terça-feira, 31 de janeiro de 2017

HAJA CONFEITO!

Texto de Aloisio Guimarães

Esse causo aconteceu na década de 70 - século passado, com o meu cunhado Jorge Borges, quando ele era gerente da agência do hoje extinto Banco do Estado de Alagoas - PRODUBAN, na cidade de Arapiraca, a mais progressista cidade do nosso estado.
Vamos a ele:
Nos anos 70, morava em Arapiraca um cidadão de nome Alonso de Abreu. Dono de uma voz alta e inconfundível, “seu” Alonso era um homem de bem, um sujeito prestativo, um político com “P” maiúsculo, fazendo da política a arte “de servir” e não a de “se servir”. Pela sua conduta bonachão e prestativa, ele era um homem conhecido e querido pela população arapiraquense. Ninguém, em Alagoas, é capaz de apontar um desvio de conduta de “seu” Alonso, por menor que seja.
Em que pese a seu prestígio político, “seu” Alonso era um homem de classe média, de poucos recursos.
Certo dias, precisando pagar algumas dívidas, já vencidas, o "seu" Alonso se dirigiu à agência do banco, com o intuito de tirar um empréstimo...
Após analisar a Ficha Cadastral de Alonso de Abreu, o Jorge, dentro das limitações impostas pelo cadastro bancário  e meio sem graça, falou:
- "Seu" Alonso, analisando o seu cadastro, só dá para o banco lhe emprestar dez mil cruzados (moeda da época). É o máximo que posso fazer...
Ouvindo a resposta do banco, por meio do meu cunhado, o velho Alonso, ferido no seu prestígio, gritou, para que todos dentro do banco ouvissem:
- Jorge, dez mil cruzados é o que meu filho Jarbas chupa de bombons por mês!
Dito isto, saiu, de cabeça erguida e nunca mais voltou ao banco...
Talvez, se “seu” Alonso fosse um político corrupto ou o meu cunhado um gerente trambiqueiro, tivesse ele conseguido um empréstimo vultoso a ser pago em modestas prestações mensais.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

PLANEJAMENTO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Um dia um garoto de 14 anos entra num bordel, arrastando um gato morto por um barbante...
Ele coloca uma nota de R$ 50 no balcão e diz:
- Quero uma mulher!
A cafetina, olhando para ele, responde:
- Você não acha que é um pouco jovem para isso?
Ele coloca uma segunda nota de R$ 50 no balcão e repete:
- Quero uma mulher!
- Não está certo, você é uma criança... - responde ela.
Ele põe outra nota de R$ 50:
- Posso sim! Mas tenho uma exigência: ela tem que ter gonorreia!
A cafetina pergunta por quê. O garoto deixa mais uma nota de R$ 50 e repete:
- Ela tem que ter gonorreia!
A cafetina não aceita a proposta do garoto e o manda embora. Mas, antes dele sair, ela pergunta:
- Mas por que você queria alguém com gonorreia?
O garoto, então, respondeu:
- Quando eu voltar para casa, vou transar com a babá; quando o papai voltar para casa, vai levar a babá para casa dela e vai transar com ela; quando ele voltar para casa, vai transar com a mamãe e, amanhã de manhã, depois que o papai sair para o trabalho, a mamãe vai transar com o leiteiro... O leiteiro é o filho da puta que atropelou meu gato!
Isso é Planejamento! Você já entendeu agora o que é Planejamento?
- Planejamento é aquilo que fode com todo mundo para se atingir um objetivo

domingo, 29 de janeiro de 2017

PSICOTERAPIA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES 

Dr. Antônio Roberto,
Peguei meu carro e saí pra trabalhar, deixando meu marido em casa vendo televisão, como sempre. Rodei pouco mais de 1 km quando o motor morreu e o carro parou. Voltei pra casa, para pedir ajuda ao meu marido. Quando cheguei, nem pude acreditar, ele estava no quarto, com a filha da vizinha!
Eu tenho 32 anos, meu marido 34, e a garota 22. Estamos casados há 10 anos, ele confessou que estavam tendo um caso há 6 meses. Eu o amo muito e estou desesperada. 
Você pode me ajudar?
Antecipadamente grata, 
Patrícia
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Cara Patrícia,
Quando um carro para depois de ter percorrido uma pequena distância, isso pode ocorrer devido a uma série de fatores. Comece por verificar se tem gasolina no tanque. Depois veja se o filtro de gasolina não está entupido. Verifique também se tem algum problema com a injeção eletrônica. Se nada disso resolver o problema, pode ser que a própria bomba de gasolina esteja com defeito, não proporcionando quantidade ou pressão suficiente nos injetores. A pessoa ideal para ajudá-la seria um mecânico. Você jamais deveria voltar em casa para chamar seu marido. Ele não é mecânico. Assuma seu erro! Não repita mais isso.
Espero ter ajudado, 
Dr. Antônio Roberto.

sábado, 28 de janeiro de 2017

SEMPRE HÁ UM MAL MAIOR DO QUE O SEU...

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Um homem rico ao olhar através de sua janela e viu um homem pobre, que escolhe algo de seu caixote de lixo, disse “Agradeço a Deus que eu não sou pobre”.
O homem pobre olhou ao redor e viu um homem nu se comportar mal na rua. Ele disse “Graças a Deus eu não estou louco”.
O louco olhou para frente e viu uma ambulância carregando um paciente, e disse “Graças a Deus não estou doente”.
Então uma pessoa doente, no hospital, viu um carrinho levando um corpo morto para o necrotério. Ele disse “Graças a Deus eu não estou morto”.
Só uma pessoa morta não pode agradecer a Deus. Por que você não agradece a Deus, hoje, por todas as suas bênçãos e pelo dom da vida, por outro belo dia?
E o que é a vida? Para entender a vida melhor, você tem que ir a três locais: um Hospital, uma Prisão e a um Cemitério.
No Hospital, você vai entender que nada é mais bonito do que a SAÚDE.
Na Prisão, você verá que a LIBERDADE é a coisa mais preciosa.
No Cemitério, você vai perceber que a vida não vale nada. O chão que nós caminhamos hoje será nosso telhado amanhã.
Uma triste verdade: todos viemos com NADA e iremos com NADA. Vamos, portanto, permanecer humildes e ser gratos e agradecidos a Deus, em todos os momentos, por tudo.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

CONHEÇA A SUA CLIENTELA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

O vendedor de Aspirador de Pó bate à porta de uma casa, num vilarejo bem distante da cidade. Sem esperar resposta, avisa:
- Ô, de casa?! Estou entrando...
Em seguida, o homem entra na casa e joga grande quantidade de esterco de cavalo no tapete da sala.
A dona da casa, apavorada, pergunta:
- O senhor está maluco? O que pensa que está fazendo em meu tapete?
O vendedor, não deixando a mulher falar mais nada, responde:
- Boa tarde! Eu estou oferecendo meu produto e provo para a senhora que nossos aspiradores são os melhores e os mais eficientes do mercado, tanto que eu estou agora fazendo um desafio: Se eu não limpar esses estercos em seu tapete, prometo que irei comê-los!
Ouvindo isso, a mulher, sem falar nada, começa a se dirigir para a cozinha.
Curioso, o vendedor perguntou:
- A senhora vai aonde? Não queres ver a eficiência do meu produto?
Então, a mulher responde:
- Quero sim! Apenas vou pegar uma colher, sal, pimenta, um guardanapo de papel e uma cachaça para o senhor abrir o apetite, pois aqui em casa não tem energia elétrica para ligar a sua máquina! 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

CONTO DA CAROCHINHA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES 

O Príncipe Encantado encontra-se com a Branca de Neve e pergunta-lhe:
- Quer casar comigo?
- Claro, Majestade! - responde a amiguinha dos Sete Anões.
Então, o Príncipe Encantado tira o seu "membro" para fora e pergunta-lhe:
- Você sabe o que é isto?
- Seu belo pênis, meu Príncipe!
Desolado, o Príncipe Encantado retruca:
- Vou embora... Preciso de uma mulher inocente...
O Príncipe Encantado vai então à casa da Gata Borralheira e pergunta-lhe:
- Quer casar comigo?
- Claro que sim! - responde a bela enteada.
O Príncipe Encantado faz a mesma coisa feita com Branca de Neve, mostrando-lhe o membro:
- Você sabe o que é isto?
- Seu viril pênis, meu Príncipe!
- Vou embora... Exijo uma mulher casta para minha esposa!
Então, o Príncipe Encantado encontra com Chapeuzinho Vermelho (uma bela moçoila, recém-saído da adolescência) e pergunta-lhe:
- Quer casar comigo?
- Claro, Alteza.
O Príncipe Encantado repete o ritual e pergunta-lhe, tirando o pênis para fora:
- O que é isso que trago aqui?
- Isso aí é uma "minhoquinha", meu Príncipe - responde ela.
E assim, maravilhado com a cândida inocente Chapeuzinho Vermelho, o Príncipe Encantado casa-se com ela. Na noite de núpcias, o Príncipe procura ensinar para Chapeuzinho Vermelho:
- Isto que trago aqui não é uma "minhoquinha"; é um pênis, meu amor...
Ao que ela retruca:
- Não, meu belo e amado Príncipe, isso é uma "minhoquinha" mesmo, porque só pode ser chamado de pênis "aquilo" que o Lobo Mau tem!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

FELIPE CUBILLOS

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Felipe Cubillos foi um milionário empresário chileno que se dedicou à filantropia. Cubillos faleceu aos 49 anos, num acidente aéreo em 2011, no Arquipélago de Juan Fernándes.
· SOBRE OS TEUS AMIGOS
Eleges aqueles que estiveram contigo quando estivestes por baixo porque, quando estiveres no auge, eles irão te sobrar.
· SOBRE O AMOR
Deves dar graças ao Universo se te despertam a cada manhã com um beijo e um sorriso. Lembras-te das abelhas e das mariposas: elas não buscam a flor mais bonita do jardim; somente aquela que tem maior conteúdo.
· SOBRE A ANGÚSTIA E A AMARGURA
Quando creres que já não é possível suportar os sofrimentos que te agoniam, que já não podes nada fazer, dás-te um tempo para ver as estrelas e esperas despertar o amanhecer. Então, descobrirás que sempre nasce o sol, sempre!
· SOBRE DEUS E O CÉU
Creio que, se vivermos fazendo o bem, poderemos estar na lista de espera se é que o Céu existe; E, se ele não existe, teremos tido nosso próprio Céu aqui na Terra. Quanto a Deus, não o encontraremos apenas nos mares do sul, nas ondas, nas nuvens, nas tormentas: Ele sempre esteve conosco, dentro, bem dentro de nós.
· SOBRE OS TEUS FILHOS
Definitivamente não são teus. Deves amá-los e educá-los com exemplo e orientá-los para que busquem os próprios sonhos e não os teus. Não esperes que te agradeçam tudo o que fizeres por eles; esse agradecimento virá muitos anos depois, talvez quando já fores avô – aí eles reconhecerão o que é ser pai e mãe. Porém, se antes disso decidirem dizer que estão orgulhosos de serem teus filhos, te consideres recompensado.
· SOBRE OS TEUS LIMITES
Eles não existem e estão muito além do que imaginas. Quanto mais além? Esta é uma pergunta que tens que levá-la ao extremo para descobrir.
· SOBRE OS TEUS PAIS
Nunca deixes de agradecer-lhes o fato de terem te posto neste mundo maravilhoso e de te haverem dado a possibilidade de viver; somente isso, viver.
· SOBRE A RIQUEZA
Uma vez que tenhas consolidado o teu fluxo de caixa, tratas de comprar mais tempo do que dinheiro, mais liberdade do que escravidão.
· SOBRE O TEU TALENTO
Não serve para nada se não vier acompanhado de determinação, planificação, disciplina e perseverança. O talento é efêmero; a determinação, eterna.
· SOBRE O PRESENTE
Vivê-lo intensamente é o que realmente importa. Os que vivem aferrados ao passado já morreram e os que vivem sonhando com o futuro ainda não nasceram.
· SOBRE OS TEUS SONHOS
Nunca renuncies a teus sonhos. Persegue-os apaixonadamente e, se não conseguires, não importa. Só o fato de haveres percorrido esse caminho terá valido a pena.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A RAPOSA E O LENHADOR

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Certa época existiu um lenhador que acordava às 6 da manhã e trabalhava o dia inteiro cortando lenha, e só parava tarde da noite.
Esse lenhador tinha um filho, lindo, de poucos meses e uma raposa, sua amiga, tratada como bicho de estimação e de sua total confiança.
Todos os dias o lenhador ia trabalhar e deixava a raposa cuidando de seu filho e, todas as noites, ao retornar do trabalho, a raposa ficava feliz com sua chegada.
Os vizinhos do lenhador alertavam que a raposa era um bicho, um animal selvagem; e portando, não era confiável. Quando ela sentisse fome comeria a criança. O lenhador sempre retrucando com os vizinhos falava que isso era uma grande bobagem. A raposa era sua amiga e jamais faria isso. Os vizinhos insistiam:
- Lenhador, abra os olhos! A raposa vai comer seu filho.
- Quando sentir fome, comerá seu filho!
Um dia, o Lenhador muito exausto do trabalho e muito cansado desses comentários, ao chegar em casa viu a raposa sorrindo como sempre e sua boca totalmente ensanguentada.
O lenhador suou frio e sem pensar duas vezes acertou o machado na cabeça da raposa.
Ao entrar no quarto desesperado, encontrou seu filho no berço dormindo, tranquilamente, e ao lado do berço uma cobra morta.
O Lenhador enterrou o machado e a raposa juntos.

domingo, 22 de janeiro de 2017

SONS INAUDIVEIS

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Um rei mandou seu filho estudar no templo de um grande Mestre, com o objetivo de prepará-lo para ser uma grande pessoa.
Assim que o príncipe chegou ao templo, o Mestre o mandou sozinho para uma floresta. Ele deveria voltar um ano depois, com a tarefa de descrever todos os sons da floresta.
Ao final do prazo, quando o príncipe retornou ao templo, o Mestre lhe pediu para descrever todos os sons que conseguira ouvir. Então disse o príncipe:
- Mestre, eu pude ouvir o canto dos pássaros, o barulho das folhas, o alvoroço dos beija-flores, a brisa batendo na grama, o zumbido das abelhas, o barulho do vento cortando os céus...
E, ao terminar o seu relato, o Mestre pediu que o príncipe retornasse à floresta, para ouvir tudo o mais que fosse possível. Apesar de intrigado, o príncipe obedeceu à ordem do Mestre, pensando:
- Não entendo, eu já distingui todos os sons da floresta...
Por dias e noites ele ficou sozinho ouvindo, ouvindo, ouvindo... Mas não conseguiu distinguir nada de novo além daquilo que havia dito ao Mestre. Porém, certa manhã, começou a distinguir sons vagos, diferentes de tudo o que ouvira antes. E quanto mais prestava atenção, mais claros os sons se tornavam. Uma sensação de encantamento tomou conta do rapaz.
- Esses devem ser os sons que o Mestre queria que eu ouvisse...
E, sem pressa, ficou ali ouvindo e ouvindo, pacientemente. Queria ter certeza de que estava no caminho certo.
Quando retornou ao templo, o Mestre lhe perguntou o que mais conseguira ouvir.
Paciente e respeitosamente o príncipe disse:
- Mestre, quando prestei atenção pude ouvir o inaudível som das flores se abrindo, o som do sol nascendo e aquecendo a terra e da grama bebendo o orvalho da noite...
O Mestre sorrindo, acenou com a cabeça em sinal de aprovação, e disse:
- Ouvir o inaudível é ter a calma necessária para se tornar uma grande pessoa. Apenas quando se aprende a ouvir o coração das pessoas, seus sentimentos mudos, seus medos não confessados e suas queixas silenciosas, uma pessoa pode inspirar confiança ao seu redor; entender o que está errado e atender às reais necessidades de cada um.
- E você, já aprendeu a ouvir?

sábado, 21 de janeiro de 2017

MAL INTERPRETADO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

O vigário de um vilarejo tinha um pinto como mascote, o Valente.
Certo dia o Valente desapareceu e ele achou que alguém o havia roubado.
No dia seguinte, na missa, o vigário perguntou à congregação:
- Algum de vocês aqui tem um pinto?
Todos os homens se levantaram.
- Não, não foi isso que eu quis dizer... O que eu quero saber é se algum de vocês viu um pinto? - disse o vigário.
Todas as mulheres se levantaram.
- Não, não... - repetiu o vigário - O que eu quero dizer é se algum de vocês viu um pinto que não lhes pertence.
Metade das mulheres se levantou.
- Não, não - disse o vigário, novamente muito atrapalhado - talvez eu possa formular melhor a pergunta: O que eu quero saber é se algum de vocês viu o meu pinto?
Todas as freiras se levantaram...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

PASSANDO A RÉGUA E FECHANDO A CONTA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Nos idos de 1975, na rodoviária de João Pessoa, capital do estado da Paraíba, se pagava para usar o sanitário.
Num dos ônibus vindos de Cajazeiras, cidade do interior paraibano, vinha um velhinho, com uma dor de barriga daquelas.
Logo que o ônibus parou na estação rodoviária, o velhinho saiu correndo, em direção ao sanitário. A cólica era tão grande que sô deu tempo dele pegar um pedaço de papel com o cara da limpeza, que ficava na porta do banheiro, com um rolo de papel higiênico (para não dizer “lixa”) nas mãos.
O velhinho entrou, usou o banheiro, lavou as mãos e, quando ia saindo, o porteiro falou:
- Ei, o senhor precisa pagar!
-  Oxente, como é?! Pagar para dar uma cagadinha?
- Claro, é pago! É ordem do governador...
- E quanto é?
- Depende... O senhor cagou e mijou?
- É, caguei e mijei...
- Uma cagada custa 60 centavos e uma mijada 30 centavos... Então, são 90 centavos.
O velhinho deu um cruzeiro ao porteiro.
O cara foi na gavetinha para passar o troco de 10 centavos. Procurou, procurou... foi lá, veio cá e nada de arranjar a moedinha para passar o troco. Diante da situação, ele disse ao velhinho:
- Amigo, eu estou sem troco... O senhor não poderia soltar um "peidinho" para fechar a conta?
O velhinho não se fez de rogado: "fechou a conta", na hora, ali mesmo!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

QUEM COMEU "MARIA PORQUINHA"?

Texto de Aloisio Guimarães

A vida é cheia de passagens hilárias, embora existam momentos de profunda tristeza. Reapresento-lhes a seguir um desses momento cômicos da minha infância, tendo como personagem principal o meu irmão mais velho, em confronto com o temperamento e o rigor que tinha o velho “Aloisio Gordinho”, como era chamado o nosso saudoso pai, na nossa educação e formação moral.
Pois bem...
Nos meados da década de sessenta, em Palmeira dos Índios, próximo à agência dos Correios e Telégrafos, vizinho à oficina mecânica do saudoso “Dudé”, morava “Geraldo Patinha”, um sujeito avermelhado, “cara de castanha”, epiléptico, bastante nervoso e sempre molhado de suor e com a barba para fazer. 
Como “Geraldo Patinha” gostava de tomar umas biritas, diariamente frequentava o “Senadinho” - o bar do meu pai, que ficava vizinho ao Aeroclube - o principal clube social da cidade. Até hoje não sabemos porque "cargas d’águas”, o nosso pai colocou este apelido no cara; talvez, motivado por algum imbróglio do dito cujo com alguma “patinha de siri”, um tira-gosto muito popular nos bares alagoanos.
Naquela época, trabalhava na casa do “Patinha” uma empregada doméstica, muito baixinha, bem gordinha, fedorenta e feia pra cacete! E como a turma não perdoa nada, colocaram o apelido na sujeita de “Maria Porquinha”, numa clara alusão à figura do suíno. Portanto, meu amigo, se alguém, um dia, mandar você imaginar uma pessoa horrível, a resposta é “Maria Porquinha”.
Era do conhecimento da rapaziada da cidade (Luiz Antônio, Jazon, João Canfifa, Tadeu Cavalcante...) que, nas horas vagas, ao término da sua jornada de trabalho, à noite, “Maria Porquinha” fazia “bico” como “piniqueira” - como eram chamadas as aquelas empregadas domésticas que “davam” em troca de uma besteira qualquer, fosse um maço de cigarros, um perfume comprado na feira ou até mesmo um sabonete Palmolive. Agora, cá para nós, era preciso ter “muita fome” ou muita “cachaça no rabo” para um sujeito aguentar comer “Maria Porquinha”!
Pois bem, certa noite, aproveitando a ausência dos donos da casa e “subindo pelas paredes”, a “Maria Porquinha”, inventou de fazer uma suruba, justamente na residência do seu patrão e, pior ainda: na cama do casal. E não é que, “bobeada” ou “anestesiada” com tanto amor que recebeu ao mesmo tempo durante a noite, a “Maria Porquinha” se esqueceu de limpar os vestígios de espermatozoides que ficaram nos lençóis da cama, após o fervoroso bacanal. Aí, meu amigo, foi o fim do mundo: ao chegar de viagem e ao se deparar com a bagunça, “Geraldo Patinha” perguntou ao seu amigo “Dudé” - o dono da oficina, seu vizinho - se ele tinha visto alguma coisa de anormal ou viu alguém entrar na sua residência, quando ele estava viajando. Como resposta, “Dudé” lhe informou:
- Geraldo, a única coisa que eu vi foi o filho do seu “Aloisio Gordinho”, em altos papos com a “Maria Porquinha”, no portão da sua casa...
Pronto! Explodiu uma bomba no “Senadinho” - o bar do meu pai - quando “Patinha” foi tomar satisfações com ele e com meu irmão, ameaçando todo mundo. Indignado com a acusação do sujeito, papai chamou meu irmão e perguntou, aos berros:
- Luiz Antônio, você comeu “Maria Porquinha”?! Você comeu a “Porquinha”, Luiz Antônio?!...
Pela entonação da voz, talvez papai pensasse até que Luiz Antônio ainda fosse “donzelo”. Coitado do meu irmão...
Nesse momento fiquei encucado porque jamais tinha ouvido uma expressão daquela. Até então, não sabia que "mulé se comia"... Inocente, eu sabia apenas que se comia feijão, arroz, cuscuz... Mas "mulé", nunca tinha ouvido falar! 
Ao ouvir os gritos do papai, cabisbaixo, pálido e pasmado, a resposta de Luiz Antônio foi uma negativa:
- Não, papai, eu não comi a “Porquinha”. Apenas, eu vinha descendo da Festa de Natal, na Praça da Independência, e ela me pediu um cigarro...
Puta que pariu! E não é que nessa hora o Luiz Antônio esqueceu que o nosso pai detestava cigarro mais do que tudo na vida tanto que, ao ouvir a sua justificativa, papai ficou possesso de raiva e nem deixou meu irmão continuar:
– Cigarro?! E você fuma, Luiz Antônio?!
Ao mesmo tempo em que proferia a indagação, papai sapecou um tabefe no “escutador de novelas” do meu irmão, sem ter dado tempo dele responder se tinha ou não comido a “Porquinha”. Até hoje, quando ele se lembra do tapa que levou nessa hora, o ouvido esquerdo de Luiz Antônio começa a zumbir...
Profundamente magoado e irritado com a invasão da sua casa, “Patinha” levou o caso à Promotoria Pública, denunciando meu irmão de vários delitos. Mas, graças à interferência do saudoso ícone da literatura palmeirense Luiz B. Torres - padrinho de Luiz Antônio - irmão do renomado promotor José Torres, a ocorrência foi amenizada na sua denúncia.
Nesse intervalo, para não ser preso, o meu irmão teve que passar uns dias fora da cidade, escondido em Minador do Negrão, em casa de parentes, até que os amigos do nosso pai domassem o “Geraldo Patinha”. E nada melhor do que o tempo para curar todas as feridas: o “Patinha” retirou a queixa, deu o caso por encerrado, mas sobrou para a coitada da “Porquinha”: perdeu o emprego.
Durante muitos anos, o meu irmão ficou conhecido na cidade como “Luiz, O Comedor de Porquinhas”. A verdade é que, entre “patinhas” e “porquinhas”, o “cacete comeu” no pé de ouvido do meu irmão que, até hoje, nega ter sido o “porco” que comeu a “Porquinha”.
Deste episódio da minha infância, duas perguntas, ainda não respondidas, tiram o meu sossego:
- Por que será que “Lisontonho” é louco por carne de porco? E se ele diz que não comeu, quem peste comeu “Maria Porquinha”? 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O DIAGNÓSTICO

Texto de Aloisio Guimarães

Luzinete, filha única, uma jovem "palmeirense da gema". E, como acontece em todas as famílias brasileiras, o sonho dos pais dela era que a garota se formasse. Não importava o curso; podia ser qualquer um, desde que não fosse em "Ciências Ocultas", claro. O importante é que ela conseguisse um "canudo".
Mas tinha um grande problema: por mais que seus pais implorassem, a garota "não queria muita coisa com a história do Brasil", ou seja, não gostava de estudar. Mas, apesar disto, por conta e obra do destino, Luzinete conseguiu passar no vestibular de Medicina Veterinária. Seus pais, empolgados com a aprovação da rebenta, patrocinaram uma "bebememoração" gigantesca, com dezenas de convidados, "regada" com bastante comida e bebida. Afinal, eles mereciam, pois a filhinha, amada e mimada, seria agora uma universitária e, logo, logo, uma doutora! É mole?!
Após cinco longos anos, "aos trancos e barrancos", Luzinete conseguiu o tão sonhado (pelos pais) diploma. Outra festança, maior do que a primeira, mas agora com os seus convidados escolhidos à dedo...
O tempo passou... Certo dia, já depois de formada, a "doutora" estava na casa da sua avó - que ficava na Vila Maria - para mais um daqueles tradicionais almoços de família, quando, em determinado instante, apareceu a vizinha da sua avó, toda aflita, querendo falar com a nossa veterinária.
- O que foi? - perguntou Dra. Luzinete à vizinha da sua avó.
- É a minha gata, doutora, que está parindo e já faz um tempão que o filhote "está pendurado" e não sai de vez e nem entra. Deve estar acontecendo algum problema, doutora! Por favor, ajude a minha gatinha, por amor de Deus!
Ouvindo isso, a “doutora” respondeu:
- Ah, minha senhora, se o filhote já está saindo, pode ir embora que a natureza faz o resto...
Instintivamente, todos os presentes se entreolharam, com aquele "olhar interrogativo”...
A gata morreu.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

CARTA AOS TÍMIDOS

Texto de Luiz Fernando Veríssimo

Como um tímido veterano, acho que já posso dar alguns conselhos às novas gerações de envergonhados, jovens que estão recém-descobrindo o martírio de ter de enfrentar este terror, os outros, e se lançando na grande aventura que é se impor, se fazer ouvir, ter amigos, namorar, procriar e, enfim, viver, quando o que preferia era ficar quieto em casa. Ou, de preferência, no útero.
Para   começar, algumas   coisas   que   não funcionam. Tentei todas e não deram certo. Decorar frase, por exemplo. Já fui com uma frase pronta para impressionar a menina e na hora saiu “Teus marilus verdes são como dois olhos, lagoa”. Também resista à tentação de assumir um ar superior e dar a impressão de que você não é tímido, é misterioso.
Eu sou do tempo em que a gente usava chaveiro com correntinha (além de tope e topete, tope de gravata enorme e topete duro de Gumex) e ficava girando a correntinha no dedo enquanto examinava as garotas na saída das matinês (eu sou do tempo das saídas de matinês). Um dia deu certo, a garota veio falar comigo, ou ver de perto o que mantinha o topete em pé, foi atingida pela hélice da correntinha e saiu furiosa. Melhor, porque eu não tinha nenhuma fala pronta que correspondesse à pose.
Evite, é claro, as manobras calhordas. Como identificar alguém tão tímido quanto você no grupo e quando alguém, por sacanagem, lhe pedir um discurso, passar a palavra imediatamente para ele. O mínimo que um tímido espera de outro é solidariedade. E não há momento mais temido na vida de um tímido do que quando lhe passam a palavra.
Tente se convencer de que você não é o alvo de todos os olhares e de todas as expectativas de vexame quando entra em qualquer recinto. No fundo, a timidez é uma forma extrema de vaidade, pois é a certeza de que, onde o tímido estiver, ele é o centro das atenções, o que torna quase inevitável que   não está só esperando para ver qual é a próxima que você vai aprontar. E mire-se no meu exemplo. Depois que   aposentei a correntinha e (suspiro) perdi o topete, namorei, procriei, fiz amigos, vivi   e hoje até faço palestras, ou coisas bem parecidas. Mesmo com o secreto e permanente desejo, é verdade, de estar quieto em casa.