terça-feira, 31 de maio de 2016

MÃE E SOGRA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

O texto abaixo retrata muito bem o comportamento das pessoas diante de uma mesma situação, quando enxergam os fatos sob pontos de vistas diferentes, enfatizando sempre aquele que lhe é favorável, puxando a sardinha para a sua brasa, colocando defeitos nos outros:
Margarida e Carolina, amigas de longa data, se encontram, depois de muito tempo sem se verem e resolvem colocar o papo em dia...
Margarida, então, pergunta:
- Carol, minha querida amiga, como vão os seus filhos, a Fernanda e o Ricardo?
- Ah, querida, a Fernandinha casou com Geraldo, um sujeito maravilhoso; o marido que toda mulher pediu a Deus...
- É mesmo? - Indaga Margarida.
- É sim! É ele que sempre se levanta de madrugada para trocar as fraldas do Geraldinho, meu netinho querido, faz o café da manhã, lava as louças do almoço e ainda ajuda na faxina da casa!
Contente com a felicidade estampada no rosto da amiga, Margarida volta a perguntar:
- E o Ricardo, casou também?
- Nem te conto, mulher...
- O que foi? Não diga que ele virou gay!
Carolina desabafa:
- Antes fosse, minha filha! Antes fosse... O coitadinho do meu filhinho teve um azar danado. Casou muito mal! Imagine que, todo santo dia, é ele que se levanta de madrugada, para trocar as fraldas dos filhos; faz o café da manhã; lava a louça do almoço e ainda tem que trabalhar para sustentar a preguiçosa da minha nora, aquela nojenta!

segunda-feira, 30 de maio de 2016

MATANDO A SEDE

POSTAGEM ALOISIO GUIMARÃES

Por volta dos anos setenta, século passado, morou em Belo Monte, pequena cidade do interior alagoano, situada às margens do “Velho Chico”, um sujeito conhecido como “Pedro da venda”. O seu nome/apelido decorria do fato de que o sujeito era dono da bodega mais equipada do lugarejo e, por isso mesmo, era considerado, pelos matutos da região como “um cabra rico”.
Além de ser um sujeito “desbocado”, o “Pedro da venda”, costumava esnobar a sua “riqueza” fazendo farras nos povoados da região, sempre acompanhado das “primas” (eufemismo para “quenga”, “raparigas”...). Com o passar dos tempos, “Pedro da venda” também ficou famoso por conta dessa peculiaridade.
Certo dia, “Pedro da venda”, acompanhado de duas mulheres, chegou em um desses povoados e, como fazia muito calor, foram direto à única venda ali existente, cujo dono era o Pastor da Igreja Batista local. Ao entrar no estabelecimento, “Pedro da venda” logo gritou:
- Cidadão, desce uma Coca-Cola bem gelada!
Naquele tempo, a “Coca-Cola de 1 litro” era chamada de “Coca-Família”...
Ao ouvir o pedido, o pastor pergunta:
- "Família", senhor?
No que “Pedro da venda” responde:
- Família?! Nãaaao! As duas são putas mesmo!
Nesse dia, “Pedro da venda” e suas “primas” não conseguiram “matar a sede”...

domingo, 29 de maio de 2016

COMO EDUCAR

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Texto recebido por e-mails, contendo ensinamento atribuídos ao Dr. Içami Tiba, médico psiquiatra e escritor, durante palestra em Curitiba, Paraná.
Pelo teor do texto, nota-se que as suas palestras devem ser maravilhosas:
· A educação não pode ser delegada à escola: aluno é transitório; filho é para sempre.
· O quarto não é lugar para fazer criança cumprir castigo.
· Educar significa punir as condutas derivadas de um comportamento errôneo. Por exemplo: queimou índio pataxó, a pena (condenação judicial) deve ser passar o dia todo em hospital de queimados.
· É preciso confrontar o que o filho conta com a verdade real. Se falar que professor o xingou, tem que ir até a escola e ouvir o outro lado, além das testemunhas.
· Informação é diferente de conhecimento. O ato de conhecer vem após o ato de ser informado de alguma coisa. Não são todos que conhecem.
· A autoridade deve ser compartilhada entre os pais. Ambos devem mandar. Não podem sucumbir aos desejos da criança. Criança não quer comer? A mãe não pode alimentá-la. A criança deve aguardar até a próxima refeição que a família fará. A criança não pode alterar as regras da casa. A mãe não pode interferir nas regras ditadas pelo pai (e nas punições também) e vice-versa. Se o pai determinar que não haverá um passeio, a mãe não pode interferir. Tem que respeitar sob pena de criar um delinquente.
· Em casa que tem comida, criança não morre de fome. Se ela quiser comer, saberá a hora. E é o adulto quem tem que dizer qual é a hora de se comer e o que comer.
· A criança deve ser capaz de explicar aos pais a matéria que estudou e na qual será testada. Não pode simplesmente repetir, decorado. Tem que entender.
· É preciso transmitir aos filhos a ideia de que temos de produzir o máximo que podemos. Isto porque na vida não podemos aceitar a média exigida pelo colégio: não podemos dar 70% de nós, ou seja, não podemos tirar 7.
· As drogas e a gravidez indesejada estão em alta porque os adolescentes estão em busca de prazer. E o prazer é inconsequente.
· A gravidez é um sucesso biológico e um fracasso sob o ponto de vista sexual.
12. Maconha não produz efeito só quando é utilizada. Quem está são, mas é dependente, agride a mãe para poder sair de casa, para fazer uso da droga. A mãe deve, então, virar as costas e não aceitar as agressões. Não pode ficar discutindo e tentando dissuadi-lo da ideia. Tem que dizer que não conversará com ele e pronto. Deve “abandoná-lo”. 
· A mãe é incompetente para “abandonar” o filho. Se soubesse fazê-lo, o filho a respeitaria. Como sabe que a mãe está sempre ali, não a respeita.
· Se o pai ficar nervoso porque o filho aprontou alguma coisa, não deve alterar a voz. Deve dizer que está nervoso e, por isso, não quer discussão até ficar calmo. A calmaria, deve o pai dizer, virá em 2, 3, 4 dias. Enquanto isso, o videogame, as saídas, a balada, ficarão suspensas, até ele se acalmar e aplicar o devido castigo.
· Se o filho não aprendeu ganhando, tem que aprender perdendo.
· Não pode prometer presente pelo sucesso que é sua obrigação. Tirar nota boa é obrigação. Não xingar avós é obrigação. Ser polido é obrigação. Passar no vestibular é obrigação. Se ganhou o carro após o vestibular, ele o perderá se for mal na faculdade.
· Quem educa filho é pai e mãe. Avós não podem interferir na educação do neto, de maneira alguma. Jamais. Não é cabível palpite. Nunca.
· Muitas são desequilibradas ou mesmo loucas; devem ser tratadas (palavras dele).
· Se a mãe engolir sapos do filho, ele pensará que a sociedade terá que engolir também. 
· Videogames são um perigo: os pais têm que explicar como é a realidade, mostrar que na vida real não existem 'vidas', e sim uma única vida. Não dá para morrer e reencarnar. Não dá para apostar tudo, apertar o botão e zerar a dívida.
· Professor tem que ser líder. Inspirar liderança. Não pode apenas bater cartão.
· Pais e mães não pode se valer do filho por uma inabilidade que eles tenham. “Filho, digite isso aqui para mim porque não sei lidar com o computador”. Pais têm que saber usar o Skype, pois no mundo em que a ligação é gratuita pelo Skype, é inconcebível pagarem para falar com o filho que mora longe.
· O erro mais frequente na educação do filho é colocá-lo no topo da casa. O filho não pode ser a razão de viver de um casal. O filho é um dos elementos. O casal tem que deixá-lo, no máximo, no mesmo nível que eles. A sociedade pagará o preço quando alguém é educado achando-se o centro do universo.
· Filhos drogados são aqueles que sempre estiveram no topo da família.
· Cair na conversa do filho é criar um marginal. Filho não pode dar palpite em coisa de adulto. Se ele quiser opinar sobre qual deve ser a geladeira, terá que mostrar qual é o consumo (KWh) da que ele indicar. Se quiser dizer como deve ser a nova casa, tem que dizer quanto isso (seus supostos luxos) incrementará o gasto final.
· Dinheiro “a rodo” para o filho é prejudicial. Mesmo que os pais o tenham, precisam controlar e ensinar a gastar.
PENSE NISSO. SAIBA EDUCAR.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

CAPIXABA

Texto de Carlito Lima

Era uma vez em Maceió um jovem de apelido Capixaba, por ter nascido no Espírito Santo, seu nome de batismo, Osvaldo Carlos do Rego Couto, poucos conheciam. Viveu a juventude na areia branca da praia da Avenida da Paz, excelente ponta direita do Avenidense Futebol Clube. Forte, musculoso, xodó das meninas, cuidava de seu corpo como um bom narcisista. Desde cedo apreciou boas mulheres, bons papos, inteligência e raciocínio rápidos lhe davam o toque de bom humor e alegria. Excelente contador de história, prendia atenção ao contar suas aventuras.
Mudou-se para Brasília, nunca perdeu o contato com os companheiros de juventude, gentil, quando visitava Maceió distribuía presentes entre os amigos. Tinha simpatia e alegria, inatas, um ser humano de bem com a vida. Na última vez que almoçamos juntos, festa de fim-de-ano do Cáo, relembramos grandes noitadas, aventuras de jovens cheios de sonhos e de irresponsabilidades. A vida de Capixaba é um livro bem humorado, ainda não escrito.
Capixaba gostava de carnaval, certa vez acompanhando o Bloco Cavaleiro dos Montes numa manhã quente de Banho de Mar à Fantasia, a moçada enlouquecia ao tocar o frevo Vassourinhas, Capixaba recebeu uma cotovelada na cara, caiu no asfalto, atordoado. Ao recuperar-se da pancada identificou o agressor, nada menos que Porreta, um baiano, alto, forte, arruaceiro de zona, certa vez lutou e bateu em três policiais na Boate Tabariz em Jaraguá. O marginal Porreta era conhecido nas baixas rodas por ser briguento e por ser também travesti, "Madame Satã" de Maceió. Todos tinham medo de Porreta, bicha macho para ninguém botar defeito. Capixaba inconformado desafiou o meliante para um duelo, a arma, as mãos, num vale tudo, dali a um mês, na Praça Sinimbu às 20 horas. Porreta não refugou, topou a parada.
Capixaba começou a preparar-se para grande luta. Boêmios, prostitutas, policiais, políticos, desocupados, comentavam o desafio, maior expectativa. Capixaba treinava o corpo, corria diariamente às 5:00 h. da manhã do coreto da Avenida ao Morro Tom Mix, onde hoje é a Braskem, ida e volta.
Naquela época, Nezito Mourão, um dos maiores beques do Brasil, jogava pelo CRB, depois jogou no Santos com Pelé, campeão do mundo em 61-62, havia aberto uma Academia de Boxe, Capixaba se matriculou, recebeu aulas técnicas de murros e defesas, preparando-se para enfrentar o Porreta. Certa vez “brigaram” em treinamento, Capixaba de repente aproveitou uma guarda aberta de Mourão, deu-lhe um soco no olho, zonzou, o becão tentou dar o troco no indisciplinado aluno, entretanto, Capixaba com medo do revide correu em disparada foi bater em Marechal Deodoro. Fez parte do treinamento.
Certa manhã, Capixaba avistou dois marinheiros ingleses caminhando pela Avenida da Paz em direção ao cais do porto, ele gritou “Son of bich”, os marinheiros não gostaram, continuaram a caminhada, Capixaba correu atrás, provocando, deu um tapa em cada inglês. Iniciou no calçadão uma briga de cinema, dois contra um. Lutaram até cansar. Assim eram os treinos para enfrentar Porreta, a nossa "Madame Satã".
Afinal, chegou a noite esperada ansiosamente pela população de Maceió. Alguns amigos acompanharam nosso herói até a Praça Sinimbu. Ao se aproximar do local, ouviu o grito provocativo do Porreta com as mãos nos quartos, “Preparou-se para levar a maior surra de sua vida?”
Tiraram relógio, camisa, sapatos. Os assistentes formaram um círculo deixando os dois lutadores no centro. Aconteceu uma das maiores lutas já presenciada nas Alagoas e alhures. Primeiros movimentos, adversários se estudando, alguns ataques, outras defesas, jogo de pernas. De repente rápidos murros, socos na cara, na barriga, às vezes se atracavam, se soltavam, não havia juiz para separar. Esmurraram-se, se digladiaram por mais de uma hora, suavam, sangravam.
Estavam cansados, Capixaba distraiu-se em guarda, Porreta aproveitou, acertou um soco desconcertante na cara, nosso amigo caiu no chão, jorrando sangue pela boca.  A raiva subiu para cabeça, Capixaba num ímpeto incomunal levantou-se num pulo dando cabeçada no peito do surpreso Porreta, "Madame Satã" caiu de costas, abriu a cabeça no calçamento, sangrou. Ato contínuo, Capixaba montou por cima de Porreta, não perdoou, esmurrando-o incessantemente.
Retiraram Capixaba de cima de "Madame Satã" nocauteado, sangrando, imediatamente levaram-no para o Pronto Socorro, quatro dentes quebrados, muito sangue. Assim acabou o reinado de Porreta, o baiano mais macho do Brasil.
Capixaba também acabou seu reinado nesse mundo. Resta agora lembranças, contar suas histórias, ou dançar um tango.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

A PROMESSA DO COMPADRE

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Contam que viviam em uma região do sertão dois compadres muito amigos, como se fossem irmãos. Um, era fazendeiro, viúvo e muito rico; o outro, sitiante pobre e rodeado de filhos pequenos. Sua mulher era alta, magra e como todas as mulheres de sua condição seu traje habitual era uma blusa preta sobre um vestido qualquer, um lenço branco e engomado ao pescoço, outro na cabeça e um raminho de arruda atrás da orelha. No entanto, essa diferença financeira nunca afetou a amizade dos compadres.
Eis que, de repente o compadre pobre passou a ficar quieto, recolhido num canto virado bicho; emagreceu, definhou, inté dar a alma para Deus. Fosse o que fosse nada mais remediava. No velório, o compadre rico, agoniado, debulhado em lágrimas, acercou-se do caixão e, para que todos testemunhassem, disse ao compadre morto:
- Compadre! Aqui diante de sua mulher e de todos os seus filhos, eu quero fazer um juramento. Deste dia em diante, onde meus filhos estudarem, os seus filhos também vão estudar. Vou arrumar uma boa casa para sua família. Vou mandar todos os meses, por meio de um capataz, carne e alimentações gerais. Hei de respeitar sua memória, meu compadre. E ninguém há de proceder mal com sua mulher!
Pois não é que o compadre rico cumpriu religiosamente seu juramento, mesmo tendo ficado um bom tempo sem ver a família do falecido. Um belo dia resolveu fazer uma visita à comadre. Caminho longo de quatro léguas. Chegando a casa da comadre, qual não foi sua surpresa ao ser atendido por uma mulher alta, o corpo cheio de relevos, linda que só vendo. Linda de qualquer homem virar o tal do juízo.
Esta vida quando descansa de ser ruim, é até engraçada.
Penetrando na casa o compadre rico deu de cara com a foto do falecido; pensou: “Eu preciso de um particular urgente aqui com o compadre”. Olhando para o retrato, disse:
- Compadre! Quero sempre respeitar sua memória, por isso zelo para ninguém proceder mal com sua mulher! Mas, meu compadre, no dia que ela resolver proceder mal, que eu tenha a preferência.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

O PROFESSOR ESTÁ SEMPRE ERRADO

Texto de Jô Soares

O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!
É jovem, não tem experiência; é velho, está superado. Não tem automóvel, é um pobre coitado; tem automóvel, chora de “barriga cheia“. Fala em voz alta, vive gritando; fala em tom normal, ninguém escuta. Não falta ao colégio, é um “caxias”; precisa faltar, é um “turista”. Conversa com os outros professores, está “malhando“ os alunos; não conversa, é um desligado. Dá muita matéria, não tem dó do aluno; dá pouca matéria, não prepara os alunos. Brinca com a turma, é metido a engraçado; não brinca com a turma, é um chato. Chama a atenção, é um grosso; não chama a atenção, não sabe se impor. A prova é longa, não dá tempo; a prova é curta, tira as chances do aluno. Escreve muito, não explica; explica muito, o caderno não tem nada. Fala corretamente, ninguém entende; fala a “língua do aluno”, não tem vocabulário. Exige, é rude; elogia, é debochado. O aluno é reprovado, é perseguição; o aluno é aprovado, deu “mole“.
É, o professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele!

terça-feira, 24 de maio de 2016

SEMENTES OU ARMAS?

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Você pode apresentar as suas ideias a outros como armas” ou “sementes”.
Você pode dispará-las ou plantá-las; pode ferir a cabeça das pessoas com elas ou plantá-las nos seus corações.
Ideias, usadas como armas, matam a inspiração e neutralizam a motivação. Já, usadas como sementes, criam raízes, desenvolvem-se e tornam-se realidade na vida das pessoas nas quais foram plantadas.
O único risco da semente é este: assim que ela crescer e tornar-se parte da pessoa na qual foi plantada, você, provavelmente, não terá nenhum mérito por ter sido o autor da ideia. Mas, se você estiver disposto a fazer isso, sem receber mérito, terá certamente, uma colheita abundante!

segunda-feira, 23 de maio de 2016

PRO CEMITÉRIO!

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Contam que, certa vez, numa pequena cidade do interior do Brasil vivia um homem chamado “Zé Muxoxo”, figura folclórica, conhecido por todos pelo seu desânimo, suas reclamações constantes, seu pessimismo e, principalmente, por sua enorme preguiça.
O cara vivia descontente com a vida. Para ele tudo era difícil, muito, muito difícil. Por isso mesmo. Ele tomou uma atitude radical: decidiu que era melhor e mais fácil morrer do que continuar vivendo. Com este pensamento, ele entrou comprou um caixão de defunto, entrou e pediu aos seus amigos que o levassem para o cemitério.
Foi atendido...
Pense num burburinho... A cidade toda parou para assistir a enterro de um “defunto vivo”!  Á medida que passava, o cortejo ganhava acompanhantes; uns, penalizados; outros, revoltados e outros, curiosos.
Ao se aproximarem do cemitério, “Pedrinho da Rosa”, o maior amigo de "Zé Muxoxo", abriu o caixão e fez um último apelo:  
- Zé, não faça isso! Tanta gente querendo viver, esforçando-se para isso, e você desistindo da vida? Tire essa ideia louca da cabeça, meu amigo!
O homem abriu a tampa do caixão e retrucou:
- Não adianta. Não quero mais viver. Estou cansado de ter de lutar para sustentar a minha casa, ter de trabalhar para ganhar a minha comida. Eu desisto!
O amigo, querendo demovê-lo da ideia, avisou:
- Não seja por isso, Zé. Olhe, eu dou duzentos quilos de arroz para você, de graça. Tão cedo você não vai precisar trabalhar para se manter.
Zé Muxoxo revirou os olhos, coçou o queixo, pensou, refletiu e depois perguntou:
- Esse arroz seria em “palha” ou “beneficiado”?
No que seu amigo respondeu:
- Em “palha”, Zé...
Ao ouvir a resposta, o preguiçoso do "Zé Muxoxo" fechou a tampa do caixão e gritou para os outros amigos que o carregavam:
- Rapaziada, pro cemitério! 

sábado, 21 de maio de 2016

REGRAS DO "FUTEBOL DE RUA" DE ANTIGAMENTE

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

O texto a seguir, recebido pelo WhatsApp, retrata com fidelidade a infância que milhões de brasileiros tiveram. Foi uma época onde as crianças podiam brincar na rua, a qualquer hora do dia, sem violência e sem drogas. Infelizmente, hoje, milhões de brasileirinhos não sabem o que é “cabra-cega”, “garrafão”, “pinhão”, “ximbra”... Hoje, milhões de crianças brincam sozinhas, presas em suas casas. Elas jamais tiveram a liberdade de jogar futebol na rua, com “bola de borracha” (que saudade da “Bola Pelé”), “bola de meia” ou até mesmo “bola de couro” (chamadas de “couraças”), onde as regras abaixo eram, rigorosamente, respeitadas:

 01. Os dois melhores jogadores não podem estar no mesmo time. Logo, eles tiram “par ou ímpar” e escolhem os times.

02. Ser escolhido por último é uma grande humilhação.

03. Um time joga sem camisa e o outro com camisa.

04. O pior de cada time vira goleiro, a não ser que tenha alguém que goste de agarrar.

05. Se ninguém aceita ser goleiro, adota-se um rodízio: cada um agarra até sofrer um gol.

06. Quando tem um pênalti, sai o goleiro ruim e entra um bom, só para tentar pegar a cobrança.

07. Os piores de cada lado ficam na zaga.

08. O dono da bola joga no mesmo time do melhor jogador.

09. Não tem juiz.

10. As faltas são marcadas no grito: se você foi atingido, grite como se tivesse quebrado uma perna e conseguirás a falta.

11. Se você está no lance e a bola sai pela lateral, grite "É nossa!" e pegue a bola o mais rápido possível para fazer a cobrança (essa regra também se aplica ao "escanteio").

12. Lesões como “arrancar a tampa do dedão do pé”, “ralar o joelho”, “sangrar o nariz” e outras são normais.

13. Quem chuta a bola para longe tem que buscar.

13. Lances polêmicos são resolvidos no grito ou, se for o caso, na porrada.

15. A partida acaba quando todos estão cansados, quando anoitece, quando a mãe do dono da bola manda ele ir para casa ou aquela vizinha prende a bola que caiu na casa dela ou corta a bola.

16. Mesmo que esteja 15 x 0, a partida acaba com "quem faz, ganha".

Lembrou tua infância? Então fostes uma criança normal.

Dessa forma, foi minha infância

sexta-feira, 20 de maio de 2016

GOLPE NO BRASIL?

Texto de Rafael Rosset

Um francês, observando o tapete vermelho de Cannes, vê um ator brasileiro segurando cartaz onde se lê "Un coup d'etat a eu lieu au Brésil". Atônito, ele pergunta à pessoa ao lado, que por coincidência também é um artista brasileiro, com uma camiseta do Che:
- Que absurdo, aqui ninguém ouviu falar de um golpe de estado no Brasil! É verdade isso?
- Sim, claro. Acabaram com a democracia no Brasil.
- Mas houve presos políticos? Manifestações contra o governo reprimidas?
- Não, na verdade, muita gente saiu às ruas para apoiar a presidente apeada, e ninguém foi preso.
- A imprensa foi censurada? Jornalistas expulsos?
- Não, na verdade, vários blogs, revistas e jornais se posicionaram, abertamente, a favor da ex-presidente e ninguém foi censurado.
- E a presidente, foi detida?
- Na verdade, ela agora está morando num palácio de 7.000 metros quadrados, reformado há 10 anos ao custo de quase US$ 20 milhões, com direito a uma equipe de 80 pessoas, segurança institucional e avião da Força Aérea à sua disposição.
- E o judiciário? O habeas corpus foi suspenso, certo?
- Não, na verdade, quem determinou o rito do impeachment foi o Supremo Tribunal Federal e o novo presidente foi empossado pelo Tribunal Superior Eleitoral, cujo presidente, inclusive, foi advogado do governo antes de ser juiz.
- Ah...
- Mas, olha, vários países estão denunciando o ataque à democracia no Brasil, viu? Cuba, Venezuela, El Salvador...
- Você quer dizer aqueles países que mantém presos políticos, reprimem violentamente manifestações contra o governo, censuram a imprensa e expulsam jornalistas estrangeiros, aparelham o judiciário e ou não fazem eleições livres há mais de meio século ou não permitem que observadores internacionais independentes acompanhem suas eleições?
- É.
- Com licença, amigo brasileiro, acho que ouvi chamarem meu nome em algum lugar, preciso ir.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

NÊGO JAIME

Texto de Carlito Lima

Uma cidade não é feita apenas de prédios, parques, jardins, ruas e praias, uma cidade tem espírito, tem alma, essa alma é o povo, os viventes, sua memória. Algumas personagens se destacam em cada época. A história pode esquecer de certos nomes de autoridade, deputado, senador, de brilho fugaz, entretanto, figuras populares tornam-se inesquecíveis, ficam na história da cidade.
Em Maceió havia um negro, forte, espadaúdo, bonito, mais de 1,90 metros, enfermeiro da Rede Ferroviária, boêmio, calmo como um budista, contudo, não levava desaforo para casa, assim era Nêgo Jaime.
Certa vez, no Bar do Relógio, ponto de boemia, de virada de noite de Maceió, dois marinheiros bêbados tomavam a saideira antes de retornarem ao navio, ao avistarem Nêgo Jaime solitário em uma mesa, um marujo arrotando superioridade entregou-lhe uma dose de cachaça:
- Toma, Nêgão, quero ver se você é bom.
Jaime, na maior paciência, disse estar apenas de cervejinha, no outro dia tinha trabalho. O marinheiro insistiu, provocando:
- Você não é homem, Negão?
Jaime não teve dúvida, levantou-se, deu um murro no marinheiro, iniciou uma batalha. Os marinheiros eram bons de briga, entretanto, Nêgo Jaime estava com demônio no corpo. Mais de uma hora de luta entre murros e golpes, Jaime bateu como sabia, com raiva, quase mata os marujos. Levaram os dois para o Pronto Socorro. Precisou entendimento entre a Capitania dos Portos e a Rede Ferroviária, os da Marinha queriam pegar, prender Nêgo Jaime, só houve sossego quando o navio partiu.
O Nêgo era calmo, não provocava arruaça, contudo, não sei se por beleza física ou influência da cor, atraia provocadores. Toda sexta-feira Nêgo Jaime se juntava a amigos para uma cervejinha no Bar da Maravilha antes de ir à Zona de Jaraguá. Numa dessas noites chegaram três playboys de lambreta provocando todo Bar da Maravilha, encrencaram com o Nêgo, ele se vestia bem, terno branco, preferiu se retirar, deixou os provocadores, foi aos braços de Lourdinha na Boate Tabaris. Na sexta-feira seguinte aconteceu a mesma provocação dos lambretistas, Nêgo Jaime saiu do Bar. Na terceira sexta-feira, Nêgo Jaime chegou requintado, terno de linho branco, segurando o paletó entre os dedos, pediu cerveja, ficou observando o movimento aguardando a hora da zona em Jaraguá. De repente apareceram os três lambretistas fazendo zoada. Ao sentarem iniciaram a perturbar:
- Olha aí, o Picolé de Onça todo de branco. Macaco de branco fica bonito.
Jaime se aproximou na maior calma, nem conversou, rodou o paletó na cara do primeiro, o lambretista beijou o chão, ao se levantar levou outra paletozada, ficou estatelado, o Nêgão virou-se e rodou e bateu o paletó num lourinho metido a James Dean que arriou no calçamento. Desesperados, os playboys montaram suas lambretas, partiram sem destino. Nunca mais apareceram às sextas no Bar Maravilha. Nêgo Jaime mostrou sua estratégia ao dono do bar, descosturou a manga do paletó, retirou pesadas e bem arrumadas britas dentro das mangas, Nêgo Jaime era criativo, inventou uma arma urbana. Até hoje essa briga é comentada, tornou-se lenda no bairro boêmio de Jaraguá.
Jaime tinha um chamego com a Nêga Jandira, dona de um bar no bairro do Poço, todo ano desfilavam pela Escola de Samba Unidos do Poço. Jandira era a porta estandarte, bonita, sabia requebrar, a maravilhosa bunda deixava a moçada de água na boca. No carnaval, a Unidos do Poço desfilava para valer, tentava o terceiro campeonato seguido, Jandira fazia evoluções com o estandarte no ar, delirantemente aplaudida pelo povo na Rua do Comércio. Ao passar pelo palanque, defronte ao Cine São Luiz, Jandira deu tudo de si, Nêgo Jaime dançando, acompanhava mais atrás sua amiga evoluindo. De repente apareceu um popular, como disse o jornal, não aguentou, atravessou a corda de segurança, passou a mão na bunda da Jandira e agarrou-a à retaguarda. Foi preciso Jaime destravá-lo do abraço traseiro, deu-lhe um murro, o tarado caiu de costas junto à bilheteria do Cine São Luiz. Mesmo com esse inusitado acontecimento, como foi noticiado, os jurados compreenderam o desvario do tarado, deram à Unidos do Poço o título de tricampeã do carnaval alagoano.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

O MONGE E O SAMURAI

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Conta uma velha história japonesa que certa vez um guerreiro samurai desafiou um mestre Zen a explicar o conceito de céu e inferno. Mas o monge respondeu-lhe com desprezo:
- Não passas de um rústico! Não vou desperdiçar meu tempo com gente da tua laia!
Atacado na própria honra, o samurai teve um acesso de fúria e, sacando da bainha a espada, berrou:
- Eu poderia matar-te por tua impertinência.
- Isso - respondeu calmamente o monge - é o inferno.
Espantado por ver a verdade no que o mestre dizia da cólera que o dominara, o samurai acalmou-se, embainhou a espada e fez uma mesura, agradecendo ao monge a intuição.
- E isso - disse o monge - é o céu.

terça-feira, 17 de maio de 2016

QUEM DÁ MAIS?

Texto de Aloisio Guimarães

Tempos atrás, Catarina Migliorini, natural de Santa Catarina, uma jovem “inocente no mundo da sacanagem”, colocou o seu “cabaço” em leilão. Apesar do alto lance conseguido, fala-se em R$ 1,5 milhão, a donzela desistiu da ideia. Assim, a única coisa de concreto que restou foi o fato dela ter conseguido os seus "15 minutos de fama".
Como justificativa "fajuta" para realizar o inusitado leilão, que não foi até "os finalmente", repito, ela usou a desculpa de que "só assim, ia ter a oportunidade de viajar, fazer parte de um filme e ainda ganhar um bônus".
Meses depois, a baiana Rebeca Bernardo, também colocou a sua "inocência" à venda (e também ficou temporariamente famosa, claro). A sua desculpa foi que "ela estava precisando de dinheiro para o pagamento das despesas com hospital e medicamentos para a sua mãe, que anda doente".
Não importa as desculpas delas; nos meus velhos tempos, vender o corpo, tinha um nome próprio: prostituição. Os tempos são outro e acontecimentos desse naipe são aceitos com a maior naturalidade do mundo.
Então, como diz um sábio ditado, “quando não se pode com um inimigo, devemos nos aliar a ele”, resolvi me modernizar e "seguir a onda" porque também estou precisando de muita grana, já que a velhice está chegando - estou com 61 anos - e preciso conhecer o mundo: Dubai, Paris, Londres, Roma, Veneza, Milão, Barcelona, Tóquio, Miami, Nova York, Cancun, Praga, Lisboa, Berlim, Cairo...  Assim, como vocês podem ver, é mais do que evidente que eu tenho um motivo nobre e justificável para anunciar que:
- ESTOU LEILOANDO A MINHA ÚLTIMA FODA!
Quero avisar que ainda tenho muito tesão, mas sei que vai acabar um dia. Portanto, antecipando à realidade dos fatos e contrariando a minha fidelidade de marido, é que tomo essa “difícil e gostosa” decisão, mas aviso às pretendentes a se deliciarem com as últimas gotas do meu sêmen, que elas devem observar as seguintes condições estipuladas no edital:
• Não serão aceitos lances de menores de idade.
• Não serão aceitos lances homossexuais, mas estou aberto a posar para qualquer tipo de publicação, “armado” ou “desarmado”.
• Como “a satisfação é garantida”, pois carrego comigo “experiência e qualidade no serviço que faço”, qualquer lance inferior a R$ 3 milhões está, desde já, descartado.
• Será cobrado um “adicional de insalubridade” de 20 % sobre o valor do lance, caso a vencedora tenha mais de 80 anos, pouco importando se ainda é virgem ou não.
• Caso a vencedora tenha entre 21 e 25 anos, terá direito a um desconto de 10% sobre o lance dado, em função do ditado “cavalo velho, capim novo”.
• Como na zorra total que é o mundo atual “um cabaço ainda tem algum valor”, caso a vencedora seja virgem, receberá um desconto de 50% sobre o lance dado, sendo eliminado qualquer outro benefício em função da sua idade.
• O uso de camisinha é obrigatório, com exceção única ser a vencedora ainda uma virgem e com um atestado médico negativo para doença sexualmente transmissível.
• Está permanentemente proibido ”beijo na boca”, para não se apaixonar, segundo dizem as nossas "primas".
• O lance inicial não contempla o prazer adicional de um “boquete”, pois ele representa um “serviço extra”. Entretanto, poderá ser objeto de negociação, cuja taxa mínima será de 15% sobre o valor do lance inicial.
• Como “cortesia da casa”, a vencedora, por sua livre e espontânea vontade, tem direito a um “bônus” de sexo anal.
• Fica definida a modesta cidade de Paris como local de minha última transa, cabendo à vencedora custear todas as despesas com passagens aéreas e terrestres (ida e volta), traslados, hospedagem e alimentação.
• O pagamento da oferta vencedora deverá ocorrer imediatamente, de forma integral, em qualquer "paraíso fiscal", de preferência uma das agências bancária nas Ilhas Cayman, tão logo seja decretado o resultado do leilão.
• O dia do "resgate do prêmio" será o mais rápido possível, logo após a comprovação do pagamento, uma vez que não posso precisar o início do meu "brochamento".
• Na hora "H", a vencedora, caso deseje, poderá se fazer acompanhar de um médico de sua confiança para atestar que o meu tesão na “prestação do serviço” não foi provocado por nenhum medicamento estimulante!
Finalmente, peço a todos a igualdade de tratamento que foi dado às meninas. Portanto...
- Não me chamem de prostituto!
Mulheres, façam os seus lances!