quarta-feira, 30 de novembro de 2016

ARROGÂNCIA E IGNORÂNCIA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Um jovem muito arrogante, que estava assistindo a um jogo de futebol, tomou para si a responsabilidade de explicar a um senhor já maduro, próximo dele, porque era impossível a alguém da velha geração entender esta geração.
- Vocês cresceram em um mundo diferente, um mundo quase primitivo! - o estudante disse alto e claro de modo que todos em volta pudessem ouvi-lo - Nós, os jovens de hoje, crescemos com internet, telefone celular, televisão digital, aviões a jato, viagens espaciais, homens caminhando na Lua, nossas espaçonaves tendo visitado Marte. Nós temos energia nuclear, carros movidos à eletricidade e a hidrogênio, computadores com grande capacidade de processamento e...
Fez uma pausa para tomar outro gole de cerveja.
O senhor se aproveitou do intervalo do gole para interromper a liturgia do estudante em sua ladainha e disse:
- Você está certo, filho. Nós não tivemos essas coisas quando éramos jovens porque estávamos ocupados em inventá-las. E você, um bostinha arrogante dos dias de hoje, o que está fazendo para a próxima geração?
Foi aplaudido de pé!

terça-feira, 29 de novembro de 2016

PLEONASMITE

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
                       ENVIADO POR JOÃO VIEIRA - PORTUGAL

Todos os portugueses (ou quase todos) sofrem de pleonasmite, uma doença congênita para a qual não se conhecem nem vacinas e nem antibióticos. Não tem cura, mas também não mata. Mas, quando não é controlada, chateia (e bastante) quem convive com o paciente.
O sintoma desta doença é a verbalização de pleonasmos (ou redundâncias) que, com o objetivo de reforçar uma ideia, acabam por lhe conferir um sentido quase sempre patético. Definição confusa? Aqui vão quatro exemplos óbvios: “Subir para cima”, “descer para baixo”, “entrar para dentro” e “sair para fora”.
Já se reconhece como paciente de pleonasmite? Ou ainda está em fase de negação? Olhe que há muita gente que leva uma vida a pleonasmar sem se aperceber que pleonasma a toda a hora. Vai dizer-me que nunca “recordou o passado”? Ou que nunca está atento aos “pequenos detalhes”? E que nunca partiu uma laranja em “metades iguais”? Ou que nunca deu os “sentidos pêsames” à “viúva do falecido”?
Atenção que o que estou a dizer não é apenas a minha “opinião pessoal”. Baseio-me em “fatos reais” para lhe dar este “aviso prévio” de que esta “doença má” atinge “a todos sem exceção”.
O contágio da pleonasmite ocorre em qualquer lado. Na rua, há lojas que o aliciam com “ofertas gratuitas”. Agências de viagens que anunciam férias em “cidades do mundo”. No local de trabalho, o seu chefe pede-lhe um “acabamento final” naquele projeto, tudo para evitar “surpresas inesperadas” por parte do cliente. 
E quando tem uma discussão mais acesa com a sua cara-metade, diga lá que às vezes não tem vontade de “gritar alto”: “Cala a boca!”? O que vale é que depois fazem as pazes e vão ao cinema ver aquele filme que “estréia pela primeira vez” em Portugal.
E se pensa que por estar fechado em casa ficará a salvo da pleonasmite, tenho más notícias para si, porque a televisão é, de “certeza absoluta”, a “principal protagonista” da propagação deste vírus.
Logo à noite, experimente ligar o telejornal e “verá com os seus próprios olhos” a pleonasmite em direto no pequeno ecrã. Um jornalista vai dizer que a floresta “arde em chamas”. Um treinador de futebol queixar-se-á dos “elos de ligação” entre a defesa e o ataque. Um governante dirá que gere bem o “erário público”. Um ministro anunciará o reforço das “relações bilaterais entre dois países”. E qualquer “político da nação” vai pedir um “consenso geral” para sairmos juntos desta crise.
E por falar em crise, quer apostar que a próxima manifestação vai juntar uma “multidão de pessoas”?
Ao contrário de outras doenças, a pleonasmite não causa “dores desconfortáveis” nem “hemorragias de sangue”. E por isso podemos “viver a vida” com um “sorriso nos lábios”. Porque um Angolano a pleonasmar, está nas suas sete quintas ou, em termos mais técnicos, no seu “habitat natural”.
Mas como lhe disse no início, o descontrolo da pleonasmite pode ser chato para os que o rodeiam e nocivo para a sua reputação. Os outros podem vê-lo como um redundante que só diz banalidades. Por isso, tente cortar aqui e ali um e outro pleonasmo. Vai ver que não custa nada. E “já agora” siga o meu conselho: não “adie para depois” e comece ainda hoje a “encarar de frente” a pleonasmite!
Ou então esqueça este texto, porque, afinal de contas, eu posso estar só “maluco da cabeça”.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

OS DOIS MARIDOS

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

O escritor Jorge Amado tem em “Dona Flor e seus dois maridos” um dos seus maiores sucesso. E não é que fato quase semelhante aconteceu em Kisimani, no Quênia, onde Sylvester Mwendwa e Elijah Kimani, de comum acordo, se casaram, na delegacia, com a mesma mulher, cujo nome não foi divulgado!

Os dois homens concordaram com a nova situação depois que descobriram que a mulher que eles amavam, e que não podiam viver sem ela, se relacionava com os dois, ao mesmo tempo, há mais de quatro anos.

Na delegacia, antes de ser firmado o acordo, o policial deu a oportunidade à mulher de escolher um dos dois namorados como marido, mas ele declarou que amava os dois e que não poderia viver sem nenhum deles.

No acordo assinado, eles estão obrigados a cuidar das crianças que a esposa tenha, dividir as despesas da casa e terão que pagar, aos pais da mulher, "o preço da esposa".

"Acordamos que a partir de hoje não faremos ameaças ou teremos ciúme de nossa esposa, que diz não estar pronta para largar nenhum dos dois. Concordamos em amar uns aos outros e viver pacificamente. Ninguém foi forçado a fazer esse acordo", diz um trecho do documento.

Para que este tipo de união seja legal, terão que provar que a "poliandria" (casamento de uma mulher com vários maridos) faz parte de seus costumes, o que, até hoje, não se tem notícia de que alguma comunidade africana a pratique.

domingo, 27 de novembro de 2016

A CAUSA É PÉTREA

Texto de Rubens Mário
  PROFESSOR E ADMINISTRADOR DE EMPRESAS

O Brasil vivencia uma das suas piores crises, econômica, financeira, e, sobretudo, moral. Até os estados mais poderosos fincados em regiões privilegiadas - sul e sudeste - Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, estão em situação de falência. Essa semana o governo gaúcho já decretou estado de calamidade financeira. Naquele rincão, que, em épocas passadas cogitou até se separar do resto do país, os salários dos servidores públicos são pagos parcelados, e, os criminosos pobres, algemados em lixeiras no meio da rua, por falta de espaço nas delegacias.  No Rio, a situação é ainda mais grave. Os servidores também estão com salários atrasados, e, dois recentes governadores foram presos por desfalques milionários. Um deles - Sérgio Cabral - está sendo acusado de roubos do dinheiro público, calculados em mais de 200 milhões de reais.  O outro - Garotinho - foi acusado de praticar, crime eleitoral (compra de votos), peculato, e lavagem de dinheiro. Em 2010, a Justiça Federal já o havia condenado a 2 anos de prisão por formação de quadrilha, ficando proibido de exercer cargos públicos e mandato eletivo. Mas, porém, todavia, contudo, o mesmo, “para variar, foi privilegiado com a reversão da pena, em serviços comunitários. Ainda para variar, como a decisão foi proferida em 1ª instância, ele ficou livre para candidatar-se naquele mesmo ano, e, pasmem! Se eleger à câmara federal, com uma votação recorde! Pasmem, mais uma vez! Três anos depois, agora, junto com a sua esposa e comparsa, Rosinha Garotinho, foi novamente denunciado, dessa vez, pelo, então, Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, por suspeita de desviarem R$650.000,00 do estado do Rio de Janeiro.
Tomando como exemplos, apenas os casos envolvendo os três personagens da “cidade maravilhosa”, vejam quantos absurdos envolvidos! Essas aberrações judiciais e sociais, nos dão uma pequena amostra das aviltantes gêneses dessa incoerente crise econômica e financeira que agride a sociedade brasileira. Vamos raciocinar! Primeiro, como poderia ser permitido a um elemento com tantas acusações, e, até, uma condenação, se candidatar à cargos públicos tão importantes? Depois, como a população de um estado que tanto já nos chacoteou em caso semelhante, elege, de forma contundente, um casal de marginais? Nesse episódio, à exemplo de centenas de outros pelo país afora, há algo muito delicado a ser apurado, rigorosamente, pela nossa sociedade organizada! Alguma coisa está, grosseiramente, errada em nossa democracia! Ou, o povo, contrastando as apurações e decisões judiciais, não acredita na nossa justiça, ou, está contaminado pelo vírus da roubalheira e da safadeza! Prefiro acrescentar uma outra opção - a troca da educação básica por favores eleitorais! Não adianta construir pontes mirabolantes, se os rios estão mortos! Visitem os cursos de medicina nas nossas universidades e vejam quantos negros e pobres estão lá! Inclusive, nativos!
Os outros estados da federação, mormente, os das regiões norte e nordeste, também padecem do mesmo mal. O nosso estado, digo, a nossa população, também é vítima e ré inconscientes, dessa terrível epidemia. Por isso, hoje, também, continuamos asfixiados, com inúmeros corruptos processados exercendo altos cargos públicos, com um comércio descontinuado, escolas públicas apenas de portas abertas, o tráfico governando as comunidades mais pauperizadas, e, a violência banalizada, em todos os seus níveis e vertentes, e com todas as suas derivações.
Como consertar tudo isso? Voltar atrás é impossível! O pior é que, os privilégios são pétreos! A pobreza é pétrea! O desvalor da educação básica é pétreo! A corrupção é pétrea! Os poderosos de cada região são pétreos! A PEC 241, também vai ser pétrea! Já os nossos direitos! Serão sempre débeis, inconsistentes e parciais.

sábado, 26 de novembro de 2016

EM FOGO BRANDO

Texto de Myrthes Mazza Masiero


Enquanto escolho os feijões,
Sem querer faço alusões:
Um grão ... dois... e enfim,
Não sobra tempo pra mim! 

Corro pra lavar o arroz,
Deixo a mágoa pra depois.
Enquanto lavo as verduras,
Me frito em conjeturas... 

Enquanto escorro os legumes
Vou ruminando os queixumes
Enquanto tempero a carne
Sinto ligar meu alarme... 

Enquanto destrincho o frango,
Fervo a raiva em fogo brando
Enquanto aqueço a gordura,
Unto as minhas queimaduras. 

Enquanto o fogo se mantém,
Santo Deus! Sou uma refém...
Enquanto misturo os molhos
Cascas de sonho, recolho. 

Enquanto a salada esfria
Asso a vida em banho-maria
Na hora de pôr a mesa
É que refogo a tristeza 

Mas quando sirvo o cozido...
Ah! Nem tudo está perdido!
 

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

CEIA DE NATAL

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Uma semana antes do natal a mãe liga para a casa da filha e do filho que moravam em Nova York e, com uma voz muito triste, ela desabafa:
- Filha, eu lamento estragar o seu natal, mas já não aguento mais. O seu pai está insuportável. Eu vou me separar dele, antes que ocorra algo de mais grave entre nós.
- Mãe, como assim se divorciar?! Vocês estão casados há cinqüenta anos! Você e o papai são o casal mais feliz que eu conheço. A semana passada eu liguei para a senhora e a senhora disse que estava tudo bem. O que aconteceu mãe?
- Filha, eu lamento... Eu não queria lhe incomodar com isso, mas já não suporto mais. Avise o seu irmão. Amanhã eu vou pegar as minhas coisas e vou para a casa da sua tia Alice.
- Mãe! Não faça nenhuma loucura! Eu e o meu irmão estamos indo para aí imediatamente. Antes de a gente chegar, não tome nenhuma atitude da qual a senhora venha a se arrepender. Vamos conversar em família. Tenho certeza que tudo ficará bem, ok?
- Certo, filha, vou esperar por vocês...
Ambas desligaram os telefones.
A mulher vira-se para o lado e diz:
- Meu velho, deu certo! As crianças vão estar aqui para a nossa ceia de Natal.
 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

NÃO É À TOA...

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
 
Não é à toa que a palavra “CORAÇÃO” tem uma “ORAÇÃO” dentro dela, pois toda oração deve ter origem no coração, e não na razão/intelecto.
Não é à toa que a palavra ”CALMA” tem uma “ALMA” dentro dela. Toda alma precisa de paz verdadeira em Cristo para permanecer tranquila.
Não é à toa que o verbo “AMAR”, tem um “MAR” inteiro dentro dele, pois o amor é imenso e profundo como o mar.
E também o “EU” precisa estar dentro de “DEUS” para encontrar-se e completar a si mesmo.
CONCLUSÃO:
É na “Oração” de “Coração” que a “Alma” acha a “Calma” e é inundada por um “Mar” de amor divino; e onde o “Eu” se submete a “Deus”!

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

AH, SE EU FOSSE PAPAI NOEL

Texto de Ivan Jubert Guimarães

Às vezes eu gostaria de ser Papai Noel e carregar no saco somente coisas boas e bonitas. Eu gostaria de encher meu saco com esperança, com honestidade, carregá-lo com um monte de felicidade, de sorrisos e religiosidade. 
Mas não sou Papai Noel, embora esteja com o saco cheio de tanta malandragem, de tantos desmandos, muita corrupção e de demonstração de luxo em um país que ainda passa fome.
Ao invés de honestidade, meu saco está transbordando de políticos desonestos, verdadeiros ladrões inescrupulosos.
Pelos noticiários, principalmente da televisão, vejo todos os dias muitos assassinatos cometidos de forma cruel que nem parecem coisas praticadas por seres humanos. Uma violência descabida influenciada pela impunidade que predomina no Brasil. Leis arcaicas feitas por um legislativo interessado mais em proteger-se dos crimes por ele praticados.
No meu saco não tem mais famílias reunidas todas as noites nas mesas das salas de jantar. As famílias de hoje em dia são um agrupamento de pessoas que moram juntas, mas vivem separadas, cada uma preocupada com seus próprios interesses.
As pessoas não conversam mais, elas digitam e talvez as crianças que nascerem daqui por diante, não terão mais as presenças dos pais ensinando-as a dizerem papai ou mamãe.
Ah se eu fosse Papai Noel, mas como não sou me vejo obrigado a carregar o saco e não distribuir nada para ninguém, quem sabe assim essas coisas que enchem o meu saco acabem no lixo, mas terei que torcer para que ninguém vá colhê-las nos lixões. Como se poderia reciclar a malandragem, a corrupção, os assaltos e assassinatos? Isso só criaria novos bandidos.
Eu não sei a solução, aliás, isso não é uma prerrogativa de nosso país. O mundo inteiro está do lado do avesso com os homens fazendo de tudo para manterem ou conquistarem o poder. E o que é o poder? Será que é escravizar os povos do mundo que morrem de fome, são decapitados por diferenças de crenças, ou ainda pelo desejo de aumentar suas fortunas? Isso é poder?
Há muitos anos eu escrevi que gostaria de ter todos os poderes do mundo só para acabar com os poderosos. Pensava assim em minha juventude, mas com o tempo a gente se aperfeiçoa e hoje eu sei que poderia fazer todas essas coisas que os homens fazem, confesso que muitas vezes sinto vontade de fazer justiça com minhas próprias mãos. Eu poderia, sei que poderia. Mas tem uma coisa que me segura: o meu próprio poder. Sim, porque mesmo podendo eu não faço porque não quero e na hora de exercer meu poder, eu me abstenho e ao abster-me eu tenho poder duas vezes. De fazer e de não querer fazer.
As previsões não são boas para os dias que virão. Tudo isso está se aproximando do fim, é só lembrarmos o que Cristo nos disse que muitos serão chamados e poucos os escolhidos. A hora chegou!
Se eu fosse Papai Noel eu traria o saco cheio de esperança para todos, eu restauraria a união familiar, eu atenderia aos pedidos daqueles que desejam políticos honestos, e um mundo bem melhor.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

POEMA EM LINHA RETA

Texto de Fernando Pessoa

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. 

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, 

Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes na vida… 

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ò príncipes, meus irmãos, 

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo? 

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? 

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

SOU UM PROFESSOR...

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Sou um professor que pensa...
...pensa em sair correndo toda vez que é convocado para uma reunião, que certamente o responsabilizará mais uma vez, pelo insucesso do aluno.
Sou um professor que luta...
...luta dentro da sala de aula, com os alunos, para que eles não matem uns aos outros. Que luta contra seus próprios princípios de educação, ética e moral.
Sou um professor que compreende...
...compreende que não vale a pena lutar contra as regras do sistema, ele é sempre o lado mais forte.
Sou um professor que critica...
... critica a si mesmo por estar fazendo o papel de vários outros profissionais como: psicólogo, médico, assistente social, mas não consegue fazer o próprio papel que é o de ensinar.
Sou um professor paciente...
...que tem esperança, e espera que a qualquer momento chegue um "estranho" que nunca entrou em uma sala de aula, impondo o modo de ensinar e avaliar.
Sou um professor que sonha...
... sonha com um aluno interessado... sonha com pais responsáveis... sonha com um salário melhor, um mundo melhor.
Enfim, sou um professor que representa...
...representa a classe mais desprestigiada e discriminada, e que é incentivada a trabalhar só pelo amor à profissão. Representa um palhaço para os alunos. Representa o fantoche nas mãos do sistema, concordando com as falsas metodologias de ensino.

domingo, 20 de novembro de 2016

VIDA APÓS O PARTO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
 
No ventre de uma mãe havia dois bebês. Um perguntou ao outro:
- Você acredita em vida após o parto?
O outro respondeu:
- É claro. Tem que haver algo após o parto. Talvez nós estejamos aqui para nos preparar para o que virá mais tarde.
- Bobagem - disse o primeiro - que tipo de vida seria essa?
O segundo disse:
- Eu não sei, mas haverá mais luz do que aqui. Talvez nós poderemos andar com as nossas próprias pernas e comer com nossas bocas. Talvez teremos outros sentidos que não podemos entender agora.
O primeiro retrucou:
- Isto é um absurdo. O cordão umbilical nos fornece nutrição e tudo o mais de que precisamos. O cordão umbilical é muito curto. A vida após o parto está fora de cogitação.
O segundo insistiu:
- Bem, eu acho que há alguma coisa e talvez seja diferente do que é aqui. Talvez a gente não vá mais precisar deste tubo físico.
O primeiro contestou:
- Bobagem... E, além disso, se há realmente vida após o parto, então, por que ninguém jamais voltou de lá?
- Bem, eu não sei, mas certamente vamos encontrar a mamãe e ela vai cuidar de nós... -  disse o segundo.
O primeiro respondeu:
- Mamãe?! Você realmente acredita em Mamãe?! Isto é ridículo! Se a Mamãe existe, então, onde ela está agora?
O segundo afirmou:
- Ela está ao nosso redor. Estamos cercados por ela. Nós somos dela. É nela que vivemos. Sem ela, este mundo não seria e não poderia existir.
Disse o primeiro:
- Bem, eu não posso vê-la, então, é lógico que ela não existe.
Ao que o segundo respondeu:
- Às vezes, quando você está em silêncio, se você se concentrar e realmente ouvir, você poderá perceber a presença dela e ouvir sua voz amorosa.
Este foi o modo pelo qual um escritor húngaro explicou a existência de Deus.

sábado, 19 de novembro de 2016

SE MELHORAR, ESTRAGA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

João é o tipo do cara que você gostaria de conhecer. Ele estava sempre de bom humor e sempre tinha algo de positivo para dizer. Se alguém lhe perguntasse como ele estava, a resposta seria logo:
- Se melhorar, estraga...
Ele era um gerente especial em um restaurante, pois seus garçons o seguiam de restaurante em restaurante apenas pelas suas atitudes. Ele era um motivador nato. Se um colaborador estava tendo um dia ruim, João estava sempre dizendo como ver o lado positivo da situação. Fiquei tão curioso com seu estilo de vida, que um dia lhe perguntei:
- Você não pode ser uma pessoa positiva todo o tempo. Como faz isso?
 Ele me respondeu:
- A cada manhã, ao acordar, digo para mim mesmo: João, você tem duas escolhas hoje. Pode ficar de bom humor ou de mau humor. Eu escolho ficar de bom humor. Cada vez que algo ruim acontece, posso escolher bancar a vítima ou aprender alguma coisa com o ocorrido. Eu escolho aprender algo. Toda vez que alguém reclamar, posso escolher aceitar a reclamação ou mostrar o lado positivo da vida.
- Certo, mas não é fácil - argumentei.
- É fácil sim - disse-me João - a vida é feita de escolhas. Quando você examina a fundo, toda situação sempre oferece escolha. Você escolhe como reagir às situações. Você escolhe como as pessoas afetarão o seu humor. É sua a escolha de como viver sua vida.
Eu pensei sobre o que o João disse e sempre lembrava dele, quando fazia uma escolha. Anos mais tarde, soube que João cometera um erro, deixando a porta de serviço aberta pela manhã. Foi rendido por assaltantes. Dominado, enquanto tentava abrir o cofre, sua mão tremendo pelo nervosismo, desfez a combinação do segredo. Os ladrões entraram em pânico e atiraram nele. Por sorte foi encontrado a tempo de ser socorrido e levado para um hospital. Depois de 18 horas de cirurgia e semanas de tratamento intensivo, teve alta ainda com fragmentos de balas alojadas em seu corpo. Encontrei João mais ou menos por acaso. Quando lhe perguntei como estava, respondeu:
- Se melhorar, estraga...
Contou-me o que havia acontecido, perguntando:
- Quer ver minhas cicatrizes?
Recusei ver os seus ferimentos, mas perguntei-lhe o que havia passado em sua mente na ocasião do assalto.
- A primeira coisa que pensei foi que deveria ter trancado a porta de trás, respondeu. Então, deitado no chão, ensanguentado, lembrei que tinha duas escolhas: poderia viver ou morrer. Escolhi viver.
- Você não estava com medo? .
- Os paramédicos foram ótimos. Eles me diziam que tudo ia dar certo e que ia ficar bom. Mas quando entrei na sala de emergência e vi a expressão dos médicos e enfermeiras, fiquei apavorado. Em seus lábios eu lia: "Esse aí já era". Decidi então que tinha que fazer algo.
- O que fez? .
- Bem. Havia uma enfermeira que fazia muitas perguntas. Perguntou-me se eu era alérgico a alguma coisa. Eu respondi: "sim". Todos pararam para ouvir a minha resposta. Tomei fôlego e gritei: "Sou alérgico a balas!" Entre risadas lhes disse: "Eu estou escolhendo viver, operem-me como um ser vivo, não como morto”.
João sobreviveu graças à persistência dos médicos, mas também graças à sua atitude. Aprendi que todo dia temos opção de viver plenamente. Afinal de contas, atitude é tudo.
Agora você tem duas opções: ler esta mensagem e guardá-la em alguma pasta ou transmiti-la aos seus amigos para que possam tirar conclusões e repassá-la a outras pessoas. Eu particularmente escolhi lhe enviar no dia de hoje!
Tenha sempre um João no seu coração e Deus em sua vida!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O HOMEM,O CAVALO E O CÃO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Um homem, o seu cavalo e o seu cão iam por um caminho. Quando passavam perto de uma árvore enorme, caiu um raio e os três morreram fulminados. Mas o homem não se deu conta de que já tinha abandonado este mundo, e prosseguiu o seu caminho com os seus dois animais (às vezes os mortos andam certo tempo antes de tomarem consciência da sua nova condição…). O caminho era muito comprido e, colina acima, o sol estava muito intenso; eles estavam suados e sedentos.
Numa curva do caminho viram um magnífico portal de mármore, que conduzia a uma praça pavimentada com portais de ouro. O caminhante dirigiu-se ao homem que guardava a entrada e travou com ele, o seguinte diálogo:
- Bons dias.
- Bons dias - respondeu o guardião.
- Como se chama este lugar tão bonito?
- Aqui é o Céu.
- Que bom, termos chegado ao Céu, porque estamos sedentos!
E o guardião apontou a fonte:
- Você pode entrar e beber quanta água queira.
- Mas o meu cavalo e o meu cão também têm sede...
- Sinto muito - disse o guardião - mas aqui não é permitida a entrada de animais.
O homem levantou-se com grande desgosto, visto que tinha muitíssima sede, mas não pensava em beber sozinho. Agradeceu ao guardião e seguiu adiante.
Depois de caminhar um bom pedaço de tempo encosta acima, já exaustos, os três chegaram a outro sítio, cuja entrada estava assinalada por uma porta velha que dava para um caminho de terra ladeado por árvores...
À sombra de uma das árvores estava deitado um homem, com a cabeça tapada por um chapéu. Dormia, provavelmente.
- Bons dias - disse o caminhante.
O homem respondeu com um aceno.
- Temos muita sede, o meu cavalo, o meu cão e eu.
- Há uma fonte no meio daquelas rochas - disse o homem apontando o lugar - podeis beber toda a água que quiserdes.
O homem, o cavalo e o cão foram até à fonte e mataram a sua sede. O caminhante voltou atrás, para agradecer ao homem.
- Podeis voltar sempre que quiserdes - respondeu este.
- A propósito, como se chama este lugar? - perguntou o caminhante.
- Céu.
- O Céu? Mas, o guardião do portão de mármore disse-me que ali é que era o Céu!
- Ali não é o Céu, é o Inferno... - contradisse o guardião.
O caminhante ficou perplexo.
- Deverias proibir que utilizem o vosso nome! Essa informação falsa deve provocar grandes confusões! - advertiu o caminhante.
- De modo nenhum! - respondeu o guardião - Na realidade, fazem-nos um grande favor, porque ficam ali todos os que são capazes de abandonar os seus melhores amigos…