sábado, 17 de dezembro de 2016

MONÓLOGO DE NATAL

Texto de Aldemar Paiva

Eu não gosto de você, Papai Noel!
Também não gosto desse seu papel de vender ilusões à burguesia. Se os garotos humildes da cidade soubessem do seu ódio à humildade, jogavam pedra nessa fantasia.
Você talvez nem se recorde mais... Cresci depressa, me tornei rapaz, sem esquecer, no entanto, o que passou:
Fiz-lhe um bilhete, pedindo um presente e a noite inteira eu esperei, contente, chegou o sol e você não chegou.
Dias depois, meu pobre pai, cansado, trouxe um trenzinho feio, empoeirado, que me entregou com certa excitação. Fechou os olhos e balbuciou:
- É pra você, Papai Noel mandou...
E se esquivou, contendo a emoção.
Alegre e inocente nesse caso, eu pensei que meu bilhete com atraso, chegara às suas mãos, no fim do mês.
Limpei o trem, dei corda, ele partiu dando muitas voltas...
Meu pai me sorriu e me abraçou pela última vez. O resto eu só pude compreender quando cresci e comecei a ver todas as coisas com realidade. Meu pai chegou um dia e disse, a seco:
- Onde é que está aquele seu brinquedo? Eu vou trocar por outro, na cidade...
Dei-lhe o trenzinho, quase a soluçar e, como quem não quer abandonar um mimo que nos deu, quem nos quer bem, disse medroso:
- O senhor vai trocar ele? Eu não quero outro brinquedo, eu quero aquele. E por favor, não vá levar meu trem.
Meu pai calou-se e pelo rosto veio descendo um pranto que, eu ainda creio, tanto e tão santo, só Jesus chorou! Bateu a porta com muito ruído, mamãe gritou; ele não deu ouvidos, saiu correndo e nunca mais voltou.
Você, Papai Noel, me transformou num homem que a infância arruinou. Sem pai e sem brinquedos. Afinal, dos seus presentes, não há um que sobre para a riqueza do menino pobre que sonha o ano inteiro com o Natal.
Meu pobre pai doente, mal vestido, para não me ver assim desiludido, comprou por qualquer preço uma ilusão e, num gesto nobre, humano e decisivo, foi longe pra trazer-me um lenitivo, roubando o trem do filho do patrão.
Pensei que viajara, no entanto, depois de grande, minha mãe, em prantos, contou-me que fôra preso. E, como réu, ninguém a absolvê-lo se atrevia. Foi definhando, até que Deus, um dia, entrou na cela e o libertou pro céu. 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

A ORIGEM DE PAPAI NOEL

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Véspera de Natal, quase meia noite...
O garotinho acorda e vai para o quarto dos seus pais. Quando entra, se depara com o vizinho deles, um coroa barbudo, transando com a sua mãe. Ao ver a cena, o garoto começou a gritar:
- O papai, não é! O papai, não é! O papai, não é!
Refeito do susto, o "Vovô-Ricardão" imediatamente veste a sua roupa (vermelha, claro) e, para calar a boca do guri, lhe dá um presente que tinha comprado para o filho dele.
Desse dia em diante, todas as vezes que era véspera de Natal, o garotinho, na esperança de ganhar novo presente, corria para a casa do vizinho e começava a gritar:
- O papai, não é! O papai, não é! O papai, não é!
Ao ouvir os gritos da criança, o velhote saía de dentro de casa e mais uma vez dava um "cala-boca" ao pestinha!
Vendo o que acontecia de bom com o garoto, seus amiguinhos passaram a imitá-lo!
E assim, no mundo todo, “Papai, não é” virou “Papai Noel”, sinônimo de velhinho que dá presentes.
Ah, antes que esqueça... 
- EU NÃO SEI ONDE FICA A CASA DE PAPAI NOEL!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

O MURO DAS LAMENTAÇÕES

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
Dizem que uma jornalista da CNN ouviu falar de um judeu muito velhinho que todos os dias, duas vezes por dia, ia fazer as suas orações ao Muro das Lamentações e decidiu entrevistá-lo.
Certo dia, pôs-se ao pé do Muro à espera e passado um bocado lá apareceu ele a andar com dificuldade, em direção ao sítio onde costumava rezar. Esperou uns 45 minutos que o velhinho acabasse de rezar e quando ele voltava, vagarosamente, apoiado na sua bengala, aproximou-se para a entrevista.
- Desculpe, eu chamo-me Rebecca Smith, sou repórter da CNN e gostaria de entrevistá-lo. Como é que se chama?
- Morris Feldman.
- Senhor Feldman, há quanto tempo vem ao Muro rezar?
- Há uns sessenta anos.
- Sessenta anos! Isso é incrível! E o que é que o senhor pede nas suas orações?
- Peço que os cristãos, os judeus e os muçulmanos vivam em paz. Peço que todas as guerras e todo o ódio terminem. Peço que as crianças cresçam em segurança e se tornem adultos responsáveis. Peço amor entre os homens.
- E faz isso há sessenta anos, todos os dias! Como é que o senhor se sente?
- Sinto-me como se estivesse a falar para uma parede... 
PENSE NISSO!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

DESDE DO TEMPO DA MONARQUIA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
 
Numa noite escura do mês de dezembro, nos tempos da monarquia, o Rei veio à varanda do seu iluminado palácio e reparou que a cidade estava escura como breu.
Chamou o seu Primeiro-ministro e ordenou-lhe:
- Antes do Natal quero ver a cidade toda iluminada. Toma lá 500 moedas e trata já de resolver o problema.
O primeiro-ministro chamou o Presidente da Câmara e ordenou-lhe:
- O nosso Rei quer a cidade toda iluminada ainda antes do Natal. Toma lá 250 moedas e trata imediatamente de resolver o problema.
O Presidente da Câmara chama o Chefe da Polícia e diz-lhe:
- O nosso Rei ordenou que puséssemos a cidade toda iluminada para o Natal. Toma lá 100 moedas e trata imediatamente de resolver o problema.
O Chefe da Polícia emite um edital a dizer:
- Por ordem do Rei em todas as ruas e em todas as casas deve imediatamente ser colocada iluminação de Natal.  Quem não cumprir esta ordem será enforcado.
Uns dias depois o Rei veio à varanda e, ao ver a cidade profusamente iluminada, exclamou:
- Que lindo! Abençoado dinheiro que gastei. Valeu a pena!

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

CADA MACACO NO SEU GALHO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
Um mecânico está desmontando o cabeçote de uma moto, quando ele vê na oficina um cirurgião cardiologista muito conhecido.
Como o renomado médico estava curioso, olhando ele trabalhar, o mecânico diz:
- Ei, doutor, posso lhe fazer uma pergunta?
O cirurgião, um tanto surpreso, concorda e vai até a moto na qual o mecânico está trabalhando.
O mecânico se levanta e começa:
- Doutor, olhe este motor... Eu abro seu coração, tiro válvulas e conserto-as, ponho-as de volta e fecho novamente e, quando eu terminei, ele volta a trabalhar como se fosse novo. Como é então que eu ganho tão pouco e o senhor muito, se o nosso trabalho é praticamente o mesmo? 
O cirurgião dá um sorriso, se inclina e fala baixinho ao mecânico:
- Tente fazer isso com o motor funcionando...
PENSE NISSO! 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

MENINO NÃO MENTE...

Texto de Aloisio Guimarães

Dizem as más língua que o meu amigo Sávio Máximo tem mais medo de viajar de avião do que menino tinha do bicho-papão. E ainda vão mais longe: afirmam que sua esposa, Dra. Lourdes, tem mais medo do que ele! O medo é tanto que enfrentavam dias, viajando de carro, arriscando a vida, para visitar a filha, Dra. Francisca, no tempo em que ela fazia residência médica em Belo Horizonte.
Pois bem, de tanto ouvirem gracejos dos amigos e parentes sobre o medo dos dois, eles resolveram “tomar um chá de coragem” e decidiram que iriam às Minas Gerais, mas de avião, desse no que desse!
Bilhetes comprados, chegou o dia do embarque...
Logo no aeroporto, Sávio começou a “molhar as palavras”, para criar coragem e enfrentar o “asa dura”, sendo repreendido pela patroa:
- Não é possível que você vai querer entrar no avião bêbado?
O Sávio, não perdeu a esportiva e disparou?
- Ôxente! E por acaso é eu que “vai dirigindo”?!
Se olhar fulminante matasse, ele tinha morrido!
Devidamente acomodados, o avião levanta voo...
Lá para as tanta, no maior silêncio a bordo, num momento de turbulência, um medroso garotinho começou a chorar e a berrar:
- Pai! Pai! Esse avião vai cair! Esse avião vai cair!
O Sávio olhou para Dra. Lourdes e, novamente metido a engraçadinho, sussurrou:
- Menino não mente...
Quase apanha!
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POST SCRIPTUM

Hoje, passados alguns anos, eles tomaram mais uma dose de “chá de coragem” - desta vez, uma dose cavalar - e enfrentaram uma maratona de 18 horas de voo até Seattle (EUA), onde estão curtindo a netinha recém-nascida, filha do Dr. Lauro Ivo, que trabalha e mora na cidade.
Como a temperatura em Seattle, desde a chegada deles à cidade, já bateu os - 4ºC, os dois devem estar “congelando” até o tutano.

O que não fazemos pelos filhos e netos...

domingo, 11 de dezembro de 2016

INSTRUÇÕES

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES 

Um dia pedi a Deus instruções para viver na terra…
Deus encostou a sua boca ao meu ouvido e disse:
- Seja como o sol: levante-se cedo e não se deite tarde; seja como a lua: brilhe na obscuridade, porém submeta-se à luz principal; sê como os pássaros: coma, beba, cante e voe; seja como as flores: enamoradas pelo sol, porém fiéis às suas raízes; seja obediente e fiel ao teu Deus mais que os animais de estimação o são a seus donos; seja como a fruta: bela por fora e saborosa por dentro; seja como o dia, que chega e parte, sem querer dar nas vistas; seja como o oásis: dê a tua água ao sedento; seja como o vagalume: mesmo pequeno, emite luz própria; seja como a água: boa e transparente; seja como o rio: caminha e dá caminho e, acima de tudo, seja como o céu: a morada de Deus.

sábado, 10 de dezembro de 2016

O DEZEMBRO QUE ME HABITA

Texto de Carlito Lima

Dezembro, férias de verão, as festas natalinas faziam a alegria da moçada. Praça Sinimbu, Praça da Faculdade (Afrânio Jorge). Armavam-se roda gigante, barquinhos, tiro ao alvo, um palco para folguedos natalinos rolando por toda noite. As mocinhas desfilavam na calçada em torno da praça, os jovens de blusa gola roulê, encostados nos carros paqueravam as meninas que vinham e que passavam num doce balanço a caminho do nada. Um forte alto-falante anunciava produtos patrocinadores e enviava recado a CR$ 2,00 (dois cruzeiros), num som gutural o locutor enfático: “Alô, alô, Aninha Amorim, você é a garota que mais brilha nessa festa; assinado, você já sabe!”, "Alô, alô menina do vestido de bolinha azul, estou lhe esperando atrás da Igreja às nove horas."
Época dos flertes, namoros bem comportados no portão de casa, festas de clubes ou casas, descobrindo o prazer de dançar. Música suave, blues e jazz americanos e de baião. Logo depois, arrebentou o rock. Ainda menino, aprendi os passos de Elvis Presley.
Na festa de rua, construía-se a Nau Catarineta, navio de barro (taipa) no centro da praça, especialmente para dançar a Chegança, folguedo proveniente da Península Ibérica, auto de tema marinho contando as dificuldades da vida marítima, as tempestades, o contrabando, as brigas entre marujos e entre cristãos e mouros. Alguns personagens marcantes: o Almirante, o Padre e o Cozinheiro.
Manoel, pintor de parede, todo ano fazia o papel do Almirante na Chegança. A partir do dia 6 de dezembro até terminar a Festa de Rua na Praça Afrânio Jorge, dia de Reis, 6 de janeiro, ele saía à rua fardado de Almirante de Chegança, só tirava a farda para dormir e trabalhar, assim mesmo porque tinha receio de sujar com tinta sua belíssima farda. À noite quem quisesse encontrá-lo era só aparecer no Cabaré da Railda, estava Manoel, Almirante, fardado junto à rapariga Joaninha Boca de Fole, seu xodó.
No palco dos folguedos, toda noite havia a maior atração, o Pastoril, dança folclórica natalina formada por duas colunas de pastoras, cordão azul e cordão encarnado. As duas torcidas vibravam na platéia, maior competição. No final da Festa, era declarado o cordão campeão quem vendesse mais votos.
As pastoras, com fantasias singelas, saias bem rodadas, entravam cantando a primeira jornada: “Boa noite, meus senhores todos... Boa noite, senhoras também... Somos pastoras, pastorinhas belas... que alegremente vamos a Belém...” Mestra, a primeira pastora do encarnado; contra-mestra, a do azul; entre as duas, Diana, fantasiada de azul e encarnado: “Sou a Diana... Não tenho partido... O meu partido são os dois cordões...
Menino meio danadinho, na puberdade, nos intervalos entre as jornadas eu chamava em cena uma pastora, alguma bonitinha, com os peitos mais acentuados. Ela entrava dançando ao som da música. No palco, eu colocava a cédula com alfinete, como quem prega uma medalha, descuidadamente, roçava o seio da pastora com a palma da mão, ela corava. Eu gritava de emoção: “Viva o cordão encarnado!”, descia feliz da vida, excitado, sentindo o seio em minha mão.
Existe uma enorme diversidade de folguedos natalinos em Alagoas. O professor, pesquisador Théo Brandão, catalogou 36 tipos de grupos folclóricos. Guerreiro, Reisado, Boi, Coco de roda, Baiana, Taieira, Nega da Costa, Pagode, Fandango, Maracatu, entre outros.
Por tudo isso, dezembro me encanta, alguns acham o natal triste, ao contrário, meu natal cada ano fica mais alegre. No mês de dezembro minha casa é decorada com um tema folclórico, inclusive a árvore de natal. Esse ano, é do Reisado, auto popular, formado por grupos de brincantes fantasiados, músicos, cantores que vão de porta em porta, anunciar a chegada do Messias, homenagear os três Reis Magos e fazer louvação aos donos das casas onde dançam, em troca de bebida e comida.
Tornou-se tradicional o café em minha casa na manhã do 24 de dezembro oferecido aos parentes e alguns amigos. Início 7:00 h, término por volta das 14:00 h. Café nordestino com muita poesia, música, depoimentos, orações, ano passado dançamos o pastoril, a alegria reina nos abraços, beijos, gentilezas, sem troca de presente. Meu natal é o dezembro que me habita.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

A BIBLIA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES 

Um jovem, sedento de afirmação espiritual, procurou um renomado padre e o interrogou:
- Poderias ensinar-me toda a Bíblia, durante o tempo em que eu possa equilibrar-me de pé, num só pé? 
- Impossível... - respondeu-lhe o filósofo religiosos.
- Então, de nada me serve a tua doutrina - retrucou o moço.
Em seguida, procurou um famoso mestre, propondo-lhe a mesma indagação.
O mestre, acostumado à sistemática da lógica e da argumentação, sendo um profundo conhecedor das angústias humanas, ordenou:
- Fica na posição...
- Pronto... - respondeu o moço, ficando de pé, em apenas uma das pernas.
Então, o mestre sentenciou:
- Ama! 
- Só isso?! E o resto que existe na Bíblia? - Inquiriu, apressadamente.
- Basta o Amor, todo o restante da Bíblia é somente para explicar isso - concluiu o mestre.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A ESCURIDÃO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Numa sufocante tarde de verão, um velhinho desceu até um porão fresco, em busca de algum refrigerante para matar a sede.
No momento em que abriu a porta para entrar no ambiente, a escuridão o impediu de enxergar.
- Não se preocupe - disse outro homem que já estava no porão - é natural que, quando você sai da claridade para a escuridão, fique impossibilitado de enxergar. Mas daqui a pouco, seus olhos vão se acostumar a ela e você mal perceberá que está no escuro.
Então o idoso, virando-se para sair dali, respondeu:
- Meu caro amigo, é exatamente disso que tenho medo!
Moral da História:
A escuridão é escuridão; o perigo é você se convencer que ela é luz!
 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

SUPORTE TÉCNICO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Prezado Técnico,
Há um ano e meio troquei o programa Noiva 1.0 pelo Esposa 1.0 e verifiquei que o programa gerou um aplicativo inesperado chamado Bebê.exe, que ocupa muito espaço no HD. Por outro lado, o Esposa 1.0 se autoinstala em todos os outros programas e é carregado automaticamente no momento em que eu abro qualquer aplicativo. Aplicativos como CervejaComATurma 3.0, NoiteDeFarra 2.5 ou DomingoDeFutebol 2.8, não funcionam mais e o sistema trava assim que eu tento carregá-los novamente. Além disso, de tempos em tempos, um executável oculto (vírus), chamado Sogra 1.0 aparece, encerrando abruptamente a execução de qualquer comando. Não consigo desinstalar este programa. Também não consigo diminuir o espaço ocupado pelo Esposa 1.0, quando estou rodando meus aplicativos preferidos, do tipo Playboy 8.0 e FilmePornô 4.5, isso sem falar que o programa Sexo 5.1 sumiu do HD. Eu gostaria de voltar ao programa que eu usava antes, o Noiva 1.0, mas o comando Uninstall.exe não funciona adequadamente. Uma vez que não desinstala o arquivo PensãoAlimentícia.dll, arquivo caro demais. Poderia ajudar-me? Por favor!
Ass.: Usuário Arrependido

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Prezado Usuário,
Sua queixa é muito comum entre os usuários, mas é devido, na maioria das vezes, a um erro básico de conceito: muitos usuários migram de qualquer versão do Noiva 1.0 para Esposa 1.0 com a falsa ideia de que se trata de um aplicativo de entretenimento e utilitário. Entretanto, o Esposa 1.0 é muito mais do que isso: é um sistema operacional completo, criado para controlar todo o seu sistema. É quase impossível desinstalar Esposa 1.0 e voltar para a versão anterior, o Noiva 1.0, porque há aplicativos criados pelo Esposa 1.0, como o Filhos.dll, que não podem ser deletados, ocupam muito espaço e não rodam sem o Esposa 1.0. É impossível desinstalar, deletar ou esvaziar os arquivos destes programas depois de instalados. Você não poderá mais voltar ao Noiva 1.0 porque Esposa 1.0 não foi programado para isso. Alguns usuários tentaram formatar todo o sistema para em seguida instalar a Noiva Plus ou o Esposa 2.0, mas passaram a ter mais problemas do que antes, porque não tiveram o cuidado de ler as instruções sobres os problemas do arquivos PensãoAlimentícia.dll e GuardaDasCrianças.exe quando da desinstalação do software Casamento 1.0. Uma das melhores soluções é o comando Desculpar.exe/flores/all assim que aparecer o menor problema ou se travar o programa. Evite o uso excessivo da tecla ESC (escapar). Para melhorar a rentabilidade do Esposa 1.0, aconselho o uso de Flores 5.1, FériasNoCaribe 3.2 ou Joias 3.3. Os resultados são bem interessantes. Mas nunca instale SecretáriaDeMinissaia 1.0, AntigaNamorada 2.1 ou TurmaDoChopp 4.6, pois eles não funcionam depois de ter sido instalado o Esposa 1.0 e podem causar problemas irreparáveis ao sistema. Com relação ao programa Sexo 5.1, esqueça: esse roda quando quer. Se você tivesse procurado o suporte técnico antes de instalar o Esposa 1.0 a orientação seria: nunca instale o  ESPOSA 1.0 sem ter a certeza de que é capaz de usá-lo!
Ass.: Técnico

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

LE DIABLE ROUGE

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Diálogo de quase 400 anos, da peça teatral "Le Diable Rouge", de Antoine Rault, entre os personagens Colbert e Mazarino, durante o reinado de Luís XIV, século XVIII que, apesar do tempo decorrido, é bem atual. Atentem principalmente ao último trecho:
Colbert:
- Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não  é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço.
Mazarino:
- Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas e não consegue honrá-las, vai parar na prisão. Mas o Estado é diferente! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se. Todos os Estados o fazem!
Colbert:
- Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criamos todos os impostos imagináveis?
Mazarino:
- Criando outros.
Colbert:
- Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
Mazarino:
- Sim, é impossível.
Colbert:
- E sobre os ricos?
Mazarino:
- E os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta, faz viver centenas de pobres.
Colbert:
- Então, como faremos?
Mazarino:
- Colbert! Tu pensas como um queijo, um penico de doente! Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer. É sobre essas que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos. Formam um reservatório inesgotável: É a classe média!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

LIMITES

Texto de Mônica Monastério

Somos as primeiras gerações de pais decididos a não repetir com os filhos os erros dos nossos progenitores.
E, com o esforço de abolirmos os abusos do passado, somos os pais mais dedicados e compreensivos, mas, por outro lado, os mais bobos e inseguros que já houve na história.
O grave é que estamos lidando com crianças mais “espertas” do que nós, ousadas e mais “poderosas” do que nunca!
Parece que, em nossa tentativa de sermos os pais que queríamos ser, passamos de um extremo ao outro. Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais e a primeira geração de pais que obedecem a seus filhos. Os últimos que tivemos medo dos pais e os primeiros que tememos os filhos. Os últimos que cresceram sob o mando dos pais e os primeiros que vivem sob o jugo dos filhos. E, o que é pior: os últimos que respeitamos nossos pais e os primeiros que aceitamos que nossos filhos nos faltem com o respeito.
À medida que o permissível substituiu o autoritarismo, os termos das relações familiares mudaram de forma radical, para o bem e para o mal. Com efeito: antes, se considerava um "bom pai", aquele cujos filhos se comportavam bem, obedeciam às suas ordens, e o tratava com o devido respeito; e "bons filhos", às crianças que eram formais e veneravam seus pais.
Mas à medida que as fronteiras hierárquicas entre nós e nossos filhos foram se desvanecendo; hoje, os "bons pais" são aqueles que conseguem que seus filhos os amem, ainda que pouco os respeite. E são os filhos, quem agora, esperam respeito de seus pais, pretendendo de tal maneira que respeitem suas ideias, seus gostos, suas preferências e sua forma de agir e viver. E que, além disso, que patrocinem no que necessitarem para tal fim. Quer dizer: os papéis se inverteram; agora são os pais que têm que agradar a seus filhos para “ganhá-los” e não o inverso, como no passado. Isto explica o esforço que fazem tanto, pais e mães, para serem os melhores amigos e “darem tudo” aos seus filhos.
Dizem que os extremos se atraem... Se o autoritarismo do passado encheu os filhos de medo de seus pais, a debilidade do presente os preenche de medo e menosprezo ao nos verem tão débeis e perdidos como eles.
Os filhos precisam perceber que, durante a infância, estamos à frente de suas vidas, como líderes capazes de sujeitá-los, quando não os podemos contê-los, e guiá-los, enquanto não sabem para onde vão. É assim que evitaremos que as novas gerações se afoguem no descontrole e tédio no qual está afundando uma sociedade, que parece ir à deriva, sem parâmetros nem destino.
Se o autoritarismo suplanta, o permissível sufoca. Apenas uma atitude firme, respeitosa, lhes permitirá confiar em nossa idoneidade para governar suas vidas enquanto forem menores, porque vamos à frente, liderando-os, e não atrás, carregando-os e rendidos às suas vontades.
Os limites abrigam o indivíduo, com amor ilimitado e profundo respeito.

domingo, 4 de dezembro de 2016

UFC NO CAMPO SANTO

Texto de Carlito Lima

Naquela manhã, dia de finados, Norminha tirou o carro da garage, distraída, pensava no marido e como foi traída. Pela primeira vez retornava ao cemitério desde os acontecimentos no enterro, afinal passaram 18 anos juntos. Fernandinha, a filha de 14 anos, perguntou se ia encontrar a Adélia, filha do pai com a outra mulher.
- Deus me livre, nunca mais em minha vida quero ver aquela desgraçada, vadia, sirigaita, enfeitiçou o finado seu pai, ainda fez essa filha. É sua irmã, por parte de pai, apenas. Não quero e você está proibida de fazer amizade com essa moça.
Mal sabia Norminha, as duas estudavam em colégios do CEPA, são amigas desde que descobriram serem meio irmãs, filhas do Peixotinho, funcionário exemplar da Rede Ferroviária. Norminha rumou para ao cemitério, Fernanda ao lado, calada, a mãe em devaneios.
Fernando Lyra Peixoto, ainda jovem, conseguiu um emprego na Rede Ferroviária com um deputado amigo da família, assíduo e trabalhador, todos os chefes gostavam daquele servidor, gentil. Sempre arranjavam uma maneira de uma função gratificada. Peixotinho não reclamava o salário de funcionário, tinha outra viração, emprestar dinheiro, um pequeno agiota, controlado, morava com a mãe viúva. Adolescente descobriu uma das coisas mais importante em sua vida, sexo e mulher. Carinha de santo, sonso que só o cão, uma lábia de encantar mulheres, vivia atrás das empregadas na vizinhança, os amigos o apelidaram maldosamente, Rei das Peniqueiras. Guardou seu dinheirinho ganho na repartição, tinha casa, comida e roupa lavada. Por acaso investiu na agiotagem, um amigo desesperado pediu-lhe emprestado, pagou-lhe com juro de 10%, Peixotinho gostou, tornou-se agiota, investia também em apartamentos pequenos, o aluguel aumentava sua renda. Solteiro, gostava mesmo de uma garota de programa, teve poucas namoradas. Certo dia percebeu, os amigos de infância estavam casados. Aos 30 anos resolveu se casar, namorou e casou-se com Norminha, três anos depois apareceu sua filha, Fernandinha. Homem sério, todos admiravam, Norminha não cansava de se orgulhar, pelo Peixotinho botava a mão no fogo.
Certo dia amanheceu com a garganta inflamada, ao tomar algumas injeções na farmácia, conheceu a enfermeira, Ana, bonita morena, mãe solteira, vivia com o filho e o pai no bairro do Jacintinho. Trabalhava muito em hospital e dava plantão em farmácias fazendo curativos, aplicando injeções para sustentar a casa. Peixotinho empolgado com a sensualidade da jovem, retornou à farmácia paquerando abertamente Aninha. Sua insistência e lábia conseguiram levá-la a um motel. A partir daí teve encontros semanais com a carinhosa enfermeira, preenchendo parte de sua vida amorosa. Aninha engravidou quase ao mesmo tempo que Norminha, as duas filhas nasceram com diferença de um mês. Ana não fazia questão em ser a "outra", afinal Peixoto ajudava muito, até cedeu um de seus apartamentos para moradia de Ana, o pai e os filhos. Peixoto conseguiu guardar esse segredo durante 15 anos. Certa manhã, na repartição, sentado, de repente veio-lhe suor frio, dor aguda no peito, a dor aumentou, caiu a cabeça para frente no birô, infarto fulminante. Morreu feito um passarinho.
Dia seguinte, no enterro Norminha, percebeu uma morena junto à filha adolescente, as duas chorando no caixão, quis saber quem eram aquelas intrusas. Everaldo, amigo, confidente de Peixotinho, contou-lhe a verdade. Norminha partiu desesperada, puxou Aninha e a filha do caixão, chamando-a de vadia, deu tapa na cara, alguns amigos intervieram botando paz no enterro. Depois de alguns meses, as duas, encontraram-se em audiência, brigando pela herança de Peixotinho. O "come quieto" deixou onze apartamentos pequenos.
Naquele dia de finado finalmente Norminha chegou ao Campo Santo, uma orquestra tocava as Bachianas de Villa Lobos enchendo o ambiente de saudades.  Cemitério lotado, Norminha e Fernandinha dirigiram-se ao túmulo de Peixotinho, ao ver, ao longe, Aninha e filha ajoelhadas colocando flores no túmulo do marido, a viúva partiu em disparada, na velocidade que vinha rodou a bolsa na cara da "outra", atordoada, levou murro na cara, ao cair revidou puxando o cabelo de Norminha. Atracaram-se no chão xingando-se mutuamente de vadia e puta. Ninguém teve coragem de apartar a briga, as duas rolaram, puxaram cabelo, deram tapas, jogaram areia, por mais de cinco minutos. Precisou dois policiais para terminar a briga. Perante o Delegado as duas tiveram que explicar para não ser enquadradas em perturbação da ordem pública. Uma coisa ficou clara, o UFM do Campo Santo ainda terá mais rounds.  

sábado, 3 de dezembro de 2016

O FÓSFORO E A VELA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Certo dia, o fósforo disse para a vela:
- Hoje te acenderei...
- Ah, não! - disse a vela - Você não percebe que se me acender, meus dias estarão contados? Não faça uma maldade dessa...
- Então você quer permanecer toda a sua vida assim? Dura, fria e sem nunca ter brilhado? - perguntou o fósforo.
– Mas tem que me queimar? Isso dói demais e consome todas as minhas forças -murmurou a vela.
Então respondeu o fósforo:
- Tem toda razão! Mas essa é a nossa missão. Você e eu fomos feitos para ser luz. O que eu, apenas como fósforo, posso fazer, é muito pouco. Minha chama é pequena e curta. Mas, se passo a minha chama para ti, cumprirei com o sentido de minha vida. Eu fui feito justamente para isso: para começar o fogo. Já você é a vela. Sua missão é brilhar. Toda tua dor e energia se transformará em luz e calor por um bom tempo.
Ouvindo isso, a vela olhou para o fósforo, que já estava no final da sua chama, e disse:
- Por favor, acende-me...
E assim produziu uma linda chama.
Assim como a vela, às vezes, é necessário passar por experiências ruins, experimentar a dor e sofrimento para que o melhor que temos seja oferecido e que possamos ser luz. É verdade é que mar calmo não faz bons navegadores. Os melhores são revelados nas águas agitadas. Então, se tiver que passar pela experiência da vela, lembre-se que espalhar o Amor é o combustível que nos mantém acesos. Se você não tem forças para ser luz, busque em Jesus o Sol da Justiça fonte inesgotável de luz!
Você é a Luz do mundo; brilhe e irradie essa Luz.