domingo, 30 de abril de 2017

WELCOME

Texto de Aloisio Guimarães

Em 1973, morava em Igreja Nova, cidade vizinha a Penedo, um cidadão de nome Marcos Pacheco, um matuto, trabalhador, cheio da grana, "mais valente do que boi brabo" e "mais grosso do que papel de enrolar pregos", analfabeto, que muito mal sabia ler.
Como nessa época Alagoas ainda era um estado pouco desenvolvido, ele mandou o seu filho único, Marcos Pacheco Filho, o "Pachequinho", estudar agronomia em Recife, para, depois de formado, tomar conta das plantações da fazenda.
Depois de cinco longos anos Pachequinho se formou e o pai, orgulhoso, resolveu presenteá-lo com uma viagem ao exterior:
- "Pachequim", meu fio, vosmicê diga adondi qué ir qui eu pago.
- Meu pai, eu quero conhecer os Estados Unidos, mas só vou se o senhor for comigo; o senhor e a mamãe. Vocês nunca saíram daqui e está na hora de conhecer outro país...
Diante dos argumentos do filho, o "coroné" Marcos Pacheco chamou a esposa e ordenou:
- Mulé, aprepari as mala qui nois vamu cunhecê os isteites.
Depois de um mês de preparação (passaporte, vistos, compras de dólares...), eles partiram para a América.
Logo na chegada, durante o desembarque no aeroporto JFK, em Nova York, ele leu a tradicional faixa de recepção:
- Welcome to New York.
Acontece que nesse mesmo dia, estava desembarcando no mesmo aeroporto a delegação do time do New York Knicks (time de basquete da cidade), que havia se tornado a campeã da NBA - a liga americana de basquete. Por causa disso, o aeroporto estava repleto de faixas, saudando os campeões:
- Welcome Heroes! Welcome Champions!
Depois de andar mais alguns metros, o velho matuto alagoano, leu mais uma faixa:
- Welcome Home!
Pronto, lascou tudo! O nosso matuto, virou para a mulher e para o filho e disparou:
- Essi tá di "Wel" devi sê mermo um garanhão da gota serena! O cabra comi todo mundo; comi até "homi"... Ele qui num si meta a besta pra cima de mim, qui furo o bucho dele!
E foi assim, durante o tempo que esteve em Nova York, que Marcos Pacheco não conseguiu dormir direito, com medo de ser enrabado pelo o "Wel"...  

sábado, 29 de abril de 2017

FILHOS DE PROVETA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

O IBGE estava realizando o Censo Brasileiro e um entrevistador chegou à casa de um casal de japoneses no bairro Agronomia, num pequeno sítio pertinho da Bento, bem antes de Viamão.
- Boa tarde. Eu sou do IBGE e estou trabalhando no Censo do Brasil. O senhor poderia me responder algumas perguntas, por favor? Precisamos de uns 5 minutos, nada mais que isso!
- Sim, sim. Pode fazê pergunta, que japonês responde…
- Qual o seu nome e a sua idade, por favor...
- Makoto Harada, 35 anos, né!?
- Qual o nome e a idade de sua esposa?
- Esposa? Ayako Harada, 25 anos, né!?
- E o casal, tem filhos?
- Japonês tem dois filhos, né? - respondeu o seu Makoto apontando para duas crianças pequenas que estavam ao seu lado junto à porta.
O entrevistador, no entanto, notou que as duas crianças não tinham feições de origem japonesa. Na verdade, uma das crianças era de cor negra e a outra tinha feições claramente de descendência alemã e por isso perguntou:
- São filhos adotivos, seu Makoto?
- Não, não! Filhos legítimos de japonês, legítimos, né?
- Legítimos?! Mas como assim, seu Makoto?! O senhor é japonês, sua esposa é japonesa, e as duas crianças não possuem feições orientais como vocês dois... - argumentou o intrigado entrevistador.
- É filho de proveta, né? De proveta... - respondeu o japonês já um pouco incomodado com o questionamento do recenseador.
- Puxa, que interessante seu Makoto! Mas isso foi lá no Japão? Como foi isso? -perguntou o recenseador, curioso.
- No, no… Aqui no Brasil, mesmo; aqui em Portalegre mesmo - disse seu Makoto, constrangido.
- No Brasil? Em Porto Alegre? - comentou o agora perplexo entrevistador.
E então o japonês esclareceu:
– Sim, sim. É que japonês sai pra viajá, e aí vem Negão e “proveta” com mulher de japonês, né? Japonês sai viajá e aí vem alemão e “proveta”, né?

sexta-feira, 28 de abril de 2017

ESCLARECIMENTOS SOBRE A CERVEJA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

O texto abaixo, recebido por e-mail, demonstra claramente o espírito brincalhão do brasileiro. É lamentável que, na grande maioria das vezes, a sua criatividade não seja direcionada para o bem.
1. A CERVEJA MATA?
- Sim. Sobretudo se a pessoa for atingida por uma caixa de cerveja com garrafas cheias. Além disso, casos de infarto do miocárdio em idosos teriam sido associados às propagandas de cervejas com modelos boazudas.
2. O USO CONTÍNUO DO ÁLCOOL LEVA AO USO DE DROGAS MAIS PESADAS?
- Não. O álcool é a mais pesada das drogas: uma garrafa de cerveja pesa cerca de 900 gramas.
3. CERVEJA CAUSA DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA?
- Não. 89,7% dos psicólogos e psicanalistas entrevistados preferem uísque.
4. MULHERES GRÁVIDAS PODEM BEBER SEM RISCO?
- Sim. Está provado que nas blitzen a polícia nunca pede o teste do bafômetro para as gestantes. E se elas tiverem que fazer o teste de andar em linha reta, sempre podem atribuir o desequilíbrio ao peso da barriga.
5. CERVEJA PODE DIMINUIR OS REFLEXOS DOS MOTORISTAS?
- Não! Uma experiência feita com mais de 500 motoristas: foi dada uma caixa de cerveja para cada um beber e, em seguida, foram colocados um por um diante do espelho. Em nenhum dos casos, os reflexos foram alterados.
6. A BEBIDA ENVELHECE?
- Sim. A bebida envelhece muito rápido. Para se ter uma ideia, se você deixar uma garrafa ou lata de cerveja aberta ela perderá o seu sabor em aproximadamente quinze minutos.
7. A CERVEJA DIMINUI O RENDIMENTO ESCOLAR?
- Não, pelo contrário. Alguns donos de faculdade estão aumentando suas rendas com a venda de cervejas nas cantinas e bares da esquina.
8. O QUE FAZ COM QUE A BEBIDA CHEGUE AOS ADOLESCENTES?
- Inúmeras pesquisas foram feitas por laboratórios de renome e todas indicam, em primeiríssimo lugar, o garçom.
9. CERVEJA ENGORDA?
- Não. Em 100% dos casos, quem engorda é você.
10.  A CERVEJA CAUSA DIMINUIÇÃO DA MEMÓRIA?
- Que eu me lembre não.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

AS LATAS DO INFERNO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Um sujeito acaba de morrer e chega no inferno. É comunicado que pode escolher a sala que ele quer ficar, sendo que cada sala é referente à um país.
Começa um tour, para escolher onde ficará.
Chega na porta da Alemanha, onde está escrito “02 latas”. Fica curioso abre a porta e vê um monte de gente entristecida. Pergunta ao primeiro que passa o porquê da tristeza. A pessoa responde que todo dia o diabo vem e traz duas latas de merda, que eles têm de comer.
Resolve andar mais um pouco, e depara com a porta dos Estados Unidos, onde está escrito “03 latas”. Abre e vê o mesmo cenário. Pergunta às pessoas dali e tem a mesma resposta.
Já desconsolado, passa defronte a porta do Brasil, onde está escrito ”10 latas”. Resolve dar uma espiada, pois o cenário deve ser mais desolador ainda.
Abre a porta e se assusta, pois está cheio de gente, com todo mundo conversando, sorrindo… Ele fica sem entender nada e pergunta ao primeiro que passa por ele:
- Como vocês podem ficar tão alegres assim? Aqui é o país onde tem mais latas de merda para comer? Mais que o dobro de qualquer outro país!
O cara responde:
- Meu amigo, isso aqui é Brasil! Tem dia que não tem lata, tem dia que não tem merda; e na maioria dos dias, o diabo nem vem! 

terça-feira, 25 de abril de 2017

NO TEMPO DOS PUNHETEIROS

Texto de Tião Lucena

Houve uma raça que se extinguiu quando a mulher decidiu perder a vergonha e mostrar o corpo a quem quisesse olhar. Foi a dos Punheteiros, jovens que tinham dificuldade de encontrar onde aliviar suas precisões sexuais e valiam-se da solidão dos matos, das espiadas gulosas e do frenesi das munhecas, para conhecer os gozos antes do casamento.
No meu interior, o joelho de Anita valia por mil bundas mostradas hoje pelas calças compridas da moda, essas que descobrem a precheca da mulher de modo oferecido. Uma calcinha, que não se via tão facilmente, valia um mês de punheta. Agora elas se descobrem ao menor abaixamento da mulher, ao simples movimento de perna. Mas naqueles "ontens", meu amigo, para se ver essa preciosa indumentária o sujeito penava. Era mais fácil ganhar no bicho.
A turma da punheta fazia ponto na Pichilinga do Açude Velho, para onde corriam as mulheres lavadeiras de nosso rincão. Ali, entre as pedras, elas lavavam as roupas acocoradas, mostrando as partes internas das coxas. E tome punheta, olhando aquilo. Era uma visão poderosa, capaz de transportar o observador a mundos encantados e suspirosos. O melhor, porém, vinha depois: quando terminavam a lavagem, tiravam a roupa e tibungavam na água para o banho reconfortante. Aí, meus caros, o mundo vinha abaixo!
Era por isso que a turma não tinha um grama de carne. A magreza dos meninos causava espanto. Desses, o único que continuava gordo era Dé Galdino, mas Zé Lambreta explicava que ele não perdia as banhas porque batia punheta usando apenas dois dedos. Não fazia o menor esforço.
Do time dos punheteiros, destacavam-se os irmãos Teté e João Passarinho. Para onde um ia, levava o outro. E quando a turma não estava, os dois agiam em dupla, feito Batman e Robin, como aconteceu naquela manhã de sábado, no Açude Velho:
Teté e João sentiram o cheiro de mulher lavando roupa nem bem pularam a cerca de Seu Edmundo. Começaram dali mesmo o serviço, andando e balançando as pixocas no vai e vem frenético. Teté na frente, João atrás; a mulher, lá longe... Os dois punhetando...
Eis que Teté chega primeiro, espia, dá uma volta seca e grita, alarmado:
- João, tu já gozou?
- Ainda não, mas tô quase! - respondeu João com a voz entrecortada.
E Teté, tentando evitar uma tragédia:
- Então pare aí, porque quem tá lavando roupa é mãe!

segunda-feira, 24 de abril de 2017

GEOGRAFIA DA MULHER X GEOGRAFIA DO HOMEM

ALOISIO GUIMARÃES

GEOGRAFIA DA MULHER
• Até 18 anos, a mulher é como a Antártida: um Continente em formação.
• Entre 18 e 25 anos, é como a Coreia do Norte: sempre causando excitação.
• Entre 26 e 30 anos, a mulher é como o Continente Africano: uma metade já foi descoberta e a outra metade esconde a beleza ainda selvagem e deltas férteis.
• Entre 31 e 35 anos, a mulher é como a América do Norte: moderna, desenvolvida, civilizada e aberta a negociações em troca de muito dinheiro.
• Entre 36 e 40 anos, é como a Índia: muito quente, relaxada e consciente da sua própria beleza.
• Entre 41 e 45 anos, a mulher é como a França: suavemente envelhecida, mas ainda desejável de se visitar.
• Entre 46 e 50 anos, é como a Venezuela: querendo mostra que é poderosa, enfrenta qualquer parada!
• Entre 51 e 60 anos, é como a Iugoslávia: perdeu a guerra, é atormentada por fantasmas do passado, mas se empenhando na reconstrução.
• Entre 61 e 70 anos, ela é como a Rússia: espaçosa, com fronteiras sem patrulha. A camada de neve oculta grandes tesouros.
• Entre 71 e 80 anos, a mulher é como a Mongólia: com um passado glorioso de conquistas, mas com poucas esperanças no futuro.
• Depois dos 80 anos, ela é como o Afeganistão: quase todos sabem onde está, mas ninguém quer ir até lá.
GEOGRAFIA DO HOMEM
• Entre os 15 e 80, o homem é como Cuba: governado por um só membro.

domingo, 23 de abril de 2017

VELHINHO DE PROGRAMA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Como tenho algumas horas livres, com insônia na madrugada e precisando ganhar uns extras, resolvi ser um “velhinho de programa” e coloquei meu anúncio no jornal, como fazem todos os outros:
Sou velhinho muito sensual, com algumas horas livres, sofro de insônia pela madrugada e como preciso ganhar uns trocados extras, resolvi ser também um "velhinho de programa", pois tenho os seguintes requisitos:
• Idoso charmoso, com lindos olhos meio verdes (com cataratas), loiro (só dos lados);
• Atlético (é torcedor);
• E sarado (das doenças que já tive);
• Um metro e noventa (sendo mais ou menos um de altura e noventa de largura);
• Atendo em motéis, residências, elevadores panorâmicos, etc. Só não atendo em "drive-in", por causa das dores na coluna;
• Alegro festas de Bodas de Ouro - convenções e excursões da Terceira Idade;
• Aplico injeções e troca fraldas geriátricas, tudo com o maior charme!!!
• Atendo no atacado e no varejo. Traga suas amigas!
• Maiores de sessenta e cinco, por força de lei, não pagam, mas só terão direito à horário recomendável para a saúde;
• Serão concedidos descontos para grupos: quanto mais nova, maior o desconto;
• Por questões de vaidade não serão permitidas filmagens, pois, no momento, estou precisando operar uma hérnia inguinal, meio antiestética;
• Na cama, dou sempre 3... Três opções sexuais para a parceira: mole, dobrado ou enroladinho;
• Como fetiche, pode usar touca de lã, pantufas e cachecóis coloridos;
• Outra grande vantagem: já tenho "Parkinson", o que ajuda muito nas preliminares...
• Total discrição, pois o "Alzheimer" me faz esquecer tudo que fiz fez na noite anterior.
Ligue já!

sábado, 22 de abril de 2017

CLODOALDO, O TRÍGAMO

Texto de Carlito Lima

Clodoaldo nasceu em Fernão Velho, belo bairro beirando a Lagoa Mundaú, foi vizinho do grande poeta e pintor alagoano, Pedro Cabral. Menino ainda estudou em Maceió, tem uma vocação irresistível às mulheres. Na juventude tornou-se o conquistador, o rei das raparigas, daí seu apelido, “Clodô das Quengas”. Conseguiu formar-se em Direito com mais de 40 anos, figura popular e bem-humorada da cidade. Repreende quando algum amigo o chama de “Dr. Clodô das Quengas”. Na hora corrige:
- Favor chamar-me de Dr. Clodoaldo Lima. Não existe o Dr. Clodô, só o Dr. Clodoaldo. Não desmoralize meu título de bacharel!!!
Casou-se cedo depois que engravidou uma prima. Ele costumava dizer que “priminha não era irmãzinha...”. Terminou no altar com Josefa, uma mimosa flor do povoado do Riacho Velho, um paraíso de Marechal Deodoro. Clodô nunca se acostumou com a vida de casado, sua vida era de bar em bar pelas ruas da cidade, onde foi encontrando novos amores. Uma delas, sua colega de repartição. Ele trabalha, tem uma sinecura na Assembléia Legislativa, coisa mole, vai algumas vezes na semana até para bater papo, rever os amigos. Gaba-se de ter arranjado 280 votos para o deputado, seu protetor. Os votos que o deputado teve em Fernão Velho, ele contabilizava como se fossem todos por ele arranjados. Um dia apareceu uma menina bonita, vinda do sertão, foi descabaçada por um deputado daquelas bandas, comprou o silêncio com um emprego na Assembléia. Clodoaldo logo namorou Rosinha, a “rainha do sertão”, como ele apelidou. Numa bela tarde, Rosinha confessou que estava grávida. Rosinha ganhou uma casa da COHAB, do deputado sertanejo, onde ainda mora, e Clodô assumiu a paternidade, tem o afeto do menino, um rapaz. Na certidão do jovem consta filho de Clodoaldo Lima, mas é a cara do deputado como dizem as más línguas. Clodô é homem moderno, não se importa com certas picuinhas, ama o menino, seu filho do coração. Do lado de Josefa, tem duas filhas, moças bonitas. Rosa e Josefa não se frequentam, mas se aceitam. Os meninos meio-irmãos se dão bem quando se encontram.
Durante a última eleição, Clodoaldo foi enviado pelo deputado para ajudar na campanha no Litoral Norte, tarefa que fez com satisfação porque terminava as noitadas raparigando. Acontece que uma jovem de nome Aparecida, quase da idade de suas filhas, 18 aninhos, encantou nosso Casanova. A moça bonita dava alguma bola, mas quando chegava nos finalmentes ela escorregava feito um muçum ensaboado. De tanto insistir, numa noite de lua na praia de Maragogi, despedida de campanha, Clodoaldo conseguiu com promessa de casamento, casa e comida, uma noite memorável de amor nas águas mornas noturnas. Nove meses depois nasceu na Casa de Saúde Santa Mônica, o menino José Roberto.
Três famílias, três casas montadas consomem todo salário de funcionário e de advogado independente. Clodô vive aperreado de dinheiro, mas sempre com um sorriso nos lábios e um bom astral na alma. “Trígamo” assumido, convive como pode com as três esposas. As filhas de Josefa até ajudam a Aparecida com o recém-nascido. As coisas iam bem com Clodô; as três mulheres não complicam sua vida. Por tudo isso, resolveu realizar uma festa de confraternização no Natal passado. Reuniu, pela primeira vez, as três famílias, as três mulheres na casa da Josefa. O início do encontro foi formal, depois começaram a descontrair. Clodô estava felicíssimo com o feito, as famílias reunidas. A cerveja, a cachaça, o uísque entornando. As três mulheres empurravam direitinho um copo, como também Clodoaldo. Até que certa hora, quando a cachaça subiu para cabeça, Josefa perguntou ao marido:
- Está feliz meu amor? Juntando sua esposa e as suas duas raparigas?
Rosa quando ouviu o desaforo, falou alto:
- Rapariga é a mãe!
A outra, Aparecida, de imediato foi puxando os cabelos da dona da casa, arrastando-a pelo chão, gritando que Josefa era “uma coroa sambada” e que Clodô gostava mesmo era dela, novinha e cheirosa. A briga generalizou-se entre as três. Uma dando tapa e puxão de cabelos nas outras. A confusão durou quase uma hora. Só acabou quando cansaram. Clodoaldo conseguiu apartá-las. Levou as duas convidadas para suas respectivas casas. Nunca mais quis saber de juntar “as meninas”, como ele as chama. Família que bebe unida, nem sempre permanece unida.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

IDEOLOGIA TUPININQUIM

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
O texto baixo  é um retrato fiel do comportamento humano, principalmente daqueles que falam uma coisa e praticam outra exatamente oposta, por esperteza ou inocência.
Vejamos:
Patrícia era uma universitária cursava o sexto semestre da Faculdade de Medicina. Como é comum no meio universitário, dizia que era de "Esquerda" e estava a favor da distribuição da riqueza. Tinha vergonha do seu pai... Ele era de "Direita" e contra os projetos que “davam benefícios aos que não mereciam e impostos mais altos, para os que conseguiam ganhar mais dinheiro”. À maioria dos seus professores tinha afirmado que as ideias dele eram equivocadas...
Por tudo isso, um dia, decidiu enfrentar o pai. Falou com ele sobre o materialismo histórico e a dialética de Marx, procurando mostrar que ele estava errado, ao defender um sistema tão injusto como o da direita. No meio da conversa, seu pai perguntou:
- Como vão as aulas?
- Vão bem, respondeu ela, a maioria das minhas notas é 9, mas me custa muito trabalho consegui-las. Não tenho vida social, durmo pouco, mas vou em frente.
- E a tua amiga Sônia, como vai? - Perguntou o pai.
- Muito mal. A sua média é 3, principalmente porque passa os dias em shoppings e em festas. Estuda pouco e algumas vezes nem vai às aulas. Com certeza repetirá o semestre - respondeu a garota.
O pai, olhando nos olhos da filha, aconselhou:
- Que tal se você sugerisse aos professores que transferissem 3 pontos das suas notas para as da Sônia? Com isso vocês duas teriam a mesma média. Não seria um bom resultado para você, mas seria uma boa distribuição de notas para permitir a futura aprovação de vocês duas.
Ela, indignada, retrucou:
- Jamais! Eu trabalhei muito para conseguir as notas que tive! Não acho justo que todo o meu trabalho seja, simplesmente, dado a outra pessoa!
Seu pai, então, a abraçou carinhosamente, dizendo:
- Bem-vindo à "Direita"...

quinta-feira, 20 de abril de 2017

A CARTA DE UM SUICIDA

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
 
O curioso, "realista" e divertido texto a seguir, é atribuído a uma carta encontrada no bolso de um suicida.
É bastante conhecido de quase todo mundo. Vamos recordá-lo (para quem já o conhece) e apresentá-lo aos mais jovens:
Senhor Delegado,
Suicidei-me!
Não culpe ninguém por minha sorte. Deixei a vida porque um dia a mais que vivesse acabaria por morrer louco.
Eu explico-lhe, Senhor Doutor Delegado:
Tive a desdita de me casar com uma viúva, a qual tinha uma filha. Se soubesse disto, jamais teria casado...
O meu pai, para maior desgraça, era viúvo e quis a fatalidade que ele se enamorasse e casasse com a filha da minha mulher. Resultou daí que a minha mulher se tornou sogra do meu pai, a minha enteada se tornou a minha mãe e o meu pai passou a ser ao mesmo tempo o meu genro.
Após algum tempo, a minha filha pôs no mundo uma criança, que veio a ser meu irmão e neto da minha mulher, o que me tornou avô do meu irmão!
Com o decorrer do tempo, minha mulher também deu a luz a um menino que, como irmão da minha mãe, era cunhado do meu pai e tio do meu filho o que fez com que a minha mulher se tornasse a nora da própria filha.
Senhor Delegado, com tudo isso passei a ser pai da minha mãe, irmão do meu filho ao mesmo tempo em que a minha mulher ficou sendo a minha avó, já que se tornou mãe da minha mãe. E eu, como seu marido, acabei me tornando avó de mim mesmo.
Portanto, antes que a coisa se complicasse mais, resolvi acabar com tudo de uma vez.
 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

MELHOR IDADE É A PUTA QUE PARIU!

Texto de Ruy Castro

A voz em Congonhas anunciou:
- Clientes com necessidades especiais, crianças de colo, melhor idade, gestantes e portadores do cartão tal terão preferência etc.
Num rápido exercício intelectual, concluí que, não tendo necessidades especiais, nem sendo criança de colo, gestante ou portador do dito cartão, só me restava a "melhor idade" - algo entre os 60 anos e a morte.
Para os que ainda não chegaram a ela, "melhor idade" é quando você pensa duas vezes antes de se abaixar para pegar o lápis que deixou cair e, se ninguém estiver olhando, chuta-o para debaixo da mesa. Ou, tendo atravessado a rua fora da faixa, arrepende-se no meio do caminho porque o sinal abriu e agora terá de correr para salvar a vida. Ou quando o singelo ato de dar o laço no pé esquerdo do sapato equivale, segundo o João Ubaldo Ribeiro, a uma modalidade olímpica.
Privilégios da "melhor idade" são o ressecamento da pele, a osteoporose, as placas de gordura no coração, a pressão lembrando placar de basquete americano, a falência dos neurônios, as baixas de visão e audição, a falta de ar, a queda de cabelo, a tendência à obesidade e as disfunções sexuais. Ou seja, nós, da "melhor idade", estamos com tudo, e os demais podem ir lamber sabão.
Outra característica da "melhor idade" é a disponibilidade de seus membros para tomar as montanhas de Rivotril, Lexotan e Frontal que seus médicos lhes receitam e depois não conseguem retirar.
Outro dia, bem cedo, um jovem casal cruzou comigo no Leblon. Talvez vendo em mim um pterodáctilo da clássica boemia carioca, o rapaz perguntou:
- Voltando da farra, Ruy?
Respondi, eufórico:
- Que nada! Estou voltando da farmácia!
E esta, de fato, é uma grande vantagem da "melhor idade": você extrai prazer de qualquer lugar a que ainda consiga ir. Primeiro, a aposentadoria é pouca e você tem que continuar a trabalhar para melhorar as coisas. Depois vem a condução. Você fica exposto no ponto do ônibus com o braço levantado esperando que algum motorista de ônibus te dê uns 60 anos. Olha, a análise dele é rápida. Leva uns 20 metros e, quando para, tem a discussão se você tem mais de 60 ou não.
No outro dia entrei no ônibus e fui dizendo:
- Sou deficiente.
O motorista me olhou de cima em baixo e perguntou:
- Que deficiência você tem?
- Sou broxa!
Ele deu uma gargalhada e eu entrei. Logo apareceu alguém para me indicar um remédio. Algumas mulheres curiosas ficaram me olhando e rindo...
Eu disse bem baixinho para uma delas:
- Uma mentirinha que me economizou R$ 3,00. Não fica triste não...
Bem, fui até a pedra do Arpoador ver o pôr do sol. Subi na pedra e pensei em cumprir a frase. Logicamente velho tem mais dificuldade. Querem saber? Primeiro, tem sempre alguém que quer te ajudar a subir: "Dá a mão aqui, senhor!" Hum, dá a mão é o cacete, penso, mas o que sai é um risinho meio sem graça. Sentar na pedra e olhar a paisagem. É, mas a pedra é dura, o velho já perdeu a bunda e, quando senta, sente os ossos em cima da pedra, o que me faz ter que trocar de posição a toda hora. Para ver a paisagem não pode deixar de levar os óculos se não, nada vê. Resolvo ficar de pé para economizar os ossos da bunda e logo passa um idiota e diz:
- O senhor está muito na beira pode ter uma tontura e cair.
Resmungo, entre dentes, "só se cair em cima da sua mãe", mas dou um risinho e digo que está tudo bem.
Esta titica deste sol está demorando a descer, então eu é que vou descer, meus pés já estão doendo e o sol nada. Vou pensando - enquanto desço e o sol não - "Volto de metrô é mais rápido...".
Já no metrô, me encaminho para a roleta dos idosos, e lá está um puto de um guarda que fez curso, sei eu em que faculdade, que tem um olho crítico de consegue saber a idade de todo mundo.
Olha sério para mim, segura a roleta e diz:
- O senhor não tem 65 anos, tem que pagar a passagem.
A esta altura do campeonato eu já me sinto com 90, mas quando ele me reconhece mais moço, me irrompe um fio de alegria e vou todo serelepe comprar o ingresso. Com os pés doendo fico em pé, já nem lembro do sol, se baixou ou não dane-se. Só quero chegar em casa e tirar os sapatos... Lá estou eu mergulhado em meus profundos pensamentos, uma ligeira dor de barriga se aconchega... Durante o trajeto não fui suficientemente rápido para sentar nos lugares que esvaziavam...
Desisti... lá pelo centro da cidade, eu me segurando, dei de olhos com uma menina de uns 25 anos que me encarava... Me senti o máximo. Me aprumei todo, estufei o peito, fiz força no braço para o bíceps crescer e a pelanca ficar mais rígida, fiquei uns 3 dias mais jovem.
Quando já contente, pelo menos com o flerte, ela ameaçou falar alguma coisa, meu coração palpitou.
É agora... Joguei um olhar 32 (aquele olhar de Zé Bonitinho) ela pegou na minha mão e disse:
- O senhor não quer sentar? Me parece tão cansado?
Melhor Idade? Melhor idade é a puta que pariu!

terça-feira, 18 de abril de 2017

O PODER DA COMUNICAÇÃO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES
 
O texto abaixo reflete, com fidelidade espantosa, o cotidiano das pessoas, onde a falta de compreensão e interpretação do que se ouve e/ou do que se lê, desvirtua totalmente a mensagem recebida, causando problemas de todas as ordens:

DO PRESIDENTE
PARA O CHEFE DE GABINETE
Às dezessete horas da próxima sexta-feira, o Cometa de Halley, cujo nome é uma homenagem ao cientista que o descobriu, passará por esta região. Esse fenômeno celeste ocorre somente a cada 78 anos. Dessa forma, pedimos que faça reunir todos os nossos empregados, no pátio da fábrica, quando explicarei o fenômeno para eles. Todos deverão continuar usando os seus capacetes de segurança. Se, por acaso chover, não será possível apreciar esse belo espetáculo a olho nu. Então, todos deverão se dirigir ao refeitório, onde será exibido um filme-documentário sobre o Cometa de Halley.
Cumpra-se.
O Presidente.
DO CHEFE DE GABINETE
PARA O DEPARTAMENTO DE PESSOAL
De ordem do Senhor Presidente, na próxima sexta-feira, às 17 horas, o Cometa de Halley vai aparecer sobre o pátio da fábrica. Se chover, por favor, reúna os funcionários, todos usando capacete de segurança e os encaminhe ao refeitório, onde o raro fenômeno terá lugar, o que acontece, a olho nu, a cada 78 anos. Todos os empregados devem comparecer.
Atenciosamente,
O Chefe de Gabinete.
DO DEPARTAMENTO DE PESSOAL
PARA OS CHEFES DE DEPARTAMENTOS
A convite do nosso estimado Presidente, o grande cientista Halley, de 78 anos, vai aparecer nu, no refeitório da fábrica, usando apenas capacete, pois vai ser apresentado, às cinco da tarde de sexta-feira, um filme sobre os problemas da segurança durante a chuva. Se não chover, ele fará a demonstração no pátio da fábrica. É obrigado o comparecimento de todos.
Saudações,
O Chefe do Departamento de Pessoal.
DO CHEFE DO DEPARTAMENTO
PARA OS CHEFES DE DIVISÕES
Na sexta-feira, às cinco horas, o Presidente, pela primeira vez em 78 anos, vai aparecer no refeitório da fábrica para filmar o famoso cientista Halley e sua equipe, todo nus. Todo mundo deve estar lá, de capacete, pois vai ser apresentado um show sobre a segurança na chuva. Se não chover, o Presidente levará a banda para o pátio da fábrica. Todos os empregados, por obrigação,  deverão comparecer.
Atenciosamente,
O Chefe do Departamento.
DO CHEFE DA DIVISÃO
PARA A SUA SECRETÁRIA
Todo mundo nu, sem exceção, deve estar acompanhado da segurança, no pátio da fábrica, na próxima sexta-feira, às cinco horas, pois o Manda-Chuva do Presidente e o famoso guitarrista Halley estarão lá para mostrar o raro filme "Dançando na chuva". Caso comece a chover, coisa que só acontece a cada 78 anos, todos deve ir para o refeitório, onde acontecerá o show.
Ordem é ordem e deve ser obedecida!  
O Chefe da divisão.
DA SECRETÁRIA DO CHEFE DA DIVISÃO
PARA TODOS OS FUNCIONÁRIOS (NO QUADRO DE AVISOS)
Alô, galera! Na sexta-feira, o presidente vai fazer 78 anos e liberou geral para a festa de aniversário, às 5 horas, no refeitório da fábrica. Para animar o pagode, o nosso Manda-Chuva contratou a famosa banda “Bill Halley e seus Cometas”. Todo mundo deve ir nu e com o capacete de segurança, porque a banda é muito louca e o rock vai rolar solto. Se não chover, a festa acontecerá no pátio, para maior segurança de todos.
Todo mundo lá! Afinal, manda quem pode, obedece quem tem juízo!