domingo, 30 de agosto de 2015

PORQUE O TECLADO NÃO É NA ORDEM ALFABÉTICA

FONTE: AGRISSÊNIOR NOTÍCIAS

Na verdade, a disposição não é aleatória e a razão é simples e segue uma lógica: a disposição das teclas obedece ao padrão da máquina de escrever, concebida pelo americano Christopher Scholes, em 1868, e criador do teclado QWERTY. Este nome foi adotado devido à disposição das primeiras seis teclas. Scholes estudou as combinações de letras mais utilizadas na língua inglesa e considerou que a melhor opção era distanciar as teclas mais utilizadas, umas das outras, de forma a evitar que hastes da máquina de escrever, ao subirem, com pouco tempo de intervalo umas das outras, ficassem presas. Assim sendo, concluiu que seria muito mais prático e rápido se agrupasse as letras, tendo por base o critério de maior utilização na Língua Inglesa.
Desde então, este padrão espalhou-se por todo o mundo, sendo hoje adotado pela grande maioria dos teclados de computadores.
Como tudo começou…
Apesar de as teclas não estarem dispostas por ordem alfabética, a verdade é que houve uma tentativa por parte do criador em ordena-las desse modo. No entanto, essa disposição criava alguns problemas à digitação. Tendo em conta que muitas das palavras inglesas têm muitos “th” e “st”, o que obrigava à sua frequente digitação, logo estas letras estando juntas fazia com que dificultasse a escrita. Por essa razão, houve necessidade de colocar estas teclas em locais mais distantes para evitar a colisão.
Este afastamento, para além de ter ajudado a tornar a digitação mais rápida, permitiu também que houvesse um maior incentivo para os textos passarem a ser escritos a duas mãos.
Depois de muitos anos de estudo, o americano August Dvorak criou um novo teclado, que prometida uma escrita mais rápida e eficiente para língua inglesa. O criador garantia que era possível digitar 3.000 palavras na linha principal contra 50 do teclado QWERTY. Para provar esta descoberta, chegou a realizar competições para descobrir qual dos teclados era mais adequado à língua inglesa, no entanto, como as pessoas já estavam habituadas ao padrão QWERTY, o modelo proposto por Dvorak acabou por nunca ter criado impacto.
O teclado QWERTY não é adotado em todos os países. Em alguns locais é preferencialmente usado o teclado AZERTY (França e Bélgica), QWERTZ (Alemanha) ou QZERTY (Itália) assim como os símbolos, diacríticos e caracteres acentuados também ocupam uma posição diferentes em teclados internacionais do QWERTY.
CURIOSIDADE SOBRE O TECLADO QWERTY 

· A palavra “typewriter” ("máquina de escrever", em inglês) pode ser escrita recorrendo apenas às teclas da primeira linha do teclado;
· As letras mais usadas estão na linha do meio, o que confere uma maior rapidez na digitação;
· As letras menos utilizadas estão na linha inferior, sendo o seu alcance mais difícil;
· A mão direita abrange a maior parte do teclado, já que grande parte da população é destra.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

JOÃOZINHO, O ABELHUDO

Texto de Aloisio Guimarães

Joãozinho nasceu e passou a infância em São Miguel dos Campos, próspera cidade do interior de Alagoas. Desde cedo, foi um menino mimado, recebendo dos seus pais tudo aquilo que queria. Mas, surpreendentemente, ao contrário ao que se poderia esperar, Joãozinho se mostrou um menino bonachão, amigo de todos e muito brincalhão.
Como nasceu em "berço de ouro", Joãozinho sempre era vítima da inveja e da malicia de muita gente, que o chamava de "menino traquino" uma vez que ele sempre era visto brincando pelas ruas da cidade: ora jogando bola, ora brincando de esconde-esconde; ora soltando pipa, ora jogando pião... Sendo, algumas vezes, alvo de comentários do tipo:
- Do jeito que vai, parece que o Joãozinho não vai ter um “bom fim”...
Pois bem, numa dessas oportunidades, por volta dos 12 anos de idade, Joãozinho jogava bola com os amiguinhos na pracinha central da cidade, quando, de repente, levou uma bolada no “quengo”. Com o impacto da bolada, Joãozinho ficou desacordado durante alguns segundos. Nada de grave.
O tempo passou, Joãozinho se fez adolescente (sempre “traquino”), rapaz, homem feito... Durante seu desenvolvimento, jamais sentiu algum efeito da tal bolada.
Pois bem, hoje, na “casa dos 60”, Joãozinho começou sentir um zumbido constante na cabeça, que o deixa desesperado, até com muitas dificuldades para dormir. Imediatamente, o nosso personagem se lembrou da tal bolada que levou na infância e, muito apreensivo, procurou Dr. Nivaldo, um médico “especialista de cabeça” que, por sinal, era seu amigo de infância e também havia participado daquele fatídico jogo de bola:
- Amigo, Joãozinho, há quanto tempo! O que o traz aqui?
- Ah, Nivaldinho, estou com um zumbido da bubônica nos ouvidos. Quase que nem consigo dormir, cara!
- Aconteceu alguma coisa, suspeita de algo?
- Olha, Nivaldinho, você se lembra daquela vez que a gente jogava bola, lá na praça de São Miguel, e eu levei uma bolada na cara que “vi estrelinhas”? Para mim, é a única coisa que pode estar provocando tudo isso...
- Joãozinho, não se preocupe, vou pedir uns exames e ver o que acontece...
Dito isto, o médico pediu uma cacetada de exames: exame de sangue, exame de urina, exame de fezes, tomografia computadorizada, ressonância magnética... O diabo a quatro! Foi tanto exame que Joãozinho precisou de “socorro” para levar os resultados para o médico:
- Pronto, Nivaldinho, aqui estão os exames que o você pediu...
Depois de vários minutos examinado os laudos e verificando as imagens contra a luz, doutor Nivaldo sentenciou:
- Joãozinho, meu amigo, você é um homem de sorte, não tem nada errado na sua cabeça...
- Mas, Nivaldinho, como é, então, que esse zumbindo da gota serena não para de maneira nenhuma?
- Joãozinho, só quem pode dizer se o zumbido vai parar ou não é o tempo. Não se desespere...
Dito isto, o médico pegou o telefone celular, teclou alguns números e falou:
- Alô, mãezinha? Sabe o Joãozinho, aquele do zumbindo no “escutador de novela”, que falei pra senhora? Aquele, meu colega, lá de São Miguel? Ele está aqui; fale com ele...
Em seguida, Dr. Nivaldo passou o telefone para Joãozinho, que ouviu:
- Joãozinho, meu filho, isso não tem jeito nenhum; é pra toda a vida... Entregue a sua cabeça a Deus, meu filho... Daqui pra frente, você é o mais novo “abelhudo” da cidade. Seja bem-vindo ao “Grupo do Zumbido”... O WhatsApp do nosso grupo é...

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

APAIXONE-SE

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Apaixone-se mais pela viagem do que pela chegada ao destino; a primeira opção é mais garantida.
Apaixone-se pelo seu corpo mesmo que ele esteja fora de forma, pois de "qualquer forma" ele é a única casa que você realmente possui.
Apaixone-se pelas suas memórias. Todas são deliciosas e ninguém pode tirá-las de ti, além de serem excelentes fontes de inspiração nos momentos de dor.
Apaixone-se pelas pessoas que estão ao seu lado pois, na caminhada do dia-a-dia, a pessoa certa é aquela que está definitivamente ao seu lado.
Apaixone-se pelo sol; ele é fiel, gratuito, absolutamente disponível, e te inunda de prazer.
Apaixone-se por alguém... Não espere alguém apaixonar-se por você só por garantia e segurança.
Apaixone-se pelo seu projeto de vida. Acredite, a vida é única e só a ti pertence.
Apaixone-se pela dança da vida que está sempre em movimento dentro da gente, mas que por defesa teimamos por aprisioná-la.
Apaixone-se mais pelo significado das coisas que você conquistar do que pelo seu valor material.
Apaixone-se por suas ideias, mesmo que venha julgar que elas para nada servem.
Apaixone-se por seus pontos fortes, mesmo que os pontos fracos insistam em ficar em alto relevo no seu cérebro.
Apaixone-se pela ideia de ser verdadeiramente feliz. A felicidade encontra-se de sobra nas prateleiras de seus recursos interiores.
Apaixone-se pela música que você pode ser para alguém...
Apaixone-se pelo fato de ser humano!
Apaixone-se definitivamente por você!
Apaixone-se por alguém...
O amor e a paixão nos fortalece, eleva a nossa autoestima, a nossa vontade de viver e a de ser muito mais feliz.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

TUDO PELO PAPAI

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Um funcionário do Google ganhou uma semana de folga graças a uma carta escrita por Katie, a sua filha, ao chefe dele, pedindo apena um dia de folga, para ela que pudesse curtir o aniversário do papai.
“Caro diretor do Google,
Você poderia, por favor, quando papai chegar ao trabalho, dar a ele um dia de folga. Eu gostaria que ele tirasse um dia de folga, na quarta-feira, porque o papai só fica de folga no sábado. PS. É o aniversário do papai. PPS. É verão, você sabe...”
Daniel Shiplacoff, o patrão do pai de Katie, respondeu, dizendo:
“Querida Katie,
Muito obrigado por escrever este bilhete adorável e por seu pedido. Seu pai tem trabalhado duro e ajudado a projetar coisas lindas para o Google e milhões de pessoas no mundo. Por ocasião de seu aniversário, e por reconhecer a importância de tirar folga em uma quarta-feira durante o verão, estamos dando a ele uma semana de folga, a primeira semana de julho. Aproveitem! “
Muitas pessoas acreditam que seria apenas mais uma jogada de marketing do Google, mas a empresa garante que é uma situação real e que o empregado teve os seus dias de folga.

domingo, 23 de agosto de 2015

O ASSESSOR

Texto de Carlito Lima
 
Licurgo faz a maior festa quando avista um conhecido, dom natural, sua simpatia contagiante consegue coisa que até Deus duvida. Há mais de 30 anos permanece em cargo comissionado na Assembleia. Sai governo, entra governo, ele continua. Com a sinecura educou os filhos, sustenta a família.
Perto das eleições, se entrega de corpo e alma ao trabalho, já fez campanha para vários políticos, todos eleitos, é pé quente, se gaba. Atualmente é assessor de um deputado campeão de votos e de acordos.
Licurgo é chegado à boemia, ama a época eleitoral quando viaja e farreia muito. Dona Tereza, sua mulher, mandona e braba tenta em vão colocá-lo no cabresto. Ele, escorregadio, sempre está a trabalho do deputado. Não deixa de ser verdade. O nobre legislador, raparigueiro por índole, adora Licurgo, homem contato com divinas mulheres. Administra as farras do deputado, sobra alguma para ele. É secretário-tesoureiro particular para assuntos extraordinários, aliás, a única ocupação de nosso amigo, só comparece à repartição para pegar o contracheque.
Licurgo nas campanhas é pau para toda obra, no interior abre os caminhos com sua maneira de tratar os mais simples, se identifica no linguajar matuto. Nascido em Lagoa da Canoa, município progressista do agreste alagoano, terra de Hermeto Paschoal, veio para capital ainda jovem, os pais pobres ficaram, ele se virou sozinho. Arranjou um emprego em um comitê durante a campanha eleitoral de 1978, daí por diante tomou rumo na vida, encontrou seu talento.
Conhece todos os políticos de Alagoas, seja deputado, prefeito, senador ou governador, Licurgo conversa na maior intimidade, figura querida e respeitada, arquivo vivo, sabe histórias da política alagoana de fazer corar o Zé Dirceu e o Delúbio. Organizador de festinhas nos conchavos políticos. É discreto, não ouve, não fala, não vê.
Certa vez uma comitiva de político chegou a uma belíssima cidade à beira do São Francisco. Seis carros estacionaram à beira do Velho Chico, almoçar em um restaurante, bela paisagem, água esverdeada descendo rumo ao mar. Enquanto preparavam a peixada, a cerveja rolou com boas conversas, conchavos, ficaram ouvindo um senhor com mais de 70 anos contando histórias de Lampião, o ex-cangaceiro sabia tudo, pormenores da emboscada, bem perto mataram Lampião. Ainda não havia servido o almoço quando apareceu famoso deputado e assessoria. Tomaram assento, mandaram cozinhar mais peixe, juntaram-se aos outros. Na hora do almoço o deputado dizia-se cansado.
- Estou há mais de uma semana no sertão em campanha, é estafante, e o pior, não comi ninguém nesses dias. Estou doido por uma rapariga...
Olhou para os auxiliares, ordenou em tom de brincadeira.
- Licurgo, vá à Maceió, traga um caminhão de rapariga.
A moçada às gargalhadas com o humor do deputado, puxando o saco. Serviram o almoço, todos se refestelaram, peixe ao coco, siri, fritada de camarão, muito pitu. Restava descansar no hotel.
À noite, o comício, praça cheia, gente de todo canto chegava em caminhões. Comício é uma grande distração para o povo, principalmente quando havia show.
Palanque abarrotado de gente, abastecido de cerveja e uísque. Certo momento Licurgo se aproxima, fala com entusiasmo ao deputado:
- Pronto, missão cumprida. Não trouxe num caminhão, mas, na esquina da praça tem oito raparigas em três “Caravans”, escolhidas a dedo em meu caderninho. Estão no carro esperando as ordens.
O deputado surpreso, deu uma bela gargalhada, se aproximou de um magnata-empresário pediu para ensinar o caminho até sua casa de campo.
Depois do comício a comitiva do deputado foi dormir em Paulo Afonso na casa grande da fazenda. Aconteceu o maior bacanal já realizado à beira do Rio São Francisco. Na mansão havia um jardim gramado cheio de coqueiros, árvores e uma piscina. Da sacada se avistava o Velho Chico, noite de lua, ficou fácil para brincar de se esconder. As raparigas, como vieram ao mundo, se escondiam na área do jardim, depois de gritar "AGÚ", a moçada ia à caça, quando achava alguma trazia até o deputado, virava, ele dava uma palmada com força. Depois brincaram de pega, finalmente todos mergulharam na piscina. A festa foi até o dia amanhecer. No domingo o deputado estava feliz no palanque contando a história.
Por esse e outros segredos, nosso herói continuará no cargo por muitos anos, presta serviços parlamentares inigualáveis. Arquivo vivo, pau-para-toda-obra, Licurgo, o Assessor.

sábado, 22 de agosto de 2015

SABEDORIA DE PAI

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
O filho de um pastor da igreja, roqueiro, está prestes a completar 18 anos.
O rapaz, de cabelos compridos, estava louco para dirigir, resolve pedir o carro emprestado ao pai.
Depois de pensar um pouco, o pastor responde:
- Filho, vamos fazer o seguinte trato: você melhora suas notas na escola, estuda a Bíblia todos os dias e corta esse cabelo. E aí voltamos a conversar.
Um mês depois, o rapaz volta a perguntar ao pai se pode usar o carro.
- Filho, eu estou realmente orgulhoso! Você dobrou as suas notas na escola e estudou bem a Bíblia, mas não cortou o cabelo! E como fica o nosso trato?
- Papai, lendo a Bíblia, eu fiquei intrigado - responde o filho - Sansão usava cabelos longos... Noé também. Até Jesus tinha cabelos compridos! E todos eram boas pessoas...
Então, o pai respondeu:
- É verdade meu filho... E olha que coincidência: Todos eles andavam a pé

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

MÃOS

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Existem mãos...
Existem mãos que sustentam e mãos que abalam.

Mãos que limitam e outras que ampliam.

Mãos que denunciam e mãos que escondem os denunciados.
Mãos que se abrem e outras que se fecham.
Existem as mãos que afagam e as mãos que agridem.
Mãos que ferem e outras que cuidam das feridas.
Mãos que destroem e mãos que edificam.
Mãos que batem e outras que recebem as pancadas dos outros.
Existem mãos que apontam e guiam e mãos que desviam.
Mãos que são temidas e outras que são desejadas e queridas.
Mãos que dão arrogância e mãos que se escondem ao dar.
Mãos puras e outras que carregam censuras.
Existem mãos que escrevem para promover e mãos que escrevem para ferir.
Mãos que pesam e outras que aliviam,
Mãos que operam e curam e mãos que "amarguram".
Existem mãos que se apertam por amizade e mãos que se empurram por ódio,
Mãos furtivas que traficam destruição e outras amigas que desviam da ruína.
Mãos finas que provam dor e mãos rudes que espalham amor.
Existem mãos que se levantam pela verdade e outras que encarnam a falsidade; Mãos que oram e imploram e mãos que "devoram".
Mãos de Caim, que matam;
Mãos de Jacó, que enganam;
Mãos de Judas, que entregam.
Mas existem também as mãos de Simão, que carregam a cruz;
E as mãos de Verônica, que enxugam o rosto de Jesus.
Onde está a diferença? Não está nas mãos, mas no coração. É a mente transformada que dirige a mão santificada e delicada. É a mente agradecida que transforma as mãos em instrumento de graça.
Mãos que se levantam para abençoar,
Mãos que baixam para levantar o caído,
Mãos que se estendem para amparar o cansado.
São como as mãos de Deus que criam, guiam e salvam;
Que nunca faltam.
Existem mãos e mãos... 

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

COMO SE ESCREVE?

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Quando Joey tinha somente cinco anos, a professora do jardim de infância pediu aos alunos que fizessem um desenho que representasse alguma coisa que eles amavam.
Joey desenhou a sua família e depois traçou um grande círculo com lápis vermelho ao redor das figuras. Desejando escrever uma palavra acima do círculo, ele saiu de sua mesinha e foi até a mesa da professora e disse:
- Professora, como a gente escreve...?
Ela não o deixou concluir a pergunta. Mandou-o voltar para o seu lugar e não se atrever mais a interromper a aula.
Joey dobrou o papel e o guardou no bolso. Quando retornou para sua casa, naquele dia, ele se lembrou do desenho e o tirou do bolso. Alisou-o bem sobre a mesa da cozinha, foi até sua mochila, pegou um lápis e olhou para o grande círculo vermelho. Sua mãe estava preparando o jantar, indo e vindo do fogão para a pia, para a mesa. Ele queria terminar o desenho antes de mostrá-lo para ela e disse.
- Mamãe, como a gente escreve...?
- Menino, não dá para ver que estou ocupada agora? Vá brincar lá fora. E não bata a porta - foi a resposta dela.
Ele dobrou o desenho e o guardou no bolso.
Naquela noite, ele tirou outra vez o desenho do bolso. Olhou para o grande círculo vermelho, foi até a cozinha e pegou o lápis. Ele queria terminar o desenho antes de mostrá-lo ao seu pai. Alisou bem as dobras e colocou o desenho no chão da sala, perto da poltrona reclinável do seu pai, e disse:
- Papai, como a gente escreve...?
- Joey, estou lendo o jornal e não quero ser interrompido. Vá brincar lá fora. E não bata a porta.
O garoto dobrou o desenho e o guardou no bolso.
No dia seguinte, quando sua mãe separava a roupa para lavar, encontrou no bolso da calça do filho enrolados num papel, uma pedrinha, um pedaço de barbante e duas bolinhas de gude. Todos os tesouros que ele catara enquanto brincava fora de casa. Ela nem abriu o papel. Jogou tudo no lixo.
Os anos passaram...
Quando Joey tinha 28 anos, sua filha de cinco anos, Annie fez um desenho. Era o desenho de sua família. O pai riu quando ela apontou uma figura alta, de forma indefinida e disse:
- Este aqui é você, papai!
O pai olhou pra o grande círculo vermelho feito por sua filha, ao redor das figuras e lentamente começou a passar o dedo sobre o círculo.
Annie desceu rapidamente do colo do pai e avisou:
- Eu volto logo!
E voltou com um lápis na mão. Acomodou-se outra vez nos joelhos do pai, posicionou a ponta do lápis perto do topo do grande círculo vermelho e perguntou:
- Papai, como a gente escreve AMOR?
Ele abraçou a filha, tomou a sua mãozinha e a foi conduzindo, devagar, ajudando-a a formar as letras, enquanto dizia:
- AMOR, querida, AMOR se escreve com as letras T... E... M... P... O.
Conjugue o verbo amar todo o tempo. Use o seu tempo para amar. Crie um tempo extra para amar, não esquecendo que para os filhos, em especial, o que importa é ter quem ouça e opine, quem participe e vibre, quem conheça e incentive. Não espere seu filho ter que descobrir sozinho como se soletra AMOR, família, afeição. Por fim, lembre: se você não tiver tempo para amar, crie. Afinal, o ser humano é um poço de criatividade e o tempo...
Bom, o tempo é uma questão de escolha.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

PORQUE A GIRAFA FICOU MUDA

Texto de Prof João Oliveira

Como sabemos a girafa é um animal que não emite um som sequer. Ela é totalmente silenciosa, mas nem sempre foi assim. Houve um tempo em que as girafas falavam (e muito) como todos os outros animais da floresta...
Antes, porém é necessário colocar uma explicação do motivo, pelo qual, a girafa tem um pescoço tão grande. Ocorre que, para se alimentar sempre das folhas mais frescas e saudáveis, a girafa forçava o pescoço para mais alto. Com o passar dos anos (milhares, claro) a evolução a privilegiou com o maior pescoço de todos os animais terrestres. Então, foi por esforço próprio que a girafa conseguiu o melhor ponto de vista entre todos os animais.
Ocorre que, por sempre ver mais longe (sua cabeça estava acima das árvores), a girafa falava de coisas que os seus amigos, animais de outras espécies, não conseguiam enxergar.
- Olha, já está nevado na montanha!
- Nossa que pôr do sol mais lindo, está tudo uma vermelhidão!
Isto começou a irritar aqueles que ouviam mas nunca puderam ter o prazer de desfrutar de tal espetáculo.
- Tudo isto é bobagem! - disse o Leão.
- Fala muito essa girafa... - falou o Hipopótamo.
- Palhaçada da girafa, só quer aparecer, pensa que sabe tudo! - resmungou o avestruz.
Muito humilhada e sentindo-se mal com os comentários cada vez mais agressivos a girafa começou a falar cada vez menos, até que um dia, muito aborrecida, resolveu se calar para sempre.
Provavelmente ela poderia estar falando até hoje se soubesse escolher os assuntos. Quem sabe se ela se dedicasse a previsão do tempo? Estaria se comunicando com um assunto de interesse geral e que seria útil aos animais desprovidos da capacidade de ver ao longe!
O grande equívoco da girafa foi falar de cenários que só ela tinha acesso.
Agora faça uma transposição disto para o seu dia a dia.
- Você tem escutado muitos leões, hipopótamos ou avestruzes resmungando sobre suas colocações?
Pode ser até que não, pois estes personagens geralmente falam as escondidas. No entanto, a observação é válida, pois muitas vezes gostamos de compartilhar nossas visões ou experiências com as pessoas que consideramos nossos amigos. Ocorre que, nem sempre, eles podem usufruir do mesmo parâmetro por motivos diversos. Alguns não têm o mesmo gosto musical, outros não gostam de viajar, tem aqueles que detestam ler e ainda, acredite, existe gente que não vai à praia. No trabalho é a mesma coisa. As girafas vêm com ideias revolucionárias que são de pronto descartadas pelos leões.
Apenas - se este for o caso de encaixe - não seja tão dramático quanto a girafa. Escolha os termos mais acessíveis a todos. Procure outras girafas para falar sobre o horizonte distante, não se entristeça com aqueles que olham em outra direção. Afinal, lembre-se disto: foi a busca por melhores condições de alimentação que permitiu a evolução do pescoço da girafa.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

QUASE SETENTA...

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Pois é, estou quase lá... Decidi, então, ir em busca de informações que me ajudassem a começar a entender melhor a tal “Terceira Idade” ou “Melhor Idade” como querem alguns. A primeira informação é de que ela começa aos 60 anos.
- Será mesmo verdade?
Procurando mais um pouco, encontrei uma pesquisa sobre esse assunto cujo resultado foi bem interessante principalmente vindo de jovens: 47% de entrevistados acham que a Terceira Idade começa entre sessenta e setenta anos, 23% acreditam que ela começa antes mesmo dos 50 anos, 2% acreditam que ela só começa aos oitenta anos...
Eu, particularmente, acho que há controvérsias, pois o meu plano de saúde triplicou o valor da mensalidade quando completei 58 anos...
Então, descobri também que algumas pessoas acham que Terceira Idade é a idade em que se começa a ficar “caduco”. E que “caduco” é aquele que começa a despertar manias antigas e outras novas, não fala mais “coisa-com-coisa”, começa também a ficar ranzinza e chato...
Sinceramente, acho que ao longo da vida e em diferentes fases a gente faz tudo isso e o tempo todo! Manifestamos nossas manias, criamos novas, no sufoco não falamos coisa-com-coisa, mesmo jovens temos atitudes bem ranzinzas em certas situações e muitas vezes somos bem chatos! Quem já não fez tudo isso, que atire a primeira pedra!
Diz a “Wikipédia”, que a Terceira Idade varia conforme a cultura e desenvolvimento da sociedade em que se vive. Em países classificados “em desenvolvimento” como o Brasil, por exemplo, uma pessoa é considerada de Terceira Idade a partir dos 60 anos. Mas vejam só: para a Geriatria, somente após alcançar 75 anos a pessoa é considerada de Terceira Idade. Achei consolador!
Um dado é certo: com a chegada da terceira idade alguns problemas de saúde passam a ser mais frequentes (aqui eu assino embaixo), principalmente para as mulheres, quando mergulham de cabeça na menopausa!
Mas, ainda segundo a Wikipédia, não existe um consenso com relação à fronteira que limita a fase “pré” e “pós” velhice, nem tão pouco, quais são os indícios mais comuns da chegada nesta fase... Ela chega e pronto! Seja pela idade, que pode ser qualquer uma; seja pelas manias, e aí, se você for mais jovem, começa a ficar preocupado. Mas em algum momento da vida você vai dizer “acho que estou ficando velho”...
Por tudo que li, entendi que o “bem envelhecer” depende do equilíbrio entre as minhas limitações e potencialidades, que afinal, nunca deixarão de existir. Por isso tenho que aproveitar cada minuto, cada chance que a vida dá.
Percebo claramente que desenvolver uma flexibilidade comigo mesmo e com a sociedade para me adaptar nessa fase da vida, assim como fiz em todas as outras. É básico para ser feliz...
Me lembro muito bem como foi sofrido o adolescer. A gente cresce ouvindo e acreditando que ao avançar a idade não há muito o que fazer, que todo o investimento pessoal que se podia fazer já foi feito, principalmente entre a juventude e a fase adulta, e que depois, é só colher os frutos deste trabalho. A velhice é vista como uma fase sem saída e sem futuro. Discordo, veementemente!
E, infelizmente, constato que uma parte da sociedade não vê sentido em cuidar dos problemas existenciais do idoso porque acreditam que não há mais o que construir. Terapia de idosos, por exemplo, é vista como perda de tempo.
- De que vai adiantar?
Só vai surtir efeito em gente mais jovem, com cabeça ainda boa e um futuro pela frente! Discordo também, veementemente! Bota veementemente nisto! Mas isso também acontece porque alguns idosos acreditam que por terem vivido uma longa e muitas vezes difícil história não podem mudar o rumo de sua vida o modo de pensar ou agir; deixam-se levar pelo cansaço e a gente até entende muitas vezes que a vida não foi mesmo nada fácil; melhor deixar como está...
Eles não entendem que, no caso da terapia, por exemplo, o objetivo não é mudar o jeito do idoso mas sim dar a ele o acolhimento, o respeito e a compreensão. O objetivo maior é fazer com que ele aceite o seu jeito de ser e descubra maneiras diferentes de viver essa nova fase. Por isso entendi que compreender primeiro e depois aceitar é o caminho. Essa é a mudança tão necessária.
Aceitar a idade, as limitações e não se prender ao que deixou de ser feito, mas o que ainda poderá ser feito. Essa é a grande magia...
Entendi que não posso deixar de pensar na riqueza da minha experiência adquirida com esforço através dos meus anos vividos. Isso é algo que nenhuma força do mundo poderá me tirar. E me lembrar sempre que essa riqueza de experiência pode minar ou até acabar se eu me colocar num estado de inércia que fatalmente me levará para o tédio e uma profunda solidão...
Por isso tudo, vou à luta! Quero ser um idoso legal, que se ama e ama a vida! E ainda deixo um recadinho carinhoso pra você que ainda é muito jovem:
- Sorria, lute, chore, desabafe, curta as coisas boas e alimente-se com elas. Jogue para o ar o que é ruim, mas, principalmente, ame a si mesmo. Só assim você vai conseguir viver bem todas as etapas da vida e amar o outro. Lembre-se de que não estamos sozinhos e que a estrada nunca está vazia.
Um bom envelhecimento a todos. Se você está envelhecendo, é sinal que está vivo! Viva feliz, envelheça com dignidade!