sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

CHICO NUNES

Texto de Aloisio Guimarães

O palmeirense Francisco Nunes Brasil, o Chico Nunes, nasceu em maio de 1904 e morreu em fevereiro de 1953. É considerado o maior poeta popular do Estado de Alagoas, tendo recebido a alcunha de “O Rouxinol da Palmeira”.
Seus versos desbocados são comparados aos de Bocage, famoso poeta da língua portuguesa, pelo estilo ferino e/ou imoral de sua poesia. Seus improvisos eram temidos por todos, tornando sua presença em qualquer evento motivo de inquietação para muita gente, tanto em Palmeira dos Índios como nas vizinhanças.
Boêmio inveterado, Chico viveu grande parte de sua vida no cabaré de Palmeira dos Índios, localizado no centro da cidade e que hoje, em sua homenagem, leva o nome de RUA CHICO NUNES.
A sua fama correu o Brasil, levando o grande ator, compositor, poeta e escritor Mário Lago, a escrever e publicar um livro sobre a vida do Chico, com o título "CHICO NUNES DAS ALAGOAS" - fonte obrigatória de pesquisa sobre a vida do nosso poeta.
Antigamente, como é ainda hoje em algumas cidades nordestinas, era comum o embate entre os poetas, violeiros e emboladores (poetas que cantam seus versos ao som de pandeiro). Tal fato deu origem a mais bela página da vida do Chico, quando, sabedor da fama dele, o poeta Pedro Basílio, também famoso, o desafiou em praça pública para um duelo, cujo mote era “Eu sou melhor do que tu”.
Como não era homem de fugir da raia, prontamente Chico aceitou o desafio, cabendo ao Pedro Basílio o início da contenda. Este, num alto-elogio, recitou:
Sô rico, sô potentado,
Sô um poeta do direito,
Sô um homem de respeito.
Sempre fui considerado
Como um cantador honrado,
Desde o norte inté o sú,
Inté o Barão de Traipú
Me daria confiança;
Vivo cheiro de esperança
Eu sô mio do que tu.
Ao ouvir tais versos, Chico lambeu os beiços e, numa falsa humildade, declamou:
Sô ladrão de mandioca, 
Sô a lama de um barreiro, 
Sô do tipo cachaceiro, 
Sô imbuiá, Sô minhoca,
Sô como sapo na toca,
Sô um sapo cururu,
Sô puleiro de urubu,
Sô um chocalho sem badalo,
Sô um ladrão de cavalo,
Eu sô mio do que tu”
Ouvindo a plateia aplaudir intensamente, Chico emendou:
Sô um tipo sem futuro,
Desses que não vale nada, 
Sô igual a uma levada
Como bagaço de munturo,
Sô um recanto de muro
Onde só tem cururu,  
Só igual a um tatu   
Dentro do buraco fundo,   
Sô a desgraça do mundo,   
Eu sô mio do que tu
E, para ganhar a contenda, Chico Nunes finalizou:
Já perdi a cirimônia,   
Eu ando cambaliando,  
Andam até me chamando   
De fumadô de maconha,  
Ajuntei-me com uma sem vergonha
Levei ponta pra chuchu,
Fui corno em Caruaru ,  
Viado no Maribondo,  
Mas mesmo dando o redondo,  
Eu sô mió do que tu!
A galera foi ao delírio!

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