sexta-feira, 30 de outubro de 2015

SOMO UM PAÍS RICO!

Texto de Aloisio Guimarães

Aproveitando o feriadão de "funcionário público e finados", vim, com a minha patroa, conhecer as "terras potiguares". 


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

UMA PERGUNTA, UMA "SENHORA" RESPOSTA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

A PERGUNTA
- Alguém sabe me explicar, num português, claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão "no frigir dos ovos"?
A RESPOSTA
Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce, mas não é mole, nem sempre você tem ideias e para descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa
E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas.
Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo. Contudo é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.
Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.
Há também aqueles que são arroz de festa, com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese... etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor que sai com cara de quem comeu e não gostou.
O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.
Por outro lado, se você tiver os olhos maiores que a barriga o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha, não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é refresco...
A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca, e depois quando se junta a fome com a vontade de comer as coisas mudam da água para o vinho.
Se embananar, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa para sua sardinha, que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda.
- Está respondido?

terça-feira, 27 de outubro de 2015

A TELESPECTADORA

Texto de Aloisio Guimarães

Um dia desses estava assistindo televisão, juntamente com a minha mulher, quando começou determinado programa no SBT, apresentado pelo César Filho.
Como ainda não tinha visto o programa e fazia muito tempo que não via o seu apresentador, inclusive eu nem me lembrava mais do seu nome, indaguei:
- Ôxente, e esse cara está no SBT?!
- Que cara?
- Esse aí, o "ex" da Angélica...
Então, minha mulher, inocentemente, respondeu:
- Ah, é o César Filho? Já faz é muito tempo que ele é do SBT. É ele quem apresenta o "Globo Repórter do SBT"!
- Vôte! "Globo Repórter do SBT"?!
Compreendida a gafe, rimos à vontade!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A MULHER, A BEBIDA E A FERRARI

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Mulher: Você bebe?
Homem: Sim.
Mulher: Quanto por dia?
Homem: 3 uísques.
Mulher: Quanto você paga por um uísque?
Homem: Cerca de R$ 10,00
Mulher: Se um uísque custa R$ 10,00 e você bebe 3 doses por dia, você gasta. R$ 900,00 por mês e R$ 10.800, 00 por ano, certo?
Homem: Correto.
Mulher: Se em um ano você gasta R$ 10.800,00, sem contar a inflação, em 20 anos você gastou R$ 216.000,00, correto?
Homem: Correto.
Mulher: Você sabia que com esse dinheiro aplicado e corrigido com juros compostos, durante 20 anos, você poderia comprar uma Ferrari?
Homem: Você bebe?
Mulher: Não.
Homem: Então, cadê a porra da sua Ferrari?

domingo, 25 de outubro de 2015

ORAÇÃO DE UM IDOSO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Se meu andar é hesitante e minhas mãos trêmulas, ampare-me.
Se minha audição não é boa e tenho de me esforçar para ouvir o que você está dizendo, procure entender-me.
Se a minha visão é imperfeita e o meu entendimento é escasso, ajude-me, com paciência.
Se você me encontrar na rua, não faça de conta que não me viu, pare, converse comigo, sinto-me tão só.
Se você, na sua sensibilidade, me vê triste e só, simplesmente partilhe um sorriso e seja solidário.
Se minhas mãos tremem e derrubam comida na mesa ou no chão, por favor, não se irrite, tentei fazer o melhor que pude.
Se lhe contei pela terceira vez a mesma "história" num só dia, não me repreenda, simplesmente ouça-me.
Se me comporto como criança, cerque-me de carinho.
Se estou com medo da morte e tento negá-la, ajude-me na preparação para o adeus.
Se estou doente e sou um peso em sua vida, não me abandone, um dia você terá a minha idade!
A única coisa que desejo, neste meu final da jornada, é um pouco de respeito e de amor...

sábado, 24 de outubro de 2015

A LÓGICA DA FREIRA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Duas freiras, Irmã Maria e Irmã Léa, saíram do convento para vender biscoitos. Em determinado instante, Irmã Maria puxa conversa:
- Está ficando escuro e nós ainda estamos longe do convento...
- Você reparou que um homem está nos seguindo há uma meia hora?
- Sim, o que será que ele quer?
- É lógico: ele quer nos estuprar.
- Oh, não! Se continuarmos neste ritmo ele vai nos alcançar no máximo em 15 minutos. O que vamos fazer?
- A única coisa lógica a fazer é andarmos mais rápido!
- Não está funcionando...
- Claro que não! Ele fez a única coisa lógica a fazer: começou a andar mais rápido.
- E agora, o que devemos fazer? Ele nos alcançará em 1 minuto!
- A única coisa lógica que nos resta fazer é nos separar! Você vai para aquele lado e eu vou pelo outro porque ele não poderá seguir nós duas ao mesmo tempo...
Então o homem decidiu seguir a Irmã Léa.
A Irmã Maria chegou ao convento preocupada com o que poderia ter acontecido à Irmã Léa.
Passado um bom tempo, eis que chega a Irmã Léa.
- Irmã Léa, graças a Deus você chegou! Conte-me o que aconteceu!
- Aconteceu o lógico: como não podia seguir nós duas, ele optou por me seguir.
- Então, o que aconteceu?
- O lógico: eu comecei a correr o mais rápido que podia e ele correu o mais rápido que ele podia também...
- E...?
- Novamente aconteceu o lógico: ele me alcançou...
- O meu Deus! O que você fez?
- Eu fiz o lógico: levantei meu hábito.
- Oh, Irmã! E o que o homem fez?
- Ele também fez o lógico: abaixou as calças.
- Oh, não! O que aconteceu depois?
- O óbvio, Irmã: uma freira com o hábito levantado consegue correr muito mais rápido do que um homem com as calças abaixadas!
SE VOCÊ PENSOU EM OUTRO FIM PARA ESTA HISTÓRIA, VÁ REZAR 309 PAI NOSSOS, SEU PERVERTIDO, E PEÇA A DEUS PARA LIMPAR SUA MENTE POLUÍDA.
PODE COMEÇAR A REZAR...

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A SENTENÇA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

O texto abaixo é uma decisão da Justiça em um processo no qual um juiz moveu uma ação contra o condomínio onde ele mora porque o porteiro o tratava por "Você".

Vejamos:
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO COMARCA DE NITERÓI - NONA VARA CÍVEL
Processo n 2005.002.003424-4
S E N T E N Ç A
Cuidam-se os autos de ação de obrigação de fazer manejada por ANTONIO MARREIROS DA SILVA MELO NETO contra o CONDOMÍNIO DO EDIFÍCIO LUÍZA VILLAGE e JEANETTE GRANATO, alegando o autor fatos precedentes ocorridos no interior do prédio que o levaram a pedir que fosse tratado formalmente de “Senhor”.
Disse o requerente que sofreu danos, e que esperava a procedência do pedido inicial para dar a ele, autor, e suas visitas o tratamento de “Doutor”, “Senhor”, “Doutora”, “Senhora”, sob pena de multa diária a ser fixada judicialmente, bem como requereu a condenação dos réus em dano moral não inferior a 100 salários mínimos.
Instruem a inicial os documentos de fls. 8/28.
O pedido de tutela antecipada foi indeferido às fls. 33. Interposto Agravo de Instrumento, foram prestadas as informações de fls.52.
Às fls. 57 requereu o autor que emanasse ordem judicial para que os réus se abstenham de fazer referência acerca do processo, sobrevindo a decisão de fls. 63 que acolheu tal pretensão.
O condomínio se manifestou às fls. 69/98, e ofertou cópia do recurso de agravo de instrumento às fls. 100, cujo acórdão encontra-se às fls.125.
Contestação do condomínio às fls. 146 e da segunda ré às fls. 247, ambos requerendo a improcedência do pedido inicial. Seguiu-se a réplica às fls. 275.
Por força de decisão proferida no incidente de exceção de incompetência, verificou-se a declinação de competência, com remessa dos autos da Comarca de São Gonçalo para esta Comarca de Niterói.
Em decorrência do despacho de fls. 303v, as partes ofertaram seus respectivos memoriais, no aguardo desta sentença.
É O RELATÓRIO.
DECIDO
“O problema do fundamento de um direito apresenta-se diferentemente conforme se trate de buscar o fundamento de um direito que se tem ou de um direito que se gostaria de ter.” (Noberto Bobbio, in “A Era dos Direitos”, Editora Campus, pg. 15).
Trata-se o autor de Juiz digno, merecendo todo o respeito deste sentenciante e de todas as demais pessoas da sociedade, não se justificando tamanha publicidade que tomou este processo. Agiu o requerente como jurisdicionado, na crença de seu direito. Plausível sua conduta, na medida em que atribuiu ao Estado a solução do conflito. Não deseja o ilustre Juiz tola bajulice, nem esta ação pode ter conotação de incompreensível futilidade. O cerne do inconformismo é de cunho eminentemente subjetivo, e ninguém, a não ser o próprio autor, sente tal dor, e este sentenciante bem compreende o que tanto incomoda o probo Requerente.
Está claro que não quer, nem nunca quis o autor, impor medo de autoridade, ou que lhe dediquem cumprimento laudatório, posto que é homem de notada grandeza e virtude.
Entretanto, entendo que não lhe assiste razão jurídica na pretensão deduzida.
Doutor” não é forma de tratamento, e sim título acadêmico utilizado apenas quando se apresenta tese a uma banca e esta a julga merecedora de um doutoramento. Emprega-se apenas às pessoas que tenham tal grau, e mesmo assim no meio universitário.
Constitui-se mera tradição referir-se a outras pessoas de “Doutor”, sem o ser, e fora do meio acadêmico. Daí a expressão doutor honoris causa - para a honra -, que se trata de título conferido por uma universidade à guisa de homenagem a determinada pessoa, sem submetê-la a exame. Por outro lado, vale lembrar que “Professor” e “Mestre” são títulos exclusivos dos que se dedicam ao magistério, após concluído o curso de mestrado.
Embora a expressão “Senhor” confira a desejada formalidade às comunicações - não é pronome -, e possa até o autor aspirar distanciamento em relação a qualquer pessoa, afastando intimidades, não existe regra legal que imponha obrigação ao empregado do condomínio a ele assim se referir.
O empregado que se refere ao autor por “Você”, pode estar sendo cortês, posto que “Você” não é pronome depreciativo. Isso é formalidade, decorrente do estilo de fala, sem quebra de hierarquia ou incidência de insubordinação.
Fala-se segundo sua classe social.
O brasileiro tem tendência na variedade coloquial relaxada, em especial a classe “semi-culta”, que sequer se importa com isso.
Na verdade “Você” é variante - contração da alocução - do tratamento respeitoso “Vossa Mercê”.
A professora de linguística Eliana Pitombo Teixeira ensina que os textos literários que apresentam altas frequências do pronome “Você”, devem ser classificados como formais.
Em qualquer lugar desse país é usual as pessoas serem chamadas de “Seu” ou “Dona”, e isso é tratamento formal. Em recente pesquisa universitária, constatou-se que o simples uso do nome da pessoa substitui "Senhor/Senhora" e "Você", quando usados com o prenome, isso porque soa como pejorativo tratamento diferente.
Na edição promovida por Jorge Amado “Crônica de Viver Baiano Seiscentista”, nos poemas de Gregório de Matos, destacou o escritor que Miércio Táti anotara que “Você” é tratamento cerimonioso. (Rio de Janeiro/São Paulo, Record, 1999).
Urge ressaltar que tratamento cerimonioso é reservado a círculos fechados da diplomacia, clero, governo, judiciário e meio acadêmico, como já se disse. A própria Presidência da República fez publicar Manual de Redação instituindo o protocolo interno entre os demais Poderes.
Mas na relação social não há ritual litúrgico a ser obedecido. Por isso que se diz que a alternância de “Você” e “Senhor” traduz-se numa questão sociolinguística, de difícil equação num país como o
Brasil de várias influências regionais.
Ao Judiciário não compete decidir sobre a relação de educação, etiqueta, cortesia ou coisas do gênero, a ser estabelecida entre o empregado do condomínio e o condômino, posto que isso é temainterna corpore daquela própria comunidade.
Isto posto, por estar convicto de que inexiste direito a ser agasalhado, mesmo que lamentando o incômodo pessoal experimentado pelo ilustre autor, julgo improcedente o pedido inicial, condenando o postulante no pagamento de custas e honorários de 10% sobre o valor da causa. P.R.I.
Niterói, 2 de maio de 2005.
ALEXANDRE EDUARDO SCISINIO
                Juiz de Direito

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

EDELWEISS

Texto de Silvana Duboc


Edelweiss é o nome de uma flor encontrada no alto das montanhas e Alpes da Suíça, da França, da Áustria, da Iugoslávia e da Itália. Ela se desenvolve nas alturas dessas montanhas. Edelweiss significa "branco precioso", é uma linda flor em formato de estrela. Dizem que quando você quer presentear alguém que signifique um amor eterno ou uma amizade eterna, dá-se uma flor de Edelweiss a essa pessoa, a flor eterna. Dizem, também, que sua duração depois de seca é de mais de 100 anos. Essa mesma flor hoje é Patrimônio Tombado da Humanidade nos 5 países onde ela é encontrada.
A história se passa em cidades da Áustria e da Polônia, e começa no ano de 1939, por ocasião da Segunda Guerra Mundial. Trata-se da história de uma família que tinha uma vida feliz em sua casa de varanda localizada próxima dos Alpes na Áustria, quando um dia, com o início da guerra, foram brutalmente levados por soldados para os Campos de Concentração de Auschwits, na Polônia.
Vamos a ela:
Nossa história inicia no ano de 1939, pouco antes do começo da Segunda Guerra Mundial...
Vivíamos na Áustria, um país coberto por flores, eu, meus pais e meu irmão. Éramos a imagem da família feliz e unida e entre nós reinava a certeza que nada na vida conseguiria nos separar. Mas não foi bem assim...
Meu pai era um cirurgião de renome, minha mãe professora daquelas dedicadas, que lecionava por puro amor aos seus alunos...
Eu tinha então dez anos e meu irmão quinze. Nossos dias e nossas noites eram muito alegres. Meus pais tinham o hábito de nos levarem até a varanda de nossa casa após o jantar para vermos as estrelas e enquanto fazíamos isso, cada um ia contando as coisas boas que haviam acontecido no seu dia...
Não que não pudéssemos contar as ruins, mas é que naquela época das nossas vidas só aconteciam coisas boas. Não me recordo de algum dia ter visto um deles triste...
Depois que contávamos tudo e que admirávamos bastante as estrelas, cantávamos ao som do violão do meu irmão. A primeira música sempre era Edelweiss, linda, sonora, trazia paz aos nossos corações... Ah, como era bom cantar Edelweiss junto da minha família e debaixo das estrelas! Eu tinha a sensação que poderia fazer aquilo a vida toda sem jamais enjoar...
Mas, enfim, o tempo foi passando e veio a guerra e só se ouvia falar em Hitler e eu não entendia bem que homem era aquele, nem o que ele representava e então eu continuava todas as noites olhando para as estrelas junto das pessoas que eu mais amava...
Um dia, um terrível dia de dezembro que jamais esquecerei, tivemos que partir. Me lembro que meu pai veio até nós e nos disse delicadamente:
- Vamos ter que passar algum tempo sem ver as estrelas no céu...
Fomos covardemente arrancados de nossa casa por soldados, fomos levados a um local que viria a ser a nossa nova casa, chamava-se Campo de Concentração...
Lá não fomos felizes e lá eu pude ver pela primeira vez o semblante da minha família triste, nem pareciam aquelas pessoas adoráveis que conviviam comigo naquela varanda...
Todas as noites eu dizia à minha mãe que queria ver as estrelas, cantar sob elas e ela me respondia com lágrimas nos olhos que durante um pequeno período a única estrela que eu poderia ver era a que eu trazia pendurada no pescoço, de seis pontas, tão linda quanto as que brilhavam no céu...
Acontece que minha mãe se enganou, não foi um período tão curto assim que ficamos por lá e com o tempo foram me levando muito mais coisas além das estrelas do céu; foram me levando tudo...
Levaram-me a estrela do pescoço também, levaram meus pais para um banho do qual eles nunca mais voltaram...
Levaram meu irmão dentro de um trem que eu nunca soube para onde foi, levaram o meu sorriso, a minha alegria de viver, levaram a minha infância...
Só não levaram a minha voz e por isso, todas as noites ao deitar, eu fechava os olhos e cantava baixinho Edelweiss e aí eu podia ver as estrelas, o meu pai, a minha mãe, o meu irmão, a varanda da nossa casa. A minha imaginação eles também não conseguiram levar...
Hoje eu tenho a absoluta certeza que realmente eu nunca teria me cansado de cantar na varanda com a minha família, que eu, de forma alguma, abandonaria o meu país, que minha mãe foi a pessoa mais doce que eu conheci, que meu pai foi a imagem da dignidade, que meu irmão foi o meu grande companheiro e que tocava violão como ninguém...
Hoje eu sei a verdadeira razão das lágrimas de meus pais ao se despedirem de mim, apenas porque iriam tomar um banho e o motivo do abraço tão apertado que meu irmão me deu naquela tarde em que foi colocado dentro daquele trem...
Hoje eu sei de tantas coisas que eu não queria saber, sei que os homens podem agir como animais ferozes. Sei que raças, credos, religiões, são apenas subterfúgios que os homens usam para deixar o leão que existe dentro deles despertar...
Hoje eu sei que o tempo é poderoso, mas não tão poderoso a ponto de apagar qualquer coisa que tenha sido muito boa ou muito ruim...
Hoje eu sei finalmente, que a “saudade” é o Campo de Concentração do coração...
Hoje eu sei que o maior tesouro que existe na vida é a PAZ!

terça-feira, 20 de outubro de 2015

PORQUE PERDOAR

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Perdoar não é rebaixar-se, bancar o bonzinho, despersonalizar-se. Perdoar não é justificar o erro alheio, nem tolerar os defeitos de outrem. Perdoar não é colocar uma pedra em cima dos fatos, nem virar a página e dizer: perdoo, mas não esqueço.
Perdoar é reconhecer que o outro está errado, discordar de tal erro, mas dar chances para a pessoa melhorar. Sim, perdoar é dizer “estás errado, mas eu não te elimino, não te destruo, não te agrido. Dou-te a chance de progredires melhorares”. Perdoar é um ato de esperança no crescimento e amadurecimento e de quem errou. Portanto, o perdão não é um direito humano, mas é um dom, um gesto de gratuidade, um presente que faço a quem me ofendeu. Assim, perdoar é uma atitude humano-divina, que consiste em não concordar com o pecado, mas compreender o pecador: "Condenar o pecado, mas não o pecador".
Precisamos perdoar para podermos viver e conviver bem com as pessoas. O perdão é também necessário para nossa saúde física, psíquica e espiritual.
Está sobejamente comprovado que o ódio, raiva, mágoa, ressentimento provocam úlceras, dores de cabeça, de coluna, de estômago. Certos problemas de nervos, intestinos, pele, são problemas de falta de perdão. Perdoe e a saúde será o primeiro fruto a acolher. Pelo perdão superamos insónias, ciúmes, invejas, depressões, medos e ansiedades.
Nossa oração toma vigor e seu efeito será visível. A falta de perdão impede a ação da graça sobre nós. Quem perdoa renasce, revive, liberta-se e cresce.
O sucesso de Jesus foi o perdão, quando Ele rezou na cruz: "Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23,24). É ainda Jesus que nos ensina perdoar "70 x 7, inclusive a perdoar os inimigos”. Incluiu o perdão na oração do Pai Nosso e concluiu a oração reforçando o perdão: "Se não perdoardes, vosso Pai também não vos perdoará". (Mt 6,14).
Perdoar e ser perdoado é reencontrar um dom perdido, é dar de novo o dom que foi esbanjado, é nascer de novo, recriar, tornar-se novo. Perdoar é absolver, que significa, deixar livre, quebrar as amarras, desamarrar, desligar. Perdoar é dom dado e recebido.
Pelo perdão voltamos a ser irmãos. O dom do perdão vem do coração de Deus e não da nossa natureza rebelde. O perdão é o amor de Deus ao exagero. Quem perdoa ama exageradamente.
Perdoar é restaurar o humano que se perdeu, que se desfigurou em nós e nos outros, pelo ódio, raiva, ofensas o humano em nós sofre deformação.
O perdão recupera a vida, recupera o que foi deformado e desfigurado, restaura o coração. Perdoar e ser perdoado é reviver. Então, se queres a paz, perdoe; se queres saúde, perdoe; se queres recuperar o gosto de viver, perdoe; se queres viver bem, perdoe; se queres saber o que é alegria, perdoe.
Com São Francisco de Assis, podemos rezar: "Louvado sejas meu Senhor, pelos que perdoam por teu amor".