quinta-feira, 30 de junho de 2016

O RELÓGIO DO FAZENDEIRO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Era uma vez um fazendeiro que descobriu que tinha perdido o seu relógio no celeiro. O relógio era um objeto muito importante para ele por ter um grande valor sentimental.
Após buscar por todas as partes entre o feno, ele desistiu e recorreu à ajuda de um grupo de crianças que estava brincando do lado de fora do celeiro.
Ele prometeu que a pessoa que encontrasse o seu relógio seria recompensada.
Ao ouvir isso, as crianças correram para dentro do celeiro e entraram no meio de toda a pilha de feno, mas, ainda assim, não conseguiram encontrar o relógio.
Quando o fazendeiro estava prestes a desistir, um menino aproximou-se dele e pediu mais uma chance.
O fazendeiro olhou para ele e pensou “Por que não? Afinal de contas, esse garoto parece sincero o suficiente ”.
Então, o fazendeiro mandou o menino de volta ao celeiro. Depois de um certo tempo, o menino saiu do celeiro com o relógio em suas mãos.
O fazendeiro ficou feliz e surpreso ao mesmo tempo. Então ele perguntou ao menino como ele havia conseguido encontrar o relógio já que todos os outros meninos não conseguiram.
O garoto respondeu:
- Eu não fiz nada a não ser ficar sentado no chão, escutando. No silêncio, eu escutei o tique-taque do relógio e apenas olhei para a direção certa.
Moral da História
Uma mente em paz pode pensar melhor do que uma mente confusa. Dê alguns minutos de silêncio à sua mente todos os dias e veja o quanto isso lhe ajuda a definir a sua vida da maneira que você espera que ela seja.

terça-feira, 28 de junho de 2016

QUAL O PECADO QUE VOCÊ NÃO QUER TER?

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Certo dia, um casal, ao chegar do trabalho, encontrou algumas pessoas dentro de sua casa. Achando que eram ladrões, eles ficaram assustados, mas um homem forte e saudável, com corpo de halterofilista, avisou:
- Calma pessoal, nós somos velhos conhecidos e estamos em toda parte do mundo.
- Mas quem são vocês?
- Eu sou a Preguiça - respondeu o homem - Estamos aqui para que escolham um de nós para sair definitivamente da vida de vocês.
- Como pode você ser a Preguiça, se tens o corpo de um atleta que vive malhando e praticando esportesA Preguiça é forte como um touro e pesa toneladas nos ombros dos preguiçosos; com ela ninguém pode chegar a ser um vencedor.
Uma mulher velha curvada, com a pele muito enrugada que mais parecia uma bruxa, disse:
- Eu, meus filhos, sou a Luxúria.
- Não é possível! Você não pode atrair ninguém com essa feiura!
- Não há feiura para a luxúria, queridos. Sou velha porque existo há muito tempo entre os homens, Sou capaz de destruir famílias inteiras, perverter crianças e trazer doenças para todos, até a morte. Sou astuta e posso me disfarçar na mais bela mulher ou homem que você já viu.
Um homem, mau cheiroso e vestindo uns maltrapilhos de roupas que mais parecia um mendigo, se apresentou:
- Eu sou a Cobiça. Por mim, muitos já mataram; por mim, muitos abandonaram famílias e pátria, Sou tão antigo quanto a Luxúria, mas eu não dependo dela para existir. Tenho essa aparência de mendigo porque por mais bem vestido que apresento, mais rico que pareço, com joias, dinheiro e carros luxuosos, ainda assim me verás, porque a cobiça está tanto para o pobre quanto para o rico.,
Uma lindíssima mulher, de corpo escultural, cintura finíssima e de contornos impecáveis, fazendo com que tudo nela estivesse em perfeita harmonia, de forma e movimentos, disse:
- E eu, sou a Gula.
Espantados, os donos da casa observaram:
- Sempre imaginamos que a Gula seria gorda...
- Isso é o que vocês pensam. Sou bela e atraente porque, se assim não fosse, seria muito fácil se livrar de mim. Minha natureza é delicada. Normalmente sou discreta. Quem tem a mim, não se apercebe. Mostro-me sempre disposta a ajudar aqueles que querem fazer regimes, mas, na verdade, faço tudo ruir, de maneira sutil. Destruo o prazer de viver e destruo a beleza do corpo. Também por mim, muitas famílias se destruíram na busca da luxúria.
Sentado em uma cadeira, um senhor, também velho, mas de semblante bastante sereno, avisou, com voz doce e movimentos suaves:
- Eu sou a Ira. Alguns me conhece como Cólera. Tenho muitos milênios também. Não sou homem nem mulher, assim como meus companheiros que estão aqui.
A dona da casa retrucou:
- Ira? Parece mais o "vovô" que todos gostariam de ter...
O "vovô" respondeu:
- E a grande maioria me tem! Quando me aproximo, matam com crueldade, provocam brigas horríveis e destroem cidades. Sou capaz de eliminar qualquer sentimento diferente de mim, posso estar em qualquer lugar e penetrar nas mais protegidas casas. Mostro-me calmo e sereno para mostrar-lhes que a Ira pode estar no aparentemente manso. Posso também ficar contido no íntimo das pessoas sem se manifestar, provocando úlceras, câncer e as mais temíveis doenças.
- Eu sou a Inveja. Faço parte da história do homem desde de sua aparição - disse uma jovem que ostentava uma coroa de ouro cravada de diamantes, usava braceletes de brilhantes e roupas de fino pano, assemelhando-se a uma princesa rica e poderosa.
- Como é a Inveja se é rica e bonita, parece ter tudo que deseja? - disse a mulher da casa.
- Há os que são ricos, os que são poderosos, os que são famosos e os que não são nada disso, mas eu estou entre todos. A Inveja surge pelo que não se tem e o que não se tem é a felicidade. A felicidade depende de amor e isso carece na humanidade. Por causa de mim, já houve muita destruição, mortes e sofrimento... Onde eu estou, também está a tristeza.
Enquanto os invasores se explicavam, um garoto, que aparentava ter cinco a seis anos, brincava pela casa. Sorridente e de aparência inocente, característica das crianças. A sua face de delicados traços mostravam a plenitude da jovialidade e os olhos vívidos e enigmáticos, parecia estar alheio aos acontecimentos, quando foi indagado pelo casal:
- E você, garoto, o que fazes junto a esses que parecem ser a personificação do mal?
O garoto respondeu com um sorriso largo e olhar profundo.
- Eu sou o Orgulho.
- Orgulho?! – exclamou o casal - Você é apenas uma criança, inocente como todas as outras.
O semblante do garoto tomou um ar de seriedade, que assustou o casal, e ele disse:
- O Orgulho é como uma criança mesmo, mostra-se inocente e inofensivo, mas não se enganem, sou tão destrutível quanto todos aqui, querem brincar comigo?
A Preguiça interrompeu a conversa e disse:
- Vocês devem escolher quem de nós sairá definitivamente de suas vidas. Queremos a resposta.
O casal respondeu:
- Por favor, deem 10 minutos para que possamos pensar.
O casal se dirigiu até o quarto onde dormem e lá fizeram várias considerações. Dez minutos depois retornaram.
- E então? - perguntou a Gula.
- Queremos que o Orgulho saia de nossas vidas.
O garoto olhou com um olhar fulminante para o casal, pois queria continuar ali. Mas, respeitando a decisão dirigiu-se para a saída.
Os outros iam acompanhado o garoto, quando o casal perguntou:
- Ei, vocês vão embora também?
O menino, agora com ar de severidade e com a voz forte de um orador disse:
- Vocês escolheram que o Orgulho saísse de vossas vidas. Fizeram a melhor escolha, pois onde não há Orgulho, não há Preguiça porque os preguiçosos são aqueles que se orgulham de nada fazer para viver, não percebendo que, na verdade, vegetam. Onde não há Orgulho, não há Luxúria, pois os luxuriosos tem orgulho de seus corpos e se julgam merecer possuir tantos corpos quantos lhe provir, não percebendo que são apenas objetos do instinto. Onde não há Orgulho, não há Cobiça, pois os cobiçosos tem orgulho das migalhas que possuem, juntando tesouros na terra e invejando a felicidade alheia, não percebendo que são instrumentos do dinheiro. Onde não há Orgulho, não há Gula, pois os gulosos se orgulham de sua condição e jamais admitem que o são; arrumam desculpas para justificar a gula e não percebem que são marionetes dos desejos. Onde não há Orgulho, não há Ira, pois os irosos se orgulham de não serem passíveis e jamais abaixam a cabeça diante de qualquer situação; são incapazes de permitir que a vida lhes proporcione lições de aprendizado e se revoltam com aqueles que eles julgam que não são perfeitos, não percebendo que a sua ira é resultado de suas próprias imperfeições. Onde não há Orgulho, não há Inveja, pois os invejosos sentem o orgulho ferido ao verem o sucesso alheio, seja ele qual for, e precisam constantemente superar os demais nas conquistas, não percebendo que, por isso mesmo, são meras ferramentas da insegurança e da falta de amor à vida. Adeus.
Todos saíram, sem olhar para trás...

segunda-feira, 27 de junho de 2016

EU QUERO SER UM CELULAR...

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
 
Oração de uma criança desconhecida:
- Papai do céu, Eu quero ser um celular, por causa dos meus pais. O Senhor precisa ver como eles têm paciência com ele, mesmo quando chegam em casa cansados do trabalho. Mas comigo, não. Vão logo dando bronca. Os olhinhos da minha mãe até brilham quando ela está olhando para o celular. É lindo de ver. Eu quero que ela olhe assim para mim também.  Quando estamos conversando e o celular toca, meu pai corta a nossa conversa no meio, mas nunca, nunca mesmo, ele para de olhar o celular para conversar comigo. Eles nunca têm tempo para brincar ou passear comigo, mas gastam horas vendo coisas no celular. Por favor, Papai do céu, me transforme num celular. Daí todo mundo vai ficar feliz aqui em casa. Muito obrigado. Amém!

domingo, 26 de junho de 2016

FUTEBOL BRASILEIRO COM "S"

Texto de Luiz Ferreira da Silva
ENGENHEIRO AGRÔNOMO E ESCRITOR

A seleção brasileira de futebol tem que retirar o “Z” e colocar o “S” de BRASIL. Ou seja, prestigiar os que aqui labutam em seus clubes. E vou tentar desenvolver esse mote.
Os jogadores que prestam serviços aos clubes estrangeiros têm uma vida nababesca e, logicamente, um compromisso profissional com seu patrão, colocando-o em primeiro lugar, dando todo o seu suor e sacrifício pelos bônus auferidos.
Dentro desta concepção, a sua Pátria, mesmo inconscientemente, é o seu time no país a que se aloca. A maioria deve assim pensar, o que não é errado e não merece condenação.
De repente são convocados para defender o Brasil, com “S”. Na cabeça deles, com “Z”. Até o Hino Nacional, que são obrigados a cantar, deve soar esquisito, especialmente aos que estão muitos anos fora, acostumados a ouvirem outros louvores patrióticos.
Primeiramente, a adaptação, seguida da preocupação com seu clube de origem, voltada a se preservar e evitar contusões, pois seu patrimônio não é aqui e, ademais, tem responsabilidade com seu patrão lá fora.
Há ainda a questão técnica. Arraigadas na sua cabeça as orientações de seu técnico, que, inclusive, deve lhe orientar sobre o seu compromisso de retornar são e salvo, defronta-se com outro “professor”, pedindo-lhe para jogar assim e assado e não amarelar. Em outras palavras, dar sangue, invocando a bobagem chamada “Pátria de Chuteiras”. E, agora, deve raciocinar: como proceder?
Vendo a seleção jogar, convenci-me dessa realidade ou indicativo dela. Basta se fixar em apenas dois jogadores, como exemplos - Neymar e Daniel Alves - e começar a raciocinar nessa evidência discutida. A Pátria deles se chama Barcelona. Que Brasil, que nada!
Com base nesse contexto, atrevo-me a esboçar uma ideia sobre a seleção que chamo de “Seleção Brasileira de Futebol com S”. A prioridade seria a prata da casa. Os jogadores que aqui suam com a inclusão paulatina de jovens promessas para irem adquirindo cancha. Este grupo se reuniria a cada 2 meses, dentro de um calendário estipulado pela CBF, para treinamento e conscientização profissional, incluindo um jogo em um Estado contra um combinado local. No esquema, estaria convites a seleções de fora e excursões internacionais, sobretudo África e Ásia.
Não seriam descartados totalmente os “estrangeiros”, sobretudo em eventos, importantes como as eliminatórias e a Copa do Mundo, mas com uma avaliação rigorosa no que se refere ao perfil de engajamento profissional. Haveria o inverso do atual selecionado, com o contingente, maiormente com “S”.
Muitos vão argumentar: não temos plantel; faltaria experiência internacional; não temos técnicos competentes, etc.
É muito comum, em países subdesenvolvidos, sobretudo quando estão em baixa, olharem para cima e verem monstros sagrados. No futebol, isso é uma máxima. Neste momento, os Europeus são os caras e, os técnicos deles, gênios.
Vamos imaginar ou sonhar como futebol brasileiro organizado, disciplinado e de cunho empresarial. Com pessoas qualificadas e honestas. Ao invés dessa atual cúpula, pessoas como Zico, Tostão, Raí, Cafu e outros no comando da CBF. Em tais condições, o Técnico teria carta aberta para poder desenvolver o seu trabalho, sem interferência dos famigerados empresários e midiáticos, podendo escolher a sua equipe e sem a neura da demissão intempestiva. E dessa forma, vários profissionais vão ser tão eficazes quanto aos Guardiolas da vida.
No tocante ao nível dos nossos jogadores nem se compara com os estrangeiros. Os alemães - coitados - têm que se lascarem chutando umas mil vezes para aprender a bater bem na bola. A gente, não, é só incutir o sentimento profissional com ênfase na disciplina e consciência do dever.
Vai levar um tempinho. Mas tem que se acabar com o imediatismo e ter projetos clarividentes, não havendo outro caminho que não o futebol-empresa com o consequente elevado índice profissional. É assim que acontece em outras atividades humanas e o futebol, como tem provado os Europeus, não foge dessa realidade.
Maceió. Al, 16 de junho de 2016.

sábado, 25 de junho de 2016

UM PROFESSOR QUE CONHECE OS SEUS ALUNOS

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Alguns professores de uma faculdade de engenharia foram convidados a fazer a viagem inaugural de um avião. Depois de sentarem, eles foram informados de que o avião havia sido construído por seus alunos. Todos eles levantaram e correram desesperadamente para fora do avião, levando, no peito, tudo que havia pela frente. Somente um velho professor permaneceu sereno e sentado em seu lugar.
Perguntaram a ele o motivo de tanta calma e ele respondeu:
- Se isso foi construído pelos meus alunos, ele não vai nem dar a partida...

sexta-feira, 24 de junho de 2016

PÃO COM MANTEIGA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
 
Conta a história que um casal tomava café da manhã no dia de suas bodas de prata.
 A mulher passou a manteiga na casca do pão e o entregou para o marido, ficando com o miolo. Ela pensou: “Sempre quis comer a melhor parte do pão, mas amo demais o meu marido e, por 25 anos, sempre lhe dei o miolo. Mas hoje quis satisfazer meu desejo. Acho justo que eu coma o miolo pelo menos uma vez na vida”.
Para sua surpresa, o rosto do marido abriu-se num sorriso sem fim e ele lhe disse:
- Muito obrigado por este presente, meu amor. Durante 25 anos, sempre desejei comer a casca do pão, mas como você sempre gostou tanto dela, jamais ousei pedir!
Moral da História:
Você precisa dizer claramente o que deseja, não espere que o outro adivinhe. Você pode pensar que está fazendo o melhor para o outro, mas o outro pode estar esperando outra coisa de você. Deixe-o falar, peça-o para falar e quando não entender, não traduza sozinho, peça que ele se explique melhor. As relações humanas seriam melhores se entendêssemos isto e se usássemos a comunicação de maneira correta.
 Pense nisso.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

SAUDADES DO SÃO JOÃO

Texto de Rubens Mário
PROFESSOR E ADMINISTRADOR DE EMPRESAS

Considero a festa de São João como a mais bonita e autêntica do nosso calendário cultural. Hoje, já bastante maltratada, sobrevive em meio aos maus costumes impostos pela feroz globalização. Até as pessoas mais velhas que viveram as memoráveis noites de São João, infelizmente, já se adaptaram a esse “estupro” cultural.
Lembro com bastantes saudades dos memoráveis dias da grande festa. Parece-me que naquela época, mormente, por ainda morarmos numa gostosa cidade provinciana, as pessoas assumiam com prazer as suas origens nordestinas, os seus sotaques, a sua música, e os seus costumes.
Quando chegava a véspera de São João, o dia já raiava com uma atmosfera diferente; as pessoas já acordavam extasiadas, se preparando para separar a madeira para construir as suas fogueiras; na verdade, todos tinham pedaços de madeira velha em seus quintais, afinal, a maioria das casas ainda era de taipa e as cobertas de caibros e ripas de madeira sem muita qualidade, daí os quintais de terra estarem sempre abastecidos com a principal matéria-prima do São João. A nossa casa na rua da união, em frente à praça da faculdade, tinha um imenso quintal onde durante anos guardávamos uma imensa quantidade de madeira, pois o nosso pai - Mário Costa - havia substituído a antiga casa de taipa por outra de alvenaria.
À tarde, como a nossa rua ainda era de terra, toda a vizinhança, geralmente as mulheres varriam as frentes das casas e os filhos se encarregavam de construir as belíssimas fogueiras; muitos fincavam bananeiras ou palhas de coqueiros ao lado das fogueiras, aos quais, chamávamos de mastros. No final dos trabalhos a rua ficava parecendo um imenso arraial. Nos sentíamos como se estivéssemos num lindo povoado do interior!
À noite, quando o nosso pai chegava da alfaiataria montado em sua bicicleta, corríamos para recebê-lo, pois, sabíamos que o bagageiro estava repleto de fogos – chuvinha, diabinho, espanta-coió, traque, estalo-bebé, vulcão, rodinha e, os ainda, inofensivos e lindos balões. Nesse momento, a nossa mãe já havia preparado a saborosa canjica de milho verde. Lembro das músicas do grande Luiz Gonzaga ecoando na “moderna” radiola, misturadas aos sons dos fogos de artifício. Os balões eram soltados mais tarde pelos mais velhos e enfeitavam o céu, sem qualquer ameaça à acidentes mais graves - naquela época as pessoas ainda tinham o costume de olhar para o céu. Recordo que, junto a dezenas de outros meninos, corria pelas ruas do Prado com espelhinhos nas mãos monitorando os balões quando notávamos que eles perdiam altura, e, muitas das vezes, íamos resgatá-los na lagoa, já no bairro do Vergel do lago, em frente ao saudoso bar caiçara. Quando conseguíamos trazê-los de volta comemorávamos como se fossem troféus. No final da noite, quando as fogueiras começavam a virar brasas, era chegada a hora de assar o milho verde.
Assim era a nossa grande festa! Inocente, sem violência, autêntica, pura, e sem invasões de “estrangeirismos”!
Hoje, para a nossa melancolia, “tá” tudo mudado! Mas, mesmo assim, em meio à indiferença da maioria dos vizinhos, na véspera de São João, ainda insisto em cultivar uma boa parte daquele maravilhoso ritual.
Viva o São João!

quarta-feira, 22 de junho de 2016

OS ASSAHINOS

Texto de Aloisio Guimarães

Estão assassinando vergonhosamente o Hino Nacional Brasileiro e ninguém faz nada!
Para criar um clima de patriotismo nos brasileiros, virou lei, em quase todos os estados, a execução do Hino Nacional antes dos eventos esportivos. A intenção é boa, mas, no fundo, foi uma ideia copiada dos americanos...
Como não poderia deixar de ser, para o brasileiro, o principal evento esportivo é o futebol. E, como o que não falta é jogo de futebol no Brasil, quase todos os dias testemunhamos, pela televisão, "uma mutilação do Hino Nacional", que está sendo tocado e cantado pela metade, porque estão eliminando a segunda parte do nosso hino! Sob qual alegação estão tomando esta atitude nada patriótica?
- Porque o Hino Nacional é comprido demais e esfria a preparação física dos atletas?
Seria o fim da picada! Que revoguem a lei, mas não façam isto ao nosso hino.
- Porque é o Hino comprido demais e toma grande parte do precioso tempo de televisão?
Seria uma desculpa estúpida! Quantas bobagens existem nos programas de televisão e que nada acrescentam à cultura do nosso povo!
Não existe desculpa...
E, para piorar o que já é ruim, alguns "artistas", convidados para cantar o nosso hino durante um evento mais concorrido, além de desafinarem feio, estão dando a sua própria "interpretação" à música do Hino Nacional e, com isto, descaracterizando-a assustadoramente. Tudo isto sem falar que, enquanto o hino está sendo tocado (“assassinado”), as torcidas organizadas dos times de futebol entoam canções pornográficas e muitos “patriotas” ficam sentados, com seus bonés da cabeça, conversando, rindo...
Recentemente estive em São Paulo e fui assistir um jogo entre Palmeiras e Fluminense, válido pelo “brasileirão”. O que vi e ouvi me deixou estarrecido: a torcida do Palmeira aproveita a música do nosso hino e muda a sua letra para apenas “Palmeira, meu Palmeiras, meu Palmeiras...”, durante toda a execução, prejudicando aqueles que desejam realmente cantar o hino. Um verdadeiro desrespeito à pátria!
A continuar assim, num futuro bem próximo, o povo brasileiro vai desconhecer por completo um dos símbolos maiores da sua Nação.
A propósito, existirá Nação sem um Hino?
É dar tempo ao tempo!

terça-feira, 21 de junho de 2016

DÚVIDAS

Texto de Aloisio Guimarães

· ALTA VOLTAGEM
De passagem no corredor da empresa, não pude deixar de ouvir um trecho da conversa entre duas amigas, sobre certo colega de trabalho, tipo “machão”:
- Estou decepcionada, amiga...
- Por quê?
- Saímos ontem e descobri que ele é chegado a um fio terra!
Depois que ouvi isso, fiquei encucado...
- Será que o cara fez algum curso para eletricista e não me disse nada?
· CRISE EXISTENCIAL
Por que será que um amigo meu anda sempre resmungando Shakespeare, em voz baixa:
- Ser ou não ser: eis a questão!
Será que ele é?!
· O CONVITE
A turma fala demais. Agora anda comentando que a mulher do meu vizinho é uma tremenda de uma “galinha” e que ele “é conformado”...
Ontem o cara me convidou para ir almoçar na casa dele, no domingo. Eu respondi que não sabia se ia ou não porque não queria incomodar, logo agora, neste momento de crise. Então ele me respondeu:
- Que nada, cara, onde come um, come dois, come três...
Será que devo ir?
· TIO
Sempre que alguém mais jovem me chama de “tio”, uma dúvida invade meus pensamentos:
- Será que o meu irmão anda comendo a mãe dele e eu não sei?
· FIM DO MISTÉRIO
Acabo de chegar à empresa e dou de cara com aquele colega solteirão, que nunca foi visto com mulher, que tem modos delicados e mesmo sendo homem detesta futebol, conversando com uma amiga colega de trabalho.
Embora a galera toda diz que ele "é", eu nunca acreditei. Mas, ao passar por eles, ouvi o cara comentar com a garota:
- Menina, hoje eu não perco o jogo de jeito nenhum! Vai ser pau a pau!
Será mesmo?
· PROGRAMA FAVORITO
Tenho um colega de trabalho, solteirão, que todo mundo questiona o fato dele não ter namorada. Na quarta-feira, ao passar por sua sala, ouvi claramente o convite que ele fez a um office-boy:
- Menino, eu comprei uma televisão de plasma, de última geração e vou dar uma festinha para inaugurar, você está convidado!
- Quando é? - perguntou o garotão.
- Domingo à noite, na hora do Programa Sílvio Santos. Adoro aquela parte do Roletrando...
Êpa, será o Benedito?!
· DÚVIDA CRUEL
O mundo está pegando fogo e aquele garotão, todo bombado, que mora no meu prédio diz que não sente "nenhum pingo" de calor.
- Será que é por isso mesmo que sempre disseram que ele é "fresco"?
· BATE-BOLA
Enquanto o Brasil não está jogando nada, a turma do prédio que moro anda comentando que a minha vizinha do 803 "bate um bolão"!
- Será que devo convidá-la para uma pelada?
· O JORNALISTA
Dizem que o sonho de todo jornalista “é dar aquele furo”? Tenho um amigo, metido a machão, que é jornalista.
- Será que ele já deu um furo?

segunda-feira, 20 de junho de 2016

O MANUAL DA TRAIÇÃO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Tenha sempre boas desculpas, previamente armadas.
Evite motéis. Encontre um lugar para vocês: o apartamento de um amigo ou alugue um.
Use o tempo a seu favor: encontros durante o horário expediente caem sempre bem, mas evite encontros durante o almoço e no final do dia.
Apague todas as suas pistas.
Não tenha secretária, mas se tiver e for sua amante, pague-a muito bem.
Conheça como agem os detetives e tenha cuidado com eles.
Camisas brancas são atraídas por batons vermelhos e perfumes tendem a se prender e ficarem mais fortes no seu colarinho. Tenha sempre uma camisa reserva.
Evite ter a conta bancária conjunta com a patroa e muito cuidado com as faturas do cartão de crédito.
Tenha sangue frio. Escapar de um flagra pode ser impossível, mas manter a calma pode fazer diferença na hora da reconciliação.
Se for pego, se faça de vítima, usando sempre frases como: "Você me negou atenção nos meus momentos mais difíceis", "Eu estava sufocado pelos seus ciúmes", "Minha vida vai acabar se você não me perdoar''...
Se for pego no flagra, mantenha a calma e o sangue frio, respire fundo e finja que não está entendendo nada. Assim, você ganha tempo para pensar numa desculpa rapidamente.
Lembre-se: a cara de pau ainda é melhor do que soltar a já manjada frase: "Não é o que você está pensando".
Tenha sempre um amigo, de confiança, para usar como desculpa, Não sinta remorso, afinal elas também usavam a desculpa de dormir na casa das amigas quando queriam fugir das cobranças.
Mesmo que você não jogue bola, não falte às peladas com os amigos nas noites de quarta-feira.
Muito importante: nunca chame a sua mulher por um único apelido carinhoso; varie sempre: “mô”, “bem”, “minha nêga”, “coração”, “anjinho”, “paixão”... Vai ser muito útil, se um dia fosse trocar as bolas.
Cuidado como o seu celular: nunca dê bobeira e se, possível, tenha um chip exclusivo só para a sua amante e uma bateria descarregada, para usar como desculpa de ligação não atendida...

Por fim, reze para que a "patroa" não descubras essas artimanhas e tenha muito cuidado com a sua testa porque "o pau que bate em Chico, também bate em Francisco"...