destino. Segundo ele, gostava de trabalhar com boi “malhado”; era mais manso e de fácil aprendizado.
O trabalho de amansar era feito aos poucos, com uma “canga” no pescoço, para o peso ser puxado por igual, e assim podia trabalhar por muitos anos, se fosse bem cuidado.
Ele ficava com muita tristeza quando falava sobre a aposentadoria de um boi.
Quando o animal já estava velho e não aguentava mais puxar o carro e outros serviços, tinha que levar para o curral do matadouro... Dizia também que o velho boi pressentia a proximidade da morte e até lágrimas corriam dos olhos”.
Outra história que o Velho Tonella contava muito animado era sobre o namoro com Dona Santa (minha avó).
Quando a gente passava de proposito com o carro de boi na rua que ele morava, já estava na janela da casa sorrindo e acenando, era o sinal de que a gente ia se encontrar”.
O carro de boi foi, para a família Vendramini daquela época, um marco produtivo de crescimento. Foi o principal meio de transporte utilizado para movimentar a produção das fazendas e das cidades. Entretanto, o aparecimento das tropas de burros - do qual meu avô foi um dos pioneiros em Jaú e, tornou-se muito conhecido por dotá-los de destreza no trabalho de tração - substituiu com mais velocidade o transporte das sacas de café, levando-as à estação de trem e de lá, através da Maria-Fumaça, para os navios no porto de Santos.
Mais adiante, na vida dele, vieram os cavalos, fazendo a alegria de muitas pessoas com o treinamento que lhes dava para que se apresentassem em espetáculos rurais, corridas, terreiros e shows circenses.
Com muita emoção, concluo que o carro de boi acompanhou as mudanças, o crescimento e o progresso das cidades e das famílias. Hoje, ele é apenas uma lembrança do passado de uma geração, que vai se acumulando em nossas memórias e na desse nosso país.
Felizmente, pelo seu valor cultural, o carro de boi ainda é homenageado em diversos festivais e encontros, onde bravos remanescentes daquela época se reúnem para contar “causos” desse meio de transporte rústico e, agora, simbólico do meio rural brasileiro.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

PRESENTE DE CASAMENTO

Texto de Aloisio Guimarães

Outro dia assisti na televisão, uma reportagem sobre festas de casamento. Uma das noivas afirmou que já tinha desconvidado algumas amigas para a festa de casamento porque não tinha gostado do valor dos presentes que elas lhe tinham dado durante o  seu “chá de panela”.
Como diz o matuto, "fiquei bege". Foi isso mesmo que vi e ouvi: a noiva disse, na maior cara de pau, que tinha desconvidado "amigas"!
- Amigas?!
Que lindo conceito de amizade ela tem!
Depois que terminou a reportagem, fiquei procurando respostas para minhas várias indagações:
- Quer dizer que tem gente esperando “recuperar”, com os presentes, aquilo que gastou na preparação e execução da festa do seu casamento? É isso mesmo, ou estou entendendo errado?!
- E onde fica o prazer da companhia dos amigos, nessas datas significativas?
- Será que a intenção de recuperação do “prejuízo” também acontece com as festas de aniversário?
Depois de ver e ouvir tais declarações, foi que comecei a compreender o porquê de me considerarem doido e/ou besta, porque, nas poucas festas que eu fiz, quando alguém me perguntava que presente levaria, sempre respondi, com sinceridade e seriedade:
- O único presente que quero é a sua presença! Se você me aparecer com algum pacote, não vai entrar na festa!
Para mim, os presentes da minha lista são os meus amigos!
Vou logo avisando:
- Se um dia alguém quiser me convidar, com a intenção de compensar o gasto da festa com presentes, por favor, não me convide; pegue o seu convite e enfie "naquele lugar"!

quinta-feira, 25 de junho de 2015

A PROVA DA MAÇÃ

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
 
Essa é uma história verídica acontecida na Universidade de Chicago.
Todos os anos, na Divinity School Universidade de Chicago, é celebrado o que eles chamam de “Dia Batista”.
Nesse dia, cada um deve trazer um prato de comida para um pic-nic no gramado da universidade e também convidam uma das grandes mentes da literatura no meio educacional teológico para dar uma palestra.
Num determinado ano eles convidaram o Dr. Paul Tillich, que falou durante duas horas e meia, provando que a ressurreição de Jesus era falsa.
Ele questionava os estudiosos e livros e concluiu que, a partir do momento que não havia provas históricas da ressurreição, a tradição religiosa da igreja caía por terra, porque era baseada num relacionamento com um Jesus que havia ressurgido, mas de fato, Ele nunca havia ressurgido literalmente dos mortos.
Quando concluiu a sua teoria, ele perguntou aos presentes se havia algum questionamento. Depois de uns 30 segundos, um senhor negro de cabelos brancos se levantou no fundo do auditório e disse:
- Dr. Tillich, eu tenho uma pergunta...
Enquanto todos os olhos se voltavam para ele, colocou a mão na sua sacola, pegou uma maçã e começou a comer.
- Dr. Tillich, (crunch, munch...) a minha pergunta é uma questão muito simples (crunch, munch...). Eu nunca li tantos livros como o senhor leu (crunch, munch...) e também não posso recitar as escrituras no original grego (crunch, munch...). Eu nada sei nada sobre Niebuhr e Heidegger (crunch, munch...)...
Fez uma pausa, acabou de comer a maçã e continuou:
- Mas tudo o que eu gostaria de saber é: Essa maçã, que eu acabei de comer, estava doce ou azeda?
Dr. Tillich parou por um momento e respondeu com todo o estilo de um estudioso:
- Eu não tenho possibilidades de responder essa questão, pois eu não provei a sua maçã.
Ao ouvir a resposta, o senhor de cabelos brancos jogou o que restou da maçã dentro do saco de papel, olhou para o Dr. Tillich e disse calmamente:
- O senhor também nunca provou do meu Jesus. Como pode afirmar o que está dizendo?
Mais de 1000 pessoas que estavam assistindo não puderam se conter. O auditório se ergueu em aplausos. Dr. Tillich agradeceu a plateia e rapidamente deixou o palco.
- Você já provou Jesus? Prove e veja que o Senhor é bom. Feliz do homem que Nele se refugia. 

quarta-feira, 24 de junho de 2015

O GRANDE GOZADOR

Texto de Aloisio Guimarães

No começo dos anos 70 foi inaugurado, aqui em Maceió, o Estádio Rei Pelé. Na época, era o mais moderno estádio de futebol do país. Maceió ainda era cidade pequena e o estádio inaugurado comportava tranquilamente todos aqueles que quisessem ir aos jogos, sem a necessidade de comprar ingresso antecipado ou nas mãos dos cambistas, como acontece nos dias atuais.
Nessa época, mesmo morando em Palmeira dos Índios, o meu pai foi chamado para receber o primeiro pagamento da sua aposentadoria (como ex-funcionário da REFFESA), na agência do Banco do Brasil, que fica na Rua senador Mendonça, aqui em Maceió.Todo contente, o meu velho pai aproveitou a oportunidade para trazer, eu e meus irmãos, para assistir um jogo de futebol no novo estádio.
Acontece que era a primeira vez que ele iria receber a aposentadoria e não sabia ao certo quais os documentos que deveria apresentar para sacar o dinheiro. Era um tempo em que ainda nem se pensava em cartão magnético; era tudo na “boca do caixa” e "sem saidinha de banco"... Por isso ele trouxe todos os documentos que julgou necessário.
Fomos ao jogo e, terminada a partida, fomos comer uma macarronada no extinto Bar Gracy, que ficava no Parque Rio Branco, perto do Cine Ideal.
Quando chegamos ao “restaurante”, encontramos outras pessoas de Palmeira dos Índios e, entre elas, um camarada de nome Jazon, um sujeito espirituoso e gozador, muito amigo de meu pai.
Na hora de pagar a conta, quando o papai colocou as mãos nos bolsos traseiros das calças, para pegar a carteira porta-cédula, o canto mais limpo! Nada de carteira nos bolsos! Tinha sido roubado ou perdido no estádio...
A solução foi apelar para a amizade do Jazon:
- Jazon, meu amigo, eu perdi ou roubaram a minha carteira e todos os meus documentos, inclusive a Carteira de Trabalho! Agora estou sem dinheiro até para pagar a conta...
Ao ouvir a súplica do meu pai, o gozador do Jazon, mesmo emprestando a grana, sapecou bem alto, para todo mundo ouvir:
- Ôxente! E o senhor veio assistir um jogo de futebol ou veio procurar emprego?!
Ao ouvir a resposta do Jazon, todo mundo caiu na gargalhada, menos meu pai, que quase enfarta porque, além de duro, tinha perdido todos os documentos, não tinha dinheiro para pagar a conta, estava ameaçado de não receber a merreca da sua aposentadoria no dia seguinte e ainda foi motivo de gozação!
Apesar disso, continuou muito amigo do Jazon, até a sua morte.
Ah, ele consegui sacar o dinheiro da aposentadoria. Só não me perguntem como! 

terça-feira, 23 de junho de 2015

A HISTÓRIA DE ERNANI

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Certa vez, trabalhei em uma pequena empresa de engenharia. Foi lá que fiquei conhecendo um rapaz chamado Mauro. Ele era grandalhão e gostava de fazer brincadeiras com os outros, sempre pregando pequenas peças. Havia também o Ernani, que era um pouco mais velho que o resto do grupo. Sempre quieto, inofensivo, à parte, Ernani costumava comer o seu lanche sozinho, num canto da sala. Ele não participava das brincadeiras que fazíamos após o almoço, sendo que, ao terminar a refeição, sempre sentava sozinho debaixo de uma árvore mais distante. Devido a esse seu comportamento, Ernani era o alvo natural das brincadeiras e piadas do grupo. Ora ele encontrava um sapo na marmita, ora um rato morto em seu chapéu. E o que achávamos mais incrível é que ele sempre aceitava aquilo sem ficar bravo.
Em um feriado prolongado, Mauro resolveu ir pescar no Pantanal. Antes, nos prometeu que, se conseguisse sucesso, iria dar um pouco do resultado da pesca para cada um de nós.
No seu retorno, ficamos todos muito animados quando vimos que ele havia pescado alguns dourados enormes. Mauro, entretanto, levou-nos para um canto e nos disse que tinha preparado uma boa peça para aplicar no Ernani. Mauro dividira os dourados, fazendo pacotes com uma boa porção para cada um de nós. Mas, a 'peça' programada era que ele havia separado os restos dos peixes num pacote maior, à parte.
- Vai ser muito engraçado quando o Ernani desembrulhar esse 'presente' e encontrar espinhas, peles e vísceras! - disse-nos Mauro, que já estava se divertindo com aquilo.
Mauro então distribuiu os pacotes no horário do almoço. Cada um de nós, que ia abrindo o seu pacote contendo uma bela porção de peixe, então dizia:
- Obrigado!
Mas o maior pacote de todos, ele deixou por último. Era para o Ernani. Todos nós já estávamos quase explodindo de vontade de rir, sendo que Mauro exibia um ar especial, de grande satisfação.
Como sempre, Ernani estava sentado sozinho, no lado mais afastado da grande mesa. Mauro então levou o pacote para perto dele, e todos ficamos na expectativa do que estava para acontecer.
Ernani não era o tipo de muitas palavras. Ele falava tão pouco que, muitas vezes, nem se percebia que ele estava por perto. Em três anos, ele provavelmente não tinha dito nem cem palavras ao todo. Por isso, o que aconteceu a seguir nos pegou de surpresa. Ele pegou o pacote firmemente nas mãos e o levantou devagar, com um grande sorriso no rosto. Foi então que notamos que seus olhos estavam brilhando. Por alguns momentos, o seu pomo de Adão se moveu para cima e para baixo, até ele conseguir controlar sua emoção.
- Eu sabia que você não ia se esquecer de mim - disse com a voz embargada - eu sabia, você é grandalhão e gosta de fazer brincadeiras, mas sempre soube que você tem um bom coração.
Ele engoliu em seco novamente, e continuou falando, dessa vez para todos nós.
- Eu sei que não tenho sido muito participativo com vocês, mas nunca foi por má intenção. Sabem... Eu tenho cinco filhos em casa, e uma esposa inválida, que há quatro anos está presa na cama. E estou ciente de que ela nunca mais vai melhorar. Às vezes, quando ela passa mal, eu tenho que ficar a noite inteira acordado, cuidando dela. E a maior parte do meu salário tem sido para os seus médicos e os remédios. As crianças fazem o que podem para ajudar, mas tem sido difícil colocar comida para todos na mesa. Vocês talvez achem esquisito que eu vá comer o meu almoço sozinho, num canto... Bem, é que eu fico meio envergonhado, porque na maioria das vezes eu não tenho nada para pôr no meu sanduíche. Ou, como hoje, eu tinha somente uma batata na minha marmita. Mas eu quero que saibam que essa porção de peixe representa, realmente, muito para mim. Provavelmente muito mais do que para qualquer um de vocês, porque hoje à noite os meus filhos... - ele limpou as lágrimas dos olhos com as costas das mãos -hoje à noite os meus filhos vão ter, realmente, depois de alguns anos...
E ele começou a abrir o pacote...
Nós tínhamos estado prestando tanta atenção no Ernani, enquanto ele falava, que nem havíamos notado a reação do Mauro. Mas agora, todos nós percebemos a sua aflição quando ele saltou e tentou pegar o pacote das mãos do Ernani. Mas era tarde demais. Ernani já tinha aberto e pacote e estava, agora, examinando cada pedaço de espinha, cada porção de pele e de vísceras, levantando cada rabo de peixe.
Era para ter sido tão engraçado, mas ninguém riu. Todos nós ficamos olhando para baixo. E a pior parte foi quando Ernani, tentando sorrir, falou a mesma coisa que todos nós havíamos dito anteriormente:
- Obrigado!
Em silêncio, um a um, cada um dos colegas pegou o seu pacote e o colocou na frente do Ernani, porque depois de muitos anos nós havíamos, de repente, entendido quem era realmente o Ernani.
Uma semana depois, a esposa de Ernani faleceu. Cada um de nós, daquele grupo, passou então a ajudar as cinco crianças.
Graças ao grande espírito de luta que elas possuíam, todas progrediram muito: Carlinhos, o mais novo, tornou-se um importante médico. Fernanda, Paula e Luisa montaram o seu próprio e bem-sucedido negócio: elas produzem e vendem doces e salgados para padarias e supermercados. O mais velho, Ernani Júnior, formou-se em Engenharia; sendo que, hoje, é o Diretor Geral da mesma empresa em que eu, Ernani e os nossos colegas trabalhávamos.
Mauro, hoje aposentado, continua fazendo brincadeiras; entretanto, são de um tipo muito diferente: ele organizou nove grupos de voluntários que distribuem brinquedos para crianças hospitalizadas e as entretêm com jogos, estórias e outros divertimentos.
Às vezes, convivemos por muitos anos com uma pessoa, para só então percebermos que mal a conhecemos. Nunca lhe demos a devida atenção; não demonstramos qualquer interesse pelas coisas dela; ignoramos suas ansiedades ou seus problemas.
Pense nisso!

segunda-feira, 22 de junho de 2015

VIVER NOVAMENTE

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Erma Bombeck foi uma humorista norte-americana muito popular por sua coluna no jornal, onde descrevia a vida doméstica no subúrbio da metade das décadas de 1960 até o final de 1990. Este texto foi escrito após ela saber que estava com câncer:
Se eu pudesse viver minha vida novamente, eu iria falar menos e ouvir mais. Iria convidar os amigos para jantar apesar do carpete sujo e do sofá desbotado. Eu iria comer mais pipoca na sala de estar e me preocuparia muito menos com a sujeira. Eu dedicaria tempo para ouvir meu avô contar suas histórias e nunca mais insistiria em fechar os vidros do carro para não bagunçar o meu penteado. Eu acenderia aquela vela em formato de rosa antes que ela derretesse guardada na despensa. Eu sentaria na grama com os meus filhos, sem me preocupar em manchar a roupa. Eu choraria e riria menos ao ver TV, e mais ao observar minha própria vida. Eu compartilharia mais das responsabilidades do meu marido e me deitaria quando não me sentisse bem, desistindo de achar que o mundo iria parar de girar se eu não fosse trabalhar. Eu não compraria nada apenas pelo preço ou por ser prático. Ao invés de desejar que os nove meses passassem rápido, eu iria curti-los em cada momento, sabendo que alguém maravilhoso estava crescendo dentro de mim e que esta era minha única chance de auxiliar a Deus em um milagre. Quando meus filhos me beijassem impetuosamente, eu jamais diria “agora não”… Haveria mais “eu te amo”, e mais “me perdoe…” Mas, mais do que tudo, se eu pudesse viver minha vida novamente, eu aproveitaria cada minuto… Olharia para ela e realmente a veria. A viveria e nunca a abandonaria.

domingo, 21 de junho de 2015

CADÊ A TRADIÇÃO QUE TINHA AQUI?

Texto de Rubens Mário
  PROFESSOR E ADMINISTRADOR DE EMPRESAS

Se aproxima mais uma festa de São João. Acredito que esse é o período, culturalmente, mais rico e o mais bonito do ano. Outrora, na véspera de São João - o santo mais festejado - a cidade se transformava, com a maioria das suas ruas, ainda de terra, toda enfeitada com os motivos juninos e ficando parecida com uma gostosa província interiorana. Toda a cidade ficava decorada com bandeirolas coloridas, independente de ser ano de copa do mundo. Naquele dia especial, quase todas as famílias tinham um ritual a cumprir. Na nossa casa, por exemplo, na Rua da União, em frente à saudosa praça da faculdade, como tínhamos um estoque bastante grande de madeira no nosso imenso quintal - o nosso pai tinha mandado derrubar a casa de taipa e a substituído por outra de alvenaria - logo cedo já separávamos os paus para a imponente fogueira. Nesse momento já começávamos a pensar nos fogos que o nosso pai, com certeza, iria trazer quando saísse da alfaiataria no beco de São José. À tarde, por volta das 16:00h., os moradores varriam o terreiro onde iam ser edificadas as fogueiras; de todas as casas  saiam madeiras velhas  e cada família se esforçava para fazer a maior e mais bonita fogueira; ao lado delas,  muitos fincavam, pés de bananeiras ou qualquer outra planta às quais  chamávamos de mastro. No cair da tarde todo o trabalho estava concluído e as ruas se transformavam em lindos arraiás. À noite, para nossa alegria maior, nosso pai chegava com pacotes de fogos, e nós eu e meu irmão Robson - abríamos curiosos para saber o que tinha ali dentro; encontrávamos estalos bebés, traques, chuvinhas, diabinhos, estrelinhas, espanta coiós, e etc. Para a nossa mãe ele trazia, rodinhas, foguetes e vulcões. À essas alturas, a minha mãe já tinha preparado  a deliciosa canjica de milho verde. No meio da noite as fogueiras eram acesas e aí atingíamos o ponto culminante da grande festa. Os balões, naquela época, inofensivos, eram soltos sem maldade pelos adultos e enfeitavam o céu já iluminado pelas milhares de fogueiras. Nós, na nossa inocência infantil, corríamos pelas ruas do Prado com espelhinhos redondos acompanhando as trajetórias dos balões no céu, até observarmos as suas quedas, geralmente, na lagoa mundaú. Quando conseguíamos resgatar as sobras de um balão apagado, levávamos aquilo como um troféu para mostrar aos mais velhos. Quando, para a tristeza geral, as fogueiras começavam a virar brasas, era chegada a hora de assar o milho verde ou a batata doce. Toda essa festa esfuziante era animada pelas lindas músicas do Luiz Gonzaga, da Marinês e sua gente, do Jackson do pandeiro, da Cremilda, da Carmélia Alves e tantos outros.
Hoje, com o advento da perversa globalização, e a abrupta e cruel transformação da nossa pequenina cidade em uma desengonçada metrópole, perdemos a nossa sensibilidade e permitimos que invasores ignorantes e insanos destruíssem a nossa rica cultura. Para que se tenha uma ideia desse crime hediondo, vou citar um absurdo que fui obrigado a presenciar na véspera de Santo Antônio na minha saudosa praça da faculdade onde funcionava mais uma feira camponesa. Naquele dia foi anunciado o último show com a realização de um bingo cujo prêmio seria um carneiro. Pedi que os meus vizinhos da Rua São Domingos atrasassem a queima da única fogueira daquela região, e fui, todo entusiasmado, assistir, junto com nossos irmãos campesinos, a, suposta, apresentação de um trio de forró pé de serra. Para a minha tristeza e decepção, encontrei lá um sujeito tocando um órgão e cantando de forma atabalhoada, coisas, naquele momento, naquele dia e naquele evento, totalmente desrespeitosas e agressivas à nossa desrespeitada cultura. Imediatamente, me retirei do local a tempo de acender a nossa fogueira solitária, vê-la queimar, ouvir as músicas da época, comer nossa canjica, nosso milho assado na brasa, tomar nossa cerveja gelada e, silenciosamente, perguntar: cadê a nossa tradição que tinha aqui?

sexta-feira, 19 de junho de 2015

ONDE FOI PARAR O TEMPO?

Texto de Marcelo Canellas

- Onde foi parar o tempo que ganhamos?
Havia mais terrenos baldios, menos canais de televisão, mais cachorros vadios e menos carros na rua. Havia carroças na rua e carroceiros fazendo o pregão dos legumes. Mascates batendo de porta em porta e mendigos pedindo pão velho (por que os mendigos não pedem mais pão velho?). A Velha do Saco assustava as crianças. O saco era de estopa. Não havia sacos plásticos. Levávamos sacolas de palha para o supermercado e cascos vazios para trocar por garrafas cheias. Refrigerante era caro; só tomávamos no fim de semana. As latas de cerveja eram de lata mesmo, não eram de alumínio. Leite vinha num saco ou, então, o leiteiro entregava em casa, em garrafas de vidro. Cozinhava-se com banha de porco; toda dona-de-casa tinha uma lata de banha debaixo da pia. O barbeador era de metal e a lâmina era trocada de vez em quando, mas só a lâmina. As camas tinham suporte para mosquiteiro. As casas tinham quintais; os quintais tinham sempre uma laranjeira, ou uma pereira, ou um pessegueiro, e comíamos fruta no pé. Minha vó tinha fogão a lenha; compotas caseiras, abarrotando a despensa, chimia de abóbora; uvada, e pão de casa. Meu pai tinha um amigo que fumava palheiro. Era comum fumar palheiro na cidade; tinha-se mais tempo para picar fumo. Fumo vinha em rolo e cheirava bem. O café passava pelo coador de pano (as ruas cheiravam a café); chaleira apitava (o que há com as chaleiras de hoje que não apitam?). As lojas de discos vendiam “long plays” e “fitas K7”. Supimpa era ter um três-em-um: toca-disco, toca-fita e rádio AM (não havia FM). Dizia-se “supimpa”, que significa “bacana”. Pois é, dizia-se “bacana", saca? Os telefones tinham disco. Discava-se para alguém. Depois, punha-se o aparelho no gancho. Telefone tinha gancho. E fio. Se o seu filho estivesse no quarto dele e você no seu escritório, você dava um berro pra chamar o guri, em vez de mandar um e-mail ou um recado pelo MSN.
Estou falando de outro milênio, é verdade. Mas o século passado foi ontem! Isso tudo acontecia há apenas 20 ou 25 anos, não mais do que o espaço de uma geração. A vida ficou muito melhor. Tudo era mais demorado, mais difícil, mais trabalhoso.
- Então por que engolimos o almoço? Então por que estamos sempre atrasados? Então por que ninguém mais bota cadeiras na calçada? Alguém pode me explicar onde foi parar o tempo que ganhamos?

quinta-feira, 18 de junho de 2015

PEÇA À MÃE, QUE O FILHO ATENDE...

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Uma senhora foi ao médico e, depois de realizar alguns exames, o médico lhe perguntou:
- A senhora é evangélica?
 Ela respondeu:
- Sim!
Ao ouvir a resposta da mulher, médico comentou:
- Eu gosto muito dos cristãos, mas só tem um problema: eles falam muito de Jesus e não falam de Maria...
Depois de um curto silêncio, a mulher falou:
- Doutor, posso lhe fazer uma pergunta?
- Pois não, senhora.
- Se quando eu chegasse aqui, a secretária me dissesse que você não estava, mas a sua mãe sim; o senhor achar acha que eu ia querer ser atendida por ela?
- Claro que não! Quem se formou em Medicina fui eu, não ela.
- Pois é, doutor. Quem morreu na cruz por mim foi Ele, não ela.
Ao ouvir a resposta da mulher, o médico fechou o assunto, com “chave de ouro”:
- Mas, se a senhora chegasse à recepção e encontrasse a minha preciosa mãe e não tivesse mais vaga ou dinheiro para pagar a consulta e ela me pedisse, eu lhe atenderia e ainda lhe daria todos os remédios.

OFÍCIO DE INTERESSE DOS ENGENHEIROS

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

segunda-feira, 15 de junho de 2015

WHATSAPP

Texto de Izabel Nascimento 

Esse tal de "Zap Zap"
É negócio interessante
Eu que antes criticava
Hoje treclo à todo instante
Quase nem durmo ou almoço
E quem criou esse troço
Tem uma mente brilhante.
Quem diria que um dia
Eu pudesse utilizar
Calculadora e relógio
Câmera de fotografar
Tudo no mesmo aparelho
Mapa, calendário, espelho
E telefone celular.
E agora a moda pegou
Pelas "Redes Sociais"
É no "Face" ou pelo "Zap"
Que o povo conversa mais
Talvez não saiba o motivo
Que esse tal de aplicativo
É mais lido que os jornais
Eu acho muito engraçado
Porque muita gente tem
Um Grupo só pra Família
Um do Trabalho também
E até aquele contato
Que só muda de retrato
Mas não fala com ninguém!
Tem o Grupo da Escola
O Grupo da Academia
Grupo da Universidade
O Grupo da Poesia
Tem o Grupo das Baladas
Das Amigas Mais Chegadas
E o da Diretoria.
Tem quem mande Oração
"Bom dia!", de vez em quando
Que só mande figurinhas
Quem só fique reclamando
No Grupos é que é parada
Dia, noite, madrugada
Sempre tem alguém teclando.
Cada um que analise
Se é bom ou se é ruim
Ou se a Tecnologia
É o começo do fim
Talvez um voto vencido
Porém o Zap tem sido
Até útil para mim.
Eu acho que a Internet
É uma coisa muito boa
Tem coisas muito importantes
Porém muita coisa à toa
Usar de forma acertada
Ou, por ela, ser usada
Vai depender da pessoa.
Comunicação é bom
Vantagens que hoje se tem
Feliz é quem tem amigos
Fora das Redes também
A vida só tem sentido
Quando o que é permitido
É aquilo que convém.
Pra quem meu verso rimado
Acabou de receber
Compartilhe esta mensagem
Que finaliza a dizer:
"Viva a vida intensamente
Porque é pessoalmente
Que se faz acontecer!"