quarta-feira, 31 de maio de 2017

PENSE NISSO

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Certo dia, o professor escreveu no quadro negro:
 9 x 1 = 07
 9 x 2 = 18
 9 x 3 = 27
 9 x 4 = 36
 9 x 5 = 45
 9 x 6 = 54
 9 x 7 = 63
 9 x 8 = 72
 9 x 9 = 81
9 x 10 = 90
Na sala de aula, não faltou piada porque ele tinha errado o “9 x 1 = 7", sendo que a resposta certa é número 9. Todo mundo riu dele...
Ele, então, esperou todo mundo se calar, e somente depois disse:
- É assim que você é visto no mundo. Errei de propósito para mostrar a vocês como o mundo se comporta diante de algum erro seu. Ninguém te elogiou por ter acertado nove vezes. Ninguém te viu acertando e te deu os parabéns, mas todo mundo te ridicularizou, blasfemou, humilhou e zombou porque você errou apenas uma vez. Assim é a vida: Devemos aprender a valorizar as pessoas pelos acertos. Há pessoas que acertam muito mais do que erram, e acabam sendo julgadas por apenas um erro, e não são valorizadas pelos outros nove acertos. Isso serve para todos nós. Mais elogios e menos críticas; mais amor e carinho e menos ódio e crueldade.

terça-feira, 30 de maio de 2017

O LEILÃO

Texto de Carlito Lima

O fato se deu no início dos anos 60, quando não se ousava pensar em tenebrosas transações, o mundo era mais puro e idealista, embora não fosse tão politicamente correto com deveria sê-lo.
Jaciara, bela e exótica cafuza, cabelos negros escorridos, rosto redondo, olhos agateados, lábios carnudos e encarnados, era conhecida como Índia, morava com o pai, cortador de cana, pobre e analfabeto, sem perspectiva de vida melhor. A mãe fugiu com um motorista de caminhão, arribou pela estrada afora, tornou-se prostituta estradeira. O pai, de tanto desgosto, começou a beber muito, não aparecia para cortar cana, o capataz da fazenda ameaçou-lhe tirar a casa de taipa. Sem deixar a cachaça, terminou morrendo. A menina Jaciara ficou só no mundo. Aconselhada por amigas, foi tentar sobreviver na capital. Procurou de casa em casa até arranjar trabalho de empregada doméstica. Tinha disposição, fazia uma faxina caprichada agradou à patroa. Acontece que sua sensualidade e beleza agradaram ao patrão, aos dois filhos e até ao pai do patrão, o avô. O bom velhinho quando olhou a índia pensou que ainda era moço e tentou. Jaciara tinha prometido ao pai casar virgem. Para cumprir a promessa e evitar o assédio dos quatro machos da casa, após cinco meses de trabalho, sem comunicar a patroa, largou o emprego, tinha apenas 17 anos.
Sem ter para onde ir, ficou sentada na orla olhando o mar, com uma maleta no chão. Nessa tarde conheceu Cícero, um homossexual que, com pena, levou-a para sua casa, pediu a mãe para dar guarida até arranjar emprego. Na casa de Cícero não se podia pagar empregada. Jaciara fez alguns trabalhos em troca da comida e dormida. Difícil uma analfabeta achar emprego.
Certo dia uma vizinha, ao vê-la, aconselhou:
- Menina você é muito bonita, os homens lhe desejam, vá ganhar dinheiro no cabaré.
- Eu sou virgem, disse Jaciara.
- Sua virgindade vale ouro, muito coronel pagaria um dinheirão para tirar-lhe o cabaço.
O Cão, o Belzebu, ficou atentando o juízo de Jaciara. Numa noite, procurou a vizinha, pediu para levá-la à zona. Ao chegar à Boate São Jorge, bairro boêmio de Jaraguá, subiram a íngreme escada, Jaciara empolgou-se com a beleza do salão. O dono, Mossoró, o rei da noite, chegou perto, a amiga foi falando:
- Pai Velho, olhe o presente que trouxe para você, essa bela índia.
Aproximou-se, cochichou no ouvido:
- É virgem...
O negrão, conhecedor profundo da alma boêmia, interessou-se por Jaciara, o fato de ser virgem, deixou-lhe empolgado. Havia quem desse um bom dinheiro por aquela jovem. Mandou-a esperar. Jaciara estava deslumbrada com a música do conjunto, a alegria da casa, os pares dançando no salão. O “Pai Velho” levou-a ao escritório, um quarto especial. Deu alguns trocados para amiga e despachou-a, ficou com Jaciara, era todo sorriso, simpático, passava confiança às meninas, adorado pelas raparigas. Fez algumas perguntas à índia. De repente, pediu-lhe para tirar a roupa. Jaciara desabotoou os laços nos ombros, o vestido de chita caiu no chão, desabrochou a beleza seminua da jovem, o “Pai Velho” encantou-se. Se não fosse virgem, ele seria o primeiro, contudo, aquela virgem valia ouro.
- Você vai passar alguns dias só aparecendo no salão, tome dinheiro, compre três vestidos, toda noite fique bem bonita se mostrando de mesa em mesa, não vá para o quarto com ninguém, diga que é virgem, eu vou arranjar alguém especial para lhe tirar a virgindade, depois fica trabalhando na boate.
Toda noite Mossoró anunciava o leilão da virgem Jaciara no dia do Show de Reinaldo, uma trupe divertida de travestis, e inauguração da luz negra no salão.
Na noite marcada, a boate estava cheia; políticos, coronéis, usineiros, reservaram mesa. Foi uma das maiores festas na história do bairro boêmio de Jaraguá. Um rico fazendeiro arrematou a índia no leilão. Colecionador de cabaços, ele usava um colar: cada conta, uma virgem sacrificada. Pagou uma fortuna por Jaciara. Depois, não houve outra alternativa, ela continuou sua vida no cabaré.

domingo, 28 de maio de 2017

EM DEFESA DOS CACHORROS

Texto de Luiz Ferreira da Silva
ENGENHEIRO-AGRÔNOMO E ESCRITOR

É uma febre a criação de cachorros em apartamentos, sem a mínima condição de vida, consentânea à natureza da espécie. Não só se comete um atentado contra a sua saúde, bem como se descaracteriza o animal.
Quem já se viu um cachorro sofrer de estresse? Trancafiado em diminutos cômodos, sem se movimentar, fazer xixi nos postes, paquerar uma cadelinha, ou vice-versa, correr pelos becos e enfrentar desafetos, sofrem por dentro e por fora, com constantes visitas ao veterinário.
Sim, nesse ambiente almofadinha, até com roupinhas ridículas, não desenvolve a sua proteção orgânica, ficando vulnerável às doenças, fragilizando-se.
Um meu conhecido, que cria um pastor alemão em seu apartamento de um   pouco mais de 100 m², contou-me que quando leva o cachorro para passear, depois dele "suplicar", tem um problema sério no retorno. Ao sair, é uma alegria só - corre, pula, balança o rabo, brinca. Mas quando pressente a volta, vira uma fera literalmente, não querendo retornar àquele ambiente hostil à sua vida animal, perdendo o humor e latindo com as pessoas, necessitando medidas drásticas de contenção.
Isso diz tudo: o crime que se comete com a criação de cachorros em apartamentos. Numa casa, com espaço adequado, a coisa é diferente.
Eu me pergunto onde se encontra a Sociedade protetora dos animais? E as ONGS ambientalistas? E as Secretarias municipais, mais preocupadas com suas carrocinhas de capturar cães desgarrados?
Ninguém se pronuncia; diz um ai sequer. Por quê? Possivelmente, pela força do comércio com lucros vultosos: criadores, indústria de ração, clínicas veterinárias.
Tudo tem um meio termo. É preciso encontrá-lo, colocando no epicentro da questão, o principal interessado - o animal. Digo, o racional; é claro, o cachorro.

sábado, 27 de maio de 2017

LEIS UNIVERSAIS

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

LEIS BÁSICAS DA CIÊNCIA MODERNA
· Se mexer, pertence à Biologia.
· Se feder, pertence à Química.
· Se não funciona, pertence à Física.
· Se ninguém entende, é Matemática.
· Se não faz sentido, é Economia ou Psicologia.
· Se mexer, feder, não funcionar, ninguém entender e não fizer sentido, é informática. 

LEI DA PROCURA INDIRETA
· O modo mais rápido de encontrar uma coisa é procurar outra.
· Você sempre encontra aquilo que não está procurando. 

LEI DA TELEFONIA:
· Quando te ligam: se você tem caneta, não tem papel; se tiver papel, não tem caneta; se tiver ambos, ninguém liga.
· Quando você liga para números errados de telefone, eles nunca estão ocupados.
Parágrafo único: Todo corpo mergulhado numa banheira ou debaixo do chuveiro faz tocar o telefone. 

LEI DAS UNIDADES DE MEDIDA
· Se estiver escrito “Tamanho Único”, é porque não serve em ninguém, muito menos em você… 

LEI DA GRAVIDADE
· Se você consegue manter a cabeça enquanto à sua volta todos estão perdendo, provavelmente você não está entendendo a gravidade da situação. 

LEI DOS CURSOS, PROVAS E AFINS
· 80% da prova final será baseada na única aula a que você não compareceu e os outros 20% será baseada no único livro que você não leu. 

LEI DA QUEDA LIVRE
· Qualquer esforço para agarrar um objeto em queda provoca mais destruição do que se o deixássemos cair naturalmente.
· A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor do carpete. 

LEI DAS FILAS E DOS ENGARRAFAMENTOS
· A fila do lado sempre anda mais rápido.
Parágrafo único: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais rápida. 

LEI DA RELATIVIDADE DOCUMENTADA
· Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual. 

LEI DO ESPARADRAPO
· Existem dois tipos de esparadrapo: o que não gruda e o que não sai. 

LEI DA VIDA
· Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada.
· Tudo que é bom na vida é ilegal, imoral, engorda ou engravida. 

LEI DA ATRAÇÃO DE PARTÍCULAS
· Toda partícula que voa sempre encontra um olho aberto.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O BARBEIRO DE IGREJA NOVA

Texto de Aloisio Guimarães

Para quem não conhece o estado de Alagoas, Igreja Nova é uma pequena cidade do interior alagoano, localizada entre a histórica cidade de Penedo (às margens do Rio São Francisco) e a cidade de São Sebastião (antigo povoado Salomé, às margens do entrocamento Porto Real do Colégio/Penedo/Maceió/Arapiraca).
Como não poderia deixar de ser, Igreja Nova é uma cidade pequena, onde todo mundo conhece todo mundo e por isso mesmo a fofoca corre solta, principalmente em época eleitoral. Como não podia ser diferente, ela tem uma característica comum a toda cidadezinha do interior do Brasil: quem quiser saber "quem é quem" na cidade, é só ficar "marcando ponto" na barbearia local, porque é lá que toda a verdade aparece. Assim, durante década de 70, a barbearia "A Tesoura de Ouro", de propriedade do Robertinho, foi a fonte de informação dos fofoqueiros de Igreja Nova. Quem quisesse saber da vida dos outros, era só dar uma chegadinha por lá e perguntar:
- E aí, Robertinho, quais são as novas?
Pronto! Era um "prato cheio" para o Robertinho "rasgar o verbo", falando mal de todo mundo, "metendo o pau" em Deus e no Diabo... Muita gente boa da cidade detestava barbeiro, com um medo desgraçado da língua ferina do Robertinho.
Contam que, certo dia, em virtude das economias que fez durante os muitos anos que viveu cortando cabelo e barba, Robertinho, mesmo sendo uma "munheca de pau" (como é popularmente chamado quem não sabe dirigir direito), conseguiu comprar um fusquinha 63 que, de tão velho, já estava "queimando óleo" (quase batendo o motor).
Feliz com o seu carrinho, mas metido a besta, no primeiro final de semana, Robertinho chamou a sua esposa, a Maria José, mais conhecida com o Zefinha, e avisou:
- Mulé, ajunta as coisas aí, que vamu prá capitá...  Hoji, ocê vai cunhecê o má!
Imediatamente, Zefinha, toda ansiosa, pois nunca tinha visto o mar, atendeu às ordens do marido, mas sugeriu:
- Mô, a cumadi Quitera podi ir cum a gente? Ela é estudada e já conhece a capitá do estado e o má...
Robertinho, não gostou muito da ideia porque a sua comadre Quitéria, depois dele, era considerada a maior fofoqueira da cidade. Mas, mesmo reticente, ele atendeu ao apelo da esposa. Tão logo arrumaram as malas, se mandaram para Maceió...
Assim que o fusquinha do Robertinho chegou no Mirante do Gunga (famosa praia alagoana - cartão postal do estado), Zefinha, vendo aquela imensidão verde (a maravilhosa cor do mar alagoano), disparou:
- Vixe, Betinhu, quantu capim, hômi!
Nesse momento, Robertinho, dando uma de profundo conhecedor do mundo, ensinou:
- Num é capim não, minha fia, é o má... Muitu cuidadu, prumode qui ele é sargado!
Ao ouvir a ignorância do casal, a comadre Quitéria já estava "gozando por dentro"...
Minutos depois, já no viaduto que fica em frente ao antigo DETRAN, Robertinho, maravilhado com a visão da Praia do Sobral e da praia da Avenida da Paz, se distraiu e deu um trancão em um carro que vinha ao seu lado:
- Barbeiro! - xingaram diversas vezes os ocupantes do outro carro.
Quanto mais o chamavam de "barbeiro" (um mau motorista), Robertinho ficava orgulhoso... Nisso, vira-se para a Quitéria e comenta:
- Tá venu, cumadi Quitera? Eu tamém sô cunhicidu aqui na capitá...
- Tô vendo compadre, você é mesmo conhecido... - respondeu, com ironia, a Quitéria.
Mais adiante, quando chegaram no semáforo da Ponte do Riacho Salgadinho, Robertinho "furou" o sinal vermelho, quase provocando uma colisão. Zangado, o motorista do  outro carro, gritou:
- Corno!
Nesse momento, foi a vez da Zefinha, a mulher do Robertinho, com voz nervosa, perguntar:
- Betinhu, meu fio, né mió nois vortá logo pra casa?
Ao ouvir o que a Zefinha perguntou, Robertinho nada comentou, deu meia volta no carro e voltaram para Igreja Nova, tudo sob o riso matreiro da fofoqueira Quitéria, que logo entendeu o medo da sua comadre Zefinha.
E assim, desse dia em diante, o barbeiro Robertinho nunca mais falou mal de ninguém, principalmente da comadre Quitéria...

quinta-feira, 25 de maio de 2017

A DIFERENÇA ENTRE "TU" E "VOCÊ"

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

O Diretor de um Banco, estava preocupado com um jovem e brilhante gerente, que, depois de ter trabalhado durante algum tempo junto dele, sem parar nem para almoçar, começou a ausentar-se ao meio-dia.
Então, o Diretor do Banco chamou um detetive privado do banco e disse-lhe:
- Siga o gerente Lopes durante uma semana para descobrir se ele anda fazendo algo sujo.
O detetive, após cumprir o que lhe havia sido pedido, voltou e informou:
- O gerente Lopes sai normalmente ao meio-dia, pega seu carro, vai a sua casa almoçar, faz amor com sua mulher, fuma um dos seus excelentes cubanos e regressa ao trabalho.
Responde o Diretor:
- Ah, bom, antes assim. Não há nada de mal nisso.
Logo em seguida, o detetive, querendo fazer se entender melhor, pergunta:
- Desculpe... Posso tratá-lo por tu?
- Sim, claro - respondeu o Diretor, surpreso.
- Bom, então vou repetir - disse o detetive - o gerente Lopes sai normalmente ao meio-dia, pega teu carro, vai a tua casa almoçar, faz amor com tua mulher, fuma um dos teus excelentes cubanos e regressa ao trabalho.
É assim, a Língua Portuguesa é muito traiçoeira.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

SIGLAS

POSTAGEM: ALOISIO GUIMARÃES

Um belo dia, um funcionário estava viajando, a trabalho, e recebeu um e-mail de seu gerente, no qual estava escrito: "PORRA".
No dia seguinte, o funcionário respondeu o e-mail com a seguinte expressão: "FODA-SE".
Retornando ao escritório central, foi imediatamente chamado pelo gerente, que lhe disse:
- Você não tinha o direito de me responder daquele jeito! O meu e-mail era simplificado e o significado de PORRA é "Por Obséquio Remeter o Relatório Atrasado"
O funcionário argumentou:
- Eu sabia disso... E foi exatamente dentro desse espírito que lhe respondi FODA-SE, que significa "Foi Ontem Despachado, Amanhã Será Entregue".
Vai ter raciocínio rápido assim lá na PQP (Produção, Qualidade e Planejamento)!
Foi promovido, é claro...

terça-feira, 23 de maio de 2017

O CONFORMISTA

Texto de Carlito Lima

Raimundo é cearense, foi trabalhar em Maceió nos anos 70 e ficou morando para o resto da vida. Religioso, crente e conformista, não perde missa, comunga aos domingos. Toda calamidade acontecida ele encara com a frase conformista predileta: “São os desígnios de Deus”. Sua religiosidade tornou-o um homem temente ao Todo Poderoso. No Colégio Marista do Ceará era considerado peixinho dos irmãos pela inabalável fé aos dogmas da Igreja Católica. Rezava muito, ajudava a missa, coroinha. Era mostrado como um exemplo de jovem o que deixava a galera do mal enciumada. Tornou-se alvo de muitas brincadeiras irreverentes. Raimundo nem aí, firme em suas convicções com muita personalidade.
Na maturidade, preservou o sentimento religioso conformista. Tudo que acontece, seja bom ou mal, para ele são os desígnios de Deus. Sua mulher Iolanda, depois de 35 anos de casados, dois filhos encaminhados, funciona na prática uma irmã e amiga, cuida bem do marido e da casa, mas não se cuida, já ultrapassou os 121 quilos. Mais de três anos sem sexo completaram o casal.
Com todos predicados religiosos, Raimundo não é o santo que se parece; tem seus pecados. Gosta de uma garota de programa em alguma tarde. Ele tem uma agenda confidencial com a relação de amigas que lhe prestam serviços agradáveis. Uma vez na semana telefona para alguma.
Certa tarde Raimundo estava dirigindo pela orla de Pajuçara para refestelar sua alma, olhando o verde-azulado do mar. Ao longe ele avistou uma mulher num ponto de ônibus, pedindo carona com a mão. O cearense parou o carro adiante, a moça se aproximou perguntando:
- Vai até o Hotel Jatiúca?
Ele abriu a porta e a bonita jovem já foi sentando, cruzou as belas pernas mal encobertas pela minissaia. Deu uma sensação de fervor nas veias de Raimundo.  Puxou conversa até chegar no Hotel. Michelle, antes de dar o número do telefone pedido, se ofereceu:
- Você foi tão gentil, não quer um agradecimento logo adiante na praia de Cruz das Almas?
O coroa ficou entusiasmado pela aventura inesperada. Seria coisa rápida, disse ela. Nosso amigo, empolgado, estacionou o carro embaixo dos coqueiros perto a outros carros que ali estavam enquanto os ocupantes se dedicavam ao amor vespertino. Michelle pediu para ele se dirigir mais adiante, num local mais ermo. Raimundo atendeu, estacionou o carro num local mais deserto no meio do coqueiral.
O cearense ficou encantado com a habilidade da jovem quando acabou a função. De repente, Raimundo ouviu um “toc-toc” no vidro do carro, ao olhar de lado havia um cano de revólver apontando, e uma voz mandando abrir o vidro. Eram três meliantes. Colocaram o casal no banco traseiro, deram a partida, um dos meliantes tinha um revólver na mão direita e alisava o cabelo de Michelle com a esquerda. Rumaram pelo litoral norte. Nos arredores da praia mais deserta, o motorista estacionou, era tarde, estava escurecendo.
Os assaltantes mandaram os dois descerem, cataram dinheiro, carteira, cartão, tudo que podia. Um dos meliantes obrigou Michelle a fazer o que ela já havia feito com Raimundo. Os outros dois bandidos barbaramente estupraram Raimundo por trás de uma moita. Deixaram o cearense sozinho na praia. Levaram o carro e a moça.
Foi um pesadelo para nosso herói, a região ficou dolorida. Andou até um povoado, de lá tomou um táxi, foi para casa. Contou a sua mulher sobre o assalto, prestou queixa à Polícia, omitiu o detalhe da jovem e do estupro.
No dia seguinte pela manhã recebeu a boa notícia: tinham encontrado o carro abandonado na fronteira de Pernambuco. O carro estava intacto. Raimundo providenciou as segundas vias dos documentos. Só teve um problema: toda noite sonhava com o estupro e gostava no sonho. Teve a ideia de procurar um médico, fazer análise. Depois de algumas seções, ouvindo a história do estupro e dos sonhos noturnos, o médico psiquiatra concluiu que sua sexualidade é ambígua, ou seja, Raimundo é bissexual.
O coroa cearense continua com suas garotas de programa, mas agora variando com menininhos para aliviar seus sonhos. Não teve coragem de contar a história verdadeira ao padre no confessionário. Mas em seus pensamentos e devaneios se justifica, ele ser bissexual faz parte dos desígnios de Deus. Raimundo é um convicto conformista.